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sexta-feira, 18 de março de 2011

Peço a compreenção dos leitores pela minha "ausência" com relação a este blog. (O mês de fevereiro ficou "órfão").
Tanta coisa tem passado pela minha mente ultimamente que nem sei por onde começar indo da frustração de querer fazer um monte de coisa sem tempo hábil até uma deliciosa sensação que eu já não sentía a muito tempo, mas que de certa forma me preocupa pois como acabo de dizer, já passei por isso e em todas as vezes no final da história, não passou de ilusão, uma armadilha venenosa do destino contra a qual por bem ou por mal, já estou imunizado, mas as feridas ainda doem.
Adoradia viver num mundo sem ilusões, onde eu pudesse acreditar livremente, ingenuamente, românticamente em tudo, sem medo de cair em nenhuma armadilha, mas infelizmente o mundo em que vivemos é formado praticamente apenas por armadilhas e ilusões e é o que me entristece no mundo de hoje... Um mundo em que mesmo um gesto simples pode conter (e na imensa maioria das vezes contém) um outro objetivo disfarçado.
Infelizmente, a humanidade evoluiu para isso.

Lamentável.


A rede anti-social
"Não são os mais fortes de sua espécie que sobrevivem, nem os mais inteligentes, mas os que melhor se adaptam às mudanças."
(Charles Darwin)


Já notaram que nos últimos anos todos os sites na Internet começaram a tentar fazer o possível para transformar a sí próprios numa espécie de "comunidade" ou "rede social"?
Por exemplo... Você quer apenas compartilhar um vídeo publicamente e acaba se inscrevendo num serviço tipo YouTube, que também oferece e-mails, listas de "amigos" e modos de convidar seus amigos de verdade para a tal comunidade.
Aí, você quer publicar uma foto... você tem o Picasa, o Flikr, o Yfrog... e todos eles querem te oferecer coisas semelhantes.
Pouco antes, isso acontecia apenas nos sites de relacionamentos como Orkut, MySpace, Hi5 e agora a porcaria do Facebook (que embora ofereça até menos funções do que esses já citados é o mais badalado do momento pela mídia, com direito até a filme) e numa "onda" anterior, nos mensageiros instantâneos como o Yahoo Messenger, AIM, o "quase" pioneiro, porém saudoso ICQ e o sacana do MSN/Windows Live Messenger/Windows Messenger (mesma porcaria) que já vinha instalado no computador em 90% das máquinas com sistema operacional recém-instalado fora a "enxurrada" de outros para tudo quanto é gosto, como o CU-SeeMe ou o EyeBall Chat.
Antes ainda, eram os chats via páginas de web, ou IRC, ou antes ainda... os chats de BBS (nessa época, exclusividade dos nerds).
O fato é que tudo isso, todos esses serviços ou métodos de comunicação em grupo tornaram-se formas de as pessoas se conhecerem, mais ou menos como aconteciam nos salões de baile com os nossos avós, ou nas discotecas e danceterias com os pais de muita gente que está lendo este texto agora e mais tarde, bares, bares, bares... só bares, como se hoje fosse proibido conhecer alguém estando sóbrio.
E é aqui que esbarramos no ponto chave da observação do meu texto de hoje - Até que ponto o contato virtual tem de valor real comparado ao contato físico?
Fico imaginando se os grandes pensadores clássicos algum dia imaginaram um mundo onde pessoas distantes, de culturas e valores diferentes, porém típicos de sua região geográfica possam por exemplo, se conhecer, interagir e até se apaixonar sem sequer jamais terem se conhecido pessoalmente.
Embora possa parecer simples imaginar que as idéias desses grandes pensadores acadêmicos seculares possam ser perfeitamente adaptáveis a esse "admirável mundo novo", na prática não é bem assim que a coisa funciona, como aliás muito bem observado por Henry Jenkins em seu livro "A Cultura da Convergência".
Primeiro que os perigos do mundo real e do mundo virtual funcionam de forma diferente.
Se você vai a um bar por exemplo, alguém pode esbarrar num copo e a bebida esparramar em cima de alguém, ou ainda algum fumante distraído ao afastar o cigarro sem querer chamar a atenção pode queimar a roupa de alguém, ou em hipóteses piores, sofrer algum golpe tipo "boa noite cinderella" ou simplesmente ser abordado(a) entre o bar e o estacionamento por algum(s) criminosos.
Já no mundo virtual, os golpes digitais tipo phishing e cavalos-de-tróia são uma constante, além da engenharia social... tudo para aplicar algum golpe na vítima... Aliás, as ditas "redes sociais" são uma beleza para isso... mais da metade dos dados essenciais que faltavam na minha lista de contatos eu conseguí obter através desses sites. Imagino a maravilha que esses sites são para as agências de espionagem dos governos totalitários (embora muito bem dissimulados) dos tempos modernos.
O mundo hoje está muito mais para Orwell do que para Nietzsche.
Mas deixemos de lado os perigos e nos concentremos nas relações humanas.
Pela Internet, você não tem como conhecer o bafo da pessoa do outro lado, ou sentir um toque carinhoso por mais detalhado que se tente descrever.
Hoje em dia tudo é virtualizado e no comércio existe um sem-número de quinquilharias para simular o mundo real através de "brinquedos" que se utilizam do virtual (as indústrias dos videogame e dos acessórios eróticos que o digam) e o auge disso tudo culminará em um dia plugar seu cérebro diretamente num computador para ter as sensações do mundo real.
O mundo virtual não te sopra brisa com cheiro de mar, ou te faz lacrimejar com os raios do sol. E se um dia o fizer, será uma farsa, uma "amostra", uma ilusão que na prática, dista muito da realidade.
Não há como o mundo digital competir com o contato físico real, embora a aproximação pelo mundo virtual seja infinitamente mais fácil, rápida e segura (no mundo real se você simplesmente olhar para alguma mulher, periga tomar uma surra de algum namorado ciumento).
Por essa aproximação ser mais fácil pelo meio virtual, que alguns dos mais intensos relacionamentos de hoje nascem de forma um tanto "estranha" no mundo virtual, mas tendem a se tornar (de forma mais estranha ainda) mais intensos e sólidos do que os que eventualmente nascem no mundo real até que inevitavelmente o contato real pode se fazer necessário e aí (se viável), pode ocorrer um choque em que nem tudo é como se esperava.
Mas com tanta coisa virtual, quanto de tempo real se perde?
Em cada site de relacionamentos em que você entra, em cada serviço que você se registra, quanto tempo precioso de sua vida você perde gerenciando-os ao invés de simplesmente viver?
O pior é que estamos cada dia mais dependentes de sites, serviços, gadgets... e assim tristemente, nós mesmos nos tornamos mais virtuais que reais.
Até que ponto e até quando... Só o tempo dirá.