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quinta-feira, 3 de maio de 2012

Dois meses de ostracismo neste blog.
Peço desculpas pelo silêncio de tanto tempo, mas... Muita correria, muitos afazeres e pouco tempo para escrever.
(Tão pouco tempo, que uns 80% deste texto, escreví aos poucos, através de um iPhone.)
Bom, o fato é que estou cansado deste blog mesmo e pretendo me concentrar mais nas reflexões da minha vida pessoal ao invés das do mundo à minha volta, que aparentemente, sofre de um mal de mediocridade crônica sem cura, onde tudo o que é grave, é considerado normal e se deixa de lado enquanto tudo o que é bobo e inútil... é supervalorizado e comentado à exaustão.
Esse não é o mundo que quero para meus filhos.



Já fomos mais inteligentes
"Para ser popular, é necessário ser uma mediocridade."


As idéias mudam o mundo.
Acho que todo mundo em algum instante de sua vida já deve de alguma maneira ter esbarrado com essa afirmação.
Mas de que tipo de idéias estamos falando?
É mais do que óbvio que governo algum tem interesse em investir em qualidade educacional.
Isso por sí só já rendeu um sem-número de livros com idéias com altíssimo grau de complexidade e por isso mesmo, inviáveis.
Ou seja, a divulgação de idéias úteis, práticas e eficientes, têm tudo para ficarem encarceradas no ostracismo dos nichos acadêmicos, como sempre. Lamentavelmente.
Por outro lado, mediocridade e futilidade têm incalculáveis terabytes diários de espaço garantido nas redes sociais, mídias de comunicação de massa e pasmem - nos principais portais de conteúdo.
Aliás, na maior parte do tempo, as tão badaladas e comentadas redes sociais parecem ser sinônimo de pura perda de tempo.
Alguma vez você já viu algum vídeo ou imagem boba na Internet e que até pensou em compartilhar com os amigos através do Twitter ou FaceBook ou outra rede social, mas no último instante, parou e se perguntou "Por quê devo compartilhar isso?" ou "O quê as pessoas vão pensar de mim se eu compartilhar essa coisa"?
Parece que nós, seres humanos estamos sem perceber, (eu, inclusive) nos condicionando aos poucos a sermos medíocres com relação à qualidade das idéias que compartilhamos e isso colabora com a atual baixa qualidade da cultura pop das quais reclamamos tanto, mas que estamos mergulhados até o pescoço.
Que tipo de valor filosófico ou inteligente podemos obter em memes como "a Luíza que voltou do Canadá", "para a nossa alegria" ou na "tia tarada do ônibus" ou da panicat que teve seu cabelo raspado ao vivo, ou das já incalculáveis "reportagens" sobre as celulites dessa ou daquela atriz famosa que foi flagrada por papparazzi na praia ou em algum evento com algum suposto novo namorado?
Na prática, esse tipo de coisa nos agrega algum valor? Ou apenas serve para mostrar para as pessoas à nossa volta, que estamos "antenados" na futilidade inútil da moda?
Que estamos "vivos", acompanhando a absurda dinâmica do mundo digital moderno, cheio de vídeos, imagens, textos e idéias digamos... nem sempre produtivos?
Isso nos torna populares? De que maneira?
Nada contra compartilhar coisas legais, divertidas, ou criativas pela web. Eu mesmo compartilho muito material online, mas convenhamos, apenas penso que todos nós (eu, inclusive), deveríamos pensar melhor sobre o que compartilhamos.
Isso talvez nos torne menos populares, mas aposto que ajudará as pessoas à nossa volta a ter uma impressão melhor a nosso respeito.
Algo que nos agregue valores de melhor qualidade e com isso, talvez vários de nossos contatos nas redes sociais das quais participamos, passem a seguir as mesmas idéias e assim, talvez passemos aos poucos, a sentir alguma melhora cultural nos timelines das redes sociais e talvez até no mundo à nossa volta. (OK, sei que estou sendo exageradamente otimista, mas não custa nada tentar.)
Afinal de contas, o que muitas fontes "geradoras de conteúdo" publicam para ganhar atenção do público, é o que o público busca.
Se o público busca qualidade ao invés de mediocridade... mas rir de coisas bobas é muito mais fácil.
É por isso que fazemos papel de bobos diante de bebês recém-nascidos.
Em suma, rir de coisas bobas não exige que se pense.
E o mundo dinâmico e prático dos meios de mídia digitais de hoje, nos tornou preguiçosos mentais.
E quando um elemento gerador de mídia como um renomado âncora de telejornal como o Carlos Nascimento tenta nos mostrar esse óbvio, é duramente criticado. Por quê?
Porque vende-se muito através da mediocridade.
Vende-se revistas de fofocas, vende-se uma infinidade de canais de TV por assinatura cheios de conteúdo de qualidade questionável e através destes, vende-se incontáveis idéias, produtos e novos costumes, para a perpetuação da Sociedade do Consumo.
Notei que nos últimos anos, tenho usado muito a frase "assim caminha a humanidade", geralmente seguida de alguma constatação triste e lamentável sobre alguma pérola da incalculável ignorância humana.
Já passou do tempo em que a humanidade precisa parar um pouco, "puxar o freio de mão" e refletir sobre que caminho está seguindo.
Penso que precisamos parar de lutar por nossos egos e entender que há muito mais em jogo.
Precisamos, como humanos, entender de uma vez por todas, que não temos alternativa além de coexistir no mesmo espaço; que estamos confinados no mesmo planeta, que compartilhamos dos mesmos recursos do mesmo e que todas as nossas vidas estão de um modo ou de outro, inter-relacionadas.
Visão de mundo limitada, preguiça mental e ego supervalorizado, caminham juntos.
Mas felizmente ainda existe um pouco de bom-senso no mundo.
Basta cultiva-lo ao invés da mediocridade, da futilidade, do "lugar comum".
Vale a pena.

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