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sexta-feira, 21 de junho de 2013

No começo deste ano eu tinha decidido escrever todos os textos deste blog sobre o Poder no Mundo, seu funcionamento, como ele evoluiu ao longo da história, mas estamos testemunhando um momento histórico importante e é fundamental que se compreenda bem o que está acontecendo agora para que se evite publicar no futuro, versões distorcidas deste momento, como a humanidade já tem feito desde seus primórdios.
Que se deixe de lado a futura tradicional "versão do partido que ganhou a guerra" para uma história cujos rastros correspondam precisamente e de forma incontestável sua futura versão oficial.
Tenho visto nas redes sociais, muitas declarações inflamadas, empíricas como "verdades absolutas". E dogmas, quaisquer que sejam, eu abomino. Especialmente as desenvolvidas por pseudo-idealismos implantados feito lavagem cerebral.
E embora na imensa maioria das vezes em que me classificaram como "louco" ou "idiota", tenho acertado sobre esse tipo de assunto com uma margem irritantemente significativa para alguns, prefiro me manter na humildade ao apresentar minhas observações de uma forma inconclusiva como sempre, para que os leitores possam meditar, pesquisar e ligar os fatos por sí próprios. Os humildes serão os únicos que ganharão com isso. Já os orgulhosos...


Obrigado por abrirem a Caixa de Pandora

"Eu me rendo!"
(General Ernesto Geisel, segundo dizem, ao ver uma foto da multidão nas ruas, pelo comício do movimento "Diretas Já".)


Muito têm sido escrito sobre os manifestos recentes no Brasil e muita besteira se falou, envolvendo golpes e teorias conspiratórias mirabolantes e eu me sentí no dever de esclarecer o máximo que posso dentro do meu limitado ponto de vista sobre a atual situação.
Mas antes, é preciso deixar bem claro alguns pontos importantes para que não se interprete incorretamente:

1 - Não existe mais esse negócio de "esquerda" e "direita" pelo menos desde a década de 40. Qualquer um que venha com esse papo está desatualizado e precisa deixar um pouco a literatura social clássica de lado e entender que o Poder no mundo hoje é um sistema dinástico, um sofisticadíssimo e complexo sistema de Poder semi-mundial, absurdamente mais poderoso que qualquer corrente idealista partidária que se possa imaginar.
Este é formado por grupos de banqueiros internacionais que além de donos dos principais bancos centrais do mundo são também sócios anônimos das maiores corporações do planeta. Logo, para eles, os partidos de "esquerda" e "direita" hoje representam uma mera vitrine, distração, circo.
Na prática, partidos de "esquerda" e "direita" formam um único partido: o do oportunismo, que aqui, chamaremos apenas de "sistema", de modo que enquanto não interferem nos negócios e servirem aos interesses do supra-citado Poder dinástico, podem continuar explorando seus respectivos povos como bem entenderem.

2 - Não existe "fascismo" sem um "duce", não existe nazismo sem um "führer". Logo, se não existe um líder, não há como existir nenhuma corrente golpista de nenhum grupinho revolucionário tentando pegar para sí um Poder totalitário.
Qualquer um que pense dessa forma, pensa que tudo é fruto de alguma conspiração, algum golpe, quando na verdade, (pelo menos aqui no Brasil), o "sistema" pela primeira vez na história, perdeu o controle. Aliás, o "sistema" só perdeu esse controle por pensar suas estratégias dessa forma. Ou seja, o "sistema" (pelo menos o local) está caduco, desatualizado, arcaico.
Se houvesse alguma corrente golpista, os manifestantes permitiriam bandeiras partidárias, ou de grupos tradicionalmente golpistas (que me reservo o direito de não citar os nomes), que são financiados exatamente pelos grupos do Poder dinástico que citei no ítem "1". No entanto, qualquer um que ameace levantar qualquer bandeira de qualquer partido, contemplará a expulsão imediata do movimento, o que jamais aconteceu em manifestações populares no Brasil.
Se existe algum golpe, é o de tentar se manter no Poder através de DOIS partidos APARENTEMENTE opostos, mas que agem em conjunto de modo a fazer a grande massa pensar que houve troca de Poder, quando na verdade, é uma continuidade de um mesmo plano.

3 - Ao interpretar um movimento social das dimensões que estamos testemunhando hoje, acusando de "esquerdista", "direitista", "fascista", "nazista" ou qualquer "ista" que já existiu na história, estão cometendo sem perceber, um grave erro de diagnóstico. Um crime contra si mesmos e assim como eu, se arrependerão no futuro, como eu me arrependo de muita besteira que já escreví no passado e hoje tenho de engolir humildemente os meus erros como um remédio amargo que me fez aprender a consultar primeiro para poder compartilhar minhas opiniões aqui com meus leitores, embora não conclusivas sobre nada, em respeito aos mesmos e suas próprias opiniões.
O meu ponto de vista sobre essas manifestações hoje é: Estamos testemunhando pela primeira vez na história, uma revolução que tem um elemento que não existe na literatura de Ciências Sociais clássica (até porque é muito moderno), chamado "Inteligência Coletiva". (Para não sair do foco deste texto, recomendo a leitura do livro "Cultura da Convergência" de Henry Jenkins, que lí a alguns anos atrás. Aliás, um valioso presente que ganhei do editor do livro aqui no Brasil e que recentemente por conta desses protestos muito sabiamente me recomendou sua releitura).

Bom, vamos relembrar os fatos...
Semana passada (entre os dias 10 e 12) me lembro de desconsiderar as manifestações em São Paulo sobre o preço das passagens de ônibus, por elas serem de orígem partidária (financiada), e agitadas naturalmente por aqueles estudantes que tentam alavancar uma carreira política como líderes estudantís, como de praxe. Enfim, outro manifesto paliativo comum com intuito de geração de material para uso em campanha eleitoral. Sem novidades até aí até que na quinta-feira, dia 13, cometeu-se o erro administrativo que transformou uma manifestação corriqueira, numa manifestação nacional com reflexo em vários países e - importante que se frise isso aqui - sem absolutamente NENHUMA relacão com a manifestação inicial, (que já faz tempo, tomou seu próprio curso).
Um erro que só pode ter vindo do natural despreparo tanto das autoridades (muitíssimo mal-acostumadas a fazerem o que bem entenderem sob o escudo da impunidade) quanto dos soldados que receberam sua ordem simples e sem detalhes: "dispersar manifestantes". Esse foi o erro.
Os soldados, treinados para lidar com bandidos, rebeliões em presídios e focos de crime organizado em periferias, naturalmente acabaram por usar o mesmo tipo de abordagem contra cidadãos de bem e que pagam seus salários através de impostos, justamente para protege-los.
Nesse ponto, eu estava erroneamente observando um movimento em prol de uma recomendação da ONU (que é financiada pelo "Poder dinástico") para extinguir a Polícia Militar (o que seria um erro gravíssimo se o fizessem assim, "do nada", simplesmente, sem a transformar sistematicamente em Polícia Judiciária Estadual como funciona na maioria dos países desenvolvidos).
No entanto, algumas peças do quebra-cabeças não se encaixavam e comecei a consultar outras pessoas enqanto que a interpretação popular dos sucessivos atos de violência e despreparo das tropas, caracterizaram atos típicos de um governo ditatorial, como os que os brasileiros aprenderam a abominar nos últimos 40 anos, aproximadamente.
Essa foi a espoleta da bomba-relógio: De repente todas as incontáveis indignações que vinham se acumulando desde o estranhamente oportuno óbito de Tancredo Neves de repente vieram todas à tona de uma só vez.
Pessoas que até então se questionavam constantemente em discussões inflamadas pelas redes sociais, sobre seu futuro, em especial por parte dos jovens (afinal de contas eles têm bem mais motivos para se preocuparem com seu futuro do que os mais velhos) resolveram sair às ruas em massa, cansados de protestar virtualmente sem êxito.
Esses manifestos todos explodiram muito de repente, no começo não tinham um foco como manifestos comuns, como estamos acostumados a testemunhar.
O acúmulo de indignações era grande demais para que houvesse algum foco e agora os manifestantes estão se organizando e apresentando prioridades.
Como isso tudo aconteceu muito rápido, nossos governantes, ou melhor dizendo, o "sistema" ainda não entendeu o que está acontecendo e ainda insiste em seu arcaico mecanismo de mídia, que já não convence jovens, espertos, "antenados", interligados por terabytes e mais terabytes trocados entre si diariamente e que sabem exatamente o que querem: um futuro digno e livre ao invés de aceitarem ser robozinhos, óleo da máquina do "sistema".
O meu medo (e quase certeza) de que ao notar que a velha fórmula não funciona mais (vide certos exemplos desesperados de acionar gatilhos psicológicos de modo a re-sintonizar a população à mídia de massa ou tentativas de mostrar apenas o vandalismo de bandidos infiltrados entre manifestantes pacíficos justamente com o intuito de tentar invalidar a autenticidade da manifestação), o próximo passo do "sistema" será apelar para o Poder máximo: o Poder armado, como aliás, já começou a faze-lo.

Aos governantes, ao "sistema", (se ainda assim isso tudo não fôr a mais sofisticada manipulação de opinião pública que já testemunhei) apenas um lembrete: Vocês são empregados desses manifestantes, que além de serem seus patrões e eles estão cansados de pagarem por sua incompetência.
Se vocês apelarem para as forças armadas, que fique bem claro que o juramento dos militares (hoje tão odiados graças à mídia que vocês usaram contra eles por todos esses anos) não foi para defender vocês, oportunistas. Eles juraram defender seu País, sua Pátria. Sem mais.

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