Translate

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Havia algo de errado neste blog.
Textos muito longos estavam espantando os leitores acostumados a ler chamadas que os portais de "conteúdo" na Internet chamam de "artigos" e muitos já me disseram que este blog estava "deprimente", enquanto eu me irritava por que sentía que este blog estava mesmo mais ou menos que seguindo muito para um "lugar comum".

Talvez por me sentir impulsionado a escrever sobre como o mundo é governado, por quem e de que jeito, no intuito de esclarecer o quanto perdemos tempo com discussões inúteis enquanto deixamos de nos concentrar em nós mesmos e o que nós queremos individualmente ao invés dos grupos que querem a todo custo nos manipular, tornando-nos zumbís inconscientes que pensam ser conscientes, mas incapazes de pensar por nós mesmos.
O texto de hoje, visa quebrar esse ciclo, tentando inspirar o(a) leitor(a) a se isolar (ainda que momentaneamente) do modo de pensar de seu grupo, (seja alguma militância política, doutrina religiosa ou time de futebol, só para citar alguns exemplos) e buscar mais um reconhecimento e valorização de sí mesmo(a) como indivíduo(a), de modo a dar algum motivo (ainda que subjetivo) para que possa começar a meditar e pensar por sí próprio(a), à caminho de uma independência do grupo, em busca de liberdade de pensamento e consequentemente, de ações que finalmente façam alguma diferença, ou seja... Tudo o que os "donos do mundo" não querem: consciência individual.


O silêncio
"Se você quer entender o Universo, pense em energia, frequência e vibração."


É comum a um audiófilo, o hábito de pôr um bom fone de ouvido tipo full size com bom isolamento acústico (mas sem cancelamento eletrônico), apagar as luzes, fechar os olhos e exercitar o cérebro no sentido de identificar cada minúscia das obras musicais que mais lhe dão prazer de apreciar.
Com a prática, pode-se desenvolver a sensibilidade ao ponto de conseguir "enxergar" o estúdio onde um ou mais intrumentos foram gravados, ou ainda, num grau mais avançado, sentir a emoção que o artista busca exprimir em sua música. Em alguns casos, a experiência pode surpreender os raríssimos iniciados nessa arte, com uma sensação que os budistas talvez comparem ao nirvana. (Pelo menos nós, audiófilos interpretamos assim.)
Não raramente, em grupos de discussão de audiófilos, estes relatam experiências similares ao ouvir o mesmo álbum ou a mesma música e essa admiração (até um tanto viciante), é facilmente atribuída a algo sagrado, especialmente se existir perfeita harmonia constante em cada som e todos eles se combinarem com perfeição absoluta.
Coincidência? Talvez.
Por outro lado, também é comum após esse ritual de audição (geralmente de madrugada para evitar interrupções), que estes audiófilos apreciem o silêncio e passem a admirar qualquer ruído mínimo da madrugada, assim como o próprio ruído marrom do movimento da Terra, despercebido no dia-a-dia e obviamente ignorado pelas pessoas que não cultivam esse hábito.
Admiração essa que curiosamente não existe numa câmara anecóica, onde o único som que você pode ouvir, é o produzido pelo seu próprio corpo, do sangue circulando, do ar entrando e saindo de seus pulmões, seus órgãos internos trabalhando e a batida do próprio coração.
Há quem sinta desconforto e até entre em pânico numa câmara anecóica, pois o silêncio absoluto, lembra a morte.
Talvez porque não estamos acostumados a ouvir tanto silêncio, nem mesmo antes de nascer, em que nos acostumamos com o confortável som dos corações de nossas respectivas mães e logo após o nascimento, passamos a nos acostumar com a tranquilidade das entonações e canções de ninar... que certamente inspirou o surgimento dos mantras de meditação, das salmantras, dos salmos (e outros sons tão importantes nas mais antigas religiões orientais), indo até a estudos sobre harmonia musical em 528Hz (tido como "frequência harmônica" do DNA) ou movimentos defendendo a volta da afinação de instrumentos musicais por 432Hz (muitíssimo bem embasados, diga-se de passagem)... e aos poucos, nos esquecemos do silêncio, de sua simplicidade, de seu valor em contraste com o barulho.
E com tanto barulho, há uma certa sabedoria poética de que na maior parte do nosso Universo, exista o vácuo e assim, o som não se propaga.
É... há muito o que explorar no silêncio do Universo!
E é no silêncio que pensamos melhor, que prestamos mais atenção a nós mesmos, que lembramos mais de pessoas e momentos agradáveis de nossas vidas, que sentimos saudade, ou a carência de um segundo coração batendo.
É no silêncio que dormimos, sonhamos (dormindo ou acordados) e talvez - me atrevo - seja no silêncio que, se houver uma Consciência Superior, um Criador, um Deus... Talvez seja do silêncio que Ele nos direciona sua palavra.
Melhor aprender com o silêncio, se todos nós de fato, o encontraremos um dia.


Termino o texto de hoje, sugerindo este vídeo interessante sobre a sabedoria indígena norte-americana e uma música que sempre me faz pensar sobre o silêncio e que parece até uma prece... Bom proveito!
Ah! Não deixe de comentar se gostou do texto!

Nenhum comentário: