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sábado, 25 de julho de 2015

Se você não consegue tirar um assunto de sua mente, há algo errado. Algo que não se encaixa, não combina.
Ao menos a minha mente funciona dessa forma e posso passar muitos anos tentando resolver o problema.
Os piores problemas desse tipo na minha mente, são os que não dependem de mim para resolver.
Esse certamente é o meu maior mal: não consigo tocar o "foda-se" e esquecer, passar para trás, como se não houvesse nada, fingir que está tudo bem.
No máximo, busco fugir desse tipo de pensamento, com atividades mentais complexas como a restauração de microcomputadores dos anos 80.
E agora o que me preocupa, é que nem esse tipo de atividade está mais fazendo efeito.
Até a música deixa de me distrair como distraía.
Se tem gente que pensa que eu sou "um gênio" e vê isso como uma dádiva, para mim é minha maldição. É a doença mental que me torna um tanto anancástico, um tanto esquizóide.
Se por um lado esse blog é como uma "válvula de escape" de uma minúscula parcela de tudo o que observo, por outro, é insuficiente porque sei que não resolve nada, não muda nada.
É muito difícil ser "louco", "diferente" e plenamente consciente de ser incompatível com o resto do mundo, que pelo que observo, é muito mais doente do que a minha mente.
Será que não existe uma mínima chance disso tudo mudar?
É muita tristeza, muita decepção para uma mente só.


A Causa
"A ignorância do bem, é a causa do mal."


O pior tipo de bandido é o bem-sucedido: é o que inspira os outros potenciais bandidos a desejarem ser como ele e assim, passam a segui-lo, se tornando seus cúmplices, como escravos cegos, apaixonados pela ilusão do sucesso, travestida de uma "causa".
Praticamente tudo o que eu já escreví neste blog sobre os problemas sociais que o Brasil e o mundo vivem hoje, são facilmente explicados pela Teoria da Subversão e são decorrentes não de incompetência como praticamente todo mundo aponta, mas de um projeto comum, inspirado justamente por esse tipo de bandido, que invariavelmente vende sua imagem pública como "herói de uma causa", disfarçando ou inventando relativismos para justificar suas atrocidades no melhor estilo "tudo pela causa".
É o tipo da inspiração que se espalha como uma doença, porque traz a ilusão do sucesso pelo caminho mais fácil e isso, claro é muito tentador.
Ora... na Natureza, não existe nenhuma espécie animal que vive de assistencialismo. No máximo, de uma troca de favores, do contrário, esse animal é um parasita, que adoece e debilita seu hospedeiro até que ambos morram. E é exatamente assim que acontece na sociedade.
Não existe caminho mais fácil para nada. Nem mesmo para a sobrevivência, conforme a própria Natureza nos mostra com seus 4,54 bilhões de anos de experiência nisso, em incontáveis espécies diferentes, inclusive a espécie humana.
Mas nós humanos, como espécie, somos mesmo muito burros e teimosos para aprender com a Natureza, né?
E ainda temos um orgulho de nos auto-rotular de "animais racionais", quando na verdade, temos muito mais tendência a pensar através de emoções do que a razão lógica... de novo, porque é muito mais fácil, não exige nenhum esforço mental, nenhuma observação ou comparação... basta a "fé", a "crença"... é muito fácil, tentador, viciante como uma droga... e causa dependência.
Repito: causa dependência.
Diferente do raciocínio lógico, da razão, a emoção causa dependência. E como qualquer droga, transforma os dependentes em escravos obedientes e, cegos de sua doença, tornam-se traficantes da mesma... pela "causa" ilusória em que acreditam (e que naturalmente foram condicionados a acreditar... muitas vezes desde crianças, se seus pais já eram seguidores da tal "causa").
Talvez da aplicação da Teoria da Subversão, a única coisa que pode vir a ter um efeito positivo no futuro (a muito longo prazo) é a questão da religião, se as pessoas começarem (como já estão fazendo) a questionar se elas têm de fato algum valor, ou se não seria outra "causa" ilusória e portanto, sem razão de ser... pelo menos da forma como se faz hoje.
Por outro lado, os poucos indivíduos que têm independência de pensamento para raciocinar sobre esse tipo de questão, são uma parcela minúscula diante da grande massa cada dia mais condicionada a não pensar.
Não por incompetência das instituições, mas por um projeto: quem não pensa, não questiona. Se não questiona, não é ameaça à cadeia de obediência.
Aliás, em qualquer "causa"... quem questiona, é imediatamente ridicularizado(a) ou tratado(a) como inimigo(a) da "causa", seja ela política ou religiosa.
E portanto, os seguidores da "causa" os eliminam ou expulsam de seu grupo e quem do grupo questionar, recebe o mesmo tratamento e portanto, segue pelo "caminho mais fácil" ao invés de enfrentar seu medo de ser independente, mesmo sabendo que o que faz, é errado, ou injusto... então mente pela "causa" e segue feito gado para o matadouro, nutrindo o eterno vício humano de se sentir frágil e tentando ignorar o consequente medo não ter o apoio do grupo, ou pior, o de ser expulso(a) do grupo, como um "inimigo(a)" do mesmo.
Há vários nomes para esse tipo de hipocrisia: fascismo, "maria-vai-com-as-outras"... mas dependendo do grupo, se auto-denominam "militantes", "cordeiros", "crentes"... e por aí vai.
Em suma, toda dependência é ruim para todos, inclusive para os recém nascidos, que (assim como na Natureza), precisam ser ensinados desde cedo a sobreviverem por sí mesmos e assim, se tornarem independentes.
Agora os(as) leitores(as) devem estar se perguntando: E os casais?
Bom... se forem formados por pessoas independentes conscientes de suas responsabilidades um em relação ao próximo, é uma parceria.
E toda parceria surge com um propósito. No caso, o de suprir as necessidades um do outro (seja psicológico, sexual, emotivo...) e disso pode surgir uma interdependência, que se não for muito equilibrada, um se torna parasita do outro.
É uma linha de equilíbrio muito fina que definitivamente não pode ser determinada pelo grupo social, por amigos, ou por parentes por mais próximos que sejam, ou essa linha fatalmente se rompe, com consequências invariavelmente desastrosas para os envolvidos.
E quanto mais tempo essa linha for tensionada, pior: as tensões tendem a aumentar e a linha se torna mais frágil.
Por isso, todo o cuidado é pouco na hora de assumir um compromisso com alguém.
"Se houver a menor probabilidade de alguma coisa dar errado, dará." (Famosa frase atribuída ao Major Edward Alvar Murphy Jr. que, nem preciso dizer por quê, né?)
São muito raros os casos em que essa linha de equilíbrio se mantém estável e equilibrada ao longo do tempo e infelizmente hoje, as pessoas não são mais preparadas para mante-la e acham fácil formar uma parceria dessa importância simplesmente na "fé" de que tudo dará certo.
Dessa forma, nunca dá. E as estatísticas estão aí para comprovar isso ano após ano.
Em suma, a tal "causa" seja ela qual for, sempre será uma armadilha.
Como dizía Miguel de Cervantes, "Elimine a causa e o efeito cessa".

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