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quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Ainda estou impressionado com o sucesso do último texto deste blog.
Foi o texto mais visitado, mais comentado, mais criticado e mais atacado de todos os tempos em toda a história deste blog (fazendo-o render o incrível número de 604 visitas este mês).
Alguns leitores me enviaram e-mails de agradecimento, outros me parabenizaram, alguns recomendaram o texto via Twitter ou Facebook. Alguns o citaram como "o melhor texto que já leram sobre o assunto" e por aí vai...
Mesmo aqueles leitores que discordaram do texto, levantaram pontos bastante interessantes que ajudaram a enriquecer o objetivo principal deste blog que é simplesmente fazer com que os leitores parem um pouco suas rotinas, se posicionem um pouco fora dela e comecem a observar e perceber o quanto todos nós (e eu me incluo nisso) somos ignorantes do funcionamento do mundo à nossa volta. (Vide o slogan deste blog: "...mostrando a ignorância da humanidade (incluindo a minha) entre outras coisas...")
No entanto, como já era de se esperar, nem tudo são flores.
Críticas (já esperadas) foram feitas ao uso da generalização excessiva, que na verdade, foi usada aqui como um "truque" de linguagem com o intuito de "forçar" as pessoas através de um "choque" subliminar, à partir do qual, a pessoa imediatamente diz a sí mesma: "não é só isso". E despertar esse "não é só isso" é que faz com que ela busque o que falta, seja em sua mente, seja pesquisando.
Pois bem... não é em todos os casos que esse truque funciona e sim, houveram alguns mais exaltados. (Não foram poucos.)
Vamos ser francos aqui. Assuntos como o do último texto são de fato tão complexos, vastos e cheios de variáveis que ao invés de uma única página num blog, provavelmente ocupariam uma biblioteca inteira (cada um), de modo que a generalização acaba sendo um artifício necessário para a devida exposição sumarizada de um ponto de vista apenas (eu disse um, não múltiplos).
Mas os textos deste blog não têm a pretensão de serem artigos científicos (até parece que tem gente que espera isso desses textos), embora hajam algumas citações e links (infelizmente muitas vezes ignorados por alguns leitores) como sugestões para pesquisa ou leituras adicionais, ou meras curiosidades aos mais interessados e curiosos.
Infelizmente nem todas as críticas foram tão construtivas e sobraram alguns ataques diretos tentando me desmoralizar e o que é pior: desmoralizar meus leitores.
Infelizmente isso fez com que eu tivesse de tomar umas medidas drásticas como somente aceitar comentários de usuários registrados e ainda assim, sujeitos à aprovação para publicação, (como se faz em qualquer veículo de mídia) em sinal de respeito aos leitores deste blog (alguns deles ainda fiéis em quase 10 anos de existência do mesmo, entre professores universitários, escritores, técnicos, sociólogos, empresários, etc).
Eu até estava planejando um outro texto polêmico, mas depois de um teste que fiz através do Facebook, expondo uma única pergunta que quase causou uma "guerra" com mais de 80 comentários de pessoas se "degladiando", preferí um assunto mais "suave" concluindo que infelizmente a maior parte da humanidade (sobretudo aqui no ocidente) ainda não compreende o tesouro que é o respeito à diversidade construtiva de opiniões ao invés de lutar apaixonadamente pela opinião própria no intuito de destruir quaisquer outras discordantes.
A "linha editorial", a "linguagem" usada neste blog, muitas vezes é mesmo um tanto que tradicionalmente agressiva, mas como somos todos diferentes, eu me recuso a exigir ou esperar de quem quer que seja, qualquer tipo de mudança. Ninguém é obrigado a aceitar nada neste blog como "verdade absoluta".
Aos que discordarem, minha sugestão mais construtiva é: escrevam suas próprias publicações. É muito melhor haverem várias opiniões divergentes publicadas, do que perdermos nosso tempo tentando destruir as opiniões uns dos outros.
Aqui, eu apenas exponho a minha opinião, conforme consigo ver, da minha forma.
Se quem ler, me achar um louco, idiota, arrogante ou o que quer que seja, pelo menos eu tenho não só a coragem de publicar, como a generosidade de compartilhar gratuitamente o que eu penso aqui, para quem se interessar meramente em ler.
Se o conteúdo está "certo" ou não... ora... eu já disse humildemente: eu também sou um ignorante, não sou? Mas quem não é?
E por falar em ignorância,
discordâncias, eu respeito, mas ataques gratuitos eu vou ignorar impiedosamente em respeito ao bom-senso e aos meus leitores. Eles não merecem esse tipo de tratamento. Aliás, ninguém merece.
Aos leitores e críticos construtivos, o meu muito obrigado. Aos invejosos... Lamento.
Agora... o texto de hoje.



Afinal de contas... O que é um nerd?
"Pensar contra foi sempre a maneira menos difícil de pensar."
(Jacques Bossuet)


De repente os nerds estão em alta e todo mundo quer parecer nerd, ou se classificar como nerd.
Há pouco mais de 10 anos atrás não era bem assim e precisou um geek ficar milionário e famoso (ainda que por meios um tanto obscuros extra-oficialmente) para que o mundo passasse a respeita-los.
Mas que diabos é um nerd?
Aparentemente o termo foi usado pela primeira vez (embora hajam várias controvérsias, mas esse parece ser a teoria mais aceita pela maioria dos nerds... talvez por parecer mais divertida) no conto infantil "If I Ran The Zoo", de 1950, de autoria de Theodor Seuss Geisel (que usava o pseudônimo de Dr. Seuss e que também foi o criador do personagem "Grinch", que você pode ver no filme "How the Grinch Stole Christmas") e que descrevía uma criatura "estranha", bastante incomum em um zoológico.
Existe uma infinidade de textos na Internet, em jornais e revistas tentando definir o que é um nerd, dezenas de "testes" bem-humorados tentando identifica-los (todos com metodologia bastante questionável e uma boa dose de exagero, exatamente da mesma forma que certos filmes que os representa como um tanto caricatos, como "A Vingança dos Nerds" ou de forma um pouco mais realista como "Academia de Gênios").
Há também quem tente classificar os nerds em categorias como geek, tweak, otaku... mas o fato é que um nerd nada mais é do que uma pessoa que gosta de entender como as coisas funcionam, donos de uma curiosidade incalculável (para não dizer infinita) e com isso, não raramente, portadores de pontos de vista surpreendentemente abrangentes devido à sua surpreendente capacidade de observação, embora observem apenas o que lhes é relevante e ignorando sem parsimônia valores que para eles são fúteis e sem abrangência.
Essas características fazem deles uma minoria, facilmente identificáveis por se diferenciarem da grande massa, sempre deixando bem claro o seu jeito de ser, resultante de sua incrível capacidade de assimilar e relacionar culturas das mais diversas, da política à religião, da mais alta tecnologia aos segredos milenares do sexo. (Isso mesmo! Ou você pensa que nerd não gosta dessas coisas?)
A nossa sociedade, de um modo geral, sempre os estigmatizaram, discriminaram, trataram-nos como bagunceiros, rebeldes, loucos, ou simplesmente "diferentes"... mas se a humanidade evoluiu em algum sentido, certamente foi exatamente por causa dos nerds a quem devemos a imensa maioria dos inventos e progressos socio-culturais da humanidade.
Por terem esse dom, é natural que as pessoas os mistifiquem, estigmatizem, inventem coisas sobre eles.
E como as lendas são muitas, resolvi anotar aqui só algumas das mais comuns:

1a. lenda: Nerd só mexe com computador.
- Uma grande bobagem! Nerds podem ser jogadores de RPG, de cartas, de jogos de tabuleiros, de io-iô, mas também podem ser fotógrafos, professores, advogados... qualquer coisa que tenham afinidade e costumam ser bons nisso, buscando se aprofundarem nos pontos relevantes de suas atividades.

2a. lenda: Nerd não vai atrás de mulher.
- Ora... geralmente nerd não se contenta com qualquer relacionamento e são muito exigentes, chegando a ser chatos a limites que certas mulheres não suportariam... a menos que estas também sejam nerds (e vice-versa). Nesse caso, as afinidades mesmo que na maioria das vezes inocentes, costumam ser muito mal interpretados pela sociedade, infelizmente despreparada para compreender que seres humanos nem sempre são meros animais em busca de acasalamento. Logo... eles simplesmente não gostam de perder tempo em relacionamentos que não lhes possam apresentar um mínimo de conteúdo interessante além do óbvio (e que possa continuar interessante a longo prazo).
Nota: esse comportamento é típico dos nerds em geral, homens (que sofrem um bullying desgraçado por causa disso) e mulheres.

3a. lenda: Nerd é anti-social.
- Besteira! Nerd adora se reunir com os amigos (geralmente também nerds) e trocar idéias sobre informática, RPG, quadrinhos, videogames (geralmente os mais antigos e raros possíveis e preferencialmente os que carregam algum evento histórico atribuído), encher a cara com Coca-Cola e comer pizza... muita pizza. (OK! Nem sempre pizza e Coca-Cola. Foi só uma brincadeirinha... Eles podem ter têm gostos dos mais variados.)
Mas também não espere encontrar nerds numa balada... geralmente as detestam!
Costumam ser ambientes dispersos e "vazios de personalidade" demais para eles possam se sentir "em casa"... Se eles aparecem em lugares assim, costuma ser fácil identifica-los. Eles sempre parecem observadores, estudando tudo a sua volta e não raramente buscam um lugar mais sossegado para se concentrarem por alguns instantes em sua costumeira introspecção.

4a. lenda: Nerds são loucos.
- Não são. Podem não ser "normais" para os parâmetros e valores da grande massa, mas têm muita consciência das coisas e gostam sim de fugir do convencional em quase tudo na vida. Por isso é comum ver nerds se vestindo de formas consideradas estranhas, ou alternativas, às vezes formando movimentos como dark (atualmente conhecido como "gótico")". Os cosplayers também estão valendo aqui, mas esses só o fazem em eventos específicos. (Infelizmente as críticas sociais os fazem se sentir envergonhados. Seria divertido ver as pessoas caminhando pelas ruas vestindo trajes típicos de desenhos animados japoneses ou filmes de ação.)

5a. lenda: Um nerd nunca será ninguém.
- Que me diz então de Albert Einstein, Carl Sagan, Marie Curie, Stephen Hawking (trekker de carteirinha), John Kennedy (ex-Presidente dos EUA, mas também ex-campeão de io-iô), Nikola Tesla, Steve Wozniak (co-fundador da Apple Computer), Thomas Edison, Quentin Tarantino, Nolan Bushnell (fundador da Atari, empregador do Steve Jobs que foi seu funcionário número 40 e também empregador de Jay Miner, o criador do Atari 2600 e um dos criadores da plataforma Amiga) ou o geek mais conhecido, rico e famoso (e tido como "vergonha" por muitos nerds defensores da liberdade de uso de hardware e software livre), William Henry Gates Terceiro (Bill Gates)?

6a. lenda: Nerd é CDF.
- Eu já disse! Nerd é muito curioso! E se estuda muito, é mais por curiosidade do que por obrigação e seu prazer é saciar a sua sede de curiosidade, embora sejam insaciáveis nisso.
E justamente por serem tão insaciáveis nisso, é comum as pessoas atribuírem a eles o rótulo pejorativo "CDF", ou achar que eles têm sempre de ter um Q.I. absurdamente elevado, o que nem sempre é uma realidade, especialmente porque existem muitas formas de inteligência e ainda não existe um consenso sobre como classificar e identificar corretamente todas elas.

7a. lenda: Nerd é ruim de cama.
- Olha... Como muita gente diz que sou nerd, sou suspeito para dizer (pelo menos até agora, nenhuma das que "experimentaram" reclamou), mas... Pelo que me consta, existem várias comunidades e textos na Internet em que há mulheres dando o seu depoimento sobre as coisas que gostam nos nerds que as deixam loucas na cama... Para chegar a esse ponto, acho que nós nerds não devemos ser tão ruins assim, né?

8a. lenda: Nerd é um termo pejorativo.
- Já foi. Felizmente hoje (depois de uns 10000 anos) as pessoas finalmente já são mais conscientes e descobriram que existe um tesouro cultural representado por essa minoria da sociedade e (finalmente reconhecem) a faz realmente evoluir.
    Naturalmente, isso não significa que ainda não haja gente preconceituosa ou invejosa, incapazes de compreender que a grande maioria das pessoas, são usuários de coisas inventadas ou projetadas por nerds.
   
Ser um nerd não significa fazer parte de alguma "fraternidade Lambda Lambda Lambda" (ou qualquer outro grupo como a extinta "Comunidade Científica do Colégio Culto à Ciência"); não significa ser maluco por coisas dos anos 80; não significa torrar tinheiro em leilões de cartuchos de Atari 2600, ou atravessar madrugadas tentando fazer alguma subrotina de software funcionar.
Ser nerd, significa ser alguém, ainda que esse alguém, não seja "nada" aos olhos da maioria das pessoas, até o dia em que essas pessoas sentem falta do auxílio de alguém que saiba como funciona alguma coisa, ou precise de alguma explicação sobre como usar algo no computador, ou ensine a usar outra quinquilharia eletrônico-tecnológica.
Ser nerd não é vergonha nenhuma. Aliás, talvez seja um dos maiores orgulhos da espécie humana, mesmo que falem entusiásticamente sobre o número 42 e sempre carreguem consigo uma toalha todo dia 25 de maio.
Ora... os nerds também têm direito de se divertirem, né?


OK... Se você fôr nerd, não fôr um klingon e tiver algo a acrescentar, comente à vontade clicando na palavra "comentários".
Agora se você fôr do Lado Negro da Força, procure faze-lo em algum outro blog em algum lugar muito, muito distante, preferencialmente numa noite fria e tempestuosa.

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