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sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Eu não vejo a hora deste ano eleitoral acabar.
É de longe o mais tenso de todos os que eu já vivi em toda a minha vida, inclusive aqueles durante o período militar.
Sinto um constante clima de guerra no ar e a infeliz certeza de que não teremos paz por pelo menos uns 10 anos.
Nossa Nação se dividiu em classes e agora elas brigam entre si, não por democracia ou liberdade, mas para atacar o adversário meramente por ser o adversário.
E essas classes hoje, se dividem basicamente em dois grupos.
Não estou aqui para julgar qual dos dois é mais desonesto, mas para mim, é nítido que o objetivo de um deles é o total e absoluto controle de tudo, não para construir, mas para ser inatingível, semi-deuses erguidos pelo medo, pelo sangue e pelo suor dos que sobreviverem à sua sede de poder enquanto o outro, o de negociar tudo isso para transformar em lucro.
Tenham medo dos falsos filósofos, dos falsos professores: Os maiores Mestres da Filosofia da história da humanidade, não se fizeram de títulos de papel.


Paixão: o mais perigoso veneno do diabo
"Se você está deprimido, está vivendo no passado. Se está ansioso, está vivendo no futuro. Se está em paz, está vivendo no presente."


O escorpião, é uma criatura que sofre com uma particularidade: ele pode morrer picando a si próprio com o próprio com o próprio ferrão e morrendo com o próprio veneno.
Qualquer exotérico conhece essa chamada "sina dos escorpioninos" e os astrólogos se valeram desse mito durante séculos para explicar as supostas características do signo de escorpião, assim como simbolicamente o fazem com todos os outros signos. A sina do capricórnio, por exemplo, é "carregar o mundo nas costas" e sagitário, é "o centauro que conhece as curas, mas é incapaz de curar a si mesmo"... E por aí vai.
Os mitos são em suma, justificativas pseudo-lógicas para propagandas enganosas. No entanto, pessoas acreditam neles porque trazem conforto emocional para sua ansiedade natural causada pelo medo.
Esse conforto emocional, pode ter outro nome: esperança.
Assim, sendo, para não perder a esperança, as pessoas optam pela fé, pela crença nos mitos, sejam eles quais forem.
Sejam os mitos criados pela própria pessoa num momento de carência emocional, sejam os apresentados por outros, como acontecem nas religiões e seitas, assim como nas propagandas de partidos políticos ou de produtos ou serviços.
É assim que surgem os extremistas, fundamentalistas religiosos, militantes ideológicos, ou os fanboys de marcas famosas, assim como a idolatria à símbolos ou pseudo-heróis que figuram como símbolos (normalmente pessoas extremamente desprezíveis).
Esse tipo de extremismo absolutamente incondicional, é um imenso perigo. É o que chamamos de paixão.
E em nome da paixão, se ignora, se mente, se trai, se mata e o que é pior: se doutrina, fazendo com que ela se espalhe como um vírus, corroendo o raciocínio lógico e substituindo-o por elementos de auto-doutrinação e assim, a paixão se realimenta.
Mas como ela surge?
Bom... o ser humano já nasce com medo à partir do momento em que deixa o conforto uterino e já toma um tapa para acordar para a realidade de que por mais que seus pais e sua família o amparem até a idade adulta, esse pobre ser, sempre será frágil diante do mundo à sua volta, assim, sempre terá medo e ilude-se quem pensa que não terá medo até o último dia de sua vida.
Assim, o ser humano procura conforto para "enganar" o medo, buscando qualquer coisa que lhe dê esperanças de esquece-lo e assim, inevitavelmente, cai nas armadinhas da ilusão seja ela qual for, inclusive a do amor, à qual a palavra paixão é quase sempre associada porque de todas as ilusões, essa pelo menos é a mais natural delas e exatamente por isso, a mais prazerosa, a mais promissora e a responsável pela própria reprodução da espécie.
Aparentemente, de todas as ilusões, o amor, parece ser a única capaz de construir alguma coisa. Mas infelizmente não é bem assim.
Quase todas as outras ilusões usam indiscriminadamente e exaustivamente a palavra "amor", ou o desejo do mesmo.
Slogans como "Deus é amor" ou "o amor vai vencer o medo", ou dizer que um produto "é o amor", não passam de pura mentira, assim como toda propaganda.
A pergunta que fica é se existe amor de verdade, ou o tão desejado "amor verdadeiro".
Temo que não.
Mas é preciso admitir, que de todas as crenças, crer que se está amando é de longe, a mais agradável e satisfatória. (Cara... e como é bom!)
Imagino como deve ser quando um casal tem plena consciência de que ambos estão vivendo essa ilusão e aceitam viver essa ilusão mutuamente.
Já a felicidade... apesar da infinidade de artigos tentando ensinar "como ser feliz", a verdade é que não passa de um privilégio de quem se deixa iludir.
Pena que nenhuma ilusão é para sempre.
Nenhuma, infelizmente.

Um comentário:

Pedro Prado disse...

Qual a receita para frustração? Ter expectativas que não se realizarão.
Portanto, para não se frustrar basta não ter expectativas... mas sabemos que isso é impossível.
Porém, há uma grande quantidade de expectativas que podemos evitar, incluindo as que nos são impostas.
Nós percebemos apenas as diferenças de situação. Por exemplo:
- um indigente que está acostumado a dormir no chão e recebe um colchão sente uma melhora, mas com o tempo, dormir no colchão passa a ser normal;
- se você o coloca num pequeno quarto ele sente uma melhora, mas com o tempo, passa a ser normal;
- porém, se você o retira do quarto e o coloca no colchão no chão, ele sentirá uma piora pois a percepção de "normal" dele mudou.
Se passamos a vida toda tentando criar momentos de euforia, aquilo de certa forma é o "normal", o "feliz". Enquanto não estamos eufóricos, estamos "infelizes"...
Quando a verdade é que temos que aprender a ser felizes com o que pode ser "normal" para nós, para cada um de nós.
Pode ser passar um dia cinza, sem nada de especial porém nada de ruim...
Abraços!