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domingo, 29 de julho de 2012

Olá, leitores e leitoras!

Depois de mais um longo período de ostracismo (pra variar), aqui está finalmente mais um texto (ou conjunto de reflexões) ao invés de um mero comentário no Twitter...
Pois é... Tempo hoje é um luxo precioso!
E por falar em tempo... Já notaram o quanto sem perceber, nos pegamos consumindo tempo precioso de nossas vidas discutindo futilidades como a vida dos artistas, ou picuinhas dos vizinhos e pessoas à nossa volta?
Esses assuntos aos poucos nos faz ter raiva da humanidade ao invés de aprender a tolera-la como ela é: imperfeita por natureza e cheia de joguinhos dissimulados com tentativas desesperadas de causar alguma reação emocional que com isso frequentemente pode desencadear alguma decisão emotiva que possa ferir sua imagem social ou sua reputação.
Penso que já cheguei num grau de estabilidade emocional que não ligo a mínima se fulano ou ciclano tenta mexer com meu lado emocional (que eu prefiro guardar apenas para mim e para minha namorada, excluindo o resto do mundo na medida do possível... é o que o mundo merece e ainda acho que estou sendo generoso).
Tudo bem que às vezes queremos mesmo expôr o que sentimos em determinadas situações e isso sim, é claro, muito válido no sentido de entender melhor como outro ser humano enxerga e percebe as coisas.
Apenas me conformei com a idéia de que a humanidade está caminhando para a auto-destruição em ritmo acelerado, então o que que quero agora é viver o que sobrou da minha vida da melhor forma possível.
Já estudei muita coisa na vida e é verdade que muito disso hoje é obsoleto. Isso, muitas vezes talvez, até pode virar motivo de tiração de sarro, desprezo ou julgamento superficial por parte de quem sem saber está usando diariamente tecnologias que eu ví nascerem e em alguns casos, até ajudei a desenvolver, ou mesmo estudando coisas que já comprovei na prática há muitos anos que não passam de teorias mofadas que só funcionam bem em salas fechadas. Por outro lado, muito desse conhecimento "obsoleto", torna-se silenciosamente cada dia mais raro (e valioso).
Pontos de vista comuns à parte, o mundo é uma praça de guerra e ela é sempre muito maior do que se consegue enxergar.
Estou velho demais para brigar por coisinhas miúdas e repito: que eu quero é viver. Mas como sei que minha vida é limitada, tenho em mente que é chegada a hora de lutar apenas por coisas que realmente valham a pena... Coisas "grandes". Mas para coisas "grandes", é necessário poupar muita energia e mirar bem no alvo certo (que é a perte mais complicada), seguido de medidas drásticas, mudanças radicais, dedicação incomum... e o medo normal de arriscar tudo num projeto.

Falando em coisas "grandes", o texto de hoje, são só algumas reflexões sobre empreendorismo... Coisa "grande" mesmo.
Nada do tipo "como sobreviver até o final do mês sem estourar o limite do cartão", ou como pagar financiamento.
Quem sabe isso traga inspiração para arriscar mais e melhor?



Empreendorismo de grande porte: O quê eles têm que nós não temos?

"Quando várias pessoas da mesma categoria competem entre si, a desunião dá a vitória ao adversário."


Enquanto o mundo ocidental continua com os olhos concentrados no imediatismo egocêntrico do lucro a todo custo (e se quebrando economicamente), os chineses estão à caminho de monopolizar a produção industrial mundial e os dinamarqueses já perceberam que podem faturar muito com isso, transportando produção e portanto, encomendaram à coreana Daewoo, a fabricação de 20 navios cargueiros gigantes capazes de transportar 18 mil contêineres cada por viagem.
Um projeto avaliado em 3,8 bilhões de dólares para os 20 navios (2 lotes de 10 navios a 1,9 bilhão cada lote). Serão os maiores navios cargueiros do mundo.
É um investimento grande, de fato.
Muito grande.
Aliás, para nós, brasileiros, absolutamente inimaginável.
Tão inimaginável que nem existe uma página em português no Wikipedia falando sobre esses navios monstruosos. (Cansei de tentar achar páginas em português decentes no Wikipedia, motivo pelo qual vários links aqui nesse blog para referências apontam para páginas do Wikipedia em inglês.)
Por mais nacionalistas ou patriotas que sejemos, somos obrigados a dar o braço à torcer e aceitar que sequer temos portos capazes de atender a navios desse porte porque o dinheiro que investiríamos em nossos portos está sendo investido nos portos de Cuba, (e porque é mais fácil "desviar"* dinheiro em obras estrangeiras, especialmente quando o volume é grande - Note que a maioria das notícias sobre isso sempre termina de modo estranho... como proibição de filmagens ou omissão de dados, disfarçada de menções à fatos históricos).
E enquanto os coreanos e suecos fabricam navios inacreditavelmente grandes, somos incapazes de realizar a eterna promessa de campanha eleitoral referente à "linha férrea moderna" entre Campinas e Rio de Janeiro, primeiro porque não se sabe se o retorno "compensa" (além de ser um projeto absurdamente caro, os valores estimados das passagens tendem a ser mais caros do que os da tradicional ponte aérea Rio-São Paulo), segundo, porque tem muito político safado tentando arranjar um jeito de espetar seu tradicional "canudinho de chupar dinheiro" de mais essa artérea infra-estrutural da sociedade e de modo vitalício, preferencialmente e terceiro, porque apesar de fabricarmos aviões de altíssima qualidade (apesar de a presidência do Brasil preferir por motivos "diversos" importar avião francês para uso próprio), somos incapazes de ter uma fábrica de trens genuinamente nacional capaz de desenvolver e fabricar trens de alta velocidade ou (ainda sonhando mais alto), de fabricar um trem-bala de verdade como os TGV franceses, ou o recém-inaugurado trem mais rápido do mundo ligando Guangzhou a Wuhan, na China.
Esses caras lá fora constróem esse tipo de coisa assim, rapidinho, enquanto mal conseguimos preparar estádios para Copa do Mundo (a meu ver, desnecessária a um país com tantas necessidades primárias que deveriam ser prioridade), simplesmente porque não há como ter orgulho de obras que estão pra lá de atrasadas e cujo orçamento já estourou em N vezes valor estimado originalmente graças à burocracia sem limite dos "vogons" que administram essas coisas por aqui e à pressa de fazer tudo "nas coxas" de última hora e sem planejamento algum, bem ao estilo "jeitinho brasileiro" (pra não chamar de picaretagem).
Agora aqui vem a pergunta: Como é que esses caras lá fora conseguem?
A resposta pode estar na visão estratégica de retorno a longo prazo para todos os envolvidos.
Nesse modelo de visão, os investimentos não são vistos como "gasto" e sim como "investimento".
Ao contrário, na visão de curto prazo à qual estamos presos por causa dos absurdos juros bancários, impostos que surgem "do nada" e regras do jogo que mudam à toda hora de modo que qualquer tipo de investimento é imediatamente visto como necessidade de pechincha, de negociação, de "choro"... (Pois é. Quem pode mais, chora menos!) ...e é claro, de desconfiança, já que tudo hoje tem cheiro de golpe.
E como o capital está está mudando de mão de modo cada dia mais dinâmico, tornando o jogo consequentemente dada dia mais instável, infelizmente isso é uma tendência.
Resumindo: Não sabemos pensar grande, porque estamos ocupados demais tentando sobreviver solitários no caos e pior: somos incapazes de estimular pensamento em projetos grandes porque é praticamente impossível acreditar na viabilidade séria neles.
Consequência disso é que no dia-a-dia, somos sempre, invariavelmente estimulados apenas a pensar em coisas miúdas, como continuar fazendo "serviço de macacos", ou "robozinhos".
Planejar coisa grande? Ha! "É perda de tempo!", "Pare de sonhar e continue trabalhando aí no seu canto!"
Muito já foi dito e escrito sobre a impossibilidade de empresas como Apple, Sony ou Microsoft surgirem no Brasil, dadas as circunstâncias do "sistema local", apesar de termos a Embraer e Petrobrás (ambas nascidas graças ao investimento estratégico do hoje tão mal-falado governo militar), e não é à toa.
Hoje, o Brasil ostenta um dos piores desempenhos do mundo em relação custo/benefício quando se trata de impostos pagos e o que se obtém em retorno.
Se você fosse um empreendedor estrangeiro, como os dinamarqueses por exemplo, onde você preferiria arriscar seu dinheiro?
Pois é... É por isso que temos tantas multinacionais no Brasil, apenas instalando bases de operações e produção, ou para comercializar seus produtos no fantástico mercado consumidor brasileiro (que compra qualquer coisa "da moda", paga caro e sem pensar duas vezes). Vai ver quantas dessas investem em laboratórios de pesquisa e desenvolvimento por aqui!
Enquanto continuarmos pensando "pequeno", seremos sempre "pequenos".
Enquanto continuarmos com mentalidade de colônia, é o que continuaremos sendo.
Impossível mudar as coisas fazendo sempre as mesmas coisas do mesmo jeito: do jeito que nossos colonizadores querem que façamos.




Update: vídeo da construção de um dos navios citados nesse texto.

* Segundo Lilian Witte Fibe, deveríamos trocar a expressão "desvio de dinheiro público" para "roubo de dinheiro público".

2 comentários:

Nathalia disse...

E assim caminha o Brasil, com "passos de formiga e sem vontade".
Enquanto as pessoas estão se importando com o final da novela, se a fulana traiu o ciclano ou não, o tempo vai passando, e a experiência "de coisas grandes" ou coisas "que fazem crescer, (mentalmente, financeiramente etc...) vão ficando em segundo plano.
Infelizmente, o que se pode lucrar aqui no Brasil, são barzinhos. E viva a Cerveja! E viva o futebol! E viva a fofoca entre vizinhos/redes sociais! E viva a mediocridade!

Guilherme Caldas disse...

Grande Claudio atacando de economista!! Estava sentindo falta das suas reflexões no seu blog.

Só um pequeno detalhe, a Petrobrás foi criada em 1953, pelas mãos de ninguém menos que Getúlio Vragas (mas seu projeto nasceu das discussões pós - 2ª guerra, em 1948).

Apesar de compartilhar do seu ceticismo quanto à natureza humana e especialmente quanto à "cultura brasileira do jeitinho", ainda acredito que o Brasil pode fazer grandes coisas (a esperança é a última que morre, hehe).