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sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Seguindo a tradição, este é o último texto do ano aqui neste blog (e que também tradicionalmente, tende a ser mais  introspectivo). Com esse, 2011 só teve 10 textos, o que indica que meu tempo está cada vez mais curto para que eu possa  parar, respirar e refletir.
2011 foi um ano que começou com grandes perspectivas na área profissional, mas que acabaram por ficarem estagnados em  função de estratégias de orígem distante e que acabaram por jogar as estratégias locais por água abaixo.
É ruim isso? Talvez não seja de todo ruim, embora o workload da equipe fique cada vez mais complicado de gerenciar (eu  diria que no limite, como uma verdadeira bomba-relógio para que atitudes reativas possam começar a se mostrar  necessárias).
Mas enfim... sejam lá quais forem as estratégias gringas (se é que existem) para a gente aqui do Terceiro Mundo (Não  adianta chamar de "Países em Desenvolvimento" que esse papo furado nunca me convenceu. Aqui é país pobre mesmo e ponto final.), o fato é que os grandes heróis só  são reconhecidos após grandes batalhas (mesmo que acabem perdendo a guerra) e este ano, infelizmente tivemos muitas  baixas de soldados muito, muito bons.
Meu projeto de trocar de carro, adiei novamente e nem penso mais nisso no momento, uma vez que ele tem me satisfeito mais  do que muito carro zero me satisfaria, já que é muito resistente, tem manutenção barata, não chama atenção, não fico com  dó dele ao mante-lo estacionado "ao relento" na minha vaga do condomínio onde moro e me leva onde preciso ir.
Confesso que de certa forma também estou boicotando a Indústria Automobilística no Brasil, que fatura um absurdo além da  maior carga tributária do mundo, o que faz com que os veículos à venda no Brasil tenham a pior relação custo/benefício no  planeta.
Ano passado, nessa época, eu pretendia fazer um upgrade no equipamento de som, o que funcionou melhor do que o esperado,  embora agora eu precise de um rack novo.
No campo pessoal... houveram contratempos extremamente difíceis, mas que, culminaram numa saga de fazer inveja aos  melhores romances de Hollywood, ou dos livros de Sidney Sheldon, para a nossa felicidade (minha e da minha querida namorada, que  pretendo ter comigo pelo resto da vida), para uma lição aos pessimistas e para o inferno dos invejosos.
Apesar dos contratempos do meio do ano que me testaram até meus limites, fecho o ano com um balanço bastante positivo.
Não foi fácil, mas não só sobreviví, como vencí os desafios deste ano e agora, tenho a aliada que estava faltando, no  projeto de construirmos juntos o nosso futuro. (E que aliada! Amo mesmo essa mulher!)



O último texto de 2011
"Escuta e serás sábio. O começo da sabedoria é o silêncio."
(Pitágoras de Samos)


O "grito de guerra" deste blog é "mostrando a ignorância da humanidade (incluindo a minha) entre outras coisas". Mas  levou um tempo para que esse slogan surgisse, uma vez que no começo, este blog era apenas um teste, uma brincadeira e...  quem diria, se tornaria o que é hoje, um blog que apesar de pouquíssimos posts, tem um verdadeiro fã-clube.
Ora... não sou escritor, meu QI é só 122 (o que se considera como "muito acima da média"... mas nem tanto), não tenho nem mestrado, nem doutorado, nem licenciatura, nem um mísero certificado de "nível superior" (embora que essa "superioridade" tenha  infelizmente se mostrado altamente questionável nos últimos anos), sou um cara meio atrapalhado, distraído, excêntrico, talvez um tanto caricato aos olhos de algumas pessoas, não sou nenhuma autoridade, ou celebridade, ou empresário de sucesso... enfim, aparentemente não existem lá grandes motivos para que este blog tenha o sucesso que tem. Então fico aqui tentando entender o que há de tão especial nele que motiva as pessoas a visita-lo com tanta frequência, ou com tanto interesse e a conclusão a que chego é que a resposta talvez esteja na forma como exponho aqui, as minhas reflexões sobre o mundo, sobre a sociedade, etc.
Costumo levar muito tempo para escrever cada texto deste blog e isso no momento, me faz meditar sobre outros tempos, mais precisamente sobre uma antiguidade longínqua, em que os textos eram elaborados com reflexões que muitas vezes levavam a vida toda.
Muitos desses escritores ganharam títulos de filósofos, mestres, profetas e alguns, como reis, sacerdotes, bem como seus seguidores, elaboravam suas reflexões da mesma forma e, como esses eram tidos como "divindades na Terra" ou as representavam, muitos de seus textos eram (e ainda são) vistos como inspirados pelas divindades que representavam.
Não pretendo discutir aqui, as fontes de inspiração desses textos, mas enfatizar a qualidade das reflexões dos mesmos.
Tanto que permanecem atuais e algumas, de tão bem pensadas são fáceis de serem vistas como "profecias" ou coisa parecida.
Exemplo: É fácil imaginar que a população tende a crescer exponencialmente e que com isso, no futuro (ainda que distante)  faltarão coisas como abrigo, água e comida e que com isso, surgirão guerras, afinal, será a luta pela sobrevivência.
Também é fácil imaginar uns poucos privilegiados governando muitos, como sempre aconteceu ao longo da história e que as  lutas pelo poder podem ter formas bem mais discretas, do que o que aparenta, uma vez que a opinião pública é, como sempre  foi, ferramenta estratégica política.
Quando optamos por nos juntar a um grupo e levantamos uma "bandeira" em prol de um ideal (seja político, seja religioso, seja de um clube esportivo, seja de uma marca de um segmento de produtos), estamos assumindo para nós, um símbolo que  representa todos os valores por trás do mesmo, de modo que todos os outros "símbolos" passam então a ser ignorados ou mesmo combatidos, ainda que tenhamos sérias dificuldades em perceber isso, emocionalmente cegos pelo orgulho de ostentar  a tal "bandeira", ou pelo ego, ou por questões emotivas ligadas ao grupo que ostenta a mesma "bandeira" (e supostamente  os mesmos valores, embora que muitas vezes, apenas superficialmente).
Se pararmos para analisarmos a nós mesmos nesse sentido, notaremos que por mais que neguemos, estamos sempre ostentando alguma "bandeira", tipo... "eu gosto mais da Pepsi", ou "eu sou vegetariano", ou "sou evangélico" ou ainda "adoro rock".
Por um lado, "bandeiras" desse tipo, definem e transmitem idéias sobre a personalidade individual, mas prende o indivíduo aos valores por trás desses "rótulos".
Esse indivíduo hipotético que prefere Pepsi, é vegetariano, evangélico e adora rock, certamente até bebe Coca-Cola embora com indiferença quando não tem a opção preferida, evita churrascarias (e torce o nariz para quem come carne), defende com  unhas e dentes o criacionismo (embora na prática, dependa da teoria do evolução quando precisar usar antibióticos) e foge de samba, axé, pagode e sertanejo (que de sertanejo mesmo não tem nada).
Assim sendo, o indivíduo que levanta uma "bandeira" para se incluir num grupo, muitas vezes implica em se assumir  intolerante para com indivíduos de outros grupos ou que têm valores contrários ao que sua "bandeira" representa.
E é aqui que o cuidado se faz necessário: essa intolerância, muitas vezes, nos priva de importantes oportunidades de visão, de aprendizado, ou de experiência de vida.
Se por um lado, ter uma personalidade implica em ter certas características e seus correspondentes valores de formação, por outro, a humildade em ouvir, é aceitar que existem outros pontos de vista e respeitar o outro indivíduo.
Uma prática que está cada dia mais em falta e desincentivada na sociedade atual e que é a orígem da ignorância ao invés da sabedoria.
Se estou certo ou errado, isso pouco importa, se tenho o bom senso de aceitar, de compreender, de respeitar e até de defender o direito das pessoas de terem opiniões que posso considerar contrárias às minhas.
Não me considero um homem lá tão inteligente quanto muita gente julga, mas considero essa, uma atitude simples e bastante sábia e que nos abre um leque imenso de possibilidades de aprendizado humano e de experiências de vida.
Se você nunca experimentou praticar o ato de ouvir os pontos de vista diferentes dos seus com o intuito de entende-los, mesmo que contrários aos seus valores, recomendo.
Você só terá a ganhar com isso... sempre.

Um excelente 2012 a todos!

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Já faz bastante tempo que não escrevo neste blog e os leitores certamente já começam a ficar impacientes, mas vamos aos fatos...
Geralmente escrevo aqui, quando estou descontente com alguma coisa, o que faz com que essa forma peculiar de compartilhar minhas observações de coisas ruins através de textos aqui, faz com que este blog talvez se torne um tanto irritante por só apontar as coisas ruins que existem no mundo, dando um tapa de luva de pelica na cara das pessoas sobre a "ignorância da humanidade (incluindo a minha) entre outras coisas", numa tentativa obviamente inútil de "acordar o mundo" para isso, mas de certa forma isso é quase que como uma terapia para mim.
Essa "terapia" talvez tenha sido o primeiro passo que dei em minha vida, no sentido de identificar as coisas ruins que perturbavam a minha mente e isola-las de modo a passar a cultivar apenas as coisas que realmente me fazem bem e o resultado disso, é que hoje, mesmo com as dificuldades da vida cotidiana e com as incontáveis complicações estupidamente desnecessárias do mundo moderno, estou conseguindo (com forte ajuda da sapiência e compreensão da minha amada) furar o bloqueio e ser feliz.
O mês de novembro ficou "órfão", pois foi bastante agitado e teve alguns imprevistos que eliminaram o tempo que eu reservava para escrever novos textos aqui deste Blog e para a Strix.
Está cada vez mais difícil escrever para publicar, seja por falta de tempo, seja por cansaço, seja por falta de inspiração.
Como eu disse, tenho começado a isolar coisas que me deixam irritado, entre elas, os noticiários, que aparentemente só trazem más notícias e o que é pior: com elas, a sensação de impotência em querer muda-las.
Sem notícias ruins, faltam assuntos ruins para comentar aqui no blog, no entanto algumas coisas ainda sobram do dia-a-dia.
Antes de ler o texto de hoje, recomendo dar uma lidinha nos textos "O politicamente correto fede!" e "Obsolescência", que são textos bastante relacionados com as idéias e opiniões que pretendo expôr aqui hoje.



O politicamente correto fede! (Parte 2)

"Se você procura alguém coerente, sensata, politicamente correta, racional, cheia de moralismo… Esqueça-me!"
(Clarice Lispector, escritora ucraniana naturalizada brasileira de citações extremamente populares na Internet brasileira.)


É irritante a hipocrisia e o cinismo do mundo moderno e mais irritante ainda a "vista grossa" que é feita em torno disso, embora pouco se possa fazer a respeito.
Desde criança ouço esses assuntos de "aquecimento global", mas por mais que se aparentemente a gente faça a respeito, a média global de poluição continua aumentando e a resposta para isso é bastante simples: A Indústria e o Comércio transformaram "Ecologia" num negócio, uma bandeira comercial, ou seja... na prática, é mais uma oportunidade para ganhar dinheiro promulgando chavões como "preservar a natureza".
As sacolas plásticas de supermercado, por exemplo.
Elas são feitas de material reciclável, logo, não existe razão para proibi-las ou deixarmos de usa-las, exceto pelo fato de que elas custam dinheiro para os comerciantes, então eles querem vender a idéia de o cliente usar sacolas não descartáveis.
No entanto, a idéia é completamente oposta quando eles querem nos vender seus produtos, uma vez que praticamente todos os produtos que nos são ofertados pelo Comércio e pela Indústria são feitos exatamente para serem descartáveis!
Notaram a contradição?
OK... alguns leitores vão dizer (com razão) que é o mau uso das tais sacolas plásticas é que são a causa do problema, mas... primeiro, elas podem ser recolhidas e recicladas exatamente como se faz com garrafas PET e segundo, elas podem ser substituídas pelas sacolas biodegradáveis, no entanto não existe interesse por parte dos comerciantes em adota-las por um simples motivo: elas são tão ou mais caras que as sacolas plásticas convencionais.
Para encerrar o assunto das sacolas plásticas, deixo aqui um link para a genial da opinião do falecido humorista George Carlin a respeito disso.

Outro exemplo de mistura de cinismo com hipocrisia, foi a implementação forçada (imposta, nada democrática) do novo "padrão brasileiro" de plugs e tomadas, que de brasileiro não tem nada, uma vez que já era adotado na Itália há muitos anos.
Bom... a propaganda no site do Inmetro diz coisas bastante bonitinhas e "assépticas" como tudo o que é papo politicamente correto.
Vamos listar as declarações do Inmetro (extraídas do próprio site deles) e comparar com a vida real aqui:

  1. "Antes da padronização, o consumidor convivia com mais de 12 tipos de plugues e oito tipos de tomadas diferentes, o que tornava necessário o uso indiscriminado de frágeis adaptadores para ligação dos aparelhos, com diferentes plugues nos diversos modelos de tomadas existentes. Em alguns casos, os formatos e as potências distintas dos aparelhos tornavam o ato de ligá-los uma ameaça à segurança do usuário."
    Bom... agora temos mais 8 conectores diferentes (dois pinos e três pinos para correntes até 10A e seus correspondentes machos e fêmeas e mais dois e três pinos para correntes até 20A , obviamente também com seus correspondentes macho e fêmea. Acima de 20A, qual é o "padrão"? Bom... boa pergunta, mas não vamos nos aprofundar nesse ponto ou esse texto ficará um tédio de tão longo.) e seus correspondentes adaptadores que são imensos (geralmente ocupam o espaço de três tomadas de uma "régua de força" profissional dessas de rack de datacenter) e absolutamente incompatíveis com a infraestrutura já instalada, bem como as "réguas de força" e "filtros de linha" supostamente homologados que são comercializados, forçando o usuário a fazer mais adaptações como cortar plugues ou fazer "réguas de força" por conta própria para adaptar os aparelhos comprometendo ainda mais a segurança do usuário.
    Aí vem outro problema... as fontes de força plugáveis direto na tomada. Com os adaptadores, elas tendem a cair da tomada ou ficarem com conecção frouxa.
     
  2. "Entendendo o impacto que poderia provocar a mudança, o Inmetro resolveu certificar os adaptadores, de maneira a tornar a transição mais suave."
    Entenda como  "transição suave", arrancar todas as tomadas das paredes e comprar tudo novo além de cortar os plugues de todos os aparelhos da sua casa para parafusar tomadas novas e ainda comprar adaptadores para todos os aparelhos que você tam em casa.
    Isso certamente não sai barato e a Indústria de materiais elétricos saiu ganhando muito dinheiro com essa "transição suave" e continuará ganhando muito ao longo dos anos.

Resumindo, o único lado que saiu ganhando com isso na prática foi a Indústria e Comércio, que da noite para o dia produziu e vendeu bilhões de plugs, tomadas, adaptadores e outros produtos única e simplesmente para substituir os antigos (que não são recicláveis), mas que estavam funcionando muito bem e que agora, viram lixo tóxico nos aterros sanitários...
...E a sacolinha de supermercado é que leva a culpa!?

Esses dois exemplos citados, ou seja, da sacolinha de supermercado e o do padrão de plugs e tomadas são o que chamo de "propaganda pseudo-ecologicamente correta" e "pseudo-serviço social" e em ambos os casos, estamos sem perceber, aceitando o ato de "duplipensar" citado visionariamente em 1948 pelo escritor George Orwell em seu livro "1984".
Porém, o ato impulsivo e inconsciente de "duplipensar" abrange um sem-número de outras propagandas "politicamente corretas" e que podem envolver por exemplo a opinião pública.
Bandeiras como "combate à inflação" ou "combate ao terrorismo" por exemplo, são ferramentas políticas bastante poderosas, especialmente em discursos de ano eleitoral.
O "duplipensar" também é um estímulo comum no ambiente corporativo, embora mais sutil, geralmente regado à práticas do tipo "ofurô corporativo", que podem até "enfeitar" a imagem das empresas para quem não trabalha nelas, mas não convence ninguém "do lado de dentro" e o tiro geralmente acaba saindo pela culatra através dos incontáveis (muitas vezes irritantes) comentários dos insatisfeitos de plantão em dia ruim.
O "politicamente correto" pode ainda ser argumento para restringir liberdade de expressão também, através de novas leis que estão sendo promulgadas e que na prática, só servem para punir quem não adere à linguagem "politicamente correta": Programas de TV como o "TV Pirata" hoje seriam inconcebíveis, por satirizarem diretamente certos os grupos sociais por etnia, ou opção sexual, por exemplo, (mas que tinham quadros muitíssimo inteligentes criticando por exemplo o estímulo às práticas consumistas por parte das crianças ou a eficiência do funcionalismo público.)
Embora essas leis levantem a bandeira do "politicamente correto" e servem muito bem para angariar votos em tempos de campanha, os eternos e lamentáveis preconceitos jamais deixaram de existir, uma vez que elas punem, mas não educam.
Aliás, o que educa, é escola (de qualidade), é família e influência de pessoas educadas (através de escola e família).
Mas como escola abre muitos olhos para o funcionamento de coisas "politicamente corretas" e dá consciência para inibir o "duplipensar", investir em escolas de qualidade é como investir numa ameaça ao sistema formado por políticos cujas campanhas são financiadas pela Indústria e pelo Comércio e que por sua vez pertencem (lá no topo da pirâmide, em sua imensa maioria) a poucos grupos oligárquicos anônimos.
É... nossa visão dificilmente alcança o topo da pirâmide.



Se você leitor(a) tem algo a acrescentar sobre esse texto, politicamente correto ou não, clique na palavra "comentários" aqui embaixo.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Este ano tem sido para mim, um ano de aprendizado pessoal ímpar, em que enfrentei com uma firmeza que surpreende a mim mesmo, obstáculos emocionais que em outros tempos, teria sucumbido com facilidade, porém o preparo de vários anos após várias experiências traumáticas do passado, me mostraram o caminho que eu deveria seguir e de que maneira seguir esse caminho.
Caminho esse que todas as ciências, religiões e "livos sagrados" com os quais tive contato, fracassaram em me preparar.
Porém, uma única frase, dita por um homem há muitos anos atrás (acho que foi em 1978 ou 1979), quando eu ainda era uma criança, mudou tudo.
Era um homem bastante conhecido em minha terra natal (Mogi-Guaçú), como "celeiro", dada a sua profissão de fazer celas para cavalos, bem como também sapateiro e consertador de guarda-chuvas.
Era um homem muito simples, sem grandes ambições, mas que fazia tudo com muita certeza (e até com uma teimosia que estou para ver maior), que muitas vezes era difícil entender de onde vinha, mas hoje o entendo.
É verdade que nem sempre ele estava certo, mas na esmagadora maioria das vezes, ele acertava... Talvez pela simplicidade, pela organização, ou talvez por buscar sempre coisas muito práticas, funcionais e resistentes, embora nem sempre fossem coisas de aspecto "bonito". Enfim...
Quando ele faleceu, foi obviamente um dia muito triste para mim e ainda me lembro de ajudar a carregar seu caixão, pois foi a única vez que fiz isso.
Esse homem, era meu avô e certamente o homem que mais inspirou o meu caráter, mas eu nunca tinha entendido por quê aquela frase tinha me marcado tanto na minha infância, nem como o meu avô tinha conseguido fazer com que ela ficasse gravada em minha mente com tanta firmeza até este ano.
Como ele me ensinava sempre que tudo tem uma razão de ser, a tal frase, não poderia ser diferente.
Compreender a profundidade e a grandiosidade desta frase, foi o maior tesouro que eu posso dizer que herdei dele.
O texto de hoje é inteiramente dedicado a esse homem simples, praticamente esquecido pelo tempo, porém de uma alma inacreditavelmente brilhante, em que tentarei explicar a profundidade e a importância da tal frase e portanto, nada mais justo que coloca-la em destaque sob o título do texto de hoje.

Digo "tentarei", porque tenho absoluta convicção de que falharei nessa tentativa, pois em meio ao imediatismo do mundo moderno, não é mais costume tentar compreender conjuntos de conceitos abstratos tão profundos, pois faltam-lhes um contato maior com o Universo, com a Natureza, com a observação do mesmo com respeito e humildade. (Já notaram como em quase tudo o que publicamos hoje sempre tem alguém tirando sarro, ou tentando corrigir meramente para "aparecer" ao invés de buscar aproveitar algo disso, mesmo que esteja errado? Pois é.)


Consciência

"Antes da Ciência, é preciso ter Consciência."
(Antonio Fernandes Cortez - 28 de outubro de 1902 a 26 de abril de 1988)


Entre a "eterna" discussão entre a religião e a ciência, existe um universo filosófico ignorado.
Enquanto de um lado, os religiosos (incluindo os ateus e agnósticos) batalham inutilmente entre sí para provarem "quem está certo" ou "quem está errado" e do outro, os cientistas disputam teses e antíteses fazendo com que nosso entendimento dos mecanismos do universo se aprimore a cada nova descoberta (consequentemente dando orígem a novas perguntas), o choque entre as novas descobertas da Ciência e as convicções tradicionais das religiões torna-se mais do que óbvio e a cada nova descoberta, levantam-se vários religiosos bradando que estavam certos enquanto outros, embora derrotados pelos argumentos, não se dobram às tradições e costumes, afinal de contas, essas tradições e costumes se tornaram sua própria essência de vida.
Ora, o ponto-chave aqui (e o que pretendo com esse texto) não é apontar quem está certo ou errado, mas tentar mostrar o meu jeito de compreender os mais diversos pontos de vista, com respeito e humildade de modo a não impormos o que acreditamos, ou estaremos assim, sendo arrogantes e estúpidos sem percebermos e pior: abrindo mão de compreender os motivos das divergências das pessoas de convicções diferentes das nossas.
Impondo nossas convicções, idéias e costumes sem compreender as dos outros, é agir inconscientemente, ou seja, sem consciência, em nome meramente do que estamos condicionados.
Em outras palavras, quando estamos condicionados, agimos sem consciência disso.
E esse condicionamento não é restrito apenas a questões religiosas, mas também em questões políticas, artísticas, filosóficas.
Observem que em todos esses casos, sempre temos a tendência de impôr nossos valores como se fossem os únicos existentes e o fazemos o tempo todo.
Pois bem, então somos todos inconscientes... porém, à partir do momento que paramos de nos impôr e passamos a observar cuidadosamente, humildemente procurando compreender, estamos dando uma chance à Consciência para que ela se desenvolva.
Ora... A Consciência não é uma divindade inalcançável, não é um inimigo de nossas convicções, não julga nem faz julgar, não mata, enfim... não tem nada de ruim nela. Ao contrário, a Consciência nos aponta o caminho para tudo de melhor e mais humano que todas religiões pregam (embora nem sempre pratiquem) e ao mesmo tempo abre espaço para abranger o que há de melhor na Ciência.
A Consciência, é talvez o mais universal, elementar e simples de todos os conjuntos de ensinamentos humanos de qualquer lugar da Terra, podendo ser praticado por qualquer um, polítizado, filósofo, religioso ou não (incluindo ateus e agnósticos) e consiste apenas em três ensinamentos simples (escreví esses princípios como se fossem o meu próprio "livro sagrado"):
  • Acreditar na Consciência, é respeitar as crenças e convicções das pessoas sem tentar mudar o que acreditam, pois cada um de nós tem uma experiência de vida diferente e consequentemente, valores diferentes que fazem parte da própria essência de cada um e abrir mão desse respeito seria ignorar o tesouro da diversidade de pensamentos e de experiências existentes em cada ser humano.
  • Viver com Consciência é basear sua própria existência de vida em 7 princípios que regem a Verdade e a Justiça, ou seja: a honestidade, a sinceridade, o respeito, a humildade, a fidelidade, a integridade e a dedicação.
  • Ser uno com a Consciência é compartilhar harmonicamente desses 7 princípios, cultivando-os, desenvolvendo-os e ensinando-os apenas com a prática dos mesmos e sem abusar dos mesmos (ou seja, sem usufruir deles sem repô-los) sob pena de quebrar o equilíbrio desta harmonia.
Enfim... A Consciência (sob a sua forma mais pura, ou seja, em plenitude desses 7 princípios citados), nos mostra o caminho, nos ensina, nos dá certezas, nos acalma, nos conforta, nos dá confiança... mesmo que todos os elementos em nossa volta se apresentem contrários.
Mas como tudo no Universo tem dois lados, um ser "consciente" sofre com a presença de qualquer um dos 7 princípios opostos, ou seja... a desonestidade, a falsidade, o desrespeito, a soberba, a infidelidade, a desonra e o descaso.
Se aplicarmos essa forma de ver o mundo à vida cotidiana, por exemplo, na convivência entre duas pessoas, é mais do que esperado que essas pessoas que adquirem o hábito de praticar constantemente esses 7 princípios se dêm bem e vivam em perfeita harmonia, independente dos "rótulos" culturais, políticos, filosóficos ou religiosos que tenham.
Porém, basta que um desses princípios falhe em uma dessas pessoas para que a outra sofra nessa convivência.
Esse exemplo que acabo de citar, eu testemunhei entre meus avós, que conviveram a maior parte de suas vidas numa harmonia que ainda estou para ver em qualquer outro casal.
Para mim era bastante óbvio que ambos praticavam esses 7 princípios e os compartilhavam lindamente entre sí.
Era bonito mesmo ver que após todos aqueles anos juntos (61, se não estou enganado), mesmo com as dificuldades da idade, meus avós namoravam até o último dia de vida do meu avô.
Minha avó, faleceu apenas dois anos depois, mas carregou consigo, uma experiência de vida que para mim, é uma arte talvez impossível de ser praticada nos tempos modernos, em que mesmo em nome da Consciência (ou seja lá o nome que melhor convier às convicções de quem lê esse texto), têm de-se disfarçar os 7 princípios por pressão social, para evitar preconceitos, ou "manter as aparências".
Aprendí a lição dos meus avós, embora tenha levado muitos anos para compreende-la, sou profundamente grato pela frase "Antes da Ciência, é preciso ter Consciência", proferida pelo meu avô enquanto eu ainda era criança e me esforço ao máximo para me tornar uno com a Consciência como sei que um dia conseguirei, ainda que sozinho, ainda que eu seja o último que ainda pratique essa arte.
Bom... Talvez dia eu encontre alguém que também pratique esses princípios e quero crer que essa pessoa exista (talvez alguém que ainda nem tenha percebido o valor que ela tem por causa disso) e se pudermos compartilhar desses princípios, sem meramente usufruirmos da boa vontade um do outro nessa prática, talvez essa arte não esteja afinal, perdida como imagino.

Em memória de Antonio Fernandes Cortez (falecido em 26 de abril de 1988, com 86 anos) e em honra de Benedita Maria de Jesus Cortez (falecida em 23 de maio de 1990, com 78 anos).

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Ainda estou impressionado com o sucesso do último texto deste blog.
Foi o texto mais visitado, mais comentado, mais criticado e mais atacado de todos os tempos em toda a história deste blog (fazendo-o render o incrível número de 604 visitas este mês).
Alguns leitores me enviaram e-mails de agradecimento, outros me parabenizaram, alguns recomendaram o texto via Twitter ou Facebook. Alguns o citaram como "o melhor texto que já leram sobre o assunto" e por aí vai...
Mesmo aqueles leitores que discordaram do texto, levantaram pontos bastante interessantes que ajudaram a enriquecer o objetivo principal deste blog que é simplesmente fazer com que os leitores parem um pouco suas rotinas, se posicionem um pouco fora dela e comecem a observar e perceber o quanto todos nós (e eu me incluo nisso) somos ignorantes do funcionamento do mundo à nossa volta. (Vide o slogan deste blog: "...mostrando a ignorância da humanidade (incluindo a minha) entre outras coisas...")
No entanto, como já era de se esperar, nem tudo são flores.
Críticas (já esperadas) foram feitas ao uso da generalização excessiva, que na verdade, foi usada aqui como um "truque" de linguagem com o intuito de "forçar" as pessoas através de um "choque" subliminar, à partir do qual, a pessoa imediatamente diz a sí mesma: "não é só isso". E despertar esse "não é só isso" é que faz com que ela busque o que falta, seja em sua mente, seja pesquisando.
Pois bem... não é em todos os casos que esse truque funciona e sim, houveram alguns mais exaltados. (Não foram poucos.)
Vamos ser francos aqui. Assuntos como o do último texto são de fato tão complexos, vastos e cheios de variáveis que ao invés de uma única página num blog, provavelmente ocupariam uma biblioteca inteira (cada um), de modo que a generalização acaba sendo um artifício necessário para a devida exposição sumarizada de um ponto de vista apenas (eu disse um, não múltiplos).
Mas os textos deste blog não têm a pretensão de serem artigos científicos (até parece que tem gente que espera isso desses textos), embora hajam algumas citações e links (infelizmente muitas vezes ignorados por alguns leitores) como sugestões para pesquisa ou leituras adicionais, ou meras curiosidades aos mais interessados e curiosos.
Infelizmente nem todas as críticas foram tão construtivas e sobraram alguns ataques diretos tentando me desmoralizar e o que é pior: desmoralizar meus leitores.
Infelizmente isso fez com que eu tivesse de tomar umas medidas drásticas como somente aceitar comentários de usuários registrados e ainda assim, sujeitos à aprovação para publicação, (como se faz em qualquer veículo de mídia) em sinal de respeito aos leitores deste blog (alguns deles ainda fiéis em quase 10 anos de existência do mesmo, entre professores universitários, escritores, técnicos, sociólogos, empresários, etc).
Eu até estava planejando um outro texto polêmico, mas depois de um teste que fiz através do Facebook, expondo uma única pergunta que quase causou uma "guerra" com mais de 80 comentários de pessoas se "degladiando", preferí um assunto mais "suave" concluindo que infelizmente a maior parte da humanidade (sobretudo aqui no ocidente) ainda não compreende o tesouro que é o respeito à diversidade construtiva de opiniões ao invés de lutar apaixonadamente pela opinião própria no intuito de destruir quaisquer outras discordantes.
A "linha editorial", a "linguagem" usada neste blog, muitas vezes é mesmo um tanto que tradicionalmente agressiva, mas como somos todos diferentes, eu me recuso a exigir ou esperar de quem quer que seja, qualquer tipo de mudança. Ninguém é obrigado a aceitar nada neste blog como "verdade absoluta".
Aos que discordarem, minha sugestão mais construtiva é: escrevam suas próprias publicações. É muito melhor haverem várias opiniões divergentes publicadas, do que perdermos nosso tempo tentando destruir as opiniões uns dos outros.
Aqui, eu apenas exponho a minha opinião, conforme consigo ver, da minha forma.
Se quem ler, me achar um louco, idiota, arrogante ou o que quer que seja, pelo menos eu tenho não só a coragem de publicar, como a generosidade de compartilhar gratuitamente o que eu penso aqui, para quem se interessar meramente em ler.
Se o conteúdo está "certo" ou não... ora... eu já disse humildemente: eu também sou um ignorante, não sou? Mas quem não é?
E por falar em ignorância,
discordâncias, eu respeito, mas ataques gratuitos eu vou ignorar impiedosamente em respeito ao bom-senso e aos meus leitores. Eles não merecem esse tipo de tratamento. Aliás, ninguém merece.
Aos leitores e críticos construtivos, o meu muito obrigado. Aos invejosos... Lamento.
Agora... o texto de hoje.



Afinal de contas... O que é um nerd?
"Pensar contra foi sempre a maneira menos difícil de pensar."
(Jacques Bossuet)


De repente os nerds estão em alta e todo mundo quer parecer nerd, ou se classificar como nerd.
Há pouco mais de 10 anos atrás não era bem assim e precisou um geek ficar milionário e famoso (ainda que por meios um tanto obscuros extra-oficialmente) para que o mundo passasse a respeita-los.
Mas que diabos é um nerd?
Aparentemente o termo foi usado pela primeira vez (embora hajam várias controvérsias, mas esse parece ser a teoria mais aceita pela maioria dos nerds... talvez por parecer mais divertida) no conto infantil "If I Ran The Zoo", de 1950, de autoria de Theodor Seuss Geisel (que usava o pseudônimo de Dr. Seuss e que também foi o criador do personagem "Grinch", que você pode ver no filme "How the Grinch Stole Christmas") e que descrevía uma criatura "estranha", bastante incomum em um zoológico.
Existe uma infinidade de textos na Internet, em jornais e revistas tentando definir o que é um nerd, dezenas de "testes" bem-humorados tentando identifica-los (todos com metodologia bastante questionável e uma boa dose de exagero, exatamente da mesma forma que certos filmes que os representa como um tanto caricatos, como "A Vingança dos Nerds" ou de forma um pouco mais realista como "Academia de Gênios").
Há também quem tente classificar os nerds em categorias como geek, tweak, otaku... mas o fato é que um nerd nada mais é do que uma pessoa que gosta de entender como as coisas funcionam, donos de uma curiosidade incalculável (para não dizer infinita) e com isso, não raramente, portadores de pontos de vista surpreendentemente abrangentes devido à sua surpreendente capacidade de observação, embora observem apenas o que lhes é relevante e ignorando sem parsimônia valores que para eles são fúteis e sem abrangência.
Essas características fazem deles uma minoria, facilmente identificáveis por se diferenciarem da grande massa, sempre deixando bem claro o seu jeito de ser, resultante de sua incrível capacidade de assimilar e relacionar culturas das mais diversas, da política à religião, da mais alta tecnologia aos segredos milenares do sexo. (Isso mesmo! Ou você pensa que nerd não gosta dessas coisas?)
A nossa sociedade, de um modo geral, sempre os estigmatizaram, discriminaram, trataram-nos como bagunceiros, rebeldes, loucos, ou simplesmente "diferentes"... mas se a humanidade evoluiu em algum sentido, certamente foi exatamente por causa dos nerds a quem devemos a imensa maioria dos inventos e progressos socio-culturais da humanidade.
Por terem esse dom, é natural que as pessoas os mistifiquem, estigmatizem, inventem coisas sobre eles.
E como as lendas são muitas, resolvi anotar aqui só algumas das mais comuns:

1a. lenda: Nerd só mexe com computador.
- Uma grande bobagem! Nerds podem ser jogadores de RPG, de cartas, de jogos de tabuleiros, de io-iô, mas também podem ser fotógrafos, professores, advogados... qualquer coisa que tenham afinidade e costumam ser bons nisso, buscando se aprofundarem nos pontos relevantes de suas atividades.

2a. lenda: Nerd não vai atrás de mulher.
- Ora... geralmente nerd não se contenta com qualquer relacionamento e são muito exigentes, chegando a ser chatos a limites que certas mulheres não suportariam... a menos que estas também sejam nerds (e vice-versa). Nesse caso, as afinidades mesmo que na maioria das vezes inocentes, costumam ser muito mal interpretados pela sociedade, infelizmente despreparada para compreender que seres humanos nem sempre são meros animais em busca de acasalamento. Logo... eles simplesmente não gostam de perder tempo em relacionamentos que não lhes possam apresentar um mínimo de conteúdo interessante além do óbvio (e que possa continuar interessante a longo prazo).
Nota: esse comportamento é típico dos nerds em geral, homens (que sofrem um bullying desgraçado por causa disso) e mulheres.

3a. lenda: Nerd é anti-social.
- Besteira! Nerd adora se reunir com os amigos (geralmente também nerds) e trocar idéias sobre informática, RPG, quadrinhos, videogames (geralmente os mais antigos e raros possíveis e preferencialmente os que carregam algum evento histórico atribuído), encher a cara com Coca-Cola e comer pizza... muita pizza. (OK! Nem sempre pizza e Coca-Cola. Foi só uma brincadeirinha... Eles podem ter têm gostos dos mais variados.)
Mas também não espere encontrar nerds numa balada... geralmente as detestam!
Costumam ser ambientes dispersos e "vazios de personalidade" demais para eles possam se sentir "em casa"... Se eles aparecem em lugares assim, costuma ser fácil identifica-los. Eles sempre parecem observadores, estudando tudo a sua volta e não raramente buscam um lugar mais sossegado para se concentrarem por alguns instantes em sua costumeira introspecção.

4a. lenda: Nerds são loucos.
- Não são. Podem não ser "normais" para os parâmetros e valores da grande massa, mas têm muita consciência das coisas e gostam sim de fugir do convencional em quase tudo na vida. Por isso é comum ver nerds se vestindo de formas consideradas estranhas, ou alternativas, às vezes formando movimentos como dark (atualmente conhecido como "gótico")". Os cosplayers também estão valendo aqui, mas esses só o fazem em eventos específicos. (Infelizmente as críticas sociais os fazem se sentir envergonhados. Seria divertido ver as pessoas caminhando pelas ruas vestindo trajes típicos de desenhos animados japoneses ou filmes de ação.)

5a. lenda: Um nerd nunca será ninguém.
- Que me diz então de Albert Einstein, Carl Sagan, Marie Curie, Stephen Hawking (trekker de carteirinha), John Kennedy (ex-Presidente dos EUA, mas também ex-campeão de io-iô), Nikola Tesla, Steve Wozniak (co-fundador da Apple Computer), Thomas Edison, Quentin Tarantino, Nolan Bushnell (fundador da Atari, empregador do Steve Jobs que foi seu funcionário número 40 e também empregador de Jay Miner, o criador do Atari 2600 e um dos criadores da plataforma Amiga) ou o geek mais conhecido, rico e famoso (e tido como "vergonha" por muitos nerds defensores da liberdade de uso de hardware e software livre), William Henry Gates Terceiro (Bill Gates)?

6a. lenda: Nerd é CDF.
- Eu já disse! Nerd é muito curioso! E se estuda muito, é mais por curiosidade do que por obrigação e seu prazer é saciar a sua sede de curiosidade, embora sejam insaciáveis nisso.
E justamente por serem tão insaciáveis nisso, é comum as pessoas atribuírem a eles o rótulo pejorativo "CDF", ou achar que eles têm sempre de ter um Q.I. absurdamente elevado, o que nem sempre é uma realidade, especialmente porque existem muitas formas de inteligência e ainda não existe um consenso sobre como classificar e identificar corretamente todas elas.

7a. lenda: Nerd é ruim de cama.
- Olha... Como muita gente diz que sou nerd, sou suspeito para dizer (pelo menos até agora, nenhuma das que "experimentaram" reclamou), mas... Pelo que me consta, existem várias comunidades e textos na Internet em que há mulheres dando o seu depoimento sobre as coisas que gostam nos nerds que as deixam loucas na cama... Para chegar a esse ponto, acho que nós nerds não devemos ser tão ruins assim, né?

8a. lenda: Nerd é um termo pejorativo.
- Já foi. Felizmente hoje (depois de uns 10000 anos) as pessoas finalmente já são mais conscientes e descobriram que existe um tesouro cultural representado por essa minoria da sociedade e (finalmente reconhecem) a faz realmente evoluir.
    Naturalmente, isso não significa que ainda não haja gente preconceituosa ou invejosa, incapazes de compreender que a grande maioria das pessoas, são usuários de coisas inventadas ou projetadas por nerds.
   
Ser um nerd não significa fazer parte de alguma "fraternidade Lambda Lambda Lambda" (ou qualquer outro grupo como a extinta "Comunidade Científica do Colégio Culto à Ciência"); não significa ser maluco por coisas dos anos 80; não significa torrar tinheiro em leilões de cartuchos de Atari 2600, ou atravessar madrugadas tentando fazer alguma subrotina de software funcionar.
Ser nerd, significa ser alguém, ainda que esse alguém, não seja "nada" aos olhos da maioria das pessoas, até o dia em que essas pessoas sentem falta do auxílio de alguém que saiba como funciona alguma coisa, ou precise de alguma explicação sobre como usar algo no computador, ou ensine a usar outra quinquilharia eletrônico-tecnológica.
Ser nerd não é vergonha nenhuma. Aliás, talvez seja um dos maiores orgulhos da espécie humana, mesmo que falem entusiásticamente sobre o número 42 e sempre carreguem consigo uma toalha todo dia 25 de maio.
Ora... os nerds também têm direito de se divertirem, né?


OK... Se você fôr nerd, não fôr um klingon e tiver algo a acrescentar, comente à vontade clicando na palavra "comentários".
Agora se você fôr do Lado Negro da Força, procure faze-lo em algum outro blog em algum lugar muito, muito distante, preferencialmente numa noite fria e tempestuosa.

sábado, 13 de agosto de 2011

O texto de hoje eu poderia ter incluído há anos na série "Relacionamentos" (parte 1, parte 2, parte 3, parte 4 e parte 5) que publiquei em 2007, mas como trata-se de um assunto à parte (apesar de envolver diretamente a forma como os relacionamentos podem começar e até se desenrolar no futuro), optei por deixar para depois e esquecí o assunto.
Porém, de repente me veio a inspiração e a vontade de escrever sobre isso novamente.
O texto abaixo, pode até parecer generalista, preconceitouso, arrogante, áspero, subversivo... enfim. Acreditem ou não, a intenção com isso é "acordar" as pessoas de seu transe e assim, meio que forçar as pessoas a perceberem como funcionam as técnicas de sedução e se policiarem melhor (e se cobrarem melhor também) quanto à sinceridade e honestidade em suas relações, pois só assim, com a confiança, se forma a lealdade e com isso, relacionamentos de verdade ao invés de casais injuriados.

Já cansei de ver homens e mulheres quebrando a cara em seus relacionamentos e todos reclamando exatamente da falta disso: lealdade, sinceridade, honestidade...
Cansei de virar ouvinte de pessoas que precisaram de um ombro amigo sempre que seus relacionamentos davam "aquela coisa que acontece", de ver amigas se tornando mães solteiras e rapazes sendo traídos.
Expôr publicamente de modo sintético todos os métodos de sedução mais comuns (tão comuns que em alguns casos a previsibilidade chega a ser patética), me pareceu uma forma de desabafo e ajuda pública bastante razoável.
É claro que os leitores podem (e devem) se informar melhor, mas se ninguém não apontar o caminho, como saber qual trilhar?

Acho que esse texto ficou legal, apesar dos pesares e desculpem a homens e mulheres por expor seus métodos dessa forma, mas já passou da hora de começarmos a pensar profundamente sobre o que nós estamos fazendo uns com os outros, ou seja, simplesmente pensar no óbvio: Se você engana seu(sua) parceiro(a), estará enganando a sí próprio(a).


A moderna arte da sedução (e como se defender dela)
"Lutar pelo amor é bom, mas alcançá-lo sem luta é melhor."
(William Shakespeare)


Antes de explorar o assunto de hoje, vamos deixar claro que as seguintes observações se aplicam apenas às relações heterossexuais e portanto, não se aplicam ao mundo das opções sexuais alternativas.
Os tipos apresentados são exemplos apenas para referência, apesar de corresponderem à imensa maioria da população. Portanto, também não se aplicam às pessoas que optam por desenvolverem sua cultura fora do senso comum (tipo alguns nerds).
Os métodos e observações resumidos aqui estão amplamente divulgados pela Internet em fóruns e em textos avulsos de domínio público bem como livros especializados e publicações científicas ou nem tanto (Warren Farrell, Eric Berne, Nessahan Alita, etc.), portanto quaisquer semelhanças com casos reais, são bem mais comuns do que o(a) leitor(a) pode imaginar.

Os métodos femininos - leitura obrigatória para os homens
Desde a nossa infância, somos induzidos a acreditar que as mulheres são seres frágeis, emotivos, sensíveis... Bom... não é bem assim.
Não vou dividir os tipos de mulheres em grupos diferentes aqui, porque isso se aplica a uns 99,99997% da população feminina, portanto, me desculpem. Essas revelações vão doer...
As mulheres vivem dizendo que os homens mentem mais que elas (de certa forma elas podem até ter razão, já que a imensa maioria dos homens são do primeiro tipo que eu vou descrever mais tarde), mas são elas que se pintam, maquiam, corrigem imperfeições, usam enchimentos, botox, silicone, saltos altos para empinar o bumbum, esticar as pernas e delinear a postura, usam unhas postiças, cílios postiços, biquinhos dos seios postiços... enfim, são a propaganda enganosa em carne, osso e acessórios.
E podem falar o que fôr, a verdade é que a natureza feminina é assim, dissimulada desta forma mesmo desde os tempos das cavernas, já que pela óbvia desvantagem física, elas desenvolveram isso como sua forma de se defenderem ou alcançarem segurança... na verdade, pondo os machos para as defenderem e dar-lhes segurança (para elas e para sua prole). E elas já estão fazendo isso pelo menos pelos últimos "dez mil anos" (ninguém sabe ao certo).
Junto a isso, elas refinaram suas técnicas de sedução de modo que elas passam o tempo todo buscando seduzir os homens através de seus pontos fracos emocionais óbvios como apetite sexual, ciúmes ou carência afetiva, só para citar alguns exemplos, e se possível, dominar a relação através desses pontos fracos.
E não pensem os homens que elas se importam com suas emoções não. O que elas querem mesmo (instintivamente) é ter um exército lambendo seus pés para mostrarem às suas amigas o quão "poderosas" elas são.
Mulheres são seres altamente competitivos entre sí e o maior símbolo de poder (instintivo) entre elas é o número de homens que têm à sua disposição para satisfaze-las ou defende-las. E quanto mais aparentemente poderosos esses homens forem, melhor.
Graças a esse comportamento, é muito comum (praticamente uma regra) as mulheres (principalmente as mais bonitas) se casarem com homens "bonzinhos", trabalhadores, "certinhos" e carentes que possam lhes servir de provedor e defensor (para ela e sua prole), para então traí-los com o "ricardão" mais cafajeste de seu "álbum de figurinhas" sem o menor remorso, escrúpulo ou sensação de culpa. (E por quê logo o cafajeste? Ora... pra quê se envolver com o cara se já tem um otário que lhe serve de provedor? Ela só quer é realizar suas fantasias sexuais, que nem sempre o otário do "provedor" consegue... porque está trabalhando, ou deprimido por não conseguir estar justamente onde ele mais queria: em casa com a esposa.)
É, rapazeada... sexo frágil? Conta outra!

Os métodos masculinos - leitura obrigatória para as mulheres
Vamos separar dois tipos de homem aqui. Não o "cafajeste" e o "certinho" como na maior parte da literatura à respeito do assunto, mas os que buscam "aventura ou namoro" e os que buscam "esposa ou nada". Geralmente esses dois tipos de homem são facilmente identificáveis por suas respectivas bagagens de experiências passadas (não pela idade, embora esta seja praticamente determinante no que colocamos aqui como "bagagens de experiências passadas").
O motivo disso é que os métodos dos dois tipos de homem são bastante distintos. (Eu poderia subdividi-los em 4 tipos, mas 2 fica mais fácil de entender.)

O primeiro tipo de homem (o que busca apenas aventura ou namoro), só busca o sexo propriamente dito. Fazem parte de uns... 99,99997% da população masculina e ainda não tem estrutura psicológica ou emocional para saber o que querem de fato de um relacionamento, ou ainda se quer algum. No máximo, tentam amenizar a imensa pressão social que o homem sofre desde a infância em afirmar sua masculinidade diante da sociedade, transando com o máximo de mulheres que puder, ou mantendo alguma por manter até que se decida o que fazer da vida. E se engravidar alguma delas nesse período, ele pode até acabar casando com a mulher, mas o relacionamento que começa dessa forma já está com seu tempo de vida contado e a mulher... bom... vira "mãe solteira". (A julgar pela quantidade de mães solteiras pelo mundo, você pode ter uma idéia da seriedade do que estou falando aqui.)
Esse tipo de homem costuma usar técnicas de "pick-up artists" (procurem no Google... há uma infinidade de fóruns, textos ou vídeos sobre o assunto, alguns "pick-up artists" até cronometram seu tempo de sedução até o primeiro beijo) como falar bastante, gesticular bastante, não tirar os olhos dos olhos da mulher, observar linguagem corporal e toca-la sempre nos mesmos pontos-chave quando notar que ela está sentindo essa ou aquela emoção para induzir uma sensação subliminar através de seu inconsciente (quem estudou técnicas de hipnose e programação neurolinguística sabe do que estou falando. Essa técnica chama-se "ancoragem") e o clássico método "tente beija-la no primeiro encontro, mas deixe para transar no segundo". Se puder deixar algo irresistível para ela se lembrar de você até lá (algo que com certeza ela goste e possa lhe causar alguma sensação inconsciente agradável, geralmente chocolates... esses são os mais eficientes), assim, o sexo é praticamente garantido no segundo encontro.
Gente, é sério! Por incrível que pareça, esses métodos apesar de absurdamente óbvios são praticamente infalíveis.
Algumas mulheres podem até perceber esses métodos, mas se deixam levar por eles apenas para terem mais uma experiência no seu ''álbum de figurinhas", geralmente para provocar ciúmes em algum outro homem, enquanto outras simplesmente se apaixonam logo após o primeiro encontro (principalmente as mulheres mais inexperientes) e após o segundo, a mulher já "está no papo" até... perceber o tamanho da arapuca em que se meteu, geralmente anos depois e invariavelmente tarde demais para consertar, a menos que o rapaz já esteja com outra "experiência" em vista antes do segundo encontro e troque sua "eleita" entre o primeiro encontro e após o sexo.
E acredite ou não, ele vai querer experimentar a outra "eleita" na primeira oportunidade que tiver.

o segundo tipo de homem, já passou dessa fase, já teve suas experiências e já cansou-se delas. Já aprendeu bastante sobre as artimanhas femininas, já sabe exatamente o tipo de mulher que busca e não se arriscará enquanto não encontrar alguma possível "candidata superior".
Um dos motivos aliás, que esse tipo raro de homem (e bota raro nisso), dificilmente frequenta lugares típicos de azaração, onde a oferta muito difícilmente corresponde ao que ele procura.
Ele sempre age com cautela, observa, testa, quer ter certeza absoluta de que não vai ser passado para trás ou cair nas malhas da sedução feminina se tornando um escravo emocional como o "provedor" ou o "ricardão". Na verdade, ele se esforça para ser meio que uma mistura dos dois, razão pela qual apesar de parecerem solitários, são muito disputados (quando elas conseguem identifica-los, o que nem sempre acontece).
Esse tipo de homem geralmente busca uma mulher de comportamento maduro e sério, uma que não sente necessidade de se comparar às outras mulheres, ou de buscar outros homens. Enfim, ele busca uma mulher com quem ele possa dividir sua vida, literalmente. Por isso ele não vai arriscar isso com qualquer uma.
São homens que têm absoluta consciência de seu valor e jamais se contentariam com sinceridade inferior a que eles estão dispostos a compartilhar.
Muitas vezes esse tipo de homem até usa um ou outro método semelhante ao do primeiro tipo que citamos aqui, mas tomando todos os cuidados possíveis para que ele possa ter certeza de que ela não está sendo "hipnotizada" pelos métdos clássicos de sedução e assim sendo, que ela está sendo ela mesma, ainda que isso lhe dê uma certa "desvantagem competitiva" em relação aos outros homens do primeiro tipo que usam e abusam dos métodos de sedução clássicos a ponto de parecerem idiotas quando observados em ação por um homem desse tipo.
Se a mulher deseja esse tipo de homem, a minha dica é: nem pense em tentar fingir uma situação ou esse tipo de homem a testará implacavelmente e a desmascarará na primeira tentativa de dominar a relação atacando um de seus supostos pontos fracos, que ele saberá dissimular muito bem até ter a certeza de que a mulher em observação tenha a certeza de ter o "domínio da relação" para ele então "escapar" como mágica, embora lamentando ter concluído que a mulher que ele desejava agía como as outras. (Que para ele, são uns 99,99997% da população feminina... É. Eu disse que eles são exigentes, não disse? Se algum deles já dedicou algum tempo em meramente "observa-la" com mais atenção, você pode se considerar realmente especial.)
Alguns até testam isso mais de uma vez, pois ele conhece bem as características típicas de desejo de domínio de relação por parte da mulher e não são afetados por ataques a seus supostos pontos fracos emocionais.
O único ponto fraco desses homens e a única chance que uma mulher tem de garantir para sí um homem desse tipo é contrariando sua própria natureza feminina (que é inconsciente), sendo sincera e honesta o tempo todo.
Pode não ser o "sonho feminino do domínio absoluto da relação" (para uns 99,99997% da população feminina isso pode parecer uma dedicação "impossível", quase "sacerdotal"), mas ele certamente a tratará como igual a ele, e com todo o respeito, mesmo que ele a guie por seus próprios caminhos. (Não. Ele não deseja o domínio completo da relação como as mulheres desejam. Mas adoram ser como "guias" e sonham em ter orgulho de terem a seu lado, uma mulher com esse grau de nobreza de caráter, portanto, minhas caras leitoras, não pensem que esse esforço não vale a pena.)
No entanto, são raríssimas as mulheres preparadas para abrirem mão do "sonho feminino do domínio absoluto da relação" (até porque como eu disse, é inconsciente), saberem se defender dos métodos clássicos de sedução masculina e ao mesmo tempo capazes de serem 100% sinceras como eles exigem.
Essa raridade, somada à "desvantagem competitiva" supra-citada, faz com que muitos desses raríssimos homens, um dia acabem desistindo de procurar e optem pela vida solitária.
Portanto, mulherada, se algum dia uma de vocês encontrar um desses, meu conselho é: não o deixe escapar ou outra mais preparada pode aparecer, ou ele pode desistir de procurar e aí... pode ser que você nunca mais encontre outro desses disponível. (Eu levei 40 anos para poder me classificar nessa segunda classe de homens e creio que só ví mais uns 4 como eu até hoje. Um está muito bem casado, dois desistiram e um ainda está no mercado. De vez em quando conversamos a respeito de nossas experiências e nossa tristeza em não encontrar o tipo de mulher que nós exigimos, mas infelizmente a vida é assim mesmo. Paciência.)

Como se defender
Para a mulher é muito fácil. Basta ficar atenta aos sinais de técnicas classicas de sedução já citadas aqui nesse texto... muita gesticulação, tentativa de beijo na boca no primeiro encontro, olhar fixo nos olhos, muita conversa ou gracinhas bobas já denunciam claramente os sedutores baratos comuns.
Simples e eficiente, não?
Mas quem diz que elas ligam se podem ter mais um otário no "álbum de figurinhas"?

Já o homem... Coitado... esse tá roubado já que não se desenvolveu para se defender das artimanhas femininas de sedução e ainda por cima gosta delas e assim caem fácil nas armadilhas das mulheres.
Bom... O que o homem pode fazer é se condicionar para ser mais forte que suas paixões e ter sempre em mente que a mulher, ao contrário do que tentaram incutir em sua mente desde sua infância, é um ser implacavelmente frio e isento de compaixão ou remorso.
Não se deixe levar pelas aparências, especialmente pelo forte apelo sexual que o corpo feminino oferece naturalmente: mulheres são especialistas em usa-lo como método primário de ataque ao ponto mais fraco do homem: o cérebro.
Se elas puderem oferecer muito sem entregar nada, estejam certos de que elas o farão sem a menor piedade.
Se você se deixar levar por suas emoções, elas farão de você um escravo, o explorarão até a última gota de sangue e sentirão um imenso prazer nisso ao mostrar às outras mulheres que o tem como seu "cachorrinho". Isso para elas é um prazer maior que qualquer orgasmo.
Aprenda com o segundo tipo de homem citado nesse texto. Aliás, procure definir o mais cedo possível o tipo de mulher que você deseja realmente em sua vida e pelo amor de tudo quanto é sagrado: Parem de parecer babacas desesperados por mulher ou elas continuarão nessa "zona de conforto" só curtindo com a sua cara, otários!


Eu sei que você provavelmente detestou esse texto e pode até achar que estou de brincadeira aqui, mas se a carapuça serviu e você ficou muito puto(a) da vida com o que eu escreví, poste um comentário aqui embaixo, clicando na palavra "comentários".
Eu vou ler, mas não garanto que vou publicar, valeu?

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Não sou enólogo, nem pretendo ser... No máximo um cara que gosta de apreciar um bom vinho enquanto escreve sem se preocupar demais com seus detalhes... (Já tenho muita coisa na cabeça para me preocupar ultimamente)
E o vinho de hoje é o suave Viña Maipo - Carmenere, safra 2010, proveniente do Valle Central - Chile.
Um vinho bem novo, portanto não está "obsoleto", embora tudo o que já passou de 1 ano hoje, o povo já considera obsoleto sem sequer avaliar o por quê.
Se as regras da sociedade de consumo se aplicassem à arte, já teríamos queimado todos os quadros de DaVinci e Van Gogh como já fizeram com os livros dos países ocupados pelos nazistas.
Durante o mês de junho, não publiquei sequer um único texto neste blog, no entanto foi um dos meses em que ele recebeu mais visitas este ano, o que indica que ele ainda não está obsoleto.
Aliás, o texto de hoje é exatamente sobre isso...



Obsolescência
"Logo que, numa inovação, nos mostram alguma coisa de antigo, ficamos sossegados."
(Friedrich Nietzsche)


É bastante nítido que absolutamente nada no mundo atual é de fato, feito para funcionar, resolver ou satisfazer. As coisas hoje são todas feitas única e exclusivamente pelo lucro.
Mês passado, uma lâmpada fez aniversário. Uma lâmpada que está acesa há 110 anos, o que dá pelo menos 936600 horas, fazendo parecer patética qualquer lâmpada "moderna" e "sofisticada". E olha que estou me referindo a essas lâmpadas eletrônicas que prometem durar 8 anos de acordo com a embalagem, mas que têm garantia só de 1 ano e dizem na ficha técnica que são feitas para durar 8000 horas (só que um ano tem 8760 horas, se não fôr bissexto). Mas patético mesmo é aquela outra lâmpada que promete durar 6 anos desde que se use apenas 2 horas por dia. Ridículo!
Mesmo a mais sofisticada lâmpada líquida de LED que promete durar 45000 horas não chega aos pés da lâmpada centenária do Departamento de Bombeiros de Livermore.


Obsolescência Programada ou Obsolescência Planejada

Mas acredite, já foi pior. Pouco tempo depois da época em que essa tal lâmpada centenária foi acesa (em 1901), os fabricantes de lâmpadas (muitos deles se gabavam da durabilidade das mesmas acima de 2000 horas) se reuníram para estabelecer um tempo de durabilidade padrão para suas lâmpadas e assim, garantir continuidade de vendas. Tempo estabelecido: 1000 horas, o que foi conseguido em 1940. E qualquer um dos fabricantes que "furasse" esse padrão pagava uma multa pesada.
Esse tipo de planejamento para limitar a vida útil de algum produto é conhecido como "obsolescência programada" ou "obsolescência planejada" e hoje se extende a praticamente qualquer produto comercializado, tornando obsoleto o termo "bem durável".
Até bem pouco tempo atrás, houve a polêmica sobre um certo tocador de MP3 muito popular, conhecido (e caro) que o fabricante projetou para que sua bateria jamais fosse trocada. Só que sabemos que a vida útil das baterias (inclusive as recarregáveis) é limitada, então... o quê fazer do aparelho? Simples: jogue-o fora e compre um novo. O fabricante oficialmente não lhe dava a opção de substituir a bateria, causando uma bela polêmica internacional e tomando um belo processo judicial conjunto por parte dos consumidores.
Aliás, no mundo dos aparelhos eletrônicos, a obsolescência programada é frequentemente observada nos fóruns de audiofilia pela Internet, em que os audiófilos estão (aos montes) preferindo restaurar equipamentos vintage do que comprar qualquer aparelho de som moderno (e ainda se dando ao luxo de se gabar de seus conhecimentos sobre o aparelho ou de ter aprendido mais sobre ele... eu, inclusive).
De fato, é muito mais inteligente pagar uns R$400,00 por um aparelho que poderá durar uns 25 anos do que R$100,00 em um "equivalente" que só durará no máximo 2. (Exercício: Faça as contas e veja qual saiu mais barato por ano de uso!)
Esse tipo de inteligência é um exemplo bem simples de prática do que se chama "consumo responsável".
É o que nos faz, por outro exemplo, preferir um aparelho compatível com as mídias que funcionavam no aparelho anterior, a chamada "compatibilidade reversa".


Obsolescência Percebida ou Obsolescência Perceptiva

"Ah, mas aparelho antigo é velho, é grande, feio, pesado, porcaria (ou qualquer outro adjetivo pejorativo que vier à mente)..." Aqui entra um outro fator conhecido no mundo do marketing como "obsolescência percebida" ou "obsolescência perceptiva".
Experimente pegar algum aparelho de telefonia celular beeeem antigo, (que ainda seja compatível com seu chip GSM) e saia com ele para algum lugar cheio de gente com quem você possa conversar e observe a cara das pessoas ao ver o aparelho. Especialmente se você disse que gosta do aparelho e acha ele ótimo.
Alguns vão lhe dizer para "comprar um novo", mesmo que você não tenha necessidade alguma, ou pior - tenha de pagar por recursos que não vai usar, como o BlueTooth num iPhone, que é absolutamente inútil.
Tenho por exemplo, um carro fabricado em 1992, que supre minhas necessidades perfeitamente e o mecânico diz que não compensa troca-lo por outro carro que não seja zero. Aliás, segundo ele, tem muito carro zero que não durará tanto, nem terá o mesmo desempenho e não me deixará satisfeito dado o meu perfil de uso. No entanto, tenho uma amiga que diz para eu comprar "um carro de verdade".
Bom... tenho uma outra amiga que comprou um carro zero. Não sei se ela ainda está pagando por ele (isso foi a um ou dois anos) e ela definitivamente não está satisfeita com o carro, o que me faz repensar seriamente os meus planos de trocar de carro.
Aliás, carro hoje é tudo descartável também. Nem de longe é um "bem durável", embora o "governo" (se é que podemos chamar assim e é por isso que neste blog sempre me referirei a ele entre aspas) insiste em nos cobrar imposto de renda sobre isso.
A Indústria da moda é uma das que mais usam e abusam da obsolescência percebida... na verdade, ela depende inteiramente disso. (Por isso as mulheres torram quase todo o dinheiro que têm para comprar roupas, sapatos, acessórios, etc. e assim se sentirem inclusas na sociedade. Se vestirem alguma roupa que era moda nos anos 80 será taxada de "brega" pelas outras.)


Um pouco de História

Mas voltando aos fenômenos da obsolescência programada e da obsolescência percebida, esses dois fenômenos são a essência da sociedade de consumo e nasceram nos anos 30 através de um cara chamado Bernard London, autor do livro "The New Prosperity" ("A Nova Prosperidade"), que declarava obrigatória a obsolescência programada, para acelerar a economia doe EUA. O título do primeiro capítulo já era entitulado "finalizando a depressão através da obsolescência programada".
A idéia era a de que todos os produtos após um determinado tempo de uso, seriam declarados legalmente "mortos" e deveriam ser encaminhados à uma instituição governamental para serem destruídos.
Mas a tal da obsolescência progamada só foi realmente posta em prática nos anos 50, graças à propaganda, instituindo pela primeira vez a obsolescência percebida, através da qual os consumidores eram convencidos a desejarem continuamente, produtos mais novos, aparentemente "um pouco melhores", ou "um pouco mais bonitos" ou "um pouco mais novos" do que o necessário.
Surgiram aí o design industrial e a Indústria da moda.
O designer Clifford Brooks Stevens ficou famoso com seus discursos dizendo que "a antiga idéia industrial européia de fazer os melhores produtos capazes de durarem para sempre" estava obsoleta e que o enfoque americano era criar um consumidor permanentemente insatisfeito e apto a buscar e consumir sempre o produto mais novo, mesmo que não precisasse disso.


Conseqüências

Se por um lado esses dois fenômenos são o motor da economia, gerando empregos e movimentando o comércio, são também o óleo sujo que polui nossos rios, a sucata que entulha os países pobres onde o lixo dessa sociedade está sendo descarregado e as empresas que praticaram esses fenômenos já há tanto tempo, não têm moral para dizer que são "bonitinhas" e "politicamente corretas" usando e abusando de termos como "sustentabilidade" ou "preservação do meio-ambiente", que na verdade prática, não passam de uma bandeira de marketing para alavancar vendas, como qualquer outro papo de vendedor.
Mas o prejuízo não pára por aí. Não afeta apenas o nosso habitat, ou o nosso meio-ambiente como todos o material que ví enfatiza.
Afeta diretamente uma outra questão importante... ligada à cultura, mais precisamente aos registros históricos.
Certa vez, um amigo meu, que na época trabalhava no Centro de Memória - UNICAMP, comentou que existe um fator grave e bastante polêmico no meio acadêmico, sobre o arquivamento de registros virtuais (vulgo "digitais"), já que estes independem da mídia de armazenamento original e por isso mesmo podem ser facilmente manipulados, perdendo seu valor de pesquisa histórica, já que não podem ser validados como autênticos.
Um exemplo mais popular e próximo da nossa realidade de cidadãos comuns, são os filmes... lembra do VHS? Pois bem. Uma boa parte do material que foi comercializado em VHS simplesmente não existe em DVD (às vezes até existe, mas com qualidade de som e imagem bastante sofríveis) e olha que estou falando de filmes famosos, que causaram muita diversão em suas épocas ou de séries que se tornaram cult.
Pois bem... agora tem o Blu-Ray e muito pouca coisa que surgiu em DVD existe na nova mídia que já nasceu morta, já que o HVD já existía e logo logo virá para o mercado consumidor.
São filmes que se perderão para sempre.
Você nunca poderá se divertir vendo "Gremlins 2" ou a comédia romântica "Admiradora Secreta" ou "A Mulher Nota 1000" (que pelo que até onde eu saiba, não foram lançados em DVD no Brasil) e terá de se contentar com os péssimos remakes hollywoodianos atuais ou baixar versões pirata dos filmes originais ilegalmente na Internet. (As políticas de copyright já passaram mesmo da época de serem revisadas. Tem muita gente faturando sobre coisas que não produzem e restringindo inclusive divulgação sobre o que têm direito sobre...)
Seus filhos nunca verão o Ultraseven decepando cabeças de monstros alienígenas porque no momento atual isso é "politicamente incorreto" (a menos que você more no Japão, onde o herói fictício é considerado um patrimônio nacional, bem ao contrário do nosso Capitão Aza ou Vigilante Rodoviário), nem se divertirão com a inocência de desenhos como "Os Impossíveis" ou "Hong Kong Fu".
Ou seja, em apenas 40 anos toda cultura pop de uma geração já pode estar praticamente condenada. Que dirá das produções caseiras, que poderiam nos dizer sobre a evolução arquitetônica de um prédio ou que tipo de roupas se usava naquela região e por quê?
Já dá para imaginar os arqueólogos de daqui uns 2000 anos, encontrando em alguma escavação, algum boneco do Batman e acharem que se trata de algum "deus do povo da antiguidade".



Vídeos altamente recomendados para quem leu este texto ou está com preguiça de ler

La Historia Secreta de La Obsolescencia Programada (em espanhol), o vídeo que inspirou este artigo.
A História das Coisas (dublado em português), um famoso vídeo de Annie Leonard que deveria ser obrigatório nas escolas.


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terça-feira, 31 de maio de 2011

É impressionante como uma única frase pode marcar tanto.
Agradeço aos fãs deste blog por transformarem numa verdadeira lenda (comentada quase que diariamente tanto na AT&T quanto na IBM) a frase "um vinho jovem de sabor misterioso" do último texto, que se refería a um vinho de safra recente e por isso mesmo, de sabor ainda indefinido.
Vinhos mais "velhos", ou seja, de safra mais antiga geralmente costumam ter sabor bem mais definido, seja mais "suave", seja mais "'acido" ou "quente" como descreveriam alguns, é claro, subjetivamente.
Essa característica provavelmente é um dos fatores que estimulam apaixonados por vinhos e lembra o próprio ser humano com relação à sua idade, ou fazendo uma analogia, com relação às suas definições de valores. Daí, diz-se que pessoas mais velhas são mais "maduras" ou têm seus valores "melhor definidos" que as pessoas mais jovens... subjetivamente, é claro - e é bastante óbvio que nem sempre isso acontece.
Nos seres humanos assim como nos vinhos, podem haver outros fatores que podem alterar essa regra, como por exemplo o uso dos químicos para o envelhecimento precoce dos vinhos comerciais modernos ou algum contratempo grave na vida nos humanos.
Em ambos os casos, é uma maturidade acelerada, não natural. Engana, mas não funciona da mesma forma.
Nos vinhos, os químicos o deixam com gosto levemente amargo que não harmoniza com o sabor do vinho. Nos seres humanos, ficam amarguras somadas às indefinições próprias da idade.
Porém, os seres humanos assim como os vinhos, podem ser ruins ou altamente refinados, independente do preço. E a diferença entre eles só se nota após a degustação. Geralmente no dia seguinte, quando ou o fígado dói, ou sente-se saudável.

Mas vamos ao texto de hoje...


A Torre de Babel e o Megacyberstuff
"Uma mentira é uma mentira, mesmo se todo mundo acreditar nela. Uma verdade é uma verdade, mesmo que ninguém acredite."
(David Stevens, Barão Stevens de Ludgate)


Estou sem assunto, um monte de lixo na cabeça, um monte de indefinições (a coisa que mais odeio) e sem a menor inspiração... doido pra mandar todas as redes sociais que aparecerem pela minha frente às favas, assim como os zilhões de sistemas de mensageiros instantâneos, cada um com suas particularidades, seus cadastros, suas senhas...
O mundo está cada vez mais complexo. Tão complexo que o tempo que gastamos com ele está tão grande que simplesmente estamos esquecendo de viver e assim os dias se tornam cada dia mais curtos não em número de afazeres, mas em vida pura e simples.
Sei que já bato nessa mesma tecla desde os primórdios da existência desse blog, mas o alerta é extremamente sério: precisamos lutar para simplificarmos o mundo ao invés de aceitarmos que ele se torne cada dia mais complexo.
Hoje, o ritmo é tão frenético que tornou-se impossível ir a um restaurante sem ficar antenado nos gadgets dos quais estamos cada dia mais dependentes.
Nossas relações interpessoais tornaram-se tão virtuais que não se sabe mais viver de verdade em vida de carne e osso.
Antes eu reclamava do tempo que eu gastava com o Orkut, agora gasto com o Orkut velho, Orkut novo, Twitter, Facebook, LinkedIn, Skype, MSN, GTalk, ICQ... todos desesperadamente lutando por seu próprio público numa re-edição da Torre de Babel de modo que para que você não fique de fora, (porque cada amigo seu tem uma coisa de legal cada um em um serviço diferente), você acaba se envolvento em todos, daí tem de gerenciar o "megacyberstuff".
O quê é uma "megacyberstuff"? (Estou inventando esse conceito agora. Nem sei se alguém já escreveu sobre isso desse jeito, ou se esse seria o termo mais indicado, mas na "bronca" vai ele mesmo, pelo menos por enquanto.)
Vou tentar explicar de forma simples o tamanho da complexidade que enfrentamos em nossas vidas com as redes sociais e mensageiros instantâneos (sem contar nas múltiplas linguagens de programação ou configuração das múltiplas plataformas existentes da atualidade):

1 supercyberstuff = ("redes sociais" e/ou "mensageiros instantâneos") x {ferramentas de comunicação + ferramenta de compartilhamento [vídeos ("N" formatos) + sons ("N" formatos) + ringtones ("N" formatos) + recados ("N" formatos) + fotos ("N" formatos) + textos + links)]}

1 megacyberstuff = (conjunto de "N" cyberstuffs) x ("N" upgrades) x ("N" interfaces diferentes) x ("N" diferenças entre plataformas) x ("N" falhas de traduções para múltiplas linguagens) x ("N" necessidades de atualização)

O mais estranho disso tudo é que os acionistas majoritários da maior parte desses serviços é quase sempre o mesmo (aquele misterioso "grupo oligárquico de investidores anônimos" de sempre).
Não faria muito mais sentido juntar todos esses sistemas em um só que simplesmente funcione?
A resposta do ponto de vista deles seria um enorme "não". Motivo: é mais lucrativo assim. Desta forma as empresas precisam anunciar em múltiplos serviços semelhantes ao invés de um só.
Resumindo toda essa história: Você está gastando sua vida com um megacyberstuff que só serve para dar lucro para um grupo de acionistas que já é dono do mundo e que usará esse dinheiro para continuar corrompendo países, governos, serviços e sabe-se lá o que mais.
Por outro lado, é importante que hajam múltiplas alternativas, ou ficaríamos extremamente dependentes de um único meio de comunicação, como ocorreu com a televisão até antes do advento da Internet.
Graças a essa democracia, hoje questionamos mais, enxergamos mais, aprendemos mais, temos acesso a muito mais dados (veja bem... eu disse "dados", não "informações") sobre um determinado assunto do que teríamos e com a vantagem de termos a oportunidade de juntar esses dados de modo a entender melhor as coisas ao invés de simplesmente interpretarmos elas da forma como nos é "informado" pelas mídias tradicionais.
Ironicamente, o fato de que essa "nova edição" cibernética da Torre de Babel, que se por um lado faz as pessoas se desentenderem quanto a quais redes sociais, plataformas e comunicadores instantâneos adotam, mais começam a se entender como humanos, embora vivam cada vez menos como humanos e mais como máquinas, cada dia menos consciente do mundo à nossa volta.
Preocupado com o futuro, naturalmente vivo me perguntando como por exemplo, os professores lidam com essa nova realidade e se os novos currículuns escolares básicos já não estão nascendo ultrapassados.
Sim, porque lidar com essa nova e bizarra realidade não será nada fácil no futuro.
A cada dia que passa, imagino o tamanho do desafio para eles, priorizando antes de mais nada em ensinar como encontrar os dados corretos e válidos para as questões e como liga-los de modo que esses dados se tornem informações válidas ao invés de boatos falsos que vivem poluindo nossos e-mails ou as "desinformações" dos telejornais, revistas, jornais e (pasmem) até mesmo livros acadêmicos baseados nas "histórias oficiais" e que hoje podem estar desatualizados devido a novos dados que só foram revelados (ou "desenterrados") após sua publicação mudando completamente os rumos das linhas de raciocínio. Ou num contexto muito pior: dados "ditados" por uma única fonte ou com "orígem" numa única linha de raciocínio somada ao condicionamento de ignorar completamente as outras possíveis fontes de dados, como se faz em países em regime ditatorial ou na maioria das seitas ou cultos religiosos, (mesmo que não se autodenominem assim).
Do meu ponto de vista, nada é mais importante do que o tempo. E a simplificação do uso do mesmo pode nos levar a um melhor aproveitamento do tempo para nossas vidas ao invés de perdermos tempo com coisas desnecessárias como discutir coisas que na prática não irão influenciar nossas vidas em absolutamente nada, como se esse ou aquele time de futebol é melhor, ou se essa ou aquela crença religiosa está "certa" (para quê?) ou se esse ou aquele partido político segue uma linha de idealismo melhor (quando na verdade os políticos independente do partido são todos um bando de ladrões safados até que se prove o contrário)?
Que tipo de assunto de discussão realmente é interessante para nossas vidas?
Que tipo de informação realmente nos ajudará? Como ela precisa estar apresentada para que possamos ter acesso a ela com maior eficiência?
Não sei quanto a você, mas vivo pensando nisso... porque tempo é o que mais me falta para poder viver de verdade, não virtualmente. E para piorar, sinto que isso já não afeta mais só a mim. Muito triste isso.
Parece que uma primeira atitude bastante eficiente é nos condicionarmos a repensar nossos modos de pensarmos uns nos outros e em como nos relacionarmos em harmonia e respeito para que possamos aproveitar o que realmente interessa de nossas vidas.
Nada é mais retrógrado do que o conflito. Mas infelizmente, a humanidade ainda está muito longe de entender a importância e a profundidade dessa afirmação.

Mas enfim... Se você gostou deste texto, deixe seu comentário clicando em "comentários" no rodapé deste texto aqui embaixo, ou se preferir, tem uma barra de ícones para você compartilhar com sua(s) redes sociais preferida(s)...
 (Qualé? Se todo site faz propaganda do próprio "peixe", por que esse seria diferente?)

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Biscoitos de polvilho sabor queijo regados a um bom vinho chileno - Hoje um Concha Y Toro "Reservado" - Cabernet Sauvignon, safra 2009... Um vinho jovem de sabor misterioso... praticamente isento de oxidação perceptível ao paladar.
Uma noite calma... muita bobagem na cabeça... bom para escrever, mas está cada dia mais difícil arrumar tempo para este blog, embora seja necessário que ele exista, doa a quem doer, embora a intenção da existência do mesmo seja tudo menos ofender, magoar, ou ferir o ego dos(as) leitores(as) ou mesmo os(as) citados entre os textos.
Temas polêmicos são sempre aqueles que sacodem os egos das pessoas, ou contrariando-os ou dando-lhes tapas na cara ou em raros casos, massageando-os.
Infelizmente a única forma de instigar a meditação sobre as coisas do mundo que nos cerca só se torna possível sacudindo os egos das pessoas, para acorda-los de sua preguiça mental inercial cotidiana.
Que fique bem claro que este blog não carrega verdades absolutas consigo, mas que tem por objetivo único e simples, fazer com que as pessoas reservem um tempo precioso de suas vidas, não importa o quanto, para simplesmente meditarem, pensarem nos "porquês" de modo a assim ganharem amplitude de visão, de compreenção e conquistarem seu lado humano, a meu ver, bastante raro hoje em dia, em que a cada dia somos mais e mais condicionados a sermos como parte de uma manada.
Já escreví muitas vezes sobre o tema de hoje, e aposto que escreverei muito mais ainda, embora eu não goste de dissertar sobre ele, pois pode ferir pessoas que admiro muito, e que quero muito bem.



Por que as religiões têm sempre de complicar tudo? 
"Eu já fumei maconha sim e gostei muito! Fumei e traguei!"
(Henry Sobel - rabino)



Antes de qualquer coisa, se você fôr religioso(a), a primeira atitude que você poderá ter com relação a este texto será ignora-lo ou se recusar a le-lo. E não o(a) culpo por isso. Mas se quiser entender o por quê, lamento... terá de ler o texto todo.
Há muitos anos eu digo aqui no meu blog que apesar de ateu, tenho amigos de todos os credos, seitas e religiões possíveis porque antes dos "rótulos", prefiro ver o conteúdo, o ser humano por trás da denominação ou dos valores que sua denominação prega e/ou a faz crer/pregar e o quanto esse ser humano tem a ensinar, a aprender, a dar de experiência de vida.
Sou ateu sim e não abro mão disso embora talvez eu devesse me classificar como "agnóstico", mas prefiro o termo "ateu", que apesar de ter uma conotação bem mais agressiva (que infelizmente lembra que existem ateus radicais), no meu caso tem uma razão de ser muito simples: a conclusão de que apesar de absolutamente de convictos, nenhum ser humano, independente de sua designação ou denominação religiosa sabe realmente do que está falando, mas existe um detalheimportante aqui: ainda assim, respeito suas crenças, pois eu também posso estar errado, o que me poria numa situação de incoerência em meramente combater as religiões e crenças arrogantemente tentando impôr o que eu acredito. Se assim o fizesse, não me diferenciaria dos fanáticos religiosos de um certo vídeo que circula pela Internet, em que degolaram a cabeça de um refém em nome de seu deus, em nome de sua crença.
O bom de eu optar por assumir essa atitude de tolerância e respeito é que posso me dar ao luxo de conhecer os pormenores de diversas religiões sem me envolver com elas, me dando assim um poder de entendimento bastante neutro (ao contrário da maioria dos cursos de teologia, que de um jeito ou de outro acabam puxando a sardinha para esse ou aquele lado).
Outro ponto interessante, é que mesmo religiões muitas vezes vistas como "opostas", muitas vezes pregam exatamente as mesmas coisas, do mesmo jeito (ou com variações mínimas) e na maioria das vezes através de suas próprias interpretações dos mesmos textos considerados sagrados, e em sua maioria baseados num conjunto muito conhecido de textos que datam do ano 325 d.C., apesar de todos clamarem serem fatos ocorridos a mais de 2000 anos.
Oras... se em 20 anos coisas que achávamos "o máximo" hoje são vistas como "ridículas" (para não dizer coisa pior), o que indica que se as interpretações dessas coisas mudaram radicalmente em apenas 20 anos, que dirá em 1686 anos?
Os leitores mais atentos já devem ter percebido que eu me refería do neo-cristianismo - até por quê o cristianismo mesmo, de antes de a irmã de Constantino ter se engraçado com um cristão, era bastante diferente... e sim, já haviam divergências entre as múltiplas correntes provenientes das múltiplas tribos de Israel (que diz a lenda, eram 12), todas perseguidas pelo Império Romano que forçava sob pena de morte a aceitação da "religião oficial de Roma"... Idéia do Dionisius de Alexandria, ou simplesmente "Dio", cujo nome vem de Dioniso, uma divindade do panteão grego. Muita gente morreu por causa dessa idéia, mas Dionisius hoje irônicamente é considerado "santo".
Um fato comum em quase todas as religiões (exceto as indianas, do contrário eles já teriam todos se matado) é a total e absoluta aversão ao conhecimento de qualquer outro ponto de vista de outra denominação, em especial as divergentes, mesmo que fale meramente sobre a História de sua própria denominação que de repente ameaça pôr em dúvida o que se acredita.
Esse é um ponto que é sempre muitíssimo bem trabalhado nas religiões, pois dele depende a estabilidade do grupo. E em todos os casos que estudei, isso está enraizado em algum "texto sagrado" de orígem obscura sempre citada como "inspirada por Deus" (ou outro "ser iluminado") que afirma que o grupo é "o único" que receberá algum tipo de prêmio, como a salvação para a vida eterna, ou passagem para um paraíso cheio de virgens ou outro prêmio qualquer.
Nesse ponto, sinto uma certa simpatia pelos taoístas e budistas, por exercitarem humildade nesse, em especial pelo "prêmio" ser sempre algo voltado para sabedoria e serenidade. É de se esperar esse tipo de maturidade, de religiões nascidas de um povo que tem mais de 4000 anos de escrita, no entanto, até bem pouco tempo, o Imperador da China era tido como "o filho das estrelas" ou "dirigende de tudo abaixo do céu"... um tipo de denominação bastante comum na maioria das religiões, em especial as indígenas e pré-colombianas... "filho do sol", "filho da lua", "filho dos céus"... Isso mostra claramente como a maioria dos antigos reinos se formaram.
O imperador, o líder, era invariavelmente visto como uma divindade na Terra ou representante divino na Terra... como o Papa para os católicos (que faz hoje, as vezes dos flâmines da Roma antiga).
Foi assim com os faraós, foi assim com os reis incas, foi assim com o Rei de Israel, ainda é assim com o Imperador do Japão (o "imperador celeste")...
Uma forma primitiva de entender como os líderes alcançavam esse status através da religião, talvez possa ser observado pelo poder que os curandeiros ou feiticeiros das tribos indígenas têm sobre suas tribos e com um detalhe: em todos os casos, só o líder religioso da tribo pode praticar o curandeirismo ou feitiçaria, ou algum "aprendiz" de confiança... normalmente filho ou filha. (Curioso esse nepotismo para a perpetuação desse poder, não?)
Historicamente cada um dos reinados baseados na religião, quando tomados ou invadidos, recebiam um novo líder e conseguentemente uma nova religião lhes era imposta, como os jesuítas fizeram ao catequizar os índios durante a colonização das Américas - Eles não podíam perder a chance de ganhar mais um baita "território de influência" não explorado.
Porém, fica notório que sem as respectivas crenças impregnadas na população, os líderes perdem seu poder sobre a mesma, de modo que seu poder político também se torna nulo. Porém se, um grupo de denominações diferentes se unisse e criasse uma base mais ou menos comum e secretamente controlasse várias religiões, esse grupo poderia ter um poder incalculável sobre os povos, (podendo inclusive planejar objetivos que poderiam se realizar facilmente séculos adiante e esses assim, poderiam ser interpretados como "profecias se cumprindo"), mais ou menos como aconteceu no ano 325 e embora que de lá para cá, esses "grupos de controle" foram sofrendo mudanças aqui e alí, sob a forma de sociedades secretas, que juntas têm a maioria do poder político e econômico do mundo ocidental. Assim fica fácil prever coisas como por exemplo que um dia "o oriente se voltará contra o ocidente", enquanto os membros das múltiplas religiões ficam discutindo pontos de vista que na prática não lhes fará a menor diferença, mas que ao longo da História já causou guerras, mortes, saques, estupros, rituais, abusos sexuais, perseguições, enforcamentos, sacrifícios humanos, queimas de pessoas vivas em fogueiras, afogamentos, sepultamento de pessoas vivas, etc. etc. tudo em nome da religião.
Mas deixando de lado o poder globalizado, a "Nova Ordem Mundial" ou mesmo o lado maligno das divergências religiosas e voltando ao que realmente nos interessa e o que eu realmente respeito que é a crença individual em algum poder desconhecido... como ateu, a única coisa que eu rezo, ainda que não seja exatamente como nós humanos imaginamos, é que alguma "Força Consciente Universal Misteriosa" realmente exista e que possa trazer algum equilíbrio e conforto à nossa insignificante existência diante da imensidão do Universo.
Só isso! Simples, não?
Pra quê complicar afinal?