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sábado, 17 de dezembro de 2016

Bom, estamos no final de mais um ano e este blog está completando 14 anos sem sair do ar, o que é bastante surpreendente para este que certamente é um dos blogs mais deprimentes da Internet, embora certamente o mais sincero dentro dos limites da minha visão de mundo exercitada com muito carinho a cada vez que reservo um tempo para escrever aqui.
Para mim, não foi um bom ano, apesar de alguns momentos bons ou divertidos.
Foi um ano muito triste pela quantidade de pessoas que testemunhei perderem seus empregos (inclusive eu e meus colegas de trabalho que espero estarem encaminhados), por minha mãe ter sido diagnosticada com esclerose múltipla e pelo caos e intolerância que tenho visto se espalhado pelo mundo feito uma epidemia.
É verdade que já fazem 4 anos que não sei mais o que é viver plenamente ilusões como felicidade, paixão ou amor, o que certamente me isolou mais do mundo e das pessoas do que eu já era. Mas toda a energia que eu gastaria com isso acabou sendo canalizada para outras atividades, (nem sempre com o sucesso que eu gostaria, é verdade) mas estranhamente produtivas e de certa forma, surpreendentes até para mim mesmo no sentido de adquirir novos aprendizados ou novas habilidades.
Só não consigo enxergar ainda como esses novos aprendizados ou habilidades me serão úteis no futuro.
Talvez como pregam algumas religiões asiáticas de nome impronunciável, um monte de talentos ou habilidades aparentemente inúteis ou tidas como deficiências, sejam necessárias ao mesmo tempo num momento único para mudar todo um cenário, mais ou menos como no final do filme "Sinais".
Sei lá... Essas coisas estão longe demais da minha compreensão para me pronunciar à respeito.
Mas estranhamente, me sinto bem e em paz com isso.


O último texto de 2016
"Dizem que o que procuramos é um sentido para a vida. Penso que o que procuramos são experiências que nos façam sentir que estamos vivos."
(Joseph Campbell)


O quê dizer de 2016, além de catastrófico e caótico?
Aparentemente sob todos os ângulos em que observemos, 2016 foi um péssimo ano para a humanidade.
Perdemos dois integrantes do Emerson, Lake & Palmer (Keith Emerson e Greg Lake), David Bowie, Prince... milhares morreram em guerras no Oriente Médio que agora exporta conflitos pelo mundo através de células terroristas infiltrados entre refugiado, ou de fome ou fuzilados em ditaduras como Cuba ou Venezuela enquanto as opiniões continuam se degladiando por utopias ao invés do óbvio.

Na política, praticamente nada mudou do que eu escreví no último texto que publiquei aqui ano passado e agora estamos tomando uma média de 3 tentativas de golpe de Estado por semana, clima de guerra civil em Brasília, o STF continua rasgando a Constituição, o Legislativo (fora meia-dúzia de indivíduos) continua legislando para se blindar de ser investigado e devidamente punido e o Executivo continua tentando mostrar algum serviço enquanto a casa toda está caindo.

Na mídia mainstream, o processo de subversão cultural e lavagem cerebral continua, seja no sentido de ficar exaustivamente repetindo discretamente palavras de ordem para inserir ideologias utópicas, "enxertando" uma palavra ou outra discretamente em reportagens "isentonas" para profrir o ódio a qualquer um que se oponha a essas ideologias, ou praticando estelionato disfarçado de cultos religiosos transmitidos pela TV, ou ainda transmitindo apenas notícias ruins feito tablóides de notícias policiais praticamente o dia todo enquanto outros canais de televisão apresentam alguns do desenhos animados mais retardados que já ví.
É irrisório o número de programas de TV que ainda apresentam algo de construtivo ou notícias como elas são.

Na sociedade, os efeitos das idéias implantadas através da mídia mainstream são nítidos:
  • As pessoas têm preferido dar atenção a seus animais de estimação (ou mesmo achados na rua) do que seus amigos, vizinhos, colegas, parentes ou quaisquer outros seres humanos. (Que tenho de concordar: a espécie está cada dia mais desprezível, especialmente no final do ano em que as manifestações de falsidade são generalizadas.);
  • Apesar da paranóia por "hábitos saudáveis", vegetarianismo ou veganismo militante, academia e afins, as pessoas continuam se drogando, fumando ou se entupindo de álcool com orgulho da barriga de cerveja que misteriosamente se lembram de tentar disfarçar para o verão;
  • A intolerância para com quem aponta esse tipo de incoerências está cada dia maior há pelo menos 30 anos enquanto distrações como o futebol, ou a cor do bikini de alguma celebridade na praia continuam sendo o tema mais comentado nos trend topics de certas redes sociais.
Mas nem tudo são notícias ruins.
A quantidade de coisas que tende a mudar no começo de 2017 é considerável embora os ânimos e o clima envolvendo quem é capaz de fazer esse tipo de mudança esteja muito tenso.
Coisas como a tomada de posse de um novo Presidente nos EUA, um prefeito "gestor empresarial" na cidade que mais produz no Brasil, possibilidade de aprovarem coisas como o fim do Foro Privilegiado ou as "10 Medidas Contra a Corrupção" (se não inverterem o teor dessas propostas através de golpes legislativos bastante prováveis), certamente trarão uma enxurrada de mudanças das regras do jogo assim como outras regras que já estão mudando e em consequ6encia disso, já há pessoas fazendo documentários muito bons confirmando e esclarecendo um monte de coisas que já venho apontando aqui no meu blog há anos! (Aleluia!)
É normal que em todo final de ano se diga que estamos terminando um ciclo e começando outro.
Não sei dizer até que ponto esse negócio de ciclos da humanidade têm validade, mas desta vez, há várias evidências subjetivas que sugerem algo nesse sentido.
A única coisa que posso fazer sobre isso é desejar a todos que iniciemos mesmo um novo ciclo, com novas regras, com mais tolerância, decisões baseadas em fatos, compreensão, arrependimentos sinceros com perdão merecido e que seja um bom ciclo de vida a todos, com muita paz, saúde e principalmente, esclarecimento mental e espiritual sobre o mundo em que vivemos.

Que 2017 seja o ano em que os justos de boa índole tomem as rédeas desta imensa carruagem chamada Terra!

domingo, 27 de novembro de 2016

Os últimos 5 meses para mim se resumiram basicamente em uma inacreditável sequência de imprevistos, prejuízos e irritantes atrasos de projeto em função (na imensa maioria das vezes), de pura incompetência ou picaretagem de "assistências técnicas especializadas" ou à baixa qualidade (proposital) de certos produtos, mas parece-me que agora, as coisas começam finalmente (e devagar) a entrar novamente nos eixos, exceto talvez pela minha mãe, recentemente diagnosticada com esclerose múltipla, o que está tirando meu sono (que já era ruim).
Apesar do diagnóstico, ela até que está bem, fazendo tratamentos e exames constantes... aparentemente estão fazendo resultados.
Quanto aos meus projetos, o jeito parece ser deixar para o ano que vem.
Final de ano é péssimo para iniciar qualquer coisa, a menos que seja algo absolutamente independente para entrar em operação só depois do carnaval.
Como no momento isso não é o meu caso, o jeito é esperar a virada do ano para recomeçar meus planos, ou dependendo das mudanças de cenário até lá (que serão muito radicais com  certeza), provavelmente eu terei de preparar planos novos.
Até lá, vou tentar curtir meus hobbies como se estivesse em férias.


Agentes de subversão
"Ensina a criança a seguir um Caminho e quando for idoso não se desviará dele."
Provérbios, 22:6


Em primeiro lugar, não é vergonha nenhuma assumir-se como vítima de subversão cultural.
Somos bombardeados por múltiplas formas de subversão cultural 24h por dia, na TV, no trabalho, nas conversas de bar, nas rodas de amizades, nas redes sociais, nos jornais, no cinema... em toda parte onde existe algum tipo de linguagem.
A questão é... como interpretamos os dados e transformamos em informação dentro de nossas mentes?
Em 2008 eu escreví uma série de textos aqui no meu blog, sobre "Elementos Alienantes"*. Mas faltava associa-los aos projetos alienadores corretos (sociedades secretas, banqueiros ou famílias poderosas, etc.)
De lá para cá, novas luzes começaram a tomar forma sobre esses projetos e um deles se tornou bastante claro, especialmente após eu ver uma palestra dos anos 80, de um ex-espião da KGB que desertou para contar ao mundo sobre como usa-se a subversão cultural como arma de guerra silenciosa numa sociedade. Arma conhecida há milênios, mas que nunca esteve tão em alta mundialmente como nos últimos 100 anos em que se sofisticou dramaticamente com técnicas de psicologia, hipnose, neuromarketing e o consumo em massa de drogas psico-ativas (conscientemente ou não).
Motivo pelo qual apresentar os "Elementos Alienantes" como eles são a pessoas afetadas por esse tipo de subversão cultural, além de não fazer a menor diferença, ainda fará com que essas pessoas tenham inclusive repulsa às idéias de que essas coisas são assim.
A chave das diferentes reações à mesma linguagem, está no fato de que ela obviamente não é interpretada da mesma forma pelas pessoas e há um motivo para isso: as definições e idéias por trás das palavras obviamente não são as mesmas.
Está cientificamente provado que o ser humano não fala porque pensa. Ao invés disso, pensa porque fala.
A Linguagem é o primeiro elemento essencial ao raciocínio.
Mas não bastam palavras para que uma Linguagem se forme.
Cada uma delas precisa estar associada a uma idéia e uma definição muito bem definida.
Talvez exatamente por isso, os povos que têm suas linguagens baseadas em ideogramas ao invés de representações fonéticas parecem menos sujeitos à certos tipos de subversão cultural.
No entanto, se as definições ou idéias associadas às palavras forem distorcidas quando o vocabulário começa a ser formado, dificilmente a criança ao crescer e tornar-se adulto(a), mudará essas definições em sua mente, o que fatalmente tornará seu raciocínio mais confuso ou difícil pelo duplipensamento, tendendo ao raciocínio mais simples baseado em suas primeiras definições, corretas ou não (ou mesmo, "enxertadas" como valores distorcidos desde a infância.
Embora hoje, tenhamos tendência a relacionar esse tipo de distorção de valores, definições e interpretações ideológicas aos movimentos marxistas (ou "progressistas" ou "sociais-democratas" ou quaisquer títulos que se auto-atribuem), esse tipo de técnica de subversão já é bastante conhecida, com referências em livros milenares como "A Arte da Guerra" ou em alguns livros da Bíblia. No entanto, o que é relativamente novo (tem cerca de 1 século) é a ocupação sistemática dos sistemas de ensino de metade do planeta (uns países mais, outros menos) e a aplicação de currículos escolares questionáveis e metodologias de ensino claramente desenvolvidas para dificultar o raciocínio ao invés de torna-lo eficiente, como o Construtivismo Social, ou Sócio-Construtivismo, ou simplesmente Construtivismo (é curioso como essas coisas costumam sempre ter múltiplos nomes e não é à toa).
Múltiplos nomes para a mesma coisa é um método bastante eficiente para confundir idéias ou atacar um único alvo através de múltiplas frentes aparentemente conflitantes como o crime organizado usa múltiplos partidos no Brasil, todos eles se apresentando como vertentes diferentes de marxismo e todos eles orquestrando seu próprio exército de "idiotas úteis" há décadas.
Não se enganem. Alguém financia esse tipo de esquema. Alguém com muito poder. Um grupo, uma organização ou uma organização de organizações.
Chame como quiser... Illuminati, Bohemian Club, Bilderberg, Skull & Bones, Establishment... ou todos eles entrando em acordos ou conflitando entre si.
Não importa.
Os donos do mundo, não ligam para dinheiro, capital, consumismo... e duvido que liguem para vidas humanas ou a qualidade das relações entre as pessoas.
Deve ser uma vida muito, muito tediosa.
E tédio, é uma coisa muito perigosa... e triste.
Não tenho objetivo de chegar a lugar algum com esse texto de hoje além do de sempre: estimular a reflexão.


* A série "Elementos Alienantes" (2008):

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Eu fui técnico praticamente a minha vida toda.
E antes de eu trilhar pelos caminhos do suporte a redes corporativas, usei muito equipamento e software antes de virarem "padrão" de mercado e acabei ganhando a vida prestando suporte e consultoria nessas tecnologias pelo simples fato de eu ter trilhado esses caminhos antes da maioria do mercado.
Mas isso tem um custo alto e eu me sinto meio cansado disso de modo que especulo outra coisa para fazer, apesar da minha curiosidade sempre ter me impulsionado a trilhar esses caminhos.
No meio de umas pesquisas sobre soluções em software livre (que eu acredito que ou é o futuro da Indústria do software, ou é a base para o futuro do software proprietário, para o mercado de produção de mídia - exemplo), acabei fazendo um "videoclipzinho" só com software livre para avaliar essas soluções e confesso, estou surpreso não só com as soluções (ainda estou apanhando para aprender a mexer direito com alguns programas), mas comigo mesmo por eu ter feito uma coisa que eu nunca fiz: me filmar cantando numa tarde quente pra caraca, sem isolamento acústico, morrendo de medo de não incomodar os vizinhos, tenso pacas por causa disso, sem ouvir minha própria voz enquanto a gravava para aprender a usar os novos plugins de reverb, compressão, etc. num ambiente multitrack (porque gravar mixado é recurso do mixer, não do programa que eu pretendia aprender a usar) e depois ainda fiz a edição do vídeo e a sincronização do áudio, também tudo em software livre.
Cara... foi uma experiência divertida, mas dadas as condições, o resultado final ficou péssimo! (Como eu já imaginava! Nunca foi fácil gravar vocal... nem para lendas nisso! Ainda mais música inteira num take só sem cortes nem edição.)
Mas apesar disso, teve gente que gostou e aqui a minha surpresa: tem algumas pessoas me pedindo para gravar mais! 8-o
Bom... deixo aqui meu agradecimento a essas pessoas pelo carinho e é por essas pessoas que fiz uma versão nova do "videoclip", ainda amadora, mas um pouco mais caprichada. Mas... talvez eu grave só o áudio da próxima vez.



Sensações
"Acreditar é mais fácil do que pensar. Daí existirem muito mais crentes do que pensadores."


Alguma vez você já experimentou alguma de suas comidas prediletas no mais puro silêncio, no lugar mais calmo e confortável possível, sozinho(a) e com a mente completamente tranquila?
Degustar cada mordida lentamente nessas condições, de olhos fechados, saboreando cada sabor com o máximo de sensibilidade de seus sentidos?
Comer normalmente é um ato tão natural e tão corriqueiro que normalmente a gente nem pára para pensar nisso e acaba comendo para meramente se alimentar no meio da correria do dia-a-dia em meio a um monte de preocupações, geralmente com um televisor fazendo barulho, ou gente conversando...
Se a resposta foi "não" (e provavelmente foi a menos que você seja praticante de meditação transcedental, ioga, ayurveda ou algo assim), sugiro que experimente quando tiver oportunidade.
Aliás, os asiáticos, em especial os japoneses praticantes do Zen (corruptela do termo "zen-na", ou "contemplação", se não me engano), parecem saber muito bem como apreciar essas sensações, tendo como consequência, presenteado a humanidade com belíssimos Haiku.
Já falei algumas vezes aqui neste blog sobre os três níveis de consciência humana segundo a Programação Neurolinguística, ou seja... a Consciência*, pela qual você toma suas decisões; Sub-Consciência, o "banco-de-dados" com os valores que você usa para comparar as coisas e tomar suas decisões conscientes e a Inconsciência, que é onde esses valores são efetivamente construídos, mas que infelizmente não somos preparados corretamente para aprender a "filtrar" como esses valores recebem suas atribuições (assim os especialistas em neuromarketing usam e abusam disso para construir esses valores conforme os produtos ou idéias que querem vender à longo prazo, sem que os indivíduos percebam ou tenham sequer algum "anticorpo" contra isso).
Em suma, a inconsciência é o nível mais baixo da programação de nossas decisões futuras e dos valores que regem essas decisões e é justamente o nível mais difícil de alcançarmos (mas que outros podem faze-lo em nossas mentes sem que saibamos e até sem que eles mesmos percebam se estiverem devidamente condicionados para tal, através de indução social).
Voltando à experiência da comida em silêncio de olhos fechados, etc., nesse ato, você está tomando contato direto com sua inconsciência sem atribuir-lhe nenhum valor que você já não tenha atribuído à tal comida em seu sub-consciente, por isso é difícil se concentrar apenas no sabor sem se lembrar de nada atribuído à ele, assim como é difícil ouvir uma música sem se lembrar de algum evento em sua vida ou imaginar alguma cena.
Tomar consciência sobre sua inconsciência é a chave para entender como seus valores são construídos e como tentam manipula-los sem que você perceba, o que diga-se de passagem, acontece muito através de repetições contínuas de certas afirmações enquanto você faz coisas diferentes até que alguma delas ganhe uma atribuição à uma sensação (é por isso que certos comerciais são tão repetitivos na TV).
Aliás, a repetição e o desestímulo ao raciocínio lógico consciente formam as palavras de ordem e as histerias coletivas que fazem a força de divulgação das teologias e das ideologias políticas de coerência questionável pelo mundo.
Desestímulo esse que já começa desde cedo, com um negócio chamado "Imprinting" brilhantemente descrito pelo saudoso Prof. Pierluiggi Piazzi.
Resumindo, nunca ignore suas sensações e procure tentar evitar que elas sejam atribuídas a interferências externas sem o seu controle consciente (se puder).
Racionalize tudo, desconfie de tudo sem dó, porque o mundo nunca terá dó de você e fará de tudo para transforma-lo(a) num(a) "zumbí" do consumo de produtos ou idéias conforme o a vontade de quem tiver as rédeas de seu inconsciente, seja uma marca, seja uma ideologia, seja uma religião, seja uma empresa, seja a imprensa, a mídia, as companhias com quem você anda... não importa.
Seja dono(a) de sua inconsciência antes deles, se quiser realmente ser dono(a) de si.
Esse é o segredo da liberdade de "pensar fora da caixa" e conseguir perceber oportunidades de longo prazo, de não se impressionar com publicidade, direcionar seus planos por rumos de mercado ao invés de lançamentos de produtos.
Mas... como tudo o que tem valor "brilha nos olhos", naturalmente isso pode despertar inveja em uns, medo em outros e esse conjunto todo, tem o peso da responsabilidade que nem todo mundo tem preparo para assumir.
Às vezes, pode ser uma boa idéia desenvolver suas idéias em segredo e pô-las em prática quando elas estiverem maduras e apenas nas oportunidades certas.
O problema é identificar onde e quando essas oportunidades podem aparecer e não serem "alarme falso", como existem muitos.
Intuição?
Quem sabe?

* Não confundir com o modelo de psique de Sigmund Freud, baseado em Id (os desejos impulsivos primitivos), Ego (que visa a satisfação desses desejos ou impulsos) e Super-Ego (a limitação consciente social do Ego).

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Mais mudanças de planos... e lá vou eu cuidar da minha mãe.
Um exame na coluna a deixará em repouso por pelo menos 24 horas e alguém tem de ficar lá com ela.
Não tenho como não ficar preocupado, especialmente porque ela já tomou um tombo esse mês e engessou o braço.
É... A idade chega para todo mundo. E as responsabilidades dos envolvidos próximos só tendem a se multiplicar.
Essa é a realidade da vida como ela é: mais cedo ou mais tarde, elas exige de nós que estejemos preparados.


O misterioso e sagrado poder da música
"A música exprime a mais alta filosofia numa linguagem que a razão não compreende."


Última madrugada do mês, este blog está ainda sem o texto do mês e eu, sem idéia.
"No último dia de setembro"... exatamente como na musiquinha "The Big Ship Sails" do meu primeiro curso de Inglês (lá por 1980), que na época, explorava muitas músicas infantís por terem letra bem fácil de entender e tinham tudo a ver com a faixa etária da molecada.
É estranho eu lembrar disso... "On the last day of September" enquanto conversava com um amigo exatamente sobre a falta de idéia sobre o que escrever de diferente no meu blog este mês. No entanto, essa coincidência me deu vontade de arriscar, me propôr o desafio de escrever exatamente sobre isso e tentar divagar sobre o assunto para ver onde isso iria parar. (Portanto, leitores(as), por este texto ser puramente experimental, não esperem lá grande coisa, OK?)
Música é uma coisa mágica, né? Mesmo a música mais simples, (como uma canção para crianças) consegue transportar nossa mente para outro lugar no tempo, no espaço ou até "outra dimensão", numa espécie de "fuga de consciência da realidade".
O Dr. Nigel Spivey, da Universidade de Cambridge, apresentou no episódio 4 da série "Como a Arte fez o Mundo" (se os(as) leitor(as) estiverem sem paciência de ver esse episódio inteiro, pule os primeiros 34 minutos, mas recomendo ver a série toda), que a música tem tanta influência numa cultura, que é o elemento-chave que mantém intacta a mesma narrativa na pintura aborígene há 40 mil anos. E eles levam muito à sério.
Música para eles, é sagrada, assim como em muitas outras tribos indígenas espalhadas pelo mundo.
Parece que nós, os descendentes da cultura européia ocidental, por algum motivo deixamos de perceber essa faceta sagrada da música tão comum em culturas que tendemos a considerar "primitivas".
Por alguma razão, nossas músicas hoje, parecem não ter mais a bagagem da emoção ou da seriedade e respeito que as emoções merecem e que esses primitivos aborígenes ainda mantém com tanto cuidado.
Embora ainda combinemos imagens com sons nos modernos videoclips, feitos para promover as vendas de música, é notório que algo está errado uma vez que ao invés de respeitar a música e as emoções que podem ser transmitidas através delas por gerações, transformamos-nas em motivos de piada, ou de sugestionamento sexual, vulgarizamos-nas transformando-as em mero barulho sem valor.
E em consequência, nossa cultura está seguindo o mesmo caminho, nos tornando incapazes de sequer refletir sobre esse tipo de observação.
Mas estranhamente a música, (a de verdade, criada artisticamente, com emoções ao invés de mero objetivo lucrativo) tem o poder de se impôr, de mostrar que veio para ficar.
Há anos venho percebendo que essas gerações que nasceram após o "boom" musical entre os anos 50 e 80 (e que ainda teve uma pequena inércia nos anos 90), ao travarem contato com algumas referências musicais diversas, em especial desse período, parecem conseguir notar que há algo alí que elas desconhecem... e é muito bom quando a curiosidade fala mais alto que a inércia social do consumismo descartável.
O "fator x", o "quinto elemento", a resposta ao "Enigma de Publius", aquela coisa que os audiófilos mais experientes vivem buscando entre as nuances harmônicas do sinal sonoro, como um tesouro que só se revela aos poucos a uns poucos que o buscam.
Há quem diga que se existe um Deus, ele fala através de minúscias escondidas na arte musical mais pura.
Será?
Uma coisa eu concordo com outros audiófilos espalhados pelo mundo: seja o que for, se você tentar explicar com palavras, jamais conseguirá.

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

É deprimente a quantidade de coisas que eu queria resolver em no máximo 30 dias e já se passaram 2 meses sem conseguir resolver boa parte dessas coisas por depender da pura incompetência, má vontade, ou picaretagem de outros.
Irrita, cansa, dá sono, desanima.
Tenho planos complexos e importantes por fazer, que dependem da resolução desses problemas ou a tendência é esses planos darem (muito) errado.
Impressionante como a qualidade dos serviços despencou nos últimos dez anos... vergonhoso como coisas que se resolvíam em no máximo uma semana, chegam a 2 meses sem sequer um parecer, quanto mais a um orçamento.
Como as coisas são difíceis e onerosas nessa terrinha! PQP!!!


Bagagem
"No final do jogo, o rei e o peão voltam para a mesma caixa."
(Provérbio Italiano)


Bom, finalmente acabaram-se as Olimpíadas, os meus medos de que fossem um desastre se foram e agora os investidores estrangeiros começam novamente a voltar seus olhos para o Brasil, o que é muito bom motivo para comemorar (com um bom vinho, embora eu devesse ter aberto um mais velho aqui), mas ainda vamos amargar por vários anos ainda, o estrago que os planos marxistas de poder causaram na Economia e na imagem do país aos olhos dos donos do dinheiro (motivo de ter escolhido um vinho não tão envelhecido), de modo que o mercado brasileiro de outsourcing relacionado à Tecnologia de Informação (por exemplo) hoje está completamente sem condições de competitividade internacional. E consertar isso, leva (muito) tempo. (Melhor eu me adaptar para atuar em outro segmento de mercado nos próximos anos.)
Um bom plano para começar, seria com barateamento de custos e aumento de eficiência tanto de infraestrutura quanto de serviços, o que exige investimento pesado com dinheiro que não temos... e ainda temos de pagar as contas da festa... contas que começarão a chegar agora. Portanto... sem esperança de melhoras nesse segmento pelo menos até quitar essas contas, o que pode levar digamos... uns 6 anos até que possamos voltar a respirar, se não tropeçarmos em mais "pedaladas", propinas, nomeações de cargos com rabo preso (especialmente no Judiciário) e a população continuar fazendo a sua parte fiscalizando e fazendo pressão como estão desde 2013, mas deveriam estar fazendo desde 1985. Afinal de contas, democracia de verdade é isso.
Mas como este aqui não é um blog nem de Economia nem de Política e muito menos um desses blogs ou revistas ou sites de notícias cuja integridade é altamente questionável (e financiados secretamente por gente de reputação digamos... "mais questionável ainda"), talvez fosse hora de eu voltar a escrever sobre mim, como fazia nas orígens deste blog, mas já fui demasiadamente prejudicado ao expôr meus comentários pessoais, num blog pessoal e portanto, sem a expectativa de ser corretamente compreendido por outras pessoas, especialmente os que vêm nisso, uma diversão imatura.
Escrever é uma arte antes de qualquer coisa. E como toda arte verdadeira, é uma "válvula de escape" do artista, seja ele competente nisso ou não. Por isso a interpretação de qualquer arte, requer antes de qualquer coisa, respeito e cuidado.
Gente imatura certamente olharia para alguma obra de Fernando Botero e como primeira reação, zombaria das proporções da(s) figura(s) ali representada(s). É o tipo de gente carente de atenção que compraria um vinho qualquer que pareça "chique" (para ostentar caricatamente um pseudo status) e encheria a cara com ele ao invés de degusta-lo aos poucos para maximizar o prazer de cada gole (degustar vinho para muitos também é uma arte: se você sentir qualquer alteração significativa de seus sentidos enquanto degusta, está rápido demais. É um desafio ao impulso de beber. Tom Jobim dizia que "o timing* é muito importante", referindo-se ao seu sempre companheiro, copo de whisky ao lado do piano, que quase sempre parecia cheio).
Tudo bem que eu não sou nenhum "gênio" como alguns presumem e outros até (para a minha surpresa) já me disseram que fui para eles uma espécie de "referência" ou "inspiração" para suas vidas pessoais ou profissionais, o que é certamente uma honra monumental para um homem que apesar de emocionalmente estável, se vê constantemente como um total e absoluto fracasso pessoal, apesar de já ter alcançado quase todos os grandes sonhos que tive na minha adolescência, embora não exatamente como eu imaginava.
Se eu tenho alguma credibilidade (como algumas declarações espontâneas de admiradores(as) sugerem), ela foi alcançada com muito esforço, muitos sacrifícios e muitos tombos por décadas... formando uma bagagem cada dia mais pesada de tristeza, saudade, incredulidade e desconfiança em relação a tudo e a todos. E carregar uma bagagem pesada assim, cansa.
É muito difícil carregar uma bagagem tão grande de lembranças e experiências, mas como se trata de uma carga preciosa, a responsabilidade de protege-la é um peso extra. Mas é isso, ou o sacrifício da paz, do sossego e da tranquilidade além de mais bagagem... e peso no mínimo, o dobro do que eu conseguiria carregar sozinho.
Definitivamente, não é um risco que vale a pena.
Se ao menos esse risco não existisse...
Paradoxalmente, carregar todo esse peso sozinho, não parece fazer o menor sentido, não me inspira, não me incentiva a nada... e é frustrante não encontrar nenhum motivo para continuar, mesmo revirando essa bagagem em busca de algum.
Há muito tempo digo que felicidade é uma ilusão e que nada é para sempre.
Eu já fui feliz. Mas como tudo acaba...
Se querem um conselho sobre viver ilusões, vivam-nas o melhor que puderem, mas saibam que são ilusões e jamais se apeguem a elas, porque um dia elas acabam do nada, como um castelo de cartas.
Tudo nessa vida é ilusão: Emprego, poder, dinheiro, prazeres, relacionamentos, fé, Deus, amor...
Tudo, exceto a bagagem da vida. E mesmo ela, um dia acaba... quem sabe no dia do descanso final?


*timing, é uma palavra de difícil tradução direta para o português. Nesse contexto da frase original do Tom Jobim ("The timing is very important!"), ele se referia ao tempo pausado entre uma degustada e outra.

domingo, 3 de julho de 2016

Já tem quase 14 anos que mantenho este blog e em nenhuma das 344 postagens houve uma única imagem inserida no texto, para preservar o foco no texto, uma das características muito elogiadas neste blog ao longo de todo esse tempo.
Mas hoje, resolví abrir uma exceção, em função de um momento de saudosismo que me ocorreu essa semana ao ver fita de máquina de escrever NOVA à venda numa papelaria.
Não resistí e tirei do armário minha velha máquina de escrever e exercitar um pouco de redação à moda antiga, sem copy/paste, sem undo, sem corretor ortográfico (de certa forma, um estimulador de preguiça mental).
Nada de distrações, animações, avisos, notificações... nada virtual, nada de gastar energia elétrica, nada de monitores brilhantes e coloridos como os dos incontáveis computadores diferentes que já usei para escrever para este blog.
Apenas eu, o papel, e um dispositivo 100% mecânico, hoje símbolo de uma época mais poética, mais humana e ao contrário do que se pensa, mais civilizada.


Sentindo-me velho

"Eu não sou jovem suficiente para saber de tudo."
(Oscar Wilde)



(Esta imagem está em 200dpi.
Talvez seja uma boa idéia baixar a imagem para ler no seu visualizador predileto.
Para isso, clique na imagem para abrir o arquivo original e então escolha "salvar como..." com o botão direito do mouse.
Você pode imprimir numa folha A4, se quiser, mas não terá o efeito de "baixo-relevo" de uma autêntica folha datilografada numa máquina de escrever mecânica.)

terça-feira, 14 de junho de 2016

Hoje é o meu último dia efetivo como suporte de redes na AT&T e o último num projeto que começou ainda na IBM, quando entrei como funcionário terceirizado há quase 10 anos.
Foram 10 anos de uma história extraordinária, com experiências profissionais e pessoais extraordinárias ao lado de equipes extraordinárias, formadas por todo tipo de pessoas, entre eles, alguns que posso afirmar sem medo, que estão entre os melhores do mundo... e outros, que se não chegam a tanto, certamente estão entre os melhores colegas de trabalho que eu que eu poderia ter tido e que agora, apesar de menos frequentes, permanecerão entre meus amigos... cada um com seu próprio caminho, seu próprio projeto de vida.
Foram 10 anos ao lado de gente que me proporcionou muito aprendizado e com ele, mais maturidade e sabedoria. Seja através de lições de vida, seja através da paciência em aceitar interpretações próprias da minha pessoa, nem sempre correspondentes à realidade, mas em momentos que me proporcionaram compreender mais sobre o mundo particular dessas pessoas e assim, aprender a respeita-las mais, além do que eu já respeitava.
Nada é para sempre. Talvez as lembranças e as saudades, pelo menos enquanto existir sopro de vida. Afinal de contas, somos apenas humanos. Nada mais.



O quê realmente vale o tempo de uma vida?
"O excesso de informação provoca a amnésia. Informação demais faz mal. Quando não lembramos o que aprendemos, ficamos parecidos com animais."


Se tentarmos resumir o maior valor para uma vida, concluiremos que é o tempo.
Por um simples exercício de lógica, a própria vida se resume em tempo.
Profissionalmente, quando você vende um serviço, você está vendendo parte do tempo da sua vida a prestar esse serviço, da mesma forma que se vende um produto, precisa dedicar seu tempo para apresentar o produto e efetuar a venda, ou ainda se fabrica o produto, gastará seu tempo para fabrica-lo.
Pessoalmente, quando você diz que dedica sua vida a alguém, na verdade está dedicando seu tempo a esse alguém. Ou se dedica a alguma satisfação pessoal, é o tempo de sua vida que você gasta para alcançar essa satisfação.
Sendo o tempo, algo tão importante, estamos em constante corrida para tentar realizar o máximo possível de coisas e quanto mais tempo você gasta de forma insatisfatória, maior será a sensação de derrota.
E o quê são essas coisas? (Por exemplo...)
Um computador que não responde a um comando ou uma atualização que faz você esperar à toa, tempo que se gasta configurando a aparência e posição dos ícones no Smartphone, ou ainda tentando resolver problemas nesses aparelhos, cada dia mais cheios de recursos (e falhas se multiplicando silenciosamente em cada um desses recursos - quem já foi programador sabe do que estou falando) ou ainda mais frustrante: buscando terceirização confiável para reparar esses aparelhos quando eles quebram, pifam ou queimam (que aliás, são projetados para isso te forçando a gastar mais tempo de sua vida para pagar a compra de aparelhos novos).
Necessidade de aprovação social, através de ostentação de imagem associada a sucesso, como festas, viagens, eventos esportivos, shows, posses... coisas que fazem gastar tempo (e dinheiro obtido com tempo) com momentos ou objetos que muitas vezes rendem mais pela imagem publicada para a sociedade do que para nossa satisfação pessoal (em ter de enfrentar fila, ser mal-atendido, pegar visto, brigar com atendente mal-treinado, tentar conversar num barulho impossível de se ouvir o que o outro diz, ser revistado(a) ter de preencher formulários, etc.) mas o que vale no final das contas é mostrar para o mundo que você esteve naquele lugar exótico dos cartões postais (e descobrir que o lugar é cheio de problemas na realidade, como os esgotos a céu aberto em Veneza, as favelas do Cairo ou os constantes assaltos em Paris).
E assim, a vida se vai... mas as aparências ficam... para a sociedade. E para você?
Será que vale mesmo a pena gastar sua vida com isso?
Tudo bem que uma coisa é você gastar esse tempo com algo que te traga satisfação pessoal, mas PESSOAL, não PÚBLICA.
Me pergunto constantemente se estamos gastando nossas vidas com os valores certos... enquanto alguns roubam nossas vidas através de desvio de dinheiro de impostos enquanto outros nos fazem entrar em discussões intermináveis tentando nos convencer de que "é assim mesmo que tá certo", ou outras pessoas tentando nos convencer a fazer um monte de coisa que pode até ser satisfatório para essas pessoas, mas não é para você.
O que mais me assusta, é que como sociedade, como "humanos em evolução", perdemos completamente essa consciência.

sábado, 28 de maio de 2016

Nos últimos dias, venho sentindo que estou terminando mais um ciclo da minha História.
Não sei se influenciado por certas mudanças eminentes no trabalho, ou se uma infestação de cupins que me fez tirar um monte de coisas de um armário para esparrama-las mal e porcamente pela casa, sendo que já não havía espaço pela casa para esparramar coisas... Ou se nessa movimentação toda de caixas e mais caixas de objetos que a minha mãe insiste em guardar (ou melhor, acumular) me trouxe de volta um monte de lembranças que vão de desde a minha infância até hoje... Não sei.
De qualquer forma, o destino (se é que isso existe) me forçou a essa estranha recapitulação que me remete a uma infinidade de fases da minha vida que eu nem lembrava mais... e muitas que nem faço lá muita questão de lembrar não.
Tudo tem um fim. E os tempos de vacas gordas (graças ao projeto de falência nacional promovido pelo Foro de São Paulo através do último governo - que aliás, nem devería ter existido), estão nitidamente apontando para digamos... novos tempos.
Coincidentemente, sempre junto com as notícias ruins num campo, vêm as boas em outro, mas nada definido (pelo menos ainda) e é o tipo de indefinição que me perturba, me frustra, me faz ficar pensativo, confuso, me sentindo absurdamente só no meio de um "vazio existencial", mas com uma infinidade de lembranças de tudo o que eu já viví... o que me faz sentir-me como se eu já estivesse morto. Ou talvez eu já esteja mesmo há anos.
Pelo menos, meu cálice de vinho não me dá palpites idiotas e os amendoins aqui do lado me relaxam entre uma degustação e outra enquanto escrevo sobre os azares das circunstâncias que me cercam.
Azares esses que para alguns, pode até ser motivo de piada, mas que me garantem uma certa tranquilidade para me manter estável em meio às intempéries que se aproximam, mais ou menos como no conto "A Cigarra e a Formiga".
Experiência de muitas intempéries... muitas mesmo.
Opto por não lembrar.

A teoria e a prática
"Não sou jovem o suficiente para saber tudo."


Em 2008, eu escreví um texto chamado "Elementos Alienantes - Parte 4: A Indústria do Pseudo-Certificado" e sinto que não escreví tudo o que devería ter escrito sobre o assunto.
Não escreví por exemplo, sobre os preconceitos em relação às pessoas que não têm certificado dito "de nível superior", como se isso colocasse essas pessoas num patamar de "superioridade" em relação às outras, embora muitas dessas pessoas pensam mesmo serem "superiores" por causa disso e com isso, adoram se iludir com "carteiradas" para ganhar discussões, enquanto que na prática, a teoria é outra bem diferente do ensinado no mundo acadêmico e assim, a aparente vitória nessas discussões, em sua imensa maioria culminam em decisões que com o tempo, se mostram catastróficas.
É como rodar um emulador de algum microcomputador antigo, ler todos os manuais dele e ver vídeos sobre como ele é, achando que assim o estará conhecendo profundamente ao invés de ter a experiência real com o próprio hardware e saber que muitos dos bugs que não existem no emulador, podem consistir em elementos físicos como aquecimento, carga estática, sujeira sujeira, lubrificação de partes mecatrônicas, capacitor aberto ou em curto...
Ou seja... enquanto o "teórico" vai achar que é problema de software, o universo pode ser infinitamente maior.
É o tipo de experiência que só se tem, com o contato físico direto ao invés do virtual.
Aliás, o mundo hoje está excessivamente virtualizado. E por trás desse fenômeno, há muitos males além da simples falta da experiência física sobre certas coisas.
Entre elas, a própria História, que deixa de ter vestígios físicos para que os historiadores possam conta-la de maneira mais precisa em relação ao que realmente aconteceu ou como as coisas realmente eram. E é aqui que entra a segunda coisa que eu não escreví naquele texto: os perigos da doutrinação teórica.
Claro que o exemplo mais conhecido é aquele em que um cara humilde que viveu um certo período histórico discorda de um rapaz novo, que estudou sobre aquele período na faculdade e que por ter o título de "nível superior", terá a sua versão da história prevalecendo e assim, a próxima geração não terá mais a referência do cara que viveu aquele período e se baseará na versão sem a experiência, que certamente omitirá os motivos de uma porção de coisas... e assim a história vai se distorcendo geração após geração.
Um fenômeno conhecido como "chinese whispers" (acho que no Brasil, chamam de "telefone sem fio"), numa alusão à famosa brincadeira em que uma criança sussurra uma mensagem no ouvido da outra até que a última recebe uma mensagem nada a ver com a mensagem original. (Nota: hoje a versão mais popular é feita com fones de ouvido e leitura labial. Pois é... Já distorceram até como era a brincadeira original.)
Muito pior do que essa distorção, é quando ela acontece propositalmente e pior ainda, quando sofre atribuições psicológicas. Assim, só se interpretam os fatos como se quer interpretar. (Em Psicologia, o termo técnico para isso é "percepção seletiva".)
É uma perversa versão moderna de lavagem cerebral, que é feita de forma discreta, em doses homeopáticas por décadas, geração após geração.
Assim se formam militâncias incondicionais por uma "causa", invertem-se valores, criminalizam-se os inocentes, glorificam-se os criminosos... tudo com as pompas do tal certificado de "nível superior" e o orgulho abominável de uma nova "raça ariana".
Na boa? Eu prefiro mil vezes, ouvir o que um porteiro de prédio, um quitandeiro, um motorista de taxi que seja... mas que tenha tido experiência, do que um ser categorizado que se orgulha disso, mas que não faz a menor idéia prática das consequências do que diz ou faz.
Mas por outro lado, existem os que estudam para de fato entenderem as coisas, seja por necessidade prática profissional, seja por curiosidade própria.
Esses sim, têm o meu respeito.
Numa analogia, creio que eu poderia dizer que a teoria é um manual grande e complexo em linguagem muitas vezes um tanto vaga enquanto que a experiência é uma enorme caixa de ferramentas que com o tempo, se torna mais e mais organizada, porém, como toda ferramenta precisa de cuidados, de manutenção correta ou lubrificação... esse cuidado chama-se humildade.
Aliás, esteja aí o segredo da sabedoria: humildade.
Eu nunca soube de nenhum homem ou mulher sábio(a) que fosse arrogante.
Nunca ví ninguém construir nada de bom com arrogância.
Talvez nessa nossa analogia, possamos imaginar a arrogância como aquela sujeira que fica sobre as ferramentas e que nos impede de ver que elas precisam de cuidados, ou que elas podem estar danificadas, porque a arrogância sempre nos faz crer que estamos além de nossos limites reais e assim, nos dá uma falsa confiança.
Muita ferramenta quebra, ou é utilizada de maneira inapropriada dessa forma.
Se os(as) leitores(as) aceitam conselhos (e eu me refiro especialmente aos jovens agora)... sejam humildes antes de tudo!
Jamais ridicularizem nada nem ninguém.
Porque tudo o que você sabe ou pensa que sabe, pode não ter experimentado nas condições que alguém já o fez.

domingo, 10 de abril de 2016

Me pediram para escrever alguma coisa que não seja sobre política desta vez. E eu concordei, porque eu mesmo estou de saco cheio de escrever sobre isso aqui no meu blog.
Por outro lado, qualquer outra coisa que eu escreva ultimamente tende a ser algo tão deprimente quanto um suco de Charlie Brown imaginado pelo genial cartunista Charles Monroe Shulz, com o robô Marvin, imaginado pelo escritor Douglas Adams, liquidificado pelo Tom Dickson num dos vídeos promocionais da Blendtec só pra ficar engraçado.
Ora... esse já é o texto número 341 de um blog já tem 14 anos nas costas e já escreví sobre tudo quanto é assunto aqui.
Se por um lado é a minha "terapia", onde ponho para fora os excessos dos meus devaneios mentais, digamos assim... por outro há quem se divirta com eles, por estarem talvez muito distantes da compreensão de quem passou a vida construindo suas linhas de pensamento de forma completamente diferente e por isso, tentem a tirar conclusões completamente diferentes do que pretendo deixar aqui para a posteridade.
Não posso culpar ninguém por não compreender o que quero dizer, mas também não é justo o desrespeito à exposição de observações e experiências de vida obtidas com reflexões, observações, pesquisas próprias ou inspiradas em pesquisas de terceiros... idéias que podem ter sido formadas após muitos anos de sacrifícios dos mais diversos.
Aliás, o costume de praticar constantemente esse tipo de desrespeito, de desqualificação pública de reflexões e idéias construtivas e/ou pragmáticas, tem um nome: subversão cultural. (Acho que já escreví bastante sobre esse assunto aqui nesse blog, né?)
Ninguém se torna intelectual, prestando serviço anti-intelectual, por mais que tenha lido, estudado, ou acumulado certificados, diplomas ou titulos.
Questionar idéias é sempre um exercício saudável, especialmente quando a questão é feita mentalmente e para isso acontecer, antes de qualquer coisa, é necessário aprender a respeitar as idéias, por mais estranhas ou loucas que possam parecer, não importando a fonte.
E o motivo é muito simples: As idéias são a matéria-prima do pensamento criativo. Nada de novo pode ser criado sem idéias. E elas geralmente aparecem de onde menos se espera.



Mensagens incompreendidas do Universo, onda de azar, ou só coincidências mesmo?
"Não existe o acaso. Todas as coincidências são altamente significativas"
(Frase atribuída a um tal de Jean-Louis Jacques, que vive sendo citada em tudo quanto é site de Ufologia, mas que não faço a menor idéia de quem seja)


Domingo, dia 27 de março. Último domingo do mês.
Eu estava me sentindo chateado sem motivo, um tanto deprimido talvez, por N motivos pessoais, como a idade dos meus pais chegando, perspectiva de fim da equipe em que trabalho lá pelo meio do ano, meu "estúdio" caseiro parado por causa de um amplificador de potência pifado (o que acabou virando mais um obstáculo para um projeto secreto pessoal)... então resolví visitar um dos pouquíssimos estabelecimentos da cidade que funcionam depois das 10 da noite, o que considero um absurdo para qualquer cidade no mundo que tenha mais de 1 milhão de habitantes. Aliás, tá aí mais um motivo deprimente, mas enfim...
Ao chegar lá, pedí um pedaço de pizza de mozzarella que estava no balcão.
Uma pizza simples, dessas de padaria, sem pompa, nem fama, nem frescura... Uma pizza humilde, para eu me lembrar bem das minhas raízes, dos tempos de vacas magras, de quando eu ainda trabalhava com Computação Gráfica (área em que quando comecei a trabalhar, sequer se vaporizava a idéia da existência de cursos disso no Brasil, o que me conferiu um certo status de "pioneiro" que carrego até hoje mesmo tendo deixado totalmente a área em 2006).
Por alguma razão que desconheço, após uma certa idade, você não se importa mais em viver coisas novas, mas sente falta de sentir de novo algumas experiências que já viveu, mesmo que não tenham sido exatamente as melhores... E eu acho que eu estava em busca de respostas para essa questão enquanto meditava entre uma mordida e outra.
Como eu ainda não tinha jantado, pedí uma segunda fatia e começou a tocar uma das músicas mais deprimentes e de letra mais "loser" e piegas que conheço (Barry Manilow - "Ready To Take A Chance Again", 1978), mas que por alguma razão, uma das minhas amigas simplesmente adora as músicas desse cara (que mesmo em seu auge na mídia, era escrachado pela crítica)... Vai entender!?
Bom... Após espraguejar mentalmente até acabar a música, pedí uma terceira fatia de pizza, terminei o delicioso suco de melancia e pedí e um salgado para viagem, para comer de madrugada, durante o trabalho de madrugada, num horário especial para cobrir o horário de um colega do terceiro turno, que não tem mais ninguém para substitui-lo em seu turno em suas folgas... outro motivo para eu me sentir deprimido.
Não pelo horário, pois já estou acostumado com trabalhos em horários malucos.
Profissionalmente, nunca tive um horário ou escala "normal" mesmo.
Só não tenho mais a mesma saúde que eu tinha para fazer as loucuras que eu fazía tipo o meu récorde de 72 horas acordado após um cochilo de 2 horas movido à coxinha de padaria e cafeína (que acabou me rendendo uma pneumonia uns dias depois em que quase morrí no hospital por um erro médico).
Ao chegar em casa, preparei o equipamento para começar o trabalho e fui tomar um banho.
Acabou a energia elétrica durante o banho e saí meio ensaboado do banheiro para preparar minha mochila para ir para o escritório, já que sem energia seria impossível trabalhar de casa.
Quando entro no carro, a energia volta. Então, voltei para casa e terminei o banho, enquanto esperava meu acesso de Internet voltar... Não voltou.
Bom... Como já estava em cima da hora de começar o turno, tive de fazer o que sou pago para fazer nessas horas: acordei meus gerentes para comunicar o fato e seguí para o escritório.
Minha convergência ocular só tem piorado desde 2006, de modo que hoje, eu me perco fácil num ambiente tridimensional em que preciso de decisões rápidas com distâncias maiores que 30m, de modo que sou um perigo dirigindo numa estrada onde posso por exemplo, facilmente por exemplo, pegar uma entrada errada e ir "parar no Afeganistão" (como aliás, já aconteceu), mas cheguei bem e pude trabalhar tranquilo até de manhã, em que peguei um irritante engarrafamento até chegar em casa, de modo que meu problema de convergência pelo menos desta vez, não seria tanto problema.
Chegando em casa, tomei um bom banho (sem interrupções desta vez) e fui dormir deliciosamente bem para acordar quase atrasado para um exame médico que eu tinha marcado.
De lá para cá, até que minha sorte não foi mais tão ruim.
Mas há coisas que acontecem com a gente que até parece mesmo que existe alguma forma de "consciência superior" tentando te sacanear só de zoeira.
Hoje, 2 semanas depois, após buscar o carro num lava à jato, resolví dar um "arremate" passando um produto para proteger o painel do carro  quando percebí que havía alguma coisa presa embaixo de uma fresta no fim do painel, perto do vidro.
Ao puxar, era um cartão de estacionamento "zona azul" de Campos do Jordão de antes de eu ter comprado meu carro.
Quando eu ía jogar o tal papel no lixo, o curioso aqui resolveu ver a data.
Para a minha surpresa, foi a data de um dos melhores dias da minha vida. Não só a data, mas o ano e a hora exata, o que me deixou estarrecido.
A chance disso acontecer (se considerar apenas o tempo de existência do meu carro), é de 1 a cada 78840. (É... eu fiz os cálculos.)
Depois dessa, só posso dizer que se existe um Deus, uma coisa é certa: ele adora me zoar, como todo grandicíssimo FDP!!!

domingo, 27 de março de 2016

Este mês, ganhei mais uma experiência para o meu currículo: minha primeira internação hospitalar em 45 anos.
Muita gente duvidou, inclusive meu pai que pensava que eu nunca ficaria doente. Mas o fato é que tive de passar por uma litotripsia para "explodir" um cálculo renal de 6mm de diâmetro que estava entalado no meu ureter esquerdo.
Ainda estou para fazer exames para ver o que vai ser feito de um outro de 7mm que se encontra ainda alojado no rim esquerdo.
De qualquer forma, foi uma aventura e eu me sinto na obrigação de agradecer aqui o carinho de cerca de 85 amigos que desejaram minhas melhoras formalmente via Facebook, sem contar pessoalmente.
Muito obrigado a todos.


Fase de Transição
"Há mitos que merecem ser arruinados pelo respeito ao intelecto humano."
(Neil DeGrasse Tyson)


Creio que é bem nítido que estamos passando por um momento bastante tenso da nossa História em que o que não faltam são serviços de desinformação, seja por ignorância dos fatos, seja por ingenuidade, por falta de adaptação ao atual cenário global de obtenção de informações, seja por idealismos, ou seja por má índole mesmo.
E eu confesso que estou estarrecido com certas fontes de replicação desse tipo de desinformação... fontes que eu julgava capazes de um senso crítico muito acima do que têm se mostrado e que têm me deixado bastante decepcionado.
Após pensar muito, concluí que o melhor a se fazer nesses casos é ignorar.
Especialmente numa Era em que as pessoas trocaram a dialética pela dicotomia, as conversas pelas discussões, a exposição de uma mera opinião pessoal pela necessidade de "lutar por uma causa" em que se acredita e combater "até a morte" toda e qualquer opinião contrária.
Francamente, está um pé-no-saco viver numa sociedade assim e é um dos maiores motivos para a minha opção de isolamento social.
Se fulano ou ciclano prefere adotar como fontes de "informação", única e exclusivamente, canais claramente financiados ou criados com o único intuito de gerar sensacionalismo altamente tendencioso, especialmente de ordem política (ou melhor dizendo, causar desordem política e social), o problema não é meu. Não sou eu quem vou passar vergonha depois, como certas pessoas que já me rotularam no passado por eu ter dito há anos que passaríamos pelo que estamos passando agora.
É verdade que muitos desdobramentos disso foram improváveis e algumas coisas que eu disse depois daquilo, felizmente tendem agora a seguir outros rumos, embora tarde demais.
No momento, é mais do que óbvio que vamos passar por mudanças muito radicais na política e sempre que isso acontece, afeta muito drasticamente a Economia e a sociedade como um todo, que tende a ter conflitos gravíssimos na sequência... com possibilidade ou de guerra civil (caso a Lei não seja cumprida), ou a formação de guerrilhas terroristas armadas (caso a Lei se cumpra). E em ambos os casos, dependendo da gravidade da situação, pode afetar a segurança nacional e... o resto nem preciso explicar, né?
A minha torcida, naturalmente é para que a Lei se cumpra e que NENHUM delinquente fique de fora de sua devida punição, independente de quem seja e creio que grande parte da população torça nesse sentido, ao contrário do que certos grupos andam dizendo... "que os movimentos da população são só contra um partido ou contra alguns membros específicos do atual governo..." o que talvez até seja mesmo, mas apenas por enquanto (e sim, existem evidências de que a coisa não tende a parar por aí), o que de certa forma, faz sentido, quando se analisa estrategicamente a importância de certas necessidades de mudança e suas consequentes prioridades.
O importante é que provas existam e que a Justiça funcione como tem de ser: científica, imparcial, lógica, clara e objetiva. E é aqui que deixo meu apelo à população: não se contentem com a resolução das prioridades mais altas. Prioridades mais baixas, tendem a aumentar de tamanho e merecem cuidado redobrado antes que se tornem mais graves do que as atuais prioridades principais.
Bandido é que nem cupim: impossível acabar com todos, se reproduzem exponencialmente e corroem tudo o que vêm pela frente, discretamente, secretamente até que encontramos algumas evidências e na sequência, tudo podre.
Thomas Jefferson tinha razão: "O preço da liberdade é a eterna vigilância."
Por outro lado, ironicamente, sempre foram nos grandes conflitos que a humanidade encontrou seus maiores avanços.
Creio que é uma boa hora para criarmos uma verdadeira campanha para enterrar de vez na lata do lixo, três características da atual cultura brasileira: "A Lei de Gerson" (a mania de querer "levar vantagem em tudo" que conferiu ao brasileiro a reputação internacional de "malandro", "trambiqueiro", "desonesto", "ladrão"...), o "Jeitinho Brasileiro" (em que tenta-se improvisar de tudo na "fé de que as coisas depois se ajeitam" ao invés de se fazer as coisas conforme devidamente planejado e com a certeza de que não falta nada) e o "Complexo de Vira-Lata" (em que "tudo o que vem e fora é indiscutivelmente melhor" e o brasileiro, apesar de ser reconhecido mundialmente como um dos povos mais criativos da Terra e estar "sentado" sobre as maiores riquezas naturais do planeta, é "incapaz" de fazer tão bem, senão melhor que muitos estrangeiros e o que é pior: põem sempre a culpa ou na cultura ou no governo ao invés de tocar um foda-se no governo e fazer seu país com suas próprias mãos, como todo povo independente deve fazer).
Sim, o Brasil tem jeito.
Eu já publiquei a "receita do bolo" básica ano passado aqui (parte 1, parte 2, parte 3 e parte 4).
O que falta agora além de coragem e boa vontade para mudar?

domingo, 28 de fevereiro de 2016

Conforme recomendações da Ampex, rebobino minhas fitas magnéticas pelo menos uma vez a cada 3 anos (costumo fazer isso todo ano por via das dúvidas) e nessas de rebobinar velhas fitas (hoje, de filmadora), esbarrei com velhas imagens de férias, viagens, festas, formaturas...
É estranho como não me identifico mais com essas lembranças.
Tanta coisa registrada e tão pouco significado por trás disso...
Foi-se a época em que eu ainda sentía alguma emoção nessas coisas. No máximo, um sentimento de saudade de momentos que já se foram e a certeza de que não mais se repetirão.
Me pergunto se viver por momentos que ficarão lá, perdidos no passado, esquecidos como imagens em velhas fitas de vídeo abandonadas num armário vale a pena.
Viver por emoções, cujas lembranças se apagarão com decepções, certamente não passa de perda de tempo.
Ainda que sejam momentos raros em meio a tanto trabalho, rotina, correrias do dia-a-dia enquanto o tempo vai passando cada vez mais rápido e você se vê cada dia mais decepcionado(a) com esse tipo de recordação que apesar de ter feito parte da sua vida, não significa praticamente nada pra você e assim, você conclui que sua vida é praticamente nada além de lembranças.
Estou cansado de viver por decepções. Cansado de acreditar em ilusões. Cansado demais para planejar mais sonhos para me iludir e me decepcionar.
Espero que minha vida tenha servido para alguma coisa de bom ainda que seja apenas uma mera lembrança boa, pelo menos para alguém que mereça.
Faz muito tempo que sinto vontade de escrever um certo diálogo imaginário que certamente poderá causar tanta polêmica quanto comoção e não quero ser responsável pelo "mimimi" que isso pode provocar, mas cheguei à conclusão de que eu tinha de pelo menos tentar.
Aqui vai...


Entrevista... com Deus?
"Se é certo que um Deus fez este mundo, não queria eu ser esse Deus: as dores do mundo dilacerariam meu coração."


Sei que pode parecer estranho um agnóstico escrever um texto desse tipo e é obviamente uma entrevista imaginária, com um ser imaginário conforme o imaginado pela imaginação daqueles que acreditam redundantemente nesse imaginário coletivo ensinado de geração em geração há milênios a ponto de as pessoas poderem afirmar categoricamente que esse ser é isso, ou aquilo, que isso ou aquilo agrada ou não a Deus (qualquer que seja o nome que a denominação religiosa pregar), com tanta convicção, como se fossem o próprio Metatron falando ou escrevendo, quando na verdade, não passam de meros mortais assim como eu, que não passam de absolutos incompetentes diante da grandeza de um suposto Ser de tamanha superioridade em todos os sentidos imagináveis além do tamanho do Universo. (E olha que estou me referindo apenas ao Universo conhecido pela nossa Ciência atual. Nem estou falando em Universos paralelos ou dimensões desconhecidas* ou realidades espaço-tempo alternativas ou ainda quaisquer outras coisas desse naipe!)
Mas vamos supor que, remotamente (bem remotamente), o tal "Ser Superior Supremo Absoluto", resolva aceitar participar de uma entrevista despretenciosa em linguagem bem simples, um "bate-papo" informal e inspirar um descrente como eu (e obviamente neutro em questões de crenças religiosas) a transcrever o diálogo?
Será que seria um diálogo "inspirado por Deus" como os crentes afirmam que seus textos sagrados o são? Ou teriam os mesmos preconceitos que têm sobre os Evangelhos Apócrifos, por exemplo?
Será que tem como imaginar como seria esse diálogo entre o Ser Criador onipotente, oniciente e onipresente e uma criatura insignificante, porém humilde em reconhecer a própria incompetência em relação a um ser tão além dos limites humanos?
O quê mais posso fazer além de pedir por essa inspiração antes de escrever sobre como este Ser realmente é (ao invés de como as religiões pregam) e ver o que acontece?

(Pausa de um dia aqui...)

- Você está aí Deus? Posso chama-lo assim?
- Eu estou por toda parte, sou onipresente, lembra? E como estou inclusive em você, pode me chamar do que quiser, inclusive de imaginação, amigo imaginário, ou outros nomes que você já citou nesse seu blog.
- Bom, como tu és também oniciente, conforme dizem, o Senhor certamente já sabe todas as perguntas que eu poderia fazer assim como todas as respostas e certamente entende que só para efeito de registro, tenho de formular as perguntas e registrar as respostas como num diálogo comum, ou imagino como ficaria complicado registrar esse tipo de entrevista aqui.
Se é mesmo o Senhor que está aqui, falando comigo ou pelo menos me inspirando a escrever essas palavras enquanto registro essa entrevista, como vou saber?
- Não vai. Sua condição humana como você bem costuma dizer, está muito aquém de compreender o quê eu sou ou o que vem a ser "fé", que vocês humanos infelizmente confundem com "acreditar incondicionalmente", se afastando de seu aprendizado de sabedoria ao invés de observar, refletir e aprender. A "fé" como pregam, os tornará preconceituosos e intolerantes. É muito triste isso.
Quanto a me chamar de Senhor, eu sei que você sente uma certa dúvida nesse sentido, já que gênero não faz a menor diferença no meu caso. Pode me chamar de você se isso lhe fizer se sentir mais confortável. O mesmo vale para esses "floreios" desnecessários como "tu és"... Você não fala desse jeito normalmente! Seja natural! Seja você mesmo! Relaxe!
- Bom... Confesso que é meio complicado relaxar quando se escreve sobre um Ser tão superior quanto incompreensível que eu não posso afirmar se existe ou não, ou se é fruto da minha imaginação, especialmente em tempos em que tudo parece ser ofensivo para alguém. A meu ver, a humanidade está mentalmente doente.
Notei que o... você (risos), encontrou um jeito de aproveitar uma brecha para deixar um recado inserido na sua última resposta. Por quê?
- Como você mesmo disse, a humanidade está mentalmente doente. Muito doente. E são muito poucas as oportunidades que tenho de conversar verdadeiramente com um humano, apesar da imensidão de religiões e igrejas e congregações e pastores e líderes e quase todos farsantes que pregam tudo, menos tolerar e respeitar.
Não conseguem compreender que seu poder de união encontra-se na diversidade, não na igualdade.
Vocês não são feitos todos com características diferentes desde que nascem até quando morrem à toa! Cada um de vocês, tem uma função, um aprendizado para acumular em suas experiências de vida e sofrem porque querem sempre que as pessoas próximas sejam-lhe idênticas simplesmente porque é mais fácil compreende-las assim.
- O quê exatamente temos de aprender durante a vida? Por quê vivemos?
- Primeiro é preciso compreender que a vida como vocês conhecem, não passa de uma ilusão em função do tempo e seus aprendizados e experiências vão se acumulando ao longo dessa ilusão até o dia em que se libertarem do tempo.
Enquanto estiverem presos ao tempo e ao espaço, jamais conseguirão compreender o valor do que vocês chamam de "vida", como material de observação, experiência e reflexão.
Deveríam se preocupar mais em observar mais, criticar menos, refletirem mais, julgarem menos.
Apesar de ilusória, a vida é um desafio de sobrevivência. E não é combatendo uns aos outros, criticando uns aos outros, ridicularizando uns aos outros que vocês conseguirão a união necessária para sobreviverem.
Muitos como vocês já se extinguiram por causa disso.
- Essa conversa até parece coisa de ficção científica e até já ví alguns onde existem seres que não vivem no tempo linear como nós, humanos e que eram tratados como divindades. A vida para nós é uma provação? É isso?
- Mais ou menos. A honestidade vai definir quem vocês realmente são. Não há muito o que se possa dizer sobre isso de modo que vocês compreendam ainda.
- OK... Vamos para outro tópico... Quem sou eu para insistir com Deus? Hahaha!
Os ditos "textos sagrados"... Bíblia, Alcorão, Talmud, etc. foram mesmo inspirados por você conforme dizem?
- Definitivamente não da forma como vocês os têm hoje.
Vocês se preocupam muito mais com interpretações do que escreveram do que em serem o que eu "inspirei", se é que essa é a palavra mais adequada para descrever isso.
Deveríam esquecer todos esses livros e sentirem mais o mundo à sua volta, aprenderem mais com animais mais pacíficos entre os membros da mesma espécie como os gorilas, sentirem mais a brisa e a chuva, abandonarem seus preconceitos e críticas uns aos outros e viverem as melhores e mais saudáveis experiências que tiverem oportunidade de ter.
Mas sejam conscientes nessas experiências, ou elas não terão nenhum valor.
- E o diabo? Ele existe?
- Tanto quanto qualquer pessoa que esteja lendo seu blog agora, inclusive você.
Se eu sou tudo, sou você, sou quem lê este blog, sou ele...
Entenda... O bem e o mal, são aspectos opostos de um todo. Um não existe sem o outro, ou não haverá um equilíbrio.
Se não existe o ruim, como valorizar o que é bom? E como compreender que o muito bom, atrai o ruim e vice-versa?
O equilíbrio consciente é sempre a chave para a serenidade.
- Eu costumo dizer que já estive no inferno. Há quem duvide como já era de se esperar. Eu mesmo não sei o que foi aquilo, mas me tornei estranhamente insensível a certas coisas e procuro fugir de tudo o que entendo hoje como uma ilusão e que as pessoas que não passaram por isso, eu duvido que um dia entendam.
Foi uma vislumbre de consciência absolutamente triste, mas estranhamente frio.
Por quê tive de passar por aquilo?
- Se não tivesse passado por aquilo, teríamos oportunidade para essa conversa ou você estaria ocupado fazendo outra coisa agora?
Não se preocupe com isso.
Tudo tem um motivo como você bem sabe e todos os motivos estão interligados.
Você está certo de fugir de ilusões. Elas só trazem desilusões. (Gostou da rima? É bem o seu estilo, né?)
Agora imagine o tipo de desilusão que terá, quem só vive plantando ilusões?
Se dizem que "a justiça divina tarda mas não falha" e que "Deus escreve certo com linhas tortas", talvez haja um motivo, não?
Observe que mesmo depois de tudo, sua reputação permanece e permanecerá impecável enquanto você continuar honesto.
Sabe por quê você se deprime com ilusões? Porque você descobriu que não precisa delas e que elas não passam de perda de tempo e desilusão.
Aposto que depois daquela experiência você se sente surpreso em como você consegue identificar fácil essas ilusões, né?
- Confesso que estou sem palavras.
De repente, me sinto mesmo conversando com algum tipo de consciência superior, mas ainda não consigo deixar de pensar que isso é fruto da minha própria imaginação.
- É melhor que seja assim. Que você tenha essa consciência dessa forma.
Pouca gente tem essa consciência. Se quiser, pode chamar isso de "oração".
- Muito obrigado pela entrevista.
- Sou sempre.

Nota: Já se passaram 2 horas e eu ainda estou perplexo com esse texto.
Tudo bem que é mais fácil entende-lo como uma obra fictícia, mas de certa forma, faz pensar se não temos mesmo alguma forma de consciência em nossas próprias mentes que nós ainda não entendemos?
Melhor deixar as especulações para os(as) leitores(as).

* Cara... eu adoro essa explicação de dimensões do Carl Sagan!
Divertida e genial!

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Este mês foi excepcionalmente difícil de arrumar um tempo para escrever alguma coisa para pôr no meu blog como primeiro texto do ano.
Desde o dia 20 que estou tentando me isolar para escrever, mas já estamos no dia 28 e só agora, às 6:15 da manhã é que conseguí arranjar um jeitinho após brigar com os cupins de um armário embutido aparentemente projetado para atraí-los, de modo que todo ano, tenho de aplicar um cupincida em toda a madeira e o quarto onde ele fica... bom, fica com cheiro de cupincida.
Fora que a casa toda fica bagunçada e leva dias para pôr tudo no lugar.
Mas como os monges budistas diriam, é um "movimento de renovação"... Mas infelizmente, não consigo ver o nirvana num mundo cada dia mais caótico, perigoso e falso.
Se eu juntar todas as minhas experiências de vida, não sobra muita coisa em que se possa acreditar.
Deus (pelo menos da forma como os humanos pregam, de qualquer que seja seu credo), não se mostrou para mim, nada além de uma grande farsa e portanto, me sinto traído por tudo o que eu acreditava à respeito dele, que me foi pregado desde a infância numa família católica, passando por minhas experiências como fundacionista, batista e... bom... não preciso de hipocrisias ou ilusões no meu caminho. Já estou cansado dessas coisas.
Amor... até o momento, só acredito no amor de mãe... e olha lá!
Sexo... Bom... algumas mulheres (muito poucas) eu ainda acho lindas, agradam os olhos, atraem... mas não consigo mais acreditar em nenhuma, quanto mais confiar nelas além da confiança que eu poderia ter de qualquer amizade. Assim sendo, opto por permanecer sempre na "friend zone".
De certa forma, até acho que sou apaixonado pelas minhas amigas, mas não conseguiria nem pensar em "juntar os trapos", casar, essas coisas...
Já aprendí das piores maneiras possíveis que apesar de sentir a falta de um toque feminino na minha vida, para quem precisa de paz de espírito (como eu), não vale o esforço, nem os riscos, nem o tempo que poderia ser aproveitado melhor comigo mesmo ao invés de fazer papel de otário bajulando alguém, ou ainda sendo visto como tal, mesmo que não tenha nada a ver... E pelo andar da carruagem, duvido que algum dia alguém consiga me convencer do contrário.
Justiça... a dos humanos, esquece. A do Universo... me questiono se ela realmente existe ou não vai além da Terceira Lei de Newton.
As antigas religiões pagãs européias costumavam acreditar que "tudo o que você faz de mal a alguém, voltará em triplo para você". Mas como em qualquer religião... crenças baseadas simplesmente na fé, não apresentam nenhuma evidência concreta de que suas afirmações são verdadeiras. Só crendices baseadas em nada, como sempre.
Aliás, o que mais se vê, é os "caras maus" fazendo tudo de mal e nada acontece com eles... aliás, são até defendidos, elogiados, ganham prêmios... enquanto que os "caras bons" só se matam por nada em tudo, disperdiçam suas vidas em nome da dignidade de sua reputação, sua honra. Esses... são constantemente tratados como "otários", "trouxas" e de certa forma, até "inimigos de uma causa" seja lá qual for.
Decepção atrás de decepção, me fez perder completamente o gosto por certas coisas direta ou indiretamente atribuídas a elas, como viagens, videogames, carros, consumismos diversos...
O fato é que estou cansado.
Aos 45 anos, já tive todo tipo de experiência ruim. E quando aparece alguma fase de experiências boas, ela sempre termina com experiências ruins. Invariavelmente.
Paixões, já tive muitas. A única que permanece desde que me conheço por gente, é áudio... e ainda assim, ultimamente anda difícil encontrar músicas que compensam ser reproduzidas em cetos equipamentos.
Microinformática ainda é uma paixão, mas nada a ver com o meu trabalho. Aliás, é bom não misturar trabalho com hobby. Assim, as decepções de um ambiente, não afetam o outro.
Lembranças... é o que mais tenho. Talvez seja disso que seja feita a maturidade, afinal... experiência individual, única. A "impressão digital" de uma personalidade.
Única, como uma obra de arte... como uma escultura em pedra, que para se feita, precisa ser quebrada, lascada, entalhada, raspada, esfolada, polida...
Mas a obra de arte da vida está mais para castelo de areia se nada de todo esse esforço de uma vida, não servir para ser lembrado no futuro.
Ainda não conseguí deixar a minha "marca permanente" no mundo e duvido que eu consiga agora, depois de tantos esforços para fazer tanta coisa.
Mas pelos caminhos que a humanidade está seguindo, talvez ela não mereça mesmo e assim sendo, qualquer esforço por ela, será em vão, assim como qualquer esforço feito por essas ilusões como Deus, amor, sexo, Justiça...
Sei que para muitos, o que estou afirmando é uma enorme heresia, mas eu já acreditei nessas coisas e gostaria muito de acreditar de novo. Sério mesmo!
Mas se hoje não acredito, certamente não foi por falta de esforço.
Sei que é decepcionante, triste e até deprimente, mas lamento. A verdade é essa: Essa coisas todas não passam de ilusões e se quer um conselho baseado na minha experiência de vida, procure o sentido da vida em outra coisa, porque essas... não passam de perda de tempo.
45 anos para ser bem exato.
45 anos na lata do lixo.

OK... eu sei o que não faria sentido algum para mim*, mas ainda não sei o quê faria sentido a ponto de eu querer dedicar o resto da vida** a alguma coisa.
Nunca me sentí tão "perdido" quanto a isso.

E o futuro... Não tenho perspectiva nenhuma em vista.
Mas decepções... sem dúvida.





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* Inclusive esse blog que só mantenho porque as pessoas me pedem para mante-lo. Por isso, hoje não tem texto além do "editorial". Sem texto temático hoje, sem frase famosa.
**Depois de voltar do inferno, ainda não sei bem se isso aqui é a continuação da minha vida, ou uma segunda chance para tentar encontrar algum sentido nela, só que agora, não há mais espaço para o tipo de ilusões que eu tinha antes.