Translate

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Biscoitos de polvilho sabor queijo regados a um bom vinho chileno - Hoje um Concha Y Toro "Reservado" - Cabernet Sauvignon, safra 2009... Um vinho jovem de sabor misterioso... praticamente isento de oxidação perceptível ao paladar.
Uma noite calma... muita bobagem na cabeça... bom para escrever, mas está cada dia mais difícil arrumar tempo para este blog, embora seja necessário que ele exista, doa a quem doer, embora a intenção da existência do mesmo seja tudo menos ofender, magoar, ou ferir o ego dos(as) leitores(as) ou mesmo os(as) citados entre os textos.
Temas polêmicos são sempre aqueles que sacodem os egos das pessoas, ou contrariando-os ou dando-lhes tapas na cara ou em raros casos, massageando-os.
Infelizmente a única forma de instigar a meditação sobre as coisas do mundo que nos cerca só se torna possível sacudindo os egos das pessoas, para acorda-los de sua preguiça mental inercial cotidiana.
Que fique bem claro que este blog não carrega verdades absolutas consigo, mas que tem por objetivo único e simples, fazer com que as pessoas reservem um tempo precioso de suas vidas, não importa o quanto, para simplesmente meditarem, pensarem nos "porquês" de modo a assim ganharem amplitude de visão, de compreenção e conquistarem seu lado humano, a meu ver, bastante raro hoje em dia, em que a cada dia somos mais e mais condicionados a sermos como parte de uma manada.
Já escreví muitas vezes sobre o tema de hoje, e aposto que escreverei muito mais ainda, embora eu não goste de dissertar sobre ele, pois pode ferir pessoas que admiro muito, e que quero muito bem.



Por que as religiões têm sempre de complicar tudo? 
"Eu já fumei maconha sim e gostei muito! Fumei e traguei!"
(Henry Sobel - rabino)



Antes de qualquer coisa, se você fôr religioso(a), a primeira atitude que você poderá ter com relação a este texto será ignora-lo ou se recusar a le-lo. E não o(a) culpo por isso. Mas se quiser entender o por quê, lamento... terá de ler o texto todo.
Há muitos anos eu digo aqui no meu blog que apesar de ateu, tenho amigos de todos os credos, seitas e religiões possíveis porque antes dos "rótulos", prefiro ver o conteúdo, o ser humano por trás da denominação ou dos valores que sua denominação prega e/ou a faz crer/pregar e o quanto esse ser humano tem a ensinar, a aprender, a dar de experiência de vida.
Sou ateu sim e não abro mão disso embora talvez eu devesse me classificar como "agnóstico", mas prefiro o termo "ateu", que apesar de ter uma conotação bem mais agressiva (que infelizmente lembra que existem ateus radicais), no meu caso tem uma razão de ser muito simples: a conclusão de que apesar de absolutamente de convictos, nenhum ser humano, independente de sua designação ou denominação religiosa sabe realmente do que está falando, mas existe um detalheimportante aqui: ainda assim, respeito suas crenças, pois eu também posso estar errado, o que me poria numa situação de incoerência em meramente combater as religiões e crenças arrogantemente tentando impôr o que eu acredito. Se assim o fizesse, não me diferenciaria dos fanáticos religiosos de um certo vídeo que circula pela Internet, em que degolaram a cabeça de um refém em nome de seu deus, em nome de sua crença.
O bom de eu optar por assumir essa atitude de tolerância e respeito é que posso me dar ao luxo de conhecer os pormenores de diversas religiões sem me envolver com elas, me dando assim um poder de entendimento bastante neutro (ao contrário da maioria dos cursos de teologia, que de um jeito ou de outro acabam puxando a sardinha para esse ou aquele lado).
Outro ponto interessante, é que mesmo religiões muitas vezes vistas como "opostas", muitas vezes pregam exatamente as mesmas coisas, do mesmo jeito (ou com variações mínimas) e na maioria das vezes através de suas próprias interpretações dos mesmos textos considerados sagrados, e em sua maioria baseados num conjunto muito conhecido de textos que datam do ano 325 d.C., apesar de todos clamarem serem fatos ocorridos a mais de 2000 anos.
Oras... se em 20 anos coisas que achávamos "o máximo" hoje são vistas como "ridículas" (para não dizer coisa pior), o que indica que se as interpretações dessas coisas mudaram radicalmente em apenas 20 anos, que dirá em 1686 anos?
Os leitores mais atentos já devem ter percebido que eu me refería do neo-cristianismo - até por quê o cristianismo mesmo, de antes de a irmã de Constantino ter se engraçado com um cristão, era bastante diferente... e sim, já haviam divergências entre as múltiplas correntes provenientes das múltiplas tribos de Israel (que diz a lenda, eram 12), todas perseguidas pelo Império Romano que forçava sob pena de morte a aceitação da "religião oficial de Roma"... Idéia do Dionisius de Alexandria, ou simplesmente "Dio", cujo nome vem de Dioniso, uma divindade do panteão grego. Muita gente morreu por causa dessa idéia, mas Dionisius hoje irônicamente é considerado "santo".
Um fato comum em quase todas as religiões (exceto as indianas, do contrário eles já teriam todos se matado) é a total e absoluta aversão ao conhecimento de qualquer outro ponto de vista de outra denominação, em especial as divergentes, mesmo que fale meramente sobre a História de sua própria denominação que de repente ameaça pôr em dúvida o que se acredita.
Esse é um ponto que é sempre muitíssimo bem trabalhado nas religiões, pois dele depende a estabilidade do grupo. E em todos os casos que estudei, isso está enraizado em algum "texto sagrado" de orígem obscura sempre citada como "inspirada por Deus" (ou outro "ser iluminado") que afirma que o grupo é "o único" que receberá algum tipo de prêmio, como a salvação para a vida eterna, ou passagem para um paraíso cheio de virgens ou outro prêmio qualquer.
Nesse ponto, sinto uma certa simpatia pelos taoístas e budistas, por exercitarem humildade nesse, em especial pelo "prêmio" ser sempre algo voltado para sabedoria e serenidade. É de se esperar esse tipo de maturidade, de religiões nascidas de um povo que tem mais de 4000 anos de escrita, no entanto, até bem pouco tempo, o Imperador da China era tido como "o filho das estrelas" ou "dirigende de tudo abaixo do céu"... um tipo de denominação bastante comum na maioria das religiões, em especial as indígenas e pré-colombianas... "filho do sol", "filho da lua", "filho dos céus"... Isso mostra claramente como a maioria dos antigos reinos se formaram.
O imperador, o líder, era invariavelmente visto como uma divindade na Terra ou representante divino na Terra... como o Papa para os católicos (que faz hoje, as vezes dos flâmines da Roma antiga).
Foi assim com os faraós, foi assim com os reis incas, foi assim com o Rei de Israel, ainda é assim com o Imperador do Japão (o "imperador celeste")...
Uma forma primitiva de entender como os líderes alcançavam esse status através da religião, talvez possa ser observado pelo poder que os curandeiros ou feiticeiros das tribos indígenas têm sobre suas tribos e com um detalhe: em todos os casos, só o líder religioso da tribo pode praticar o curandeirismo ou feitiçaria, ou algum "aprendiz" de confiança... normalmente filho ou filha. (Curioso esse nepotismo para a perpetuação desse poder, não?)
Historicamente cada um dos reinados baseados na religião, quando tomados ou invadidos, recebiam um novo líder e conseguentemente uma nova religião lhes era imposta, como os jesuítas fizeram ao catequizar os índios durante a colonização das Américas - Eles não podíam perder a chance de ganhar mais um baita "território de influência" não explorado.
Porém, fica notório que sem as respectivas crenças impregnadas na população, os líderes perdem seu poder sobre a mesma, de modo que seu poder político também se torna nulo. Porém se, um grupo de denominações diferentes se unisse e criasse uma base mais ou menos comum e secretamente controlasse várias religiões, esse grupo poderia ter um poder incalculável sobre os povos, (podendo inclusive planejar objetivos que poderiam se realizar facilmente séculos adiante e esses assim, poderiam ser interpretados como "profecias se cumprindo"), mais ou menos como aconteceu no ano 325 e embora que de lá para cá, esses "grupos de controle" foram sofrendo mudanças aqui e alí, sob a forma de sociedades secretas, que juntas têm a maioria do poder político e econômico do mundo ocidental. Assim fica fácil prever coisas como por exemplo que um dia "o oriente se voltará contra o ocidente", enquanto os membros das múltiplas religiões ficam discutindo pontos de vista que na prática não lhes fará a menor diferença, mas que ao longo da História já causou guerras, mortes, saques, estupros, rituais, abusos sexuais, perseguições, enforcamentos, sacrifícios humanos, queimas de pessoas vivas em fogueiras, afogamentos, sepultamento de pessoas vivas, etc. etc. tudo em nome da religião.
Mas deixando de lado o poder globalizado, a "Nova Ordem Mundial" ou mesmo o lado maligno das divergências religiosas e voltando ao que realmente nos interessa e o que eu realmente respeito que é a crença individual em algum poder desconhecido... como ateu, a única coisa que eu rezo, ainda que não seja exatamente como nós humanos imaginamos, é que alguma "Força Consciente Universal Misteriosa" realmente exista e que possa trazer algum equilíbrio e conforto à nossa insignificante existência diante da imensidão do Universo.
Só isso! Simples, não?
Pra quê complicar afinal?