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sábado, 28 de janeiro de 2017

Cá estamos nós, já terminando o mês de Janeiro.
Certamente o mês mais improdutivo do ano já que brasileiro tradicionalmente só trabalha depois do Carnaval... a porcaria do Carnaval.
Nada mais nocivo a um povo do que uma distração monumental banhada a promissoras aventuras ligadas ao sexo ou à bebida enquanto os governantes aplicam-lhes golpes legislativos. E esse ano, a lista é GRANDE e EXTREMAMENTE perigosa, incluindo tentativas de unificação das polícias sob um só comando, "doar" mais de R$100 bilhões às operadoras (para tentar censurar discretamente ou dificultar acesso a certos conteúdos online), tentar empurrar "na marra" uma Assembléia Nacional Constituinte (com uma Constituição golpista já desenvolvida em segredo), tentar aprovar a tal "lei da mordaça" (
PLS 280/2016) do Renan Calheiros, que agora tramita na CCJ que tende a ser presidida por ele mesmo (Renan Calheiros) à partir do mês que vem), tentativa de melar o fim da aberração jurídica conhecida como "Foro Privilegiado", outra tentativa de empurrar a versão invertida das "10 Medidas Contra a Corrupção", tentar forçar uma eleição prematura (inconstitucional) para Presidente (naturalmente com um sistema eleitoral fraudulento) e sabe-se lá o quê mais planejaram durante o "recesso".
Mas o que o povo tem na cabeça mesmo é bunda, né?
De vez em quando é bom lembrar que bunda geralmente só produz uma coisa.



Uma triste visão de mundo de fora da caixa
"Eta povinho bunda!"


Olhando para algumas postagens mais antigas deste blog, percebo que de certa forma ele tem refletido momentos históricos e acabo me perguntando se no futuro, blogs como esse poderão ser citados em algum assunto ligado a esse período.
Só não sei sob qual contexto. E de certa forma isso me desconcerta porque costumo registrar de tudo aqui e algumas coisas talvez sejam vergonhosas para essas gerações atuais em relação às gerações futuras.
Como eu previa, esse começo de ano está sendo uma enxurrada de mudanças, seja na política (que naturalmente se reflete na Economia), seja nas polêmicas causadas pelos governantes que assumiram seus cargos neste começo de ano e os já esperados ataques gratuitos a essas medidas polêmicas, pra variar, sem contextualizar as coisas ou defini-las corretamente antes, deixando claro que o real objetivo (ainda que inconsciente) das pessoas, tem sido o ataque direto às opiniões. Não o diálogo saudável em busca de soluções práticas para ambos os lados.
Em suma, é uma guerra de opiniões estáticas, onde consome-se energia demais, tempo demais e fosfato demais com picuinhas e "mimimi" enquanto o que realmente tem relevância sempre acontece em outra frente de combate.
Ou seja... esse povo não só desaprendeu a dialogar de uma década pra cá, como transforma qualquer tentativa de diálogo em guerra ideológica para defender suas utopias.
E quando não existem argumentos, partem para o ataque psicológico, com o objetivo de "desconstruir" não os argumentos dos adversários, mas a reputação dos mesmos o mais publicamente possível, geralmente induzindo uma situação de irritação para depois alegar "burrice", "insanidade" ou "desequilíbrio mental", embora esse truque hoje, já seja manjado.
E a qualidade dos argumentos está cada dia mais desanimadora.
Coisa de gente absolutamente incapaz de raciocínio crítico, condicionada a repetir palavras de ordem proferidas pelos líderes de suas utopias, que insistem em pregar uma visão de mundo absolutamente fora da realidade, tal qual se faz na maior parte das religiões, em que se demoniza quaisquer outras versões que não sejam as pregadas pelas mídias da seita.
Mas desanimador mesmo são os efeitos dessas coisas na Política, na Economia, na legislação, na Justiça, nos hábitos alimentares, nos costumes coletivos (e histerias coletivas), nos valores humanos (hoje mais voltados aos animais do que aos humanos), nas inversões desses valores, na subversão cultural, na defesa elitizada e pseudo-intelectualizada da mesma nas mídias, escolas e universidades (que ao invés de doutrinação, deveriam ensinar como ter raciocínio crítico comparativo, estimular a compreensão das coisas ao invés de "passar na prova" para depois ter um papel sem valor efetivo), na criminalização das vítimas, na vitimização dos criminosos, que gera cada vez mais violência uma vez que não existe punição exemplar ou educativa, no duplipensamento, na novilíngua, nos desnecessários excessos de regulamentações que tornam a vida dos cidadãos impossível de ser 100% regular, o que garante arrecadação extra através de fiscalização que não há como ser fiscalizada ou denunciada, na absurda burocracia para qualquer coisa que se faça, na multiplicação da carga tributária que no final das contas, financia tudo isso... e graças a todas essas coisas, na descrença em relação ao futuro, enfim... o caos generalizado sonhado por Georg Lukács.
E é exatamente nesse cenário que eu aqui, sinto-me sem motivação alguma para acreditar no que quer que seja.
E acreditar em alguma coisa, é o mínimo que se precisa para se transformar idéias em projetos e investir neles para que haja algum progresso.
Mas com "incentivos" como esses?
É bem verdade que tem bastante gente indignada, bastante gente lutando, mas de forma desorganizada, sem foco, em muitos pequenos grupos, infelizmente todos dispersos, que não aprenderam a se unirem de maneira a formar uma corrente eficiente.
Francamente, o que mais sinto falta hoje, é de algo ou alguém em que eu possa confiar de forma realmente significativa.
Seria uma prova importante de que ainda vale a pena acreditar em alguma coisa.
Sem isso, não existe uma existência que se possa chamar de vida.
E as perspectivas nesse sentido não parecem nem um pouco animadoras num país em que o que realmente tem prioridade é cerveja, sexo, se aproveitar do(a) próximo(a) e destruir reputações ao invés de construir uma sociedade que simplesmente funcione melhor para todo mundo (e tenhamos menos motivos - ao menos reais - de reclamar de tudo).