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quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Se não estivesse tão quente hoje, degustaria este vinho: Benjamin, vinho argentino, feito com uvas syrah, safra de 2008.
Não escolhí esse vinho para esta noite por acaso. Na verdade, o degustaria sozinho hoje, enquanto medito sobre mais um dos meus já tradicionais erros de relacionamento interpessoal, que fez com que uma pessoa por quem tenho muito apreço (que não por acaso tem o mesmo sobrenome deste vinho), não tivesse me julgado mal, inclusive afastando de mim uma outra pessoa que eu admiro muito e procurava entender melhor. Mas tudo bem - aprendí um monte de coisas legais, a experiência valeu e estou profundamente agradecido pela inspiração que me levou a escrever o último texto deste blog ("Vida Alternativa") que acabou se tornado um dos textos de maior sucesso deste ano, me fazendo sentir na necessidade de dar uma continuação, dedicada a todos aqueles que preferem julgar e condenar primeiro para conhecer depois... atitude até compreensivelmente defensiva nos dias de hoje, embora seja tudo menos justa ou racional, ou seja, tudo o que eu não preciso na minha vida.



Mais vida alternativa
"Toda unanimidade é burra"
(Nelson Rodriges)


Prosseguindo com a questão da diversidade, fala-se muito sobre etnias, sobre religiões ou sobre fatores culturais mais ou menos comuns, mas e quanto à preservação de alguns costumes como o cavalheirismo, por exemplo?
As mulheres ao serem indagadas à respeito, são as primeiras a reclamar da falta do cavalheirismo* nos tempos modernos, mas se algum desconhecido descer uma escada à sua frente ou subir atrás dela (diz a lenda, para protege-la em caso de algum passo em falso) e completar abrindo-lhe uma porta... pronto! Pra ela o cara é só mais um xavequeiro barato fazendo fita.
A bem da verdade, certos costumes de educação hoje se tornaram tão raros que as pessoas ou se assustam, ou vêm com descrença e pasmem - puro preconceito.
Vamos deixar as coisas bem claras... nem todo homem é xavequeiro barato - vulgo babaca. Alguns - muito raros, é verdade - não se atiram à qualquer oportunidade de relacionamento que lhes apareça nem que as possíveis experiências sexuais lhe pareçam promissoras, se preocupando muito em conhecer bem o tipo de mulher com quem sai primeiro antes de concluir se vale a pena investir num relacionamento mais sério, íntimo ou se vai ficar só no passeio para um lugar onde possam conversar - coisa que aliás, as pessoas precisam fazer muito mais antes de começarem qualquer tipo de relacionamento.
Pois é, mulherada... esse tipo de homem existe (ainda, embora todos sem excessão se questionam o tempo todo se vale a pena ser assim) e eles escolheram essa "vida alternativa" não apenas para terem um diferencial em relação aos outros homens, mas porque têm plena convicção de seu valor como homem íntegro, honesto e responsável. (Não é isso o que vocês vivem dizendo que querem num homem, mulherada?)
Pois bem, só que tem um detalhe: A imensa maioria das mulheres não querem o tipo do homem que verifica o terreno em que pretende pisar. Elas querem o tipo do cara que chega chegando e assume logo de cara um relacionamento sem ter a menor idéia do tamanho do problema em que pode estar se metendo. Ou seja... o tipo que vem correndo de olhos vendados e dá um belo pulo com os dois pés... na areia movediça.
Isso é muito ruim para ambos os lados, porque geralmente ambos acabam insatisfeitos. E em alguns casos, pelo resto da vida.
Por outro lado, tem aqueles encontros em que ambos têm um certo grau de maturidade para perceberem logo no primeiro encontro que o relacionamento pode não dar certo e acabam se tornando bons amigos por muitos anos contrariando a maldita lenda urbana campinóide de que entre um homem e uma mulher é impossível haver só amizade. Fato: eu (por exemplo) tenho algumas amigas com quem saio para jantar, tomar um café, comer um lanche, pegar um cinema e até degustar um vinho aqui comigo, sem absolutamente nenhum envolvimento de ordem sexual, contrariando toda uma sociedade preconceituosa que não só não consegue aceitar que isso é possível, como ainda inventa estórias, como que tentando desmoralizar essas pessoas que optaram por essa alternativa mais racional e menos, digamos... primitiva. (Aliás, esse assunto já foi abordado aqui mesmo neste blog num texto de 2007.)
Por céus! Estamos em pleno século 21! Já não estamos mais nos abrigando em cavernas e nosso mundo já está pra lá de complexo para arriscarmos atolar nossas vidas sem ponderarmos toda essa complexidade de alternativas dos tempos modernos que nos cercam!
E o que é pior - são muito raros os que têm esse grau de discernimento, fazendo com que esses raros, sejam discriminados pelo simples fato de não pertencerem ao "senso comum" - ou seria "insensatez comum"?
E por falar em sensatez, existe um outro tipo em meio à diversidade que também passa despercebido... Geralmente é um tipo bastante (supostamente) intolerante que busca status exatamente por essa intolerância, tentando dar ares de se posicionar numa escala de suposta racionalidade acima da média.
Estamos falando dos "intelectualóides" como são chamados em alguns textos de blogs pela Internet que (mais ou menos como no Malleus Maleficarum) tentam dar dicas de como identifica-los e logo em seguida como irrita-los, como uma espécie de "vingança" por sua suposta intolerância.
Digo suposta, porque entre os intelectualóides até existem intelectuais de verdade, que estudam muito (e bota muito nisso), aprendem múltiplos idiomas, mas sofrem terrivelmente por viverem num país em que a última coisa à qual se dá valor é ao estudo ou ao intelecto e por isso "travam", quando poderiam muito bem estar expondo suas idéias através de publicações, livros ou mesmo blogs e assim tentar melhorar um pouco o mundo em que vivemos, mas pelo desincentivo, acabam optando por dispersarem seus talentos em mesas de bar onde após alguns copos dificilmente se lembrarão dos pormenores no dia seguinte sobre os assuntos estavam conversando. (Sei que eles vão me odiar por esse post, mas...)
Resultado: Alguns dos valores comuns desse nicho (felizmente componentes apenas de seus gostos pessoais), entraram em "loop" em 1968 e não saíram disso desde então, o que os torna facilmente identificáveis e com isso, o motivo de serem discriminados em blogs como esse ou aquele.
Como podem ver, todos nós, sejam nerds, "intelectualóides", cavalheiros, damas, ponderados, góticos, metaleiros, gays, lésbicas, bissexuais, transsexuais, negros, asiáticos, albinos... enfim, não importa... Se pertencemos a uma minoria, sempre seremos discriminados pela ignorância da parte da maioria sobre quem somos, pelo simples fato de que a maioria é incapaz de ver as coisas sob o nosso ponto de vista (o que em psicanálise chama-se catatimia), mas temos todos o direito a exigir um mínimo de respeito, afinal de contas, nós ousamos optarmos por nossas vidas alternativas. Essa é a nossa essência e nosso orgulho, pois só a gente - a minoria - sabe o valor que isso tem.

* Pasmem! Esse termo está difícil de se achar em páginas de Língua Portuguesa na Internet e nem existe no Wikipedia! O cavalheirismo está mesmo em extinção.

Um comentário:

Anônimo disse...

Eu ja tive problemas em ter um amigo do sexo oposto porque as pessoas nao acreditam mais que isso possa acontecer, ele é comprometido e eu tive serios problemas com isso porque descobri que por tras de mim diziam a ele que eu nao queria apenas a amizade mais algo mais...muito pelo contrario, ele era meu amigo e muito bem comprometido. Quando a maldade deixará de ser a primeira vista em tudo?

Elaine.