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quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Hora de fazer um balanço do ano que passou, jogar o monte de papel velho fora e preparar o terreno para o próximo ano.
2010 foi um ano em que sentí um impulso bastante interessante na minha evolução profissional, que me permitirá finalmente agregar experiências de caráter planejativo e pró-ativo ao invés de reativo... a meu ver um enorme diferencial num país que tradicionalmente não tem esse tipo de cultura ou know-how. Me arrisco a dizer que finalmente me sinto "nos trilhos" da minha carreira profissional (antes tarde - e bem tarde - do que nunca); Porém, não conseguí a minha certificação "Six Sigma Green Belt" este ano... mas felizmente foi por uma boa causa em nome do espírito de equipe. Meus gerentes entenderam e no final, foi bom pra todo mundo.
2010 foi um ano de muitas surpresas... particularmente muito bom para este blog. Em junho, implantei uma rotina de coleta de estatísticas nele e tomei um susto com a quantidade de visualizações de página que ele recebe por mês (uma média de 330). Nada mau para um blog pessoal, que nasceu de uma brincadeira sem pretenção alguma além de expôr um monte de besteira que vinha na minha mente como uma espécie de terapia pessoal...
2010 foi um ano de revelações... ver duas colegas de trabalho tendo crises de ciúme foi uma cena um tanto tragi-cômica que pode até ter sido divertida na hora, mas me mostrou o quanto as pessoas ainda carecem perceber que nem tudo tem de seguir com a mesma seqüência monótona... especialmente  com caras diferentes da maioria como eu, to tipo que já está de saco cheio de cair nas armadilhas do óbvio. (Conhecer o "terreno" é provavelmente a minha melhor estratégia de defesa.)
2010 foi um ano de fracassos também. Pelo terceiro ano consecutivo, eu quís trocar de carro, mas graças às dívidas do meu pai, tive de pagar as dívidas dele e... agora vou terminar o ano com meu carro velho, sem grana e puto da vida. (Se meu pai soubesse cuidar de seu dinheiro do jeito que ele sabe vender coisas, acho que teríamos um império hoje ao invés de sermos dois pobres falidos.)
Pelos meus cálculos, se ele me pagasse hoje, eu só poderia me recuperar em junho para poder trocar de carro, sem afetar meus outros planos (graças ao IPVA, seguro obrigatório, IPTU e outras contas típicas de virada de ano). Quem sabe pelo menos de equipamento de som, consigo o upgrade que pretendo... Aliás, o livro que eu pretendía escrever... foi outro fracasso: não conseguí ir além de um capítulo. Preciso de mais tempo e menos picuinhas nas comunidades de áudio das quais participo se quiser escreve-lo.
E agora com vocês... o texto tradicional de final de ano... desta vez lamentavelmente um texto polêmico e certamente bastante agressivo para muita gente, mas é um mal necessário. Para que os olhos se abram, as mentes questionem e que reações efetivas ocorram, causar algum desconforto pode ser uma ação que se faz necessária.



O último texto de 2010
"Who the fuck is Justin Bieber"
(Ozzy Osbourne, numa entrevista de TV... Essa frase não tem tradução exata para o português, mas pode ser interpretado como algo tipo "Mas que porra é esse tal de Justin Bieber?")


Nada tem mais poder de mudança do comportamento de uma sociedade do que a arte. É a primeira coisa que os governos totalitários procuram coibir, controlar e se possível, exterminar quando tomam o poder. Eles têm mais medo dos artistas que dos terroristas e o motivo é simples: eles têm muito mais poder de mudar a opinião pública do que qualquer milícia e o que é pior (para esses governos): geralmente eles têm razão (quando não são pseudo-artistas ou meras celebridades "de plástico", ou seja, compradas ou produzidas).
Se a construção da nova "cidade do rock" (que dizem que desta vez será permanente, permitindo um "Rock In Rio" a cada 2 anos - o que duvido) fôr pelo menos o suficiente para igualar a quantidade de rock na mídia em relação ao que tem hoje de axé, pagode e sertanojo nas rádios, mídia tradicional e lojas populares, já fico feliz, embora o rock de hoje tenha perdido sua essência, tornando-se mero barulho moldado para vender... e como tudo o que é mero comércio: completamente vazio de valores humanos.
Encerrar o ano sem dever nada para ninguém, é impossível. O próprio "governo" nos garante isso nos enviando as contas do IPVA e seguro obrigatório, mas não permitindo que paguemos enquanto não "vira" ano novo. - Uma puta de uma sacanagem com quem tem problemas de auto-estima... ou uma forma subliminar de forçar o cidadão a jamais se sentir livre de seus "deveres" para com o "governo".
Aliás, nunca tivemos um governo tão totalitário quanto agora, embora isso nem de longe fique tão nítido como ficava durante o período militar em que as formas de coesão e "controle da mente" eram mais arcaicas, praticamente medievais comparadas às modernas técnicas de controle de massa de hoje (como esse papo do IPVA, por exemplo) em que o cidadão é induzido a se sentir um "merda" sem poder de atuação nenhum diante de um Estado que pelo menos na teoria pertence ao cidadão antes de qualquer coisa, mas graças a órgãos nítidamente corruptos (aparentemente todos eles), como por exemplo o TSE (que agrega todos os "três poderes" em um órgão só e que não pode ser fiscalizado por ninguém), bem como a vergonhosa atuação dos nossos caríssimos parlamentares em elevarem os próprios salários em regime de urgência. (Muito urgente isso... E a reforma tributária não tem pressa, né? "Reforma tributária" no Brasil só serve de bandeira de campanha eleitoreira, venda de livros, livretos, cartilhas e enrolação sem resultado.)
Será que tenho de lembrar que nossos parlamentares já são os mais caros do mundo ha anos? Que consomem só em mordomias, dinheiro suficiente para construir fácil pelo menos uma escola cada um por mês? E que temos 513 deputados... sem contar senadores, ministros e o exército de acessores. (Igualzinho na Suécia, né?)
E como se não bastasse, agora o "lulinha" quer que voltemos a pagar CPMF e usando argumentos subjetivos como "ódio, rancor e maldade"... (P* meu! Apelo emocional é sacanagem!)
Ora! Já pagamos a porcaria da CPMF por vários anos sem ver retorno nenhum. E agora ele me vem com o papo furado de que "precisamos arrecadar mais dinheiro para a saúde?"... Saúde de quem? Cada um dos nossos parlamentares já ganha atendimento médico sem limite de custos, incluindo cônjuges e dependentes! (E o povão ganha filas intermináveis no SUS.)
Só com o valor que nossas caríssimas e riquíssimas "excelências" já decidiram ganhar de "reajuste" em seus próprios salários, certamente já daria um bom dinheiro para a "saúde"... Francamente... Melhor não ter governo nenhum do que um "governo" desses.
Alguém notou que a invasão do Complexo do Alemão aconteceu aproximadamente um mês após o lançamento do filme "Tropa de Elite 2", que deixou bem claro que através da eliminação dos intermediários (traficantes), os bandidões de verdade (lá em Brasília) aumentariamo bastante seus lucros (exatamente como no filme) e de quebra, a operação ainda serviria de elemento de campanha para a próxima sucessão presidencial?
Até a censura está aí... bem mais discreta que durante o período militar, mas firme e forte e o que é pior: muitas vezes através de pessoas à nossa volta, agindo como uma espécie de "fiscal do partido" (quem leu "1984" sabe do que estou falando).
A sensura hoje não é feita apenas através da manipulação da mídia convencional como muitos apontam. Algumas coisas passam despercebidas pelo cidadão, como alguns dos grandes mecanismos de busca da Internet poderem estar "barrando" discretamente certos resultados de busca para o Brasil (por sorte eu consigo ter acesso a buscas direcionadas para outros países, mas o cidadão comum precisa aprender a ser hacker para aprender a fazer isso).
Adicione isso a câmeras de segurança (monitoramento) por toda parte, antenas de serviços móveis (localização) e leis que têm brechas que só funcionam para quem as faz e que permite que criminosos procurados pela Interpol possam ser ilustres representantes do povo do Brasil deixam claro que não se pode confiar no "governo" em hipótese alguma.
Qual será o próximo passo agora? A criação da "polícia do pensamento"? A instituição da "novilíngua"?
Me desculpem os "camaradas" e simpatizantes do "partido" (para não dizer "dos partidos", pois são praticamente todos a mesma coisa), mas para vocês, se suas cabeças estiverem congelando num congelador e seus pés queimando numa fogueira, numa média vocês estão numa temperatura agradável. (Plageando Joelmir Betting sobre os economistas...)
Mas não se preocupem! O ano novo vem aí... e com ele outro "governo-fantoche" (como todos eles, aliás) e assim as coisas vão parecer melhores na mídia e na opinião pública, embora nosso dinheiro e nossa força de trabalho continuará servindo para alimentar mentira sobre mentira além de nossos direitos de liberdade (principalmente de pensamento) e de expressão tenderem a ir cada vez mais pro ralo.
Eu gostaria muito de viver num país exemplar em valores humanos, em qualidade de vida social, em qualidade educacional e em boa e eficiente aplicação do dinheiro dos nossos impostos.
Eu gostaria muito, de todo o coração, estar enganado. Mas enquanto os brasileiros não direcionarem as energias de sua indignação para a cobrança direta das promessas de seus representantes ao invés de as dissiparem entre sí através de divergências de pontos de vista, não importará quem estiver no poder - jamais será o cidadão.

Em suma...

O inimigo da arte é o governo.
O inimigo da liberdade é o governo.

O bandido mentiroso é o governo.
E o inimigo do cidadão é o governo...
... enquanto o governo não é o cidadão.

Que em 2011 você, leitor(a) possa tomar as rédeas do governo e mudar esse quadro como todo verdadeiro(a) cidadã(o) deseja e assim... quem sabe no final de 2011, eu possa depositar aqui, um texto de orgulho ao invés de indignação? (A esperança é a última que morre, mas ela sozinha, não serve para nada.)

Que 2011 seja um ano de muitas grandes revoluções, realizações e que possamos todos finalmente viver para nossas vidas, nossas famílias e nosso futuro, ao invés de a consumirmos para alimentar um sistema social parasitário global.
A todos, um grande 2011!

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Se não estivesse tão quente hoje, degustaria este vinho: Benjamin, vinho argentino, feito com uvas syrah, safra de 2008.
Não escolhí esse vinho para esta noite por acaso. Na verdade, o degustaria sozinho hoje, enquanto medito sobre mais um dos meus já tradicionais erros de relacionamento interpessoal, que fez com que uma pessoa por quem tenho muito apreço (que não por acaso tem o mesmo sobrenome deste vinho), não tivesse me julgado mal, inclusive afastando de mim uma outra pessoa que eu admiro muito e procurava entender melhor. Mas tudo bem - aprendí um monte de coisas legais, a experiência valeu e estou profundamente agradecido pela inspiração que me levou a escrever o último texto deste blog ("Vida Alternativa") que acabou se tornado um dos textos de maior sucesso deste ano, me fazendo sentir na necessidade de dar uma continuação, dedicada a todos aqueles que preferem julgar e condenar primeiro para conhecer depois... atitude até compreensivelmente defensiva nos dias de hoje, embora seja tudo menos justa ou racional, ou seja, tudo o que eu não preciso na minha vida.



Mais vida alternativa
"Toda unanimidade é burra"
(Nelson Rodriges)


Prosseguindo com a questão da diversidade, fala-se muito sobre etnias, sobre religiões ou sobre fatores culturais mais ou menos comuns, mas e quanto à preservação de alguns costumes como o cavalheirismo, por exemplo?
As mulheres ao serem indagadas à respeito, são as primeiras a reclamar da falta do cavalheirismo* nos tempos modernos, mas se algum desconhecido descer uma escada à sua frente ou subir atrás dela (diz a lenda, para protege-la em caso de algum passo em falso) e completar abrindo-lhe uma porta... pronto! Pra ela o cara é só mais um xavequeiro barato fazendo fita.
A bem da verdade, certos costumes de educação hoje se tornaram tão raros que as pessoas ou se assustam, ou vêm com descrença e pasmem - puro preconceito.
Vamos deixar as coisas bem claras... nem todo homem é xavequeiro barato - vulgo babaca. Alguns - muito raros, é verdade - não se atiram à qualquer oportunidade de relacionamento que lhes apareça nem que as possíveis experiências sexuais lhe pareçam promissoras, se preocupando muito em conhecer bem o tipo de mulher com quem sai primeiro antes de concluir se vale a pena investir num relacionamento mais sério, íntimo ou se vai ficar só no passeio para um lugar onde possam conversar - coisa que aliás, as pessoas precisam fazer muito mais antes de começarem qualquer tipo de relacionamento.
Pois é, mulherada... esse tipo de homem existe (ainda, embora todos sem excessão se questionam o tempo todo se vale a pena ser assim) e eles escolheram essa "vida alternativa" não apenas para terem um diferencial em relação aos outros homens, mas porque têm plena convicção de seu valor como homem íntegro, honesto e responsável. (Não é isso o que vocês vivem dizendo que querem num homem, mulherada?)
Pois bem, só que tem um detalhe: A imensa maioria das mulheres não querem o tipo do homem que verifica o terreno em que pretende pisar. Elas querem o tipo do cara que chega chegando e assume logo de cara um relacionamento sem ter a menor idéia do tamanho do problema em que pode estar se metendo. Ou seja... o tipo que vem correndo de olhos vendados e dá um belo pulo com os dois pés... na areia movediça.
Isso é muito ruim para ambos os lados, porque geralmente ambos acabam insatisfeitos. E em alguns casos, pelo resto da vida.
Por outro lado, tem aqueles encontros em que ambos têm um certo grau de maturidade para perceberem logo no primeiro encontro que o relacionamento pode não dar certo e acabam se tornando bons amigos por muitos anos contrariando a maldita lenda urbana campinóide de que entre um homem e uma mulher é impossível haver só amizade. Fato: eu (por exemplo) tenho algumas amigas com quem saio para jantar, tomar um café, comer um lanche, pegar um cinema e até degustar um vinho aqui comigo, sem absolutamente nenhum envolvimento de ordem sexual, contrariando toda uma sociedade preconceituosa que não só não consegue aceitar que isso é possível, como ainda inventa estórias, como que tentando desmoralizar essas pessoas que optaram por essa alternativa mais racional e menos, digamos... primitiva. (Aliás, esse assunto já foi abordado aqui mesmo neste blog num texto de 2007.)
Por céus! Estamos em pleno século 21! Já não estamos mais nos abrigando em cavernas e nosso mundo já está pra lá de complexo para arriscarmos atolar nossas vidas sem ponderarmos toda essa complexidade de alternativas dos tempos modernos que nos cercam!
E o que é pior - são muito raros os que têm esse grau de discernimento, fazendo com que esses raros, sejam discriminados pelo simples fato de não pertencerem ao "senso comum" - ou seria "insensatez comum"?
E por falar em sensatez, existe um outro tipo em meio à diversidade que também passa despercebido... Geralmente é um tipo bastante (supostamente) intolerante que busca status exatamente por essa intolerância, tentando dar ares de se posicionar numa escala de suposta racionalidade acima da média.
Estamos falando dos "intelectualóides" como são chamados em alguns textos de blogs pela Internet que (mais ou menos como no Malleus Maleficarum) tentam dar dicas de como identifica-los e logo em seguida como irrita-los, como uma espécie de "vingança" por sua suposta intolerância.
Digo suposta, porque entre os intelectualóides até existem intelectuais de verdade, que estudam muito (e bota muito nisso), aprendem múltiplos idiomas, mas sofrem terrivelmente por viverem num país em que a última coisa à qual se dá valor é ao estudo ou ao intelecto e por isso "travam", quando poderiam muito bem estar expondo suas idéias através de publicações, livros ou mesmo blogs e assim tentar melhorar um pouco o mundo em que vivemos, mas pelo desincentivo, acabam optando por dispersarem seus talentos em mesas de bar onde após alguns copos dificilmente se lembrarão dos pormenores no dia seguinte sobre os assuntos estavam conversando. (Sei que eles vão me odiar por esse post, mas...)
Resultado: Alguns dos valores comuns desse nicho (felizmente componentes apenas de seus gostos pessoais), entraram em "loop" em 1968 e não saíram disso desde então, o que os torna facilmente identificáveis e com isso, o motivo de serem discriminados em blogs como esse ou aquele.
Como podem ver, todos nós, sejam nerds, "intelectualóides", cavalheiros, damas, ponderados, góticos, metaleiros, gays, lésbicas, bissexuais, transsexuais, negros, asiáticos, albinos... enfim, não importa... Se pertencemos a uma minoria, sempre seremos discriminados pela ignorância da parte da maioria sobre quem somos, pelo simples fato de que a maioria é incapaz de ver as coisas sob o nosso ponto de vista (o que em psicanálise chama-se catatimia), mas temos todos o direito a exigir um mínimo de respeito, afinal de contas, nós ousamos optarmos por nossas vidas alternativas. Essa é a nossa essência e nosso orgulho, pois só a gente - a minoria - sabe o valor que isso tem.

* Pasmem! Esse termo está difícil de se achar em páginas de Língua Portuguesa na Internet e nem existe no Wikipedia! O cavalheirismo está mesmo em extinção.