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quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Agora que a poeira do começo do ano está começando a baixar (e haja chuva pra isso), acho que está na hora de começar o Picolo's Blog 2011.
Tenho refletido muito sobre as coisas que têm me acontecido e tentado deixar de ter uma atitude séria demais o tempo todo, ou eu ficaria maluco.
Algumas mudanças de atitude podem até ter dado a algumas pessoas algumas impressões distorcidas sobre mim, mas é o risco que se paga quando se quer quebrar alguma rotina.
A escolha do tema deste texto, não foi apenas devido ao grande número de pedidos após o sucesso de outros textos da mesma linha, já bem antigos, mas foi também uma escolha para tentar colocar umas coisas bem às claras.
Aos leitores, boa leitura!



Entrevista comigo mesmo 3: do passado ao futuro
"Nenhum homem pode atravessar o mesmo rio duas vezes, porque nem o homem nem o rio já serão os mesmos."
(Heráclito de Éfeso)


Picolo's Blog: Em 10 de novembro de 2007, o Picolo's Blog inovou com a surpreendente entrevista com o próprio blogueiro. O sucesso foi tanto que em 14 de maio de 2008 uma segunda entrevista foi feita para atender ao pedido de alguns leitores.
Hoje, resolvemos repetir a dose com mais uma entrevista.
Claudio, como se sente sendo entrevistado novamente por você mesmo?
Claudio Henrique Picolo: Bom... é mais ou menos como se olhar no espelho e meditar sobre quem você é hoje e o quê o levou a ser o que é.
É como um exercício de memória... lembrar do que fez no passado, ou o que já teve de experiências ao longo da vida e tentar com isso ter uma idéia de que caminhos trilhar no futuro.
PB: Isso é bom ou ruim? Lembrar do passado não te deixa deprimido?
CHP: Somos escravos do passado e dele não temos como fugir. Eu nascí numa família pobre, de idéias e valores muito ligados à tradições religiosas ou a diversões comuns. Meu pai até aprendeu a ganhar dinheiro, mas nunca teve a sabedoria de saber guarda-lo ou usa-lo com prudência. Já a minha mãe é uma heroína que apesar de seu jeito e vocabulário simples, soube me criar com maestria depois que meus pais se separaram.
Passei muitos maus bocados ao longo da minha vida e a grande virada aconteceu só em 2006, no entanto os obstáculos continuam me perseguindo, como as dívidas do meu pai, que tive de pagar recentemente e acabei pelo terceiro ano consecutivo, com meus planos de trocar de carro jogados no lixo.
Infelizmente a reputação dele é assim mesmo: em novembro, ele prometeu que iria me pagar em 10 dias e até agora, só papo.
É o tipo de obstáculo que venho enfrentando a vida toda e é o que me impede de decolar de vez.
Coisas assim acabam com a auto-estima de um homem, especialmente quando já se está com quarenta anos e não consegue contruir uma vida nova, ainda que simples e na medida do possível, isolada do passado.
PB: E seu currículo, sua experiência profissional e suas experiências de vida? Isso não conta?
CHP: Claro que conta. Tenho muito orgulho de ter conseguido dar a minha "volta por cima" por assim dizer (embora tarde demais) e ter hoje a reputação profissional que tenho em todos os ramos e setores em que trabalhei. Tudo o que eu viví, de bom e de ruim, virou experiência. Hoje sei o que falo quando dou algum conselho a alguém que não quero que passe pelo que eu passei, mas as cicatrizes do passado são nítidas e ainda doem.
Todos os dias, preciso lixar uma calosidade que tenho na mão esquerda, por ter carregado blocos de concreto aos oito anos de idade assim como todos os dias me lembro de que tive de abrir mão de coisas muito importantes da minha vida, como a divertida cara de pânico que uma certa mulher muito especial fazía ao me ver fazendo a barba... Mas tenho de conviver com essas coisas pelo resto da minha vida, pois se tornaram parte de mim.
PB: Dizem que a vida começa aos quarenta. O que você pensa disso?
CHP: Sinceramente, é uma grande bobagem assim como todas as frases-clichê sem base alguma.
Acredita-se demais nessas frases prontas que se tornam crenças populares.
A vida é feita de momentos, não de datas, de festas, ou de coisas que você compra. A vida é um conjunto de lembranças de momentos que você carrega como sua bagagem pessoal e quando essa bagagem ficar muito pesada para ser carregada, você a solta e parte dessa para outra.
PB: Você fala como se sua bagagem já estivesse bastante pesada.
CHP: Quando criança, eu me imaginava viver até os cinquenta anos. O que eu vivesse além disso, seria "lucro".
Estou com quarenta anos e quase tudo o que carrego são coisas tristes ou ruins.
As poucas lembranças boas que carrego, são as que me dão forças para seguir adiante, embora eu não consiga enxergar chances de elas se repetirem.
O jeito é tentar criar boas lembranças novas para o futuro e assim continuar tendo forças para carregar minha bagagem até onde der.
PB: E se alguém o ajudasse a carregar essa bagagem?
CHP: Você acha que alguém gostaria de carregar um monte de porcaria velha? Não, né? Pois bem... Mas por incrível que pareça até tem quem queira, mas procuro poupar essas pessoas dessa tarefa.
Mas ajuda para criar boas lembranças novas são bem-vindas. (Risos)
PB: Opa! Quer dizer que você tem umas pretendentes?
CHP: Até tenho. Algumas são mulheres fantásticas, mas tenho medo de que elas se machuquem como minha última namorada, de quem tive de me separar para que ela pudesse viver sua vida sem o peso da minha bagagem.
PB: Você não se envolveu mais? Nem uma aventurinha?
CHP: Tive sim uma aventura depois dela, mas não havia como construir uma relação com uma mulher comprometida, se é que você me entende...
Foi aí que declarei de vez o fim das minhas aventuras e partí para uma opção mais sóbria e consciente.
Sei exatamente o tipo de mulher que eu quero como companheira e posso afirmar que muito poucas poderiam cumprir todos os requisitos.
PB: Você fala como se isso fosse quase impossível.
CHP: De certa forma é mais ou menos por aí... Mas não deixo de dar todas as chances para que as prováveis candidatas se manifestem. O problema é que as mulheres vivem atrás de máscaras, nunca se mostrando como realmente são de modo que só é possível conhece-las na intimidade, já quando elas abrem o coração e começam a falar de sí e às vezes até se manifestando através de outras ações...
Um mero abraço ou beijo pode dizer muito mais sobre uma mulher do que a maioria dos homens seria capaz de perceber.
PB: E que tipo de mulher você mais admira?
CHP: Se você ler Provérbios 31:10-31 e Eclesiástico, capítulo 26, terá uma boa idéia. Mas como eu disse, as mulheres se escondem através de máscaras - não que elas sejam falsas - Elas fazem isso ou para conseguir inclusão social, ou para esconder suas intenções de modo a não prejudicarem sua imagem.
Muitas na intimidade são bem diferentes do que aparentam socialmente e enxerga-las através de suas máscaras não é uma tarefa das mais simples. Mas na maioria das vezes eu acerto.
Ter estudado quatro anos num colégio que tinha Magistério me ensinou bem sobre o lado "maligno" das mulheres.
Não existe mulher perfeita, mas... quem disse que eu sou perfeito também?
PB: E essas que você chama de "prováveis candidatas"? Você costuma investir tudo nelas?
CHP: Não. Eu não tenho pressa. Além do mais, quando uma mulher realmente deseja um homem, ela mesma se manifesta e em alguns casos, ela mesma corre atrás.
Só invisto pra valer mesmo, depois de oficializada a relação e isso se constrói, não se cria da noite para o dia, com ou sem intimidades independente de grau.
Porém, todas têm algo de especial inerente à sua própria personalidade. É o que mais gosto de descobrir nelas.
PB: Você não tem medo de ficar sozinho?
CHP: Não. Já fui sozinho praticamente a vida toda... Tive poucas namoradas, mas que me valeram por milhares.
Afirmo com orgulho que foram as melhores namoradas que um homem poderia ter tido e creio que o melhor disso é que ainda hoje sinto que elas foram todas sinceras em cada momento. Isso não tem preço.
Além disso, me dou muito bem com a maioria das mulheres, apesar de não me envolver com elas mesmo admirando-as muito e isso deixa muitos homens com inveja e de certa forma putos da vida, porque não me concentro na idéia fixa e invariável de meramente leva-las para a cama... Não estou nem aí! Que morram de inveja mesmo! E esse papo de ir para a cama eu vejo como conseqüência, não como uma necessidade total e absoluta.
PB: Peraí... Você sai com elas e não tem intenção de leva-las para a cama?
CHP: Bom... Digamos que não é a minha intenção primária (óbvio... ninguém é de ferro). O fato é que já passei da minha fase adolescente (da qual a maioria dos homens não conseguem sair nem depois de muito velhos) e com isso aprendí que as mulheres têm muito mais a oferecer do que mero sexo.
É inacreditável como tem babaca no mundo ignorando grandes talentos só porque a mulher é bonita.
Elas já estão cansadas desse tipo de assédio e além disso, é muito mais gostoso quando rola naturalmente.
PB: Com tanto tempo sem se envolver novamente, como acha que serão seus próximos relacionamentos (se existirem)?
CHP: Bom, creio que passei esse tempo todo me condicionando a acreditar que não existe "o melhor" quando se trata de relacionamentos. Existe o "diferente".
Isso por sí só já abre possibilidades.
Mas um cara com a minha idade já não tem mais paciência para se envolver em meras aventuras sem retorno, tendendo a dar prioridade para algo bem mais sério... Mas nesse campo, todo cuidado é pouco e há armadilhas por toda parte.
O meu único medo é o de nunca mais conseguir me envolver absolutamente de novo.
Acho que só o futuro tem resposta para isso.
PB: Como é a sua visão de futuro?
CHP: Um dia seremos todos controlados. Aliás, já somos.
Pense bem: todos os seus contatos estão cadastrados e fotografados nos Orkut e Facebook da vida além do Gmail, que estranhamente tem um gerenciador de contatos bem mais eficiente que o sistema de contatos do Yahoo, por exemplo e que pode inclusive importar contatos deste e ainda sincronizar esses dados através de Microsoft Exchange com os iPhone da vida que por sua vez podem ser localizados em qualquer parte do mundo através de triangulação de células ou GPS.
Ora! Essas grandes corporações (todas elas, eu acho) sabem quem é você, quem são seus amigos, onde todos moram, o que fazem, o que consomem, o que compram, têm as senhas de dos serviços que você usa e ainda podem todas pertencer aos mesmos grupos de acionistas que também podem ser os donos dos bancos suíços, o que os faz donos dos do mundo, inclusive dos governos.
Eu diria que falta muito pouco para um controle mundial global explícito. E quer que eu lhe diga mais? É inevitável. Não há mais como fugir disso.
Se hoje usamos um chip no celular, amanhã o teremos implantado sob a pele.
PB: Você não está sendo radical? Não está exagerando?
CHP: Nem um pouco. Estou sendo realista. Nós nos condicionamos demais na ilusão de que temos países e governos independentes, eleições livres ou governos autênticos. Com a tecnologia que existe hoje, é muita ingenuidade achar que os governos usam só papel para nos gerenciar. Alíás, eles usam essa desculpa para nos atender mal quanto aos nossos direitos cada dia mais restritos, para não dizer trocados por obrigações.
A verdade é que todo governo é fantoche (de um jeito ou de outro), as eleições são manipuladas, e todo condicionamento de idéias e valores é feito através dos sistemas de mídia de comunicação de massa que estão todos interligados através de concessões efetuadas direta ou indiretamente através dos governos (que eu já disse que são fantoches) e que só divulgam o que interessa do jeito que interessa aos verdadeiros donos.
Se você fizer uma busca no Google nos EUA e fizer a mesma busca no Brasil, terá resultados diferentes.
Sem falar na possibilidade de grampear toda e qualquer comunicação de quem quer que seja escolhido(a) como vítima... o ECHELON existe e funciona muito bem.
Há anos eu falo esse tipo de coisa no meu blog, mas apesar de muito claro para mim, as pessoas preferem tratar isso como mera ficção, sensacionalismo ou teoria da conspiração.
Não culpo as pessoas por isso. É um assunto grande demais para o microcosmo ao qual elas preferem ficar por assim se sentirem melhor, se achando na ilusão do controle de suas vidas ao invés de na frustração de se sentirem controladas como ovelhas.
PB: Essa sua previsão pode ser chocante para muita gente. Você não tem medo disso?
CHP: Não. Ninguém acredita mesmo! Mas quem ler esse texto vai se lembrar de mim no futuro, se este blog não fôr apagado "misteriosamente" até lá como o Facebook e o Twitter já saíram do ar no Egito recentemente.
Além do mais, já estou velho demais para conseguir sozinho causar algum dano nesse sistema. E a essa altura eles já sabem que só quero viver a minha vida até onde der e na medida do possível e tentar construir alguma bagagem boa para que eu tenha gosto de carrega-la até o dia da minha morte.
Não sou problema para eles.
PB: Alguma mensagem final para seus leitores nessa entrevista de hoje?
CHP: Sim. Agradeço como sempre e cuidem de sua reputação como o maior tesouro de suas vidas. É o que dará a vocês credibilidade e valor real, mesmo que o mundo à sua volta te inspire ou te influencie a ligar a tecla "foda-se" para tudo.
Você pode perder dinheiro, você pode perder seu emprego, você pode perder o que fôr, mas se sua reputação se mantiver sempre firme, você sempre terá credibilidade.
Nem dinheiro, nem poder... nada vale mais do que isso.