Translate

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Este mês foi excepcionalmente difícil de arrumar um tempo para escrever alguma coisa para pôr no meu blog como primeiro texto do ano.
Desde o dia 20 que estou tentando me isolar para escrever, mas já estamos no dia 28 e só agora, às 6:15 da manhã é que conseguí arranjar um jeitinho após brigar com os cupins de um armário embutido aparentemente projetado para atraí-los, de modo que todo ano, tenho de aplicar um cupincida em toda a madeira e o quarto onde ele fica... bom, fica com cheiro de cupincida.
Fora que a casa toda fica bagunçada e leva dias para pôr tudo no lugar.
Mas como os monges budistas diriam, é um "movimento de renovação"... Mas infelizmente, não consigo ver o nirvana num mundo cada dia mais caótico, perigoso e falso.
Se eu juntar todas as minhas experiências de vida, não sobra muita coisa em que se possa acreditar.
Deus (pelo menos da forma como os humanos pregam, de qualquer que seja seu credo), não se mostrou para mim, nada além de uma grande farsa e portanto, me sinto traído por tudo o que eu acreditava à respeito dele, que me foi pregado desde a infância numa família católica, passando por minhas experiências como fundacionista, batista e... bom... não preciso de hipocrisias ou ilusões no meu caminho. Já estou cansado dessas coisas.
Amor... até o momento, só acredito no amor de mãe... e olha lá!
Sexo... Bom... algumas mulheres (muito poucas) eu ainda acho lindas, agradam os olhos, atraem... mas não consigo mais acreditar em nenhuma, quanto mais confiar nelas além da confiança que eu poderia ter de qualquer amizade. Assim sendo, opto por permanecer sempre na "friend zone".
De certa forma, até acho que sou apaixonado pelas minhas amigas, mas não conseguiria nem pensar em "juntar os trapos", casar, essas coisas...
Já aprendí das piores maneiras possíveis que apesar de sentir a falta de um toque feminino na minha vida, para quem precisa de paz de espírito (como eu), não vale o esforço, nem os riscos, nem o tempo que poderia ser aproveitado melhor comigo mesmo ao invés de fazer papel de otário bajulando alguém, ou ainda sendo visto como tal, mesmo que não tenha nada a ver... E pelo andar da carruagem, duvido que algum dia alguém consiga me convencer do contrário.
Justiça... a dos humanos, esquece. A do Universo... me questiono se ela realmente existe ou não vai além da Terceira Lei de Newton.
As antigas religiões pagãs européias costumavam acreditar que "tudo o que você faz de mal a alguém, voltará em triplo para você". Mas como em qualquer religião... crenças baseadas simplesmente na fé, não apresentam nenhuma evidência concreta de que suas afirmações são verdadeiras. Só crendices baseadas em nada, como sempre.
Aliás, o que mais se vê, é os "caras maus" fazendo tudo de mal e nada acontece com eles... aliás, são até defendidos, elogiados, ganham prêmios... enquanto que os "caras bons" só se matam por nada em tudo, disperdiçam suas vidas em nome da dignidade de sua reputação, sua honra. Esses... são constantemente tratados como "otários", "trouxas" e de certa forma, até "inimigos de uma causa" seja lá qual for.
Decepção atrás de decepção, me fez perder completamente o gosto por certas coisas direta ou indiretamente atribuídas a elas, como viagens, videogames, carros, consumismos diversos...
O fato é que estou cansado.
Aos 45 anos, já tive todo tipo de experiência ruim. E quando aparece alguma fase de experiências boas, ela sempre termina com experiências ruins. Invariavelmente.
Paixões, já tive muitas. A única que permanece desde que me conheço por gente, é áudio... e ainda assim, ultimamente anda difícil encontrar músicas que compensam ser reproduzidas em cetos equipamentos.
Microinformática ainda é uma paixão, mas nada a ver com o meu trabalho. Aliás, é bom não misturar trabalho com hobby. Assim, as decepções de um ambiente, não afetam o outro.
Lembranças... é o que mais tenho. Talvez seja disso que seja feita a maturidade, afinal... experiência individual, única. A "impressão digital" de uma personalidade.
Única, como uma obra de arte... como uma escultura em pedra, que para se feita, precisa ser quebrada, lascada, entalhada, raspada, esfolada, polida...
Mas a obra de arte da vida está mais para castelo de areia se nada de todo esse esforço de uma vida, não servir para ser lembrado no futuro.
Ainda não conseguí deixar a minha "marca permanente" no mundo e duvido que eu consiga agora, depois de tantos esforços para fazer tanta coisa.
Mas pelos caminhos que a humanidade está seguindo, talvez ela não mereça mesmo e assim sendo, qualquer esforço por ela, será em vão, assim como qualquer esforço feito por essas ilusões como Deus, amor, sexo, Justiça...
Sei que para muitos, o que estou afirmando é uma enorme heresia, mas eu já acreditei nessas coisas e gostaria muito de acreditar de novo. Sério mesmo!
Mas se hoje não acredito, certamente não foi por falta de esforço.
Sei que é decepcionante, triste e até deprimente, mas lamento. A verdade é essa: Essa coisas todas não passam de ilusões e se quer um conselho baseado na minha experiência de vida, procure o sentido da vida em outra coisa, porque essas... não passam de perda de tempo.
45 anos para ser bem exato.
45 anos na lata do lixo.

OK... eu sei o que não faria sentido algum para mim*, mas ainda não sei o quê faria sentido a ponto de eu querer dedicar o resto da vida** a alguma coisa.
Nunca me sentí tão "perdido" quanto a isso.

E o futuro... Não tenho perspectiva nenhuma em vista.
Mas decepções... sem dúvida.





----
* Inclusive esse blog que só mantenho porque as pessoas me pedem para mante-lo. Por isso, hoje não tem texto além do "editorial". Sem texto temático hoje, sem frase famosa.
**Depois de voltar do inferno, ainda não sei bem se isso aqui é a continuação da minha vida, ou uma segunda chance para tentar encontrar algum sentido nela, só que agora, não há mais espaço para o tipo de ilusões que eu tinha antes.