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segunda-feira, 30 de junho de 2014

O sonho de um garoto que cresceu sob um teto cheio de goteiras em que eram contínuas as brigas domésticas, era meramente construir uma família livre do tipo de conflitos que eu testemunhei da minha infância até a adolescência, em que os computadores acabaram se tornando os meus melhores amigos, o que me fez ser o homem que sou hoje.
Embora as pessoas frequentemente me vejam, contando piadas, elogiando-as ou tentando faze-las ter uma vida melhor, rindo ou sorrindo, postando um clip musical por dia para que as pessoas tenham alguma experiência emocional boa referente a uma boa música... se me perguntarem se eu sou feliz, a resposta é um simples não. E já desistí de acreditar que algum dia eu possa se-lo.
Não é esse o mundo que eu quero para os meus filhos e é exatamente por isso que já há muitos anos, desistí de te-los.
E construir uma família, o grande sonho... se foi no ano passado, com o último resto de crença que eu tive num futuro feliz com uma companheira incrível que tinha tudo para ser "a" excessão à regra. mas o destino acabou mostrando que a excessão à regra mesmo, sou eu. Só eu. E por isso mesmo, cada dia tenho mais certeza de que eu não vou viver mais muito tempo.
Repetindo: Este não é um blog sobre política.
Não sou extremista nem de esquerda, nem de direita e não acredito em nenhum desses dois modelos que a meu ver, estão completamente falidos e agora ameaçam a própria existência futura da humanidade.



Corrupção cultural

"Eu quero uma cultura de pessimismo. Um mundo abandonado por Deus."
(Georg Lukacs)


Este mês, eu quase desistí de vez, de escrever aqui neste blog, encerrando mais de 10 anos de exercício de reflexão que compartilho com meus(minhas) queridos(as) leitores(as).
Para todo lado que vejo, só propaganda, mentira (mesma coisa), hipocrisia, valores humanos sendo trocados por crenças dogmáticas tanto na política quanto na religião, cidadãos absolutamente inconscientes de que eles, os cidadãos é que são o Estado ao invés do Governo, que aliás, deveria ser apenas uma instituição para representa-los, ao invés de uma "mãezona" da qual as pessoas se condicionam a dependerem e a morrerem de medo dela.
Como sociedade, hoje somos todos alienados de alguma forma e (embora uns mais, outros menos), não passamos de zumbís movidos à emoção ao invés da lógica e as emoções podem ser facilmente controladas discretamente, sem que percebamos e assim, ditam-se nossos comportamentos, nossas idéias, nossa visão de mundo, nossas "verdades", nossos valores, nossas crenças.
Estamos todos condenados a um escravismo por uma elite que simplesmente aceitamos que tenham todo o poder e nenhuma responsabilidade. (Embora que apenas aparentemente, trocando uma elite por outra.)
Demos nossas armas a eles, nosso poder a eles e daremos nossas propriedades, o fruto dos esforços de nossas vidas e de nossos antepassados, nossa privacidade e enfim, nossas vidas, quer queiramos, quer não queiramos, porque a cadeia de obediência formada pelo medo, faz com que nós, indivíduos nos tornemos impotentes diante das vontades dessa elite.
Em junho do ano passado, podemos ter visto aqui no Brasil, o último suspiro de uma sociedade, o último suspiro de uma organização dos cidadãos que se uniram, mostrando lindamente seu poder como Estado de Direito diante de seu Governo que desde então tem movido seus pauzinhos em todos os sentidos para evitar futuras manifestações organizadas como aquelas.
Famílias inteiras foram às ruas, mas hoje não vão mais, com medo das tropas de choque e dos black blocs* (que até então não existíam... no máximo, agentes infiltrados na tentativa de invalidar a legitimidade dos protestos) bem como investimentos pesados em equipamento policial para conter manifestações.
Investiram em leis que exigissem líderes responsáveis para cada manifestação, de modo que naturalmente serão responsabilizados criminalmente caso infiltrados e black blocs resolvam aparecer para causar estragos, bagunças e depredações (de patrimônios que nada têm absolutamente nada a ver com os protestos, diga-se de passagem), além de burocratizar possíveis reações imediatas da população, dificultando manifestações de protesto.
Já os infiltrados e black blocs (formado na maioria das vezes por criminosos e "idiotas úteis"), naturalmente permanecerão impunes (e com uma boa reflexão sobre sua função nessa história, é fácil saber quem está por trás deles).
Não bastasse a situação nítida de guerra declarada entre o Estado de Direito e as forças do Governo, este imediatamente ainda força em regime de urgência, a aprovação de leis para "regularizar" (leia-se "controlar") as redes sociais, o moderno e democrático e dinâmico meio de comunicação através dos quais os cidadãos poderiam se organizar, além do já conhecido controle dos tradicionais meios de comunicação (TVs, jornais e revistas) através de concessões feitas apenas a parceiros de confiança ou rabo preso com o Governo.
Já começam a listar "inimigos do governo" em seus sites, meramente por esses indivíduos exercerem seu direito democrático constitucional de livre expressão de opinião, como se só tivesse validade a "democracia" imposta autoritariamente e como se todo o resto tivesse de ser criminalizado ao invés de respeitado e ouvido como numa democracia de verdade.
A pergunta que fica agora é... Como nós, cidadãos deixamos tudo isso acontecer e chegar nesse ponto?
A resposta está num fator que eu chamo de corrupção cultural, embora muitos chamem de marxismo cultural, por ter tido orígem em 1917 (e cada grupo tem uma visão relativamente diferente sobre isso, mas nada além do já esperado), com a explosão dos movimentos socialistas e suas múltiplas correntes e nomes diversos como "social-democracia", "nacional-socialismo" e múltiplas tentativas de associar o movimento a "causas dos trabalhadores", ou "causas operárias" e com essas coisas, o surgimento de duplicidade de significado de certos termos-chave como "democracia", "regulamentação", "revolução" e mais recentemente, "progressismo" e que alavancariam toda a sua propaganda e assim, através da confusão das idéias, implantarem aos poucos sua ideologia através dos tempos.
Enganam-se os que pensam que isso não foi minuciosamente planejado.
Na verdade, o truque é muito simples e já está em prática desde o começo do século 20 e com poucas variações, dependendo da "vertente", no geral, todas elas seguem esses mandamentos:
1 - Confunda os significados das coisas fazendo com que elas se pareçam com complexos planos de soluções politicamente corretas, mas que sempre escondem um objetivo escondido em um parágrafo, uma linha, uma palavra. Se possível, cause fatos para justificar a apresentação desses planos.
2 - Procure sempre diferenciar os grupos de pessoas por coisas que elas possam ter em comum, chame-as de "classes sociais" ou "categorias" e convença cada grupo desses de que eles são uma "minoria oprimida" de modo a joga-los uns contra os outros, enfraquecendo assim, o poder de união da sociedade.
3 - Invista pesado em propaganda de coisas que causem reações emocionais para prender e desviar a atenção do raciocínio lógico, como por exemplo, futebol, novelas com apelos dramáticos ou programas de televisão com apelos sexuais. Promova o uso de drogas e o consumo excessivo de bebidas. Controle toda a mídia para tornar isso possível.
4 - Faça com que a mente das crianças sejam corrompidas desde a infância, preferencialmente pelos próprios pais com valores que as impeçam de no futuro, poderem constituir famílias unidas.
5 - Controle as escolas e as universidades para que corrompam os alunos. Inclua resenhas direcionadas e faça-os ler tantas dessas idéias a ponto de serem incapazes de desenvolver idéias próprias.
6 - Façam leis para culpar a vítima e enaltecer o criminoso e faça com que a sociedade ache isso normal.
7 - Desarme o cidadão, arme o criminoso e faça com que a vítima jamais tenha esperanças de confiar na justiça ou mesmo na polícia.
8 - Jamais assuma seus reais objetivos. Apóie-se em sua propaganda, por mais mentirosa que ela seja.
9 - Estimule o consumismo e a ostentação para fortalecer sua propaganda sobre as diferenças de classes e instigue o ódio e o nojo entre elas.
É preciso estar atento a essas diretrizes para poder combate-las antes em si mesmo(a), para só depois, com inteligência ao invés da força bruta, desmascarando-as bem como quem está por trás de cada uma delas, mas fazendo com que as pessoas percebam por elas mesmas, pois se você apontar diretamente, será ignorado(a), hostilizado(a), ou mesmo criminalizado(a) por você não ter apoio unânime de uma sociedade condicionada a combater idéias racionais, muitas vezes usando de um "racionalismo" formado por dados corrompidos emocionalmente.
Se não existe poder maior que o poder armado, em ideologia não existe arma mais poderosa que a verdade. E como "verdade" cada um tem a sua, a minha dica aqui é: cautela, cuidado, respeito, paciência, serenidade e firmeza de caráter.
Ódio, estupidez e agressividade, são respostas desesperadas de quem não tem argumento.
Lembrem-se sempre disso.

* Nota: Os black blocs, apesar de empunharem a bandeira negra, um dos símbolos do anarquismo, eles NÃO SÃO ANARQUISTAS! Já existe desinformação demais no mundo sobre o que vem a ser o anarquismo. É bom deixar as coisas bem claras: anarquista (pelo menos o anarquista filosófico) não quer bagunça, nem desordem, nem caos. Anarquista de verdade, quer liberdade, ordem, inteligência e respeito ao próximo.