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terça-feira, 25 de novembro de 2014

Finalmente as eleições acabaram e o clima na mídia e nas redes sociais volta à uma aparente normalidade... se é que podemos chamar assim um período em que tenta-se reverter um golpe já instituído aos poucos ao longo de muitos anos.
Uma brecha de trégua no meio da guerra, em que consigo (espero) encaixar um texto sobre algo um pouco mais humano do que política e estratégia e fazer esse blog voltar ao menos um pouco à sua "programação normal".



Caráter
"Honestidade é um presente caro. Não espere isso de pessoas baratas."


Sabe aqueles dias em que você se sente triste por se lembrar de decepções do passado? De projetos, planos, sonhos frustrados por conta de ser vítima de coisas como estupidez, ignorância, preconceito, intolerância seguido de uma enxurrada de mentiras para manter as aparências de modo que ao invés de vítima, você figure como o vilão da história?
Pois é... Dia 29 de dezembro de 2012 foi o dia em que os rumos da minha foram tomados de mim, num restaurante lotado, num vexame absolutamente sem precedentes na história da minha vida*.
Hoje, quase 2 anos depois, a sensação de injustiça ainda é a mesma, assim como a de ter sido apunhalado pelas costas 6 meses depois.
Mas as aparências... bom... faz-se de tudo para parecer um conto da Disney (e tão descaradamente que um monte de gente percebeu isso por mais que se tente disfarçar).
Já eu aqui, do outro lado, permaneço firme em nome da verdade, ainda que desde então, eu tenha optado pela solidão quase que reclusa.
Concluí que no meu mundo pessoal, não há espaço para mentiras, oportunismos ou jogos de aparência do qual ao menos aparentemente, todo o resto do mundo é feito (exceto pelos amigos, que me deram total apoio e jamais me deram as costas) e como essas desonestidades mundanas me irritam profundamente, me recuso a perder meu tempo "procurando água em pedra".
Aliás, com o tempo eu deixei de acreditar em quase tudo o que me fizeram acreditar desde criança. Também com os contratempos do tempo, perdí o tempo de realizar meus projetos de vida, meus planos para o futuro e acabei me tornando um cara chato, deprimente... mas pelo menos continuo verdadeiro, sem dever absolutamente nada para ninguém e sem arrependimento nenhum de nada do que eu fiz na vida, incluindo os erros que eu cometí e que se reverteram em aprendizado, em experiência.
Quando eu me for deste mundo, tenho a absoluta certeza de que não terminarei como um homem feliz. Já desistí de acreditar nesse "conto de fadas". Mas terminarei minha vida com muita honra, de ter conhecido pessoas incríveis, de ter trabalhado com coisas de fazer inveja a muita gente, de ter participado do desenvolvimento de um monte de coisa coisa, de ter ajudado pessoas, de expôr coisas como o valor da liberdade... tanta coisa que ninguém poderá dizer que morrí como um fracassado.
Porque fracassado, é quem desiste da verdade, da liberdade, de ser ao invés de ter.
E ter... seja menos peso, seja uma graduação, ou um carro mais caro, ou roupa mais chique... não faz o caráter de ninguém.
Aliás, caráter, é o que mais valorizo nas pessoas, o que mais me esforço para mostrar o valor que isso tem, especialmente àquelas pessoas que tendem a deixar de acreditar que ainda existem pessoas que o valorizam, que honram coisas como amizade, honra, honestidade e justiça.
Caráter, é aquela coisa que você só encontra naquelas pessoas que estão lá do seu lado quando você precisa e não esperam nada em troca.
Embora isso possa ser facilmente confundido com "fraqueza" pelos menos observadores, na verdade é uma força inestimável, raríssima e que por isso mesmo, merece respeito.
Não espere esse tipo de força de pessoas fáceis, baratas, invejosas, ou falsas.
Caráter, é antes de qualquer coisa, pura honestidade, o elemento-chave que faz homens e mulheres de verdade, ao invés de oportunistas e gente medíocre.
Obviamente, não é saudável cultivar coisas como o oportunismo ou mediocridade de modo que a melhor forma de evita-los é desprezando-os, ignorando-os.
Já o caráter, a honestidade... merecem a adoração que se dá aos deuses das incontáveis religiões existentes na Terra (e que cada uma delas prega que só ela é que está certa), mas não perca seu tempo tentando encontrar caráter ou honestidade nelas.
Elas são naturalmente incompatíveis com esse tipo de coisa.

* Uma longa história, que merece ser contada de tempos em tempos, pelo menos até o dia em que a justiça fôr feita, ou houver algum arrependimento honesto.

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