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quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Eu fui técnico praticamente a minha vida toda.
E antes de eu trilhar pelos caminhos do suporte a redes corporativas, usei muito equipamento e software antes de virarem "padrão" de mercado e acabei ganhando a vida prestando suporte e consultoria nessas tecnologias pelo simples fato de eu ter trilhado esses caminhos antes da maioria do mercado.
Mas isso tem um custo alto e eu me sinto meio cansado disso de modo que especulo outra coisa para fazer, apesar da minha curiosidade sempre ter me impulsionado a trilhar esses caminhos.
No meio de umas pesquisas sobre soluções em software livre (que eu acredito que ou é o futuro da Indústria do software, ou é a base para o futuro do software proprietário, para o mercado de produção de mídia - exemplo), acabei fazendo um "videoclipzinho" só com software livre para avaliar essas soluções e confesso, estou surpreso não só com as soluções (ainda estou apanhando para aprender a mexer direito com alguns programas), mas comigo mesmo por eu ter feito uma coisa que eu nunca fiz: me filmar cantando numa tarde quente pra caraca, sem isolamento acústico, morrendo de medo de não incomodar os vizinhos, tenso pacas por causa disso, sem ouvir minha própria voz enquanto a gravava para aprender a usar os novos plugins de reverb, compressão, etc. num ambiente multitrack (porque gravar mixado é recurso do mixer, não do programa que eu pretendia aprender a usar) e depois ainda fiz a edição do vídeo e a sincronização do áudio, também tudo em software livre.
Cara... foi uma experiência divertida, mas dadas as condições, o resultado final ficou péssimo! (Como eu já imaginava! Nunca foi fácil gravar vocal... nem para lendas nisso! Ainda mais música inteira num take só sem cortes nem edição.)
Mas apesar disso, teve gente que gostou e aqui a minha surpresa: tem algumas pessoas me pedindo para gravar mais! 8-o
Bom... deixo aqui meu agradecimento a essas pessoas pelo carinho e é por essas pessoas que fiz uma versão nova do "videoclip", ainda amadora, mas um pouco mais caprichada. Mas... talvez eu grave só o áudio da próxima vez.



Sensações
"Acreditar é mais fácil do que pensar. Daí existirem muito mais crentes do que pensadores."


Alguma vez você já experimentou alguma de suas comidas prediletas no mais puro silêncio, no lugar mais calmo e confortável possível, sozinho(a) e com a mente completamente tranquila?
Degustar cada mordida lentamente nessas condições, de olhos fechados, saboreando cada sabor com o máximo de sensibilidade de seus sentidos?
Comer normalmente é um ato tão natural e tão corriqueiro que normalmente a gente nem pára para pensar nisso e acaba comendo para meramente se alimentar no meio da correria do dia-a-dia em meio a um monte de preocupações, geralmente com um televisor fazendo barulho, ou gente conversando...
Se a resposta foi "não" (e provavelmente foi a menos que você seja praticante de meditação transcedental, ioga, ayurveda ou algo assim), sugiro que experimente quando tiver oportunidade.
Aliás, os asiáticos, em especial os japoneses praticantes do Zen (corruptela do termo "zen-na", ou "contemplação", se não me engano), parecem saber muito bem como apreciar essas sensações, tendo como consequência, presenteado a humanidade com belíssimos Haiku.
Já falei algumas vezes aqui neste blog sobre os três níveis de consciência humana segundo a Programação Neurolinguística, ou seja... a Consciência*, pela qual você toma suas decisões; Sub-Consciência, o "banco-de-dados" com os valores que você usa para comparar as coisas e tomar suas decisões conscientes e a Inconsciência, que é onde esses valores são efetivamente construídos, mas que infelizmente não somos preparados corretamente para aprender a "filtrar" como esses valores recebem suas atribuições (assim os especialistas em neuromarketing usam e abusam disso para construir esses valores conforme os produtos ou idéias que querem vender à longo prazo, sem que os indivíduos percebam ou tenham sequer algum "anticorpo" contra isso).
Em suma, a inconsciência é o nível mais baixo da programação de nossas decisões futuras e dos valores que regem essas decisões e é justamente o nível mais difícil de alcançarmos (mas que outros podem faze-lo em nossas mentes sem que saibamos e até sem que eles mesmos percebam se estiverem devidamente condicionados para tal, através de indução social).
Voltando à experiência da comida em silêncio de olhos fechados, etc., nesse ato, você está tomando contato direto com sua inconsciência sem atribuir-lhe nenhum valor que você já não tenha atribuído à tal comida em seu sub-consciente, por isso é difícil se concentrar apenas no sabor sem se lembrar de nada atribuído à ele, assim como é difícil ouvir uma música sem se lembrar de algum evento em sua vida ou imaginar alguma cena.
Tomar consciência sobre sua inconsciência é a chave para entender como seus valores são construídos e como tentam manipula-los sem que você perceba, o que diga-se de passagem, acontece muito através de repetições contínuas de certas afirmações enquanto você faz coisas diferentes até que alguma delas ganhe uma atribuição à uma sensação (é por isso que certos comerciais são tão repetitivos na TV).
Aliás, a repetição e o desestímulo ao raciocínio lógico consciente formam as palavras de ordem e as histerias coletivas que fazem a força de divulgação das teologias e das ideologias políticas de coerência questionável pelo mundo.
Desestímulo esse que já começa desde cedo, com um negócio chamado "Imprinting" brilhantemente descrito pelo saudoso Prof. Pierluiggi Piazzi.
Resumindo, nunca ignore suas sensações e procure tentar evitar que elas sejam atribuídas a interferências externas sem o seu controle consciente (se puder).
Racionalize tudo, desconfie de tudo sem dó, porque o mundo nunca terá dó de você e fará de tudo para transforma-lo(a) num(a) "zumbí" do consumo de produtos ou idéias conforme o a vontade de quem tiver as rédeas de seu inconsciente, seja uma marca, seja uma ideologia, seja uma religião, seja uma empresa, seja a imprensa, a mídia, as companhias com quem você anda... não importa.
Seja dono(a) de sua inconsciência antes deles, se quiser realmente ser dono(a) de si.
Esse é o segredo da liberdade de "pensar fora da caixa" e conseguir perceber oportunidades de longo prazo, de não se impressionar com publicidade, direcionar seus planos por rumos de mercado ao invés de lançamentos de produtos.
Mas... como tudo o que tem valor "brilha nos olhos", naturalmente isso pode despertar inveja em uns, medo em outros e esse conjunto todo, tem o peso da responsabilidade que nem todo mundo tem preparo para assumir.
Às vezes, pode ser uma boa idéia desenvolver suas idéias em segredo e pô-las em prática quando elas estiverem maduras e apenas nas oportunidades certas.
O problema é identificar onde e quando essas oportunidades podem aparecer e não serem "alarme falso", como existem muitos.
Intuição?
Quem sabe?

* Não confundir com o modelo de psique de Sigmund Freud, baseado em Id (os desejos impulsivos primitivos), Ego (que visa a satisfação desses desejos ou impulsos) e Super-Ego (a limitação consciente social do Ego).

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