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terça-feira, 13 de agosto de 2013

Como os leitores já sabem, estou solteiro de novo a pouco mais de um mês.
Na verdade eu já deveria ter me considerado como tal desde final de dezembro, quando os pais dela simplesmente a tomaram de mim, com direito a humilhação, agressão física, ameaças... enfim, nem quero comentar. Ap
enas optei por deixar esse conflito de lado pelo que ainda sentía por ela, mesmo ainda tendo passado 3 meses sem notícias, ter amargado o mais depressivo começo de ano dos meus 42 anos e ser obrigado a nunca mais viajar para ir ve-la, temendo alguma emboscada.
Falando assim, até parece que foi ruim este um ano e sete meses de namoro "às escondidas" após uma (paixão à primeira vista que se iniciou em 2007). Pelo contrário, foi inacreditavelmente perfeito, simbiótico, elegante, intenso, divertido... incontáveis aventuras e momentos muitas vezes simples e ao mesmo tempo mágicos.

Pode até ter sido o fim do já apelidado entre certos taxistas de Araraquara como o "o casal mais bonito do taxi", mas amor, carinho e desejo não faltaram. E no final, o quê nos impediu de seguirmos pelo mesmo caminho juntos, foram as circunstâncias, a pressão da distância, dos familiares em relação à nossa diferença de idade, dos costumes da religião ainda que inconscientemente... enfim, somos humanos, imperfeitos... e nossos limites se findaram exatamente como eu temía desde o início do nosso relacionamento.
Ainda que tenha se findado mais um ato do "teatro da vida", o show não pode parar e NINGUÉM que nos tenha visto juntos, que nos tenha conhecido enquanto namorávamos, em nenhum momento, em nenhum instante, jamais poderá dizer que não havía amor verdadeiro alí. Jamais algum inimigo, conspirador "do contra" que hoje certamente deve estar comemorando, poderá sentir o "gostinho" de dizer que eu não a amei ou que ela não amou cada momento.

Mas amar também singnifica compreender quando há mais coisas em jogo, seja por fé, seja por loucura, seja por relação de dificuldades versus facilidades.
Amar não é posse. Amar, é desejar a felicidade de quem se ama, mesmo que isso implique no fim da crença no sucesso de possíveis relacionamentos de compromisso conforme citei no mini-editorial do meu último texto aqui neste blog... pelo menos até que alguém consiga me convencer do contrário.



Em nome da Fé
"Nossos antepassados viviam do lado de fora. Eles estavam tão familiarizados com o céu noturno quanto a maioria de nós com os nossos programas de televisão favoritos."


Desde as orígens mais remotas da civilização, as religiões acompanharam a existência humana. Só esse argumento já é suficiente para se ter uma idéia do grau de condicionamento que nós, como seres humanos, temos tendência a nos submetermos à crenças em algo "superior". Assim sendo, qualquer coisa que foge à nossa compreensão instantaneamente figura como "mágico" ou "divino" ou ainda "diabólico" e portanto, essa tendência não pode ser simplesmente ignorada quando se fala de Fé.
O temor às terríveis forças da Natureza incompreensíveis ao Homem primitivo, abriram uma enorme oportunidade para aqueles que aos poucos começavam a compreender seu funcionamento (mais ou menos como aquela famosa cena de "2001, Uma Odisséia no Espaço" do Mestre do cinema Stanley Kubrick), fazendo destes instantaneamente seus líderes, como "deuses na Terra" por dominarem certas "forças da Natureza", embora isso nada mais fosse do que mera ciência de como elas funcionavam.
A "Astronomia" talvez tenha sido a primeira Ciência observada sistematicamente, embora que extremamente mistificada e portanto, chamamos essa fase de "Astrologia" (do grego, "compreensão das estrelas").
Mais do que mero misticismo, essa observação estelar, fez com que o Homem pudesse dividir as estações do ano e com isso saber a época certa de plantar e colher e assim, sobreviver.
Assim sendo, nossos antepassados dependíam do conhecimento de seus "líderes que conheciam as estrelas" que volta-e-meia eram tidos ora como "deuses na Terra", ou "porta-vozes dos deuses" como "sacerdotes" ou "feiticeiros" e não demorou muito para que eles tivessem de tomar decisões mais complexas, sendo então necessária a divisão de classes (separando os reis dos sacerdotes, embora que permanecessem líderes) e o surgimento da escrita que, por ser restrito aos "seres mágicos" (sacerdotes, feiticeiros, reis, etc.), era facilmente vista como mística, ou "sagrada" ou "mágica" ou ainda, "escrita pelos deuses" ou em outras culturas, "inspirada pelos deuses"... tradição que se mantém até hoje graças ao crescente cuidado milenar dos escritores em tornar esses textos mais convincentes acrescentando a eles dois elementos fundamentais para assegurar seu poder cativante independente do credo: "sapiência" e "profecias".
No elemento "sapiência", encontramos o lado (a meu ver) "bom" das religiões, por formar o lado educativo das mesmas, com ensinamentos de moral, de respeito, de justiça, de estrutura familiar e social, e de serenidade, porém, ao invés da compreensão (o elemento que formou o poder dos líderes como citamos agora a pouco), prega-se a demonização da mesma, especialmente se vier de fora do grupo. E a justificativa disso vem do elemento "profecias".
Estamos acostumados a entender como "profecias", coisas que foram previstas no passado e que estão "acontecendo agora". Bom... de certa forma isso é verdade uma vez que muitas das afirmações nada mais são do que a repetição contínua de coisas que sempre aconteceram mas que vamos percebendo com mais frequência conforme vamos envelhecendo, porque a população vai aumentando e a comunicação vai se tornando mais eficiente.
Mas não é esse o aspecto das "profecias" a qual me refiro como "justificativas" para a demonização da compreensão.
A própria palavra "profecia" vem de "profeta", aquele que profetiza, que profere, que dita. Enfim... são ditames subliminarmente enxertados em meio a observações verdadeiras que se formam no subconsciente e por isso mesmo, lhes figuram também como verdades irrefutáveis.
Assim sendo, "conscientemente", o religioso segue muito mais esses ditados do que tentar entender ou compreender efetivamente alguns de seus atos. Por isso é tão fácil vê-los por exemplo criticando a Evolução das Espécies, mas usando antibióticos, cujo tratamento para ser eficiente leva em consideração exatamente a Seleção Natural. (Todo mundo sabe que se o tratamento por antibióticos de uma infecção bacteriana não fôr feito rigorosamente conforme o indicado, forma-se uma nova infecção de bactérias desta vez, resistentes ao primeiro antibiótico. Ponto pro Darwin!)
Ah, mas esses ditames são só tradições conservadoras, certo?
Mais ou menos...
A imensa maioria das religiões modernas se baseiam em dois tipos de leitura. A primeira é a tradicional, que embora permita poucas margens de distorção de interpretações, poderia ser posta em dúvida com facilidade se seus líderes permitissem o acesso pleno a novas descobertas à respeito das mesmas. "E a dúvida, é inimiga da Fé" (plageando Umberto Eco).
O segundo tipo de leitura é uma contínua repetição de exemplos comportamentais aceitos pelo grupo, escritos em linguagem altamente simplificada. Repetição exaustiva de ordens simples como sabemos, é a mesma técnica usada em lavagem cerebral. Assim sendo, ditames modernos podem ser inseridos assim como gatilhos emocionais que os disparam.
Embora essa abordagem possa parecer moderna, em outros tempos teve outras formas de implementação, uma vez que o analfabetismo era uma constante e portanto, ao longo da história, esses ditames tiveram outras formas de serem aplicados, como as canções cantadas em grupo lentamente (salmos ou salmantras), bem como as contínuas repetições de frases. Novamente um costume que permanece.
As religiões hoje até que são bastante civilizadas por basearem-se em escritas "sagradas" e literatura, apesar das guerras religiosas e atos terroristas em nome da Fé, mas nem sempre foi assim.
Na verdade, ao longo da história, já houveram incontáveis mortes não só em "guerras santas", mas também houveram sacrifícios humanos, incontáveis pessoas queimadas vivas, afogadas, apedrejadas, enforcadas, violentadas, esquartejadas, torturadas, traídas...  em nome da Fé. Em nome do que acreditavam e tinham certeza absoluta de estarem fazendo a coisa certa para agradar seus deuses.
Apesar dos pesares, não sou contra nenhum tipo de religião desde que ninguém se machuque e que haja liberdade para questionar, para ir além do que as limitações dos ditames religiosos permitem, liberdade para compreender e compreender, para se libertar de fato desses ditames, ao invés de serem escravos deles.
Prefiro pensar que o ser humano precisa disso para evoluir e que se existe um "Deus", ou alguma "Consciência Superior", que seja de fato amante da justiça e da verdade e que se mostre como realmente é ao invés de ser essa "versão à imagem e semelhança do ser humano", que a própria espécie humana inventou e diz ter a "certeza absoluta" de ser o contrário, com suas próprias noções humanas de "justiça" e "verdade".
E se houver um "Juízo Final", o meu testemunho não terá a pretensão humana imperfeita de dizer o que "penso" que Ele é. Ao invés disso, serei humilde e só assim poderei dizer com segurança o que não é.

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