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sexta-feira, 26 de julho de 2013

Essa semana comprei "de volta" meu primeiro computador, um CCE MC-1000. Provavelmente o mais misterioso e obscuro de todos os microcomputadores já fabricados.
Saudosismo de quem testemunhou o nascimento da microinformática e aprendeu a lidar com máquinas extremamente limitadas como uma criança brincando com um quebra-cabeças.
Mas há bem mais do que isso... Talvez minha curiosidade sobre eletrônica, ou a vontade de lembrar como era ter o total controle sobre cada pino de saída, cada tecla, cada byte de memória de um computador, de uma forma que é impossível nos tempos modernos, tamanha a dependência que temos de soluções de software e hardware de terceiros.
Ou talvez seja simplesmente para tentar distrair minha mente por ter terminado meu namoro por ter deixado de acreditar em relacionamento de compromisso.
Acho que nunca vou entender o que me fascina tanto nessas máquinas antigas e limitadas.


64 Kilobytes
"Se quiser uma imagem do futuro, imagine uma bota pisando sobre um rosto humano."


O ano era 1983. A exatos 30 anos atrás, eu tomava contato físico pela primeira vez, com alguns dos primeiros "microcomputadores pessoais".
Até então, só empresas podíam ter computadores e mesmo os microcomputadores ditos "pessoais" eram caríssimos. Tão caros aliás, que máquinas bem mais modestas (e acessíveis), eram uma opção àqueles que podíam rodar aplicativos profissionais, em especial, os que rodavam o (na época poderosíssimo) sistema operacional CP/M, que em sua máxima performance, usava todos os 64 kilobytes que os processadores Intel 8080 e Zilog Z-80 conseguíam endereçar diretamente (sem artifícios técnicos como bank switching ou memory mapping).
64 kilobytes. Só isso mesmo. Levaram astronautas à Lua usando um computador que só tinha isso de memória e não estamos falando em Megabytes ou Terabytes aqui. Só de míseros 64 kB que outrora representavam o ápice da microinformática profissional, atendendo a técnicos, cientistas, engenheiros, processadores de dados, pesquisadores, programadores, redatores, economistas, governos e espiões. Isso mesmo! Espiões!
Não havía Internet, mas já havía comunicação eletrônica e a interceptação da mesma de modo que as notícias recentes sobre termos todas as nossas comunicações eletrônicas espionadas, não só não me surpreende, como já alerto para isso neste blog praticamente desde seu surgimento, mas quem me ouviu?
Muitas vezes fui tratado como "louco" ou "paranóico" até que um técnico da CIA precisou pedir asilo político por ter dito em público o que já falo aqui a anos e precisou o presidente do país dito "mais poderoso do mundo" assumir publicamente a existência do sistema de espionagem PRISM, (que é só uma pequena parte da rede ECHELON que tanto eu, como muitos outros blogueiros no mundo já mencionamos, mesmo ele tendo dito que "ninguém está ouvindo suas ligações telefônicas"... Conta outra!) pra de repente todo mundo se sentir "surpreso", né?
Ha! Tarde demais!
Enquanto vocês, consumidores orgulham-se de  seus modernos SmartTVs que captam sua imagem e seus movimentos pela sala, estes podem perfeitamente estar sendo monitorados online por algum agente da CIA ou NSA em algum lugar do mundo sem você saber, assim como seu SmartPhone, captando imagens suas sem você saber, podendo te localizar facilmente por GPS ou por triangulação de sinal, suas contas (todas integradas) do Facebook, Google, Yahoo, Microsoft, Apple... podendo ser escancaradas pelos mesmos agentes e assim, todos os seus segredos e fraquezas podem se virar contra você um dia, assim como suas idéias misteriosamente se tornam patentes de grandes corporações pertencentes a sócios anônimos antes de você sequer pensar em registra-las.
Você nunca achou estranho que quanto mais sofisticados e poderosos os computadores modernos se tornam, menos eficientes, menos funcionais e menos previsíveis eles ficam?
Também não achou estranho que quando surgiram os tablets com capacidade de memória e processamento inferior aos computadores de mesa, estes às vezes executavam funções semelhantes às vezes até melhor?
Os programadores hoje sabem MESMO como funciona cada byte de seus programas ou o incontável número de camadas de "includes", "DLLs" e outras dependências bem como o próprio compilador não poderiam conter códigos capazes de rastrear palavras-chave que possam interessar aos "espiões"?
Meu primeiro computador tinha só 16KB. Mas eram gloriosos 16KB!
Neles, eu tinha total controle sobre cada byte dos meus programas, que não raramente ocupavam bem menos que isso... 3K, 2K... que poderiam perfeitamente copiar dados para fora de seu computador com muita eficiência sem você saber, enquanto se distrai aguardando o Media Player ou Explorer abrir.
Para quê?
Bom... tenho certeza que George Orwell já tentou explicar através de seu famoso livro "1984". Mas sabe como é... talvez ele seja outro "louco" ou "paranóico"... e quando todo mundo perceber que ele estava certo...
Ha! Tarde demais!

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