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sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

2012 foi um ano repleto de momentos simples e valiosos para mim. Tão valiosos que complementaram minha existência, me ensinaram coisas, me fizeram feliz... enfim, foi um ano maravilhoso e cabe aqui um agradecimento especial à minha namorada, por estar sempre comigo, me proporcionando esses momentos todos e por tolerar minhas manias e maluquices nesses 14 meses e 9 dias de cumplicidade, união, surpresas... Te-la comigo é tudo de bom! Um imenso orgulho.
Neste ano, meu blog teve tão poucas postagens que os leitores já devem achar que está abandonado.
Bom... quase.
Eu adoraria compartilhar com os leitores, mais das coisas que andei pesquisando, estudando e descobrindo, mas meu tempo está cada dia mais escasso para escrever e isso pode ser comprovado estatisticamente já que o número de textos que venho postando aqui, está caindo ano após ano e só não parei de escrever por exigência dos próprios leitores.
Só nos últimos 2 anos, este blog já recebeu mais de 14 mil visitas, o que me surpreende bastante para um blog cuja frequência de postagens só diminui.
Até pensei em comemorar os 10 anos deste blog com algo especial, mas... me limitei a sutís mudanças estéticas.
Não vejo motivos para comemorar o estranho sucesso de um blog que tem menos textos publicados a cada ano.

E todos os anos, como já virou tradição nesse blog, eu não poderia deixar de publicar o último texto do ano nos mesmos moldes, ou seja, "sem foco" num tema central, pra ver se sai alguma coisa interessante...


O último texto de 2012
"O mundo é assim, todo arquitetado pra gente achar que só a gente tem razão."


Hoje, com o texto de número 300, este blog completa exatos 10 anos... Quantos blogs não nasceram e morreram nesse tempo?
E esse aqui, sequer saiu do ar esse tempo todo.
Aliás, mal posso acreditar que vem se mantendo a tanto tempo, especialmente com as dificuldades de tempo para refletir e me concentrar em escrever, então tentei fazer uma retrospectiva do Picolo's Blog para tentar entender melhor o que acabei fazendo esse tempo todo nele...
No dia 28 de dezembro de 2002 surgiu a primeira postagem aqui neste blog, ou seja, a exatos 10 anos.
Eram apenas 4 linhas de uma brincadeira testando o serviço, apontando um link para o meu velho site pessoal (hoje desativado mas estranhamente ainda online).
Sempre que vejo aquela primeira postagem, me lembro do meu amigo Bruno Doiche, que me aporrinhou adoidado com a idéia de fazer um blog e graças a isso, até hoje me faço a mesma pergunta: que diabos vou escrever aqui?
Na época, ele me enchia tanto com esse papo de que eu tinha de publicar minhas idéias num blog, que os primeiros textos (ainda para testar a funcionalidade do novo brinquedo) eram mais desabafos pessoais do que qualquer outra coisa... E de certa forma, isso foi uma espécie de terapia para mim, numa época de frustração do meio onde trabalhávamos.
Então, em 7 de janeiro de 2003, o destino deste blog pareceu estar traçado com a definição exata do tipo de assunto para expôr, embora houvesse uma séria mistura de "diário pessoal" com desabafos e textos explorando os assuntos-chave escolhidos.
A idéia de publicar citações de gente famosa surgiu 6 dias depois, fortemente influenciado por um dos melhores livros que já lí, o excelente "Cosmos", de Carl Sagan, que também o autor do texto do melhor vídeo que já ví na Internet. Cada capítulo do livro começa com frases desse tipo.
No início, os textos eram bem curtos, apenas observações básicas sem grandes pretenções, mas com o tempo eles foram ganhando complexidade, cuidados especiais (já que eu falava e ainda falo muita besteira) e reduzindo em quantidade.
De lá para cá, o Blogger que nasceu na Pyra Labs foi comprado pelo Google, redesenhado e a interface que antes tinha de ser feita meio que na unha, em HTML com uns tags especiais, agora é cheio dos templates prontos, com design modular e com funcionalidades que na época não existíam, como os títulos dos textos que eu editava para parecerem assim desde janeiro de 2007, mas que só passou a ser uma funcionalidade do Blogger muito tempo depois.
Mas como meus textos passaram a ter título, me veio a idéia de formata-los em 4 blocos: um bloco pessoal, em tipo itálico pequeno, o título, uma frase de efeito mais ou menos relacionada com a idéia do texto e o texto em sí.
O primeiro texto com esse formato foi escrito em 2007 e o permanece até hoje.
Reparem que até aí, levei 5 anos, 219 textos e uma série de mudanças de cores e design para encontrar o formato mais agradável ao público-alvo do meu blog, que volta-e-meia me davam sugestões.
O design atual, é baseado num dos templates semi-prontos do Blogger, com plano de fundo e cores personalizadas combinando com as cores dos outros serviços de publicação que uso como Twitter e YouTube. É tão funcional que desistí de mudar radicalmente o design de novo.
Nesses 10 anos, revendo minhas publicações eu vejo hoje o quanto mudei com ele, quanta porcaria já pensei e publiquei durante esse tempo, quantas coisas em que eu acreditava e deixei de acreditar e o quanto a humanidade tende a continuar à caminho da própria destruição, completamente inconscientes disso.
O fato é que todos nós, como seres humanos somos incrivelmente, ridiculamente, pateticamente falhos e ainda assim, temos uma tendência irresistível de sermos presunçosos, de acharmos que somos o centro do universo, que sabemos tudo sobre ele, que tudo o que nos ensinaram está certo enquanto todo o resto está errado, que só o nosso ponto de vista é que vale alguma coisa enquanto todo o resto precisa ser abominado mesmo que todas as evidências apontem o contrário. E o que conseguimos com isso? A prisão dentro de nossas próprias alienações, o medo de sacrificarmos nosso "precioso" ego e limitações do alcance do raciocínio relacional de modo que este se torne cada dia menor em função do dinamismo consumista desenfreado dos tempos modernos.
Há quem admire os textos deste blog, mas sinceramente, não os vejo como "revolucionários" ou "influentes" ou tão "importantes", embora eu concorde que está cada dia mais difícil encontrar algum material inteligente na Internet "mainstream".
A única coisa que fiz em cada um desses textos, foi simplesmente parar um tempo da miha vida para refletir e escrever sobre minhas reflexões ou observações. Só isso!
É um exercício simples e a meu ver, tão importante quanto a leitura, já que isso nos força a refletir sobre nosso próprio conhecimento e principalmente, desafia-lo.
Conhecimento é poder. Mas apenas poder potencial.
O grande desafio, consiste em aprender a usa-lo a nosso favor relacionando as coisas que sabemos de modo a formular possibilidades ainda inexploradas de entendimento.
Mas na imensa maioria dos casos, acabamos usando nosso conhecimento apenas para nos aprisionar em nossa própria alienação.
Não importa o quanto de conhecimento acumulemos, sempre nos faltará conhecimento.
Não importa o quanto estudemos, sempre faltará algum estudo.
Se me perguntarem três coisas que faltam à espécie humana, eu responderia: humildade para aceitar sua pequena função perante o universo, paciência para colher os frutos de seus esforços e tolerância para compreender que cada um de nós, por mais insignificantes ou ruins que sejemos, é uma peça única de um único grande organismo.
Falta ainda à humanidade, a consciência da complexidade desse organismo, para que deixemos de gastar nosso tempo de vida discutindo coisas insignificantes, mas que nosso ego ostentado por nossos valores pessoais nos ilude fazendo-nos acreditar que são importantes.
O tempo passa... e nós, a humanidade, continuamos supervalorizando futilidades de um lado e ignorando, zombando e faltando com o respeito para com as coisas realmente importantes da vida...
Para nossa própria vergonha.

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