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sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Seguindo a tradição, este é o último texto do ano aqui neste blog (e que também tradicionalmente, tende a ser mais  introspectivo). Com esse, 2011 só teve 10 textos, o que indica que meu tempo está cada vez mais curto para que eu possa  parar, respirar e refletir.
2011 foi um ano que começou com grandes perspectivas na área profissional, mas que acabaram por ficarem estagnados em  função de estratégias de orígem distante e que acabaram por jogar as estratégias locais por água abaixo.
É ruim isso? Talvez não seja de todo ruim, embora o workload da equipe fique cada vez mais complicado de gerenciar (eu  diria que no limite, como uma verdadeira bomba-relógio para que atitudes reativas possam começar a se mostrar  necessárias).
Mas enfim... sejam lá quais forem as estratégias gringas (se é que existem) para a gente aqui do Terceiro Mundo (Não  adianta chamar de "Países em Desenvolvimento" que esse papo furado nunca me convenceu. Aqui é país pobre mesmo e ponto final.), o fato é que os grandes heróis só  são reconhecidos após grandes batalhas (mesmo que acabem perdendo a guerra) e este ano, infelizmente tivemos muitas  baixas de soldados muito, muito bons.
Meu projeto de trocar de carro, adiei novamente e nem penso mais nisso no momento, uma vez que ele tem me satisfeito mais  do que muito carro zero me satisfaria, já que é muito resistente, tem manutenção barata, não chama atenção, não fico com  dó dele ao mante-lo estacionado "ao relento" na minha vaga do condomínio onde moro e me leva onde preciso ir.
Confesso que de certa forma também estou boicotando a Indústria Automobilística no Brasil, que fatura um absurdo além da  maior carga tributária do mundo, o que faz com que os veículos à venda no Brasil tenham a pior relação custo/benefício no  planeta.
Ano passado, nessa época, eu pretendia fazer um upgrade no equipamento de som, o que funcionou melhor do que o esperado,  embora agora eu precise de um rack novo.
No campo pessoal... houveram contratempos extremamente difíceis, mas que, culminaram numa saga de fazer inveja aos  melhores romances de Hollywood, ou dos livros de Sidney Sheldon, para a nossa felicidade (minha e da minha querida namorada, que  pretendo ter comigo pelo resto da vida), para uma lição aos pessimistas e para o inferno dos invejosos.
Apesar dos contratempos do meio do ano que me testaram até meus limites, fecho o ano com um balanço bastante positivo.
Não foi fácil, mas não só sobreviví, como vencí os desafios deste ano e agora, tenho a aliada que estava faltando, no  projeto de construirmos juntos o nosso futuro. (E que aliada! Amo mesmo essa mulher!)



O último texto de 2011
"Escuta e serás sábio. O começo da sabedoria é o silêncio."
(Pitágoras de Samos)


O "grito de guerra" deste blog é "mostrando a ignorância da humanidade (incluindo a minha) entre outras coisas". Mas  levou um tempo para que esse slogan surgisse, uma vez que no começo, este blog era apenas um teste, uma brincadeira e...  quem diria, se tornaria o que é hoje, um blog que apesar de pouquíssimos posts, tem um verdadeiro fã-clube.
Ora... não sou escritor, meu QI é só 122 (o que se considera como "muito acima da média"... mas nem tanto), não tenho nem mestrado, nem doutorado, nem licenciatura, nem um mísero certificado de "nível superior" (embora que essa "superioridade" tenha  infelizmente se mostrado altamente questionável nos últimos anos), sou um cara meio atrapalhado, distraído, excêntrico, talvez um tanto caricato aos olhos de algumas pessoas, não sou nenhuma autoridade, ou celebridade, ou empresário de sucesso... enfim, aparentemente não existem lá grandes motivos para que este blog tenha o sucesso que tem. Então fico aqui tentando entender o que há de tão especial nele que motiva as pessoas a visita-lo com tanta frequência, ou com tanto interesse e a conclusão a que chego é que a resposta talvez esteja na forma como exponho aqui, as minhas reflexões sobre o mundo, sobre a sociedade, etc.
Costumo levar muito tempo para escrever cada texto deste blog e isso no momento, me faz meditar sobre outros tempos, mais precisamente sobre uma antiguidade longínqua, em que os textos eram elaborados com reflexões que muitas vezes levavam a vida toda.
Muitos desses escritores ganharam títulos de filósofos, mestres, profetas e alguns, como reis, sacerdotes, bem como seus seguidores, elaboravam suas reflexões da mesma forma e, como esses eram tidos como "divindades na Terra" ou as representavam, muitos de seus textos eram (e ainda são) vistos como inspirados pelas divindades que representavam.
Não pretendo discutir aqui, as fontes de inspiração desses textos, mas enfatizar a qualidade das reflexões dos mesmos.
Tanto que permanecem atuais e algumas, de tão bem pensadas são fáceis de serem vistas como "profecias" ou coisa parecida.
Exemplo: É fácil imaginar que a população tende a crescer exponencialmente e que com isso, no futuro (ainda que distante)  faltarão coisas como abrigo, água e comida e que com isso, surgirão guerras, afinal, será a luta pela sobrevivência.
Também é fácil imaginar uns poucos privilegiados governando muitos, como sempre aconteceu ao longo da história e que as  lutas pelo poder podem ter formas bem mais discretas, do que o que aparenta, uma vez que a opinião pública é, como sempre  foi, ferramenta estratégica política.
Quando optamos por nos juntar a um grupo e levantamos uma "bandeira" em prol de um ideal (seja político, seja religioso, seja de um clube esportivo, seja de uma marca de um segmento de produtos), estamos assumindo para nós, um símbolo que  representa todos os valores por trás do mesmo, de modo que todos os outros "símbolos" passam então a ser ignorados ou mesmo combatidos, ainda que tenhamos sérias dificuldades em perceber isso, emocionalmente cegos pelo orgulho de ostentar  a tal "bandeira", ou pelo ego, ou por questões emotivas ligadas ao grupo que ostenta a mesma "bandeira" (e supostamente  os mesmos valores, embora que muitas vezes, apenas superficialmente).
Se pararmos para analisarmos a nós mesmos nesse sentido, notaremos que por mais que neguemos, estamos sempre ostentando alguma "bandeira", tipo... "eu gosto mais da Pepsi", ou "eu sou vegetariano", ou "sou evangélico" ou ainda "adoro rock".
Por um lado, "bandeiras" desse tipo, definem e transmitem idéias sobre a personalidade individual, mas prende o indivíduo aos valores por trás desses "rótulos".
Esse indivíduo hipotético que prefere Pepsi, é vegetariano, evangélico e adora rock, certamente até bebe Coca-Cola embora com indiferença quando não tem a opção preferida, evita churrascarias (e torce o nariz para quem come carne), defende com  unhas e dentes o criacionismo (embora na prática, dependa da teoria do evolução quando precisar usar antibióticos) e foge de samba, axé, pagode e sertanejo (que de sertanejo mesmo não tem nada).
Assim sendo, o indivíduo que levanta uma "bandeira" para se incluir num grupo, muitas vezes implica em se assumir  intolerante para com indivíduos de outros grupos ou que têm valores contrários ao que sua "bandeira" representa.
E é aqui que o cuidado se faz necessário: essa intolerância, muitas vezes, nos priva de importantes oportunidades de visão, de aprendizado, ou de experiência de vida.
Se por um lado, ter uma personalidade implica em ter certas características e seus correspondentes valores de formação, por outro, a humildade em ouvir, é aceitar que existem outros pontos de vista e respeitar o outro indivíduo.
Uma prática que está cada dia mais em falta e desincentivada na sociedade atual e que é a orígem da ignorância ao invés da sabedoria.
Se estou certo ou errado, isso pouco importa, se tenho o bom senso de aceitar, de compreender, de respeitar e até de defender o direito das pessoas de terem opiniões que posso considerar contrárias às minhas.
Não me considero um homem lá tão inteligente quanto muita gente julga, mas considero essa, uma atitude simples e bastante sábia e que nos abre um leque imenso de possibilidades de aprendizado humano e de experiências de vida.
Se você nunca experimentou praticar o ato de ouvir os pontos de vista diferentes dos seus com o intuito de entende-los, mesmo que contrários aos seus valores, recomendo.
Você só terá a ganhar com isso... sempre.

Um excelente 2012 a todos!

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Já faz bastante tempo que não escrevo neste blog e os leitores certamente já começam a ficar impacientes, mas vamos aos fatos...
Geralmente escrevo aqui, quando estou descontente com alguma coisa, o que faz com que essa forma peculiar de compartilhar minhas observações de coisas ruins através de textos aqui, faz com que este blog talvez se torne um tanto irritante por só apontar as coisas ruins que existem no mundo, dando um tapa de luva de pelica na cara das pessoas sobre a "ignorância da humanidade (incluindo a minha) entre outras coisas", numa tentativa obviamente inútil de "acordar o mundo" para isso, mas de certa forma isso é quase que como uma terapia para mim.
Essa "terapia" talvez tenha sido o primeiro passo que dei em minha vida, no sentido de identificar as coisas ruins que perturbavam a minha mente e isola-las de modo a passar a cultivar apenas as coisas que realmente me fazem bem e o resultado disso, é que hoje, mesmo com as dificuldades da vida cotidiana e com as incontáveis complicações estupidamente desnecessárias do mundo moderno, estou conseguindo (com forte ajuda da sapiência e compreensão da minha amada) furar o bloqueio e ser feliz.
O mês de novembro ficou "órfão", pois foi bastante agitado e teve alguns imprevistos que eliminaram o tempo que eu reservava para escrever novos textos aqui deste Blog e para a Strix.
Está cada vez mais difícil escrever para publicar, seja por falta de tempo, seja por cansaço, seja por falta de inspiração.
Como eu disse, tenho começado a isolar coisas que me deixam irritado, entre elas, os noticiários, que aparentemente só trazem más notícias e o que é pior: com elas, a sensação de impotência em querer muda-las.
Sem notícias ruins, faltam assuntos ruins para comentar aqui no blog, no entanto algumas coisas ainda sobram do dia-a-dia.
Antes de ler o texto de hoje, recomendo dar uma lidinha nos textos "O politicamente correto fede!" e "Obsolescência", que são textos bastante relacionados com as idéias e opiniões que pretendo expôr aqui hoje.



O politicamente correto fede! (Parte 2)

"Se você procura alguém coerente, sensata, politicamente correta, racional, cheia de moralismo… Esqueça-me!"
(Clarice Lispector, escritora ucraniana naturalizada brasileira de citações extremamente populares na Internet brasileira.)


É irritante a hipocrisia e o cinismo do mundo moderno e mais irritante ainda a "vista grossa" que é feita em torno disso, embora pouco se possa fazer a respeito.
Desde criança ouço esses assuntos de "aquecimento global", mas por mais que se aparentemente a gente faça a respeito, a média global de poluição continua aumentando e a resposta para isso é bastante simples: A Indústria e o Comércio transformaram "Ecologia" num negócio, uma bandeira comercial, ou seja... na prática, é mais uma oportunidade para ganhar dinheiro promulgando chavões como "preservar a natureza".
As sacolas plásticas de supermercado, por exemplo.
Elas são feitas de material reciclável, logo, não existe razão para proibi-las ou deixarmos de usa-las, exceto pelo fato de que elas custam dinheiro para os comerciantes, então eles querem vender a idéia de o cliente usar sacolas não descartáveis.
No entanto, a idéia é completamente oposta quando eles querem nos vender seus produtos, uma vez que praticamente todos os produtos que nos são ofertados pelo Comércio e pela Indústria são feitos exatamente para serem descartáveis!
Notaram a contradição?
OK... alguns leitores vão dizer (com razão) que é o mau uso das tais sacolas plásticas é que são a causa do problema, mas... primeiro, elas podem ser recolhidas e recicladas exatamente como se faz com garrafas PET e segundo, elas podem ser substituídas pelas sacolas biodegradáveis, no entanto não existe interesse por parte dos comerciantes em adota-las por um simples motivo: elas são tão ou mais caras que as sacolas plásticas convencionais.
Para encerrar o assunto das sacolas plásticas, deixo aqui um link para a genial da opinião do falecido humorista George Carlin a respeito disso.

Outro exemplo de mistura de cinismo com hipocrisia, foi a implementação forçada (imposta, nada democrática) do novo "padrão brasileiro" de plugs e tomadas, que de brasileiro não tem nada, uma vez que já era adotado na Itália há muitos anos.
Bom... a propaganda no site do Inmetro diz coisas bastante bonitinhas e "assépticas" como tudo o que é papo politicamente correto.
Vamos listar as declarações do Inmetro (extraídas do próprio site deles) e comparar com a vida real aqui:

  1. "Antes da padronização, o consumidor convivia com mais de 12 tipos de plugues e oito tipos de tomadas diferentes, o que tornava necessário o uso indiscriminado de frágeis adaptadores para ligação dos aparelhos, com diferentes plugues nos diversos modelos de tomadas existentes. Em alguns casos, os formatos e as potências distintas dos aparelhos tornavam o ato de ligá-los uma ameaça à segurança do usuário."
    Bom... agora temos mais 8 conectores diferentes (dois pinos e três pinos para correntes até 10A e seus correspondentes machos e fêmeas e mais dois e três pinos para correntes até 20A , obviamente também com seus correspondentes macho e fêmea. Acima de 20A, qual é o "padrão"? Bom... boa pergunta, mas não vamos nos aprofundar nesse ponto ou esse texto ficará um tédio de tão longo.) e seus correspondentes adaptadores que são imensos (geralmente ocupam o espaço de três tomadas de uma "régua de força" profissional dessas de rack de datacenter) e absolutamente incompatíveis com a infraestrutura já instalada, bem como as "réguas de força" e "filtros de linha" supostamente homologados que são comercializados, forçando o usuário a fazer mais adaptações como cortar plugues ou fazer "réguas de força" por conta própria para adaptar os aparelhos comprometendo ainda mais a segurança do usuário.
    Aí vem outro problema... as fontes de força plugáveis direto na tomada. Com os adaptadores, elas tendem a cair da tomada ou ficarem com conecção frouxa.
     
  2. "Entendendo o impacto que poderia provocar a mudança, o Inmetro resolveu certificar os adaptadores, de maneira a tornar a transição mais suave."
    Entenda como  "transição suave", arrancar todas as tomadas das paredes e comprar tudo novo além de cortar os plugues de todos os aparelhos da sua casa para parafusar tomadas novas e ainda comprar adaptadores para todos os aparelhos que você tam em casa.
    Isso certamente não sai barato e a Indústria de materiais elétricos saiu ganhando muito dinheiro com essa "transição suave" e continuará ganhando muito ao longo dos anos.

Resumindo, o único lado que saiu ganhando com isso na prática foi a Indústria e Comércio, que da noite para o dia produziu e vendeu bilhões de plugs, tomadas, adaptadores e outros produtos única e simplesmente para substituir os antigos (que não são recicláveis), mas que estavam funcionando muito bem e que agora, viram lixo tóxico nos aterros sanitários...
...E a sacolinha de supermercado é que leva a culpa!?

Esses dois exemplos citados, ou seja, da sacolinha de supermercado e o do padrão de plugs e tomadas são o que chamo de "propaganda pseudo-ecologicamente correta" e "pseudo-serviço social" e em ambos os casos, estamos sem perceber, aceitando o ato de "duplipensar" citado visionariamente em 1948 pelo escritor George Orwell em seu livro "1984".
Porém, o ato impulsivo e inconsciente de "duplipensar" abrange um sem-número de outras propagandas "politicamente corretas" e que podem envolver por exemplo a opinião pública.
Bandeiras como "combate à inflação" ou "combate ao terrorismo" por exemplo, são ferramentas políticas bastante poderosas, especialmente em discursos de ano eleitoral.
O "duplipensar" também é um estímulo comum no ambiente corporativo, embora mais sutil, geralmente regado à práticas do tipo "ofurô corporativo", que podem até "enfeitar" a imagem das empresas para quem não trabalha nelas, mas não convence ninguém "do lado de dentro" e o tiro geralmente acaba saindo pela culatra através dos incontáveis (muitas vezes irritantes) comentários dos insatisfeitos de plantão em dia ruim.
O "politicamente correto" pode ainda ser argumento para restringir liberdade de expressão também, através de novas leis que estão sendo promulgadas e que na prática, só servem para punir quem não adere à linguagem "politicamente correta": Programas de TV como o "TV Pirata" hoje seriam inconcebíveis, por satirizarem diretamente certos os grupos sociais por etnia, ou opção sexual, por exemplo, (mas que tinham quadros muitíssimo inteligentes criticando por exemplo o estímulo às práticas consumistas por parte das crianças ou a eficiência do funcionalismo público.)
Embora essas leis levantem a bandeira do "politicamente correto" e servem muito bem para angariar votos em tempos de campanha, os eternos e lamentáveis preconceitos jamais deixaram de existir, uma vez que elas punem, mas não educam.
Aliás, o que educa, é escola (de qualidade), é família e influência de pessoas educadas (através de escola e família).
Mas como escola abre muitos olhos para o funcionamento de coisas "politicamente corretas" e dá consciência para inibir o "duplipensar", investir em escolas de qualidade é como investir numa ameaça ao sistema formado por políticos cujas campanhas são financiadas pela Indústria e pelo Comércio e que por sua vez pertencem (lá no topo da pirâmide, em sua imensa maioria) a poucos grupos oligárquicos anônimos.
É... nossa visão dificilmente alcança o topo da pirâmide.



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