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domingo, 25 de janeiro de 2015

Sabe aquela cena clássica do escritor que arranca folhas e folhas de papel de uma máquina de escrever, as amassa de raiva e joga fora do cesto de lixo?
Pois é... se ainda usássemos máquinas de escrever, eu estaria assim hoje.
Eu até cheguei a escrever um texto inteiro para este blog, mas ficou tão ruim que optei por joga-lo fora do cesto de lixo, numa pasta de refugo que guardo dos meus textos para este blog, que eu optei por não publicar por estarem péssimos ou por revelarem coisas demais da minha vida pessoal.
A pergunta é... por quê eu mantenho uma pasta assim?
Bom... talvez na esperança de ter alguma idéia útil à partir dos textos que eu refuguei e que no final das contas nem os leio de novo.
É quase como aqueles relacionamentos que você resolve terminar... refuga, mas acaba guardando um monte de lembranças em sua mente, porque sabe que alguma coisa boa você obteve daquilo, mesmo sabendo que não tem mais como seguir pelo mesmo caminho.
Então hoje, eu resolvi me isolar de todos os textos velhos e todas as idéias que já tive para o o texto deste mês e optei até por usar um velho Power Macintosh G4 Quicksilver que tenho aqui na minha coleção de microcomputadores (hoje, todos obsoletos) que marcaram minha vida profissional.
Restaurar e fuçar recursos de computadores antigos, que eu não tinha explorado delas em suas épocas de glória, é um excelente hobby para quem quer ocupar a mente de modo a evitar pensar em bobagens, especialmente se você for do tipo que não consegue se adaptar à sociedade cada dia mais doente enquanto você tenta desde criança, ser uma espécie de "exemplo de virtuosidade", consciente de que as pessoas podem achar isso ridículo até o momento em que precisam de você e você ajuda essas pessoas com facilidade... seja através de algum favor, ou de ouvir e orientar ou aconselhar... Às vezes as pessoas só precisam de alguém que as ouça e só. Ou talvez um simples abraço sincero... (?)


As piores doenças da humanidade
"O ódio é instrumento de luta."


Vivemos num dos períodos mais tristes da história da humanidade, em que temos domínio tecnológico sem precedentes, mas nenhuma sabedoria.
Tempos em que a humanidade padece de duas doenças graves e altamente contagiosas: ignorância, fanatismo e uma terceira, resultante dessas quando a pessoa entra em estado crônico. Doenças essas que precisam ser tratadas mundialmente, urgentemente, ou extinguirão a espécie humana!
A ignorância é causada pela emoção em detrimento da razão, em que as "verdades" em que o indivíduo passa a acreditar, por sugestionamento emotivo o torna limitado a ponto de buscar todo tipo de idéia para fugir do raciocínio lógico puro e simples, na maioria das vezes buscando relativismos e fugas argumentais completamente fora de contexto para tentar confundir quem raciocina e talvez, contamina-lo também com sua paixão.
Já o fanatismo se forma quando um grupo de pessoas ignorantes passam a adorar e repetir indefinidamente essas "verdades" de modo que elas figurem emotivamente como absolutas em suas mentes e assim, a ignorância se realimenta até se tornar ódio à qualquer idéia que não corresponda às "verdades" dessa "panelinha" dos ignorantes e o que é pior: às pessoas que têm essas idéias ou mesmo modo de vida que as sugerem.
E o ódio... bem, o ódio é a pior de todas as doenças mentais, por que mata. Mata... e mata muito.
Estatisticamente, nenhuma doença na Terra mata mais do que o ódio, se pusermos nessa estatística, todas as "guerras santas" e outras guerras causadas por ideologias que, na prática, nunca passaram de ferramentas usadas com maestria por gente extremamente inescrupulosa para alcançar o poder absoluto ao longo da história da humanidade.
Sempre foi assim e é por isso que a sabedoria na humanidade hoje, praticamente não existe. E e o pouco que existe, é ridicularizado pela maioria das pessoas que não percebem que estão doentes.
Bom... como em qualquer doença, o primeiro passo para combate-la é saber ser você é doente.
Se você luta por uma causa incondicionalmente, se você faz parte de um grupo que repete as mesmas idéias e repele quaisquer idéias que venham de fora, sem sequer ouvi-las, ou ridicularizando-as ou ainda odiando-as, lamento dizer, mas você é doente.
O tratamento é difícil:

- Sair desse grupo, raciocinar por sua própria mente (algo que você certamente foi condicionado(a) em toda a sua vida a jamais fazer).
- Respeite as pessoas e as idéias delas, especialmente as que têm uma vida e formas de pensar diferentes das suas.
- Seja honesto(a) com você mesmo(a) para ser honesto para com as pessoas com quem você se relaciona (em todos os sentidos, inclusive referentes a amor e sexo).
- Seja humilde e pare de julgar as pessoas.
- Procure concentrar suas emoções em coisas inofensivas, como ouvir uma boa música ou observar um sorriso de alguém que você gosta.
- Procure ser um exemplo de respeito, de dignidade, de honestidade, de excelência em tudo o que se propuser a fazer.

Acredite, eu sei do que estou falando por experiência própria de quem já se apaixonou muitas vezes, já foi religioso mais de uma vez e em mais de uma denominação, já se relacionou com gente de tudo quanto é tipo, de tudo quanto é cultura ou nacionalidade, ou credo, ou classe econômica ou social, que a vida toda sempre viu o mundo de modo diferente das outras pessoas, que já sentiu na pele as goteiras de morar num barraco de fundo de quintal até a luxúria de uma banheira de hotel (e com uma companheira lindíssima), de alguém que já teve sonhos, projetos, esperança, fé... e que hoje já não tem nada disso. Apenas as surpresas da vida, sem grandes pretensões.
Acho que (sem motivo nenhum para me arrepender de nada) já fiz tudo o que eu podia ter feito, que fazia algum sentido em relação a todas as paixões que já tive na vida.
Por isso, hoje, já não me apaixono mais.
Não vejo mais motivos para isso.
E estranhamente, nunca experimentei tanta paz de espírito.
Para quê procurar um fim nessa paz buscando ilusões tolas e passageiras como "felicidade eterna", se a vida em sí é passageira, feita de momentos felizes e outros nem tanto?
Que graça teria uma vida construída sobre alicerces ilusórios se nenhuma ilusão resiste ao peso da verdade?

2 comentários:

Lucimara Alves disse...

BOM DIA CLAUDIO gostei muito desse texto profundo e verdadeiro me identifiquei em alguns apéctos e gostei muito do que escreveu ontem tbm hj né é verdade as vezes só precisamos de um abraço um simples abraço

João Abeid Filho disse...

Caro Picolo,

creio que mais coisas nos matam diariamente, e podem estar onde menos esperamos, como no conservante colocado num picolé que nos traz tanto frescor nestes tempos de calor de verão. No meu curso de mestrado, perguntei à minha orientadora por que as pessoas se alienam de forma tão fácil, por que são tão suscetíveis a serem enganadas? A resposta me surpreendeu: quem disse que estão todas sendo enganadas? Ela me despertou para o fato de que seguir um lider, repetir como um papagaio certas "verdades" pode ser um meio de vida, a aceitação em um grupo e até mesmo a fuga da responsabilidade pelo seu próprio pensamento. Penso que o que se aparenta como alienação, pode ser pior: a renúncia do "eu" para poder pertencer a algum grupo - no final, todos buscamos afetividade.