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terça-feira, 31 de maio de 2011

É impressionante como uma única frase pode marcar tanto.
Agradeço aos fãs deste blog por transformarem numa verdadeira lenda (comentada quase que diariamente tanto na AT&T quanto na IBM) a frase "um vinho jovem de sabor misterioso" do último texto, que se refería a um vinho de safra recente e por isso mesmo, de sabor ainda indefinido.
Vinhos mais "velhos", ou seja, de safra mais antiga geralmente costumam ter sabor bem mais definido, seja mais "suave", seja mais "'acido" ou "quente" como descreveriam alguns, é claro, subjetivamente.
Essa característica provavelmente é um dos fatores que estimulam apaixonados por vinhos e lembra o próprio ser humano com relação à sua idade, ou fazendo uma analogia, com relação às suas definições de valores. Daí, diz-se que pessoas mais velhas são mais "maduras" ou têm seus valores "melhor definidos" que as pessoas mais jovens... subjetivamente, é claro - e é bastante óbvio que nem sempre isso acontece.
Nos seres humanos assim como nos vinhos, podem haver outros fatores que podem alterar essa regra, como por exemplo o uso dos químicos para o envelhecimento precoce dos vinhos comerciais modernos ou algum contratempo grave na vida nos humanos.
Em ambos os casos, é uma maturidade acelerada, não natural. Engana, mas não funciona da mesma forma.
Nos vinhos, os químicos o deixam com gosto levemente amargo que não harmoniza com o sabor do vinho. Nos seres humanos, ficam amarguras somadas às indefinições próprias da idade.
Porém, os seres humanos assim como os vinhos, podem ser ruins ou altamente refinados, independente do preço. E a diferença entre eles só se nota após a degustação. Geralmente no dia seguinte, quando ou o fígado dói, ou sente-se saudável.

Mas vamos ao texto de hoje...


A Torre de Babel e o Megacyberstuff
"Uma mentira é uma mentira, mesmo se todo mundo acreditar nela. Uma verdade é uma verdade, mesmo que ninguém acredite."
(David Stevens, Barão Stevens de Ludgate)


Estou sem assunto, um monte de lixo na cabeça, um monte de indefinições (a coisa que mais odeio) e sem a menor inspiração... doido pra mandar todas as redes sociais que aparecerem pela minha frente às favas, assim como os zilhões de sistemas de mensageiros instantâneos, cada um com suas particularidades, seus cadastros, suas senhas...
O mundo está cada vez mais complexo. Tão complexo que o tempo que gastamos com ele está tão grande que simplesmente estamos esquecendo de viver e assim os dias se tornam cada dia mais curtos não em número de afazeres, mas em vida pura e simples.
Sei que já bato nessa mesma tecla desde os primórdios da existência desse blog, mas o alerta é extremamente sério: precisamos lutar para simplificarmos o mundo ao invés de aceitarmos que ele se torne cada dia mais complexo.
Hoje, o ritmo é tão frenético que tornou-se impossível ir a um restaurante sem ficar antenado nos gadgets dos quais estamos cada dia mais dependentes.
Nossas relações interpessoais tornaram-se tão virtuais que não se sabe mais viver de verdade em vida de carne e osso.
Antes eu reclamava do tempo que eu gastava com o Orkut, agora gasto com o Orkut velho, Orkut novo, Twitter, Facebook, LinkedIn, Skype, MSN, GTalk, ICQ... todos desesperadamente lutando por seu próprio público numa re-edição da Torre de Babel de modo que para que você não fique de fora, (porque cada amigo seu tem uma coisa de legal cada um em um serviço diferente), você acaba se envolvento em todos, daí tem de gerenciar o "megacyberstuff".
O quê é uma "megacyberstuff"? (Estou inventando esse conceito agora. Nem sei se alguém já escreveu sobre isso desse jeito, ou se esse seria o termo mais indicado, mas na "bronca" vai ele mesmo, pelo menos por enquanto.)
Vou tentar explicar de forma simples o tamanho da complexidade que enfrentamos em nossas vidas com as redes sociais e mensageiros instantâneos (sem contar nas múltiplas linguagens de programação ou configuração das múltiplas plataformas existentes da atualidade):

1 supercyberstuff = ("redes sociais" e/ou "mensageiros instantâneos") x {ferramentas de comunicação + ferramenta de compartilhamento [vídeos ("N" formatos) + sons ("N" formatos) + ringtones ("N" formatos) + recados ("N" formatos) + fotos ("N" formatos) + textos + links)]}

1 megacyberstuff = (conjunto de "N" cyberstuffs) x ("N" upgrades) x ("N" interfaces diferentes) x ("N" diferenças entre plataformas) x ("N" falhas de traduções para múltiplas linguagens) x ("N" necessidades de atualização)

O mais estranho disso tudo é que os acionistas majoritários da maior parte desses serviços é quase sempre o mesmo (aquele misterioso "grupo oligárquico de investidores anônimos" de sempre).
Não faria muito mais sentido juntar todos esses sistemas em um só que simplesmente funcione?
A resposta do ponto de vista deles seria um enorme "não". Motivo: é mais lucrativo assim. Desta forma as empresas precisam anunciar em múltiplos serviços semelhantes ao invés de um só.
Resumindo toda essa história: Você está gastando sua vida com um megacyberstuff que só serve para dar lucro para um grupo de acionistas que já é dono do mundo e que usará esse dinheiro para continuar corrompendo países, governos, serviços e sabe-se lá o que mais.
Por outro lado, é importante que hajam múltiplas alternativas, ou ficaríamos extremamente dependentes de um único meio de comunicação, como ocorreu com a televisão até antes do advento da Internet.
Graças a essa democracia, hoje questionamos mais, enxergamos mais, aprendemos mais, temos acesso a muito mais dados (veja bem... eu disse "dados", não "informações") sobre um determinado assunto do que teríamos e com a vantagem de termos a oportunidade de juntar esses dados de modo a entender melhor as coisas ao invés de simplesmente interpretarmos elas da forma como nos é "informado" pelas mídias tradicionais.
Ironicamente, o fato de que essa "nova edição" cibernética da Torre de Babel, que se por um lado faz as pessoas se desentenderem quanto a quais redes sociais, plataformas e comunicadores instantâneos adotam, mais começam a se entender como humanos, embora vivam cada vez menos como humanos e mais como máquinas, cada dia menos consciente do mundo à nossa volta.
Preocupado com o futuro, naturalmente vivo me perguntando como por exemplo, os professores lidam com essa nova realidade e se os novos currículuns escolares básicos já não estão nascendo ultrapassados.
Sim, porque lidar com essa nova e bizarra realidade não será nada fácil no futuro.
A cada dia que passa, imagino o tamanho do desafio para eles, priorizando antes de mais nada em ensinar como encontrar os dados corretos e válidos para as questões e como liga-los de modo que esses dados se tornem informações válidas ao invés de boatos falsos que vivem poluindo nossos e-mails ou as "desinformações" dos telejornais, revistas, jornais e (pasmem) até mesmo livros acadêmicos baseados nas "histórias oficiais" e que hoje podem estar desatualizados devido a novos dados que só foram revelados (ou "desenterrados") após sua publicação mudando completamente os rumos das linhas de raciocínio. Ou num contexto muito pior: dados "ditados" por uma única fonte ou com "orígem" numa única linha de raciocínio somada ao condicionamento de ignorar completamente as outras possíveis fontes de dados, como se faz em países em regime ditatorial ou na maioria das seitas ou cultos religiosos, (mesmo que não se autodenominem assim).
Do meu ponto de vista, nada é mais importante do que o tempo. E a simplificação do uso do mesmo pode nos levar a um melhor aproveitamento do tempo para nossas vidas ao invés de perdermos tempo com coisas desnecessárias como discutir coisas que na prática não irão influenciar nossas vidas em absolutamente nada, como se esse ou aquele time de futebol é melhor, ou se essa ou aquela crença religiosa está "certa" (para quê?) ou se esse ou aquele partido político segue uma linha de idealismo melhor (quando na verdade os políticos independente do partido são todos um bando de ladrões safados até que se prove o contrário)?
Que tipo de assunto de discussão realmente é interessante para nossas vidas?
Que tipo de informação realmente nos ajudará? Como ela precisa estar apresentada para que possamos ter acesso a ela com maior eficiência?
Não sei quanto a você, mas vivo pensando nisso... porque tempo é o que mais me falta para poder viver de verdade, não virtualmente. E para piorar, sinto que isso já não afeta mais só a mim. Muito triste isso.
Parece que uma primeira atitude bastante eficiente é nos condicionarmos a repensar nossos modos de pensarmos uns nos outros e em como nos relacionarmos em harmonia e respeito para que possamos aproveitar o que realmente interessa de nossas vidas.
Nada é mais retrógrado do que o conflito. Mas infelizmente, a humanidade ainda está muito longe de entender a importância e a profundidade dessa afirmação.

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 (Qualé? Se todo site faz propaganda do próprio "peixe", por que esse seria diferente?)