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terça-feira, 30 de novembro de 2010

Engana-se quem pensa que tenho as respostas para tudo, que tudo o que faço é perfeito, certinho, infalível.
A imensa maioria dos projetos que iniciei para a minha vida pessoal, fracassaram... para não dizer todos.
Aparentemente só meus projetos profissionais é que bem ou mal têm dado certo.
Sendo assim, talvez eu seja o último cara do mundo a ter competência para falar de relacionamentos humanos, no entanto existe um outro lado: só aprende quem erra. E eu errei muito... daí a bagagem de tudo o que escrevo nesse blog sobre isso.
Eu sempre quís ser um exemplo e com isso sempre fui muito ingênuo, muito bonzinho, muito bobo... mesmo após toda a minha bagagem e experiência de vida.

O problema com a vida, é que não existe um plano B. No máximo, um outro plano A, e outro, e outro... Estou começando a acreditar no que os budistas chamam de karma e na crença de que não se pode fugir dele.


Vida alternativa
"De todas as taras sexuais, não existe nenhuma mais estranha do que a abstinência."
(Millôr Fernandes, via Twitter)


Semana passada, a sonda Cassini - que carrega minha assinatura (adoro dizer isso porque eu fui um dos 542020 malucos que enviaram um cartão postal para o JPL da NASA antes de seu lançamento e tenho orgulho disso porque essa sonda nos trouxe as melhores e mais espetaculares imagens de Saturno em toda a História da humanidade além de uma quantidade imensa de novas descobertas sobre o planeta) - descobriu oxigênio e dióxido de carbono em Rhea, uma das luas de Saturno.
Embora os cientistas afirmem que a quantidade desses gases característicos de formas de vida ser muito pequena, já daria para especular que seria por exemplo, suficiente para existirem pelo menos duas formas de vida por lá, como um certo tipo de "camarão" que vive sob cerca de 200m gelo aqui mesmo na Terra (Rhea é frio... muuuuito frio...), bem como alguns tipos de fungos ou bactérias que poderiam servir-lhe de alimento.
A essa altura os (as) leitores deste blog já devem estar se perguntando que diabos essas pesquisas sobre possíveis formas de vida alienígenas ou em habitats extremamente hostís têm a ver com a "ignorância da humanidade", etc., etc.
Bom... o ponto aqui é... se a espécie humana já tem sérias dificuldades em tolerar e ao menos tentar entender a sí mesma, que dirá outras espécies?
Há muito tempo venho apontando que a espécie humana caminha pela Terra "zumbizando" praticamente inconsciente de si mesma e e ignorando todo o tesouro que representa como diversidade cultural, tecnológica, artística, filosófica, e bla-bla-bla...
Não sei se é por egoísmo, por ignorância ou ambos (induzidos ao longo de milhares de gerações), mas o fato é que a razão deste blog existir é exatamente tentar fazer as pessoas acordarem para isso ou no mínimo se questionarem a respeito.
Segundo o pesquisador Richard Dawkins, as incontáveis religiões listadas (todas se julgando "a única" e demonizando todas as outras) seriam o grande culpado disso, mas pelo menos aqui neste blog, eu resolví mostrar um pouco mais e ir mais longe, uma vez que religião e poder sempre caminharam juntos ao longo da História.
Aliás, se você quiser ter algum poder sobre algum grupo de pessoas, a dica é fundar sua própria religião, partido político ou time de futebol. - É sério! É surpreendente como o comportamento de um torcedor fanático pode se tornar parecido com o de um fanático religioso, inclusive "demonizando" todos os outros times que não sejam o dele.
Aliás, esse ato de "demonizar" os outros que não fazem parte de seu grupo, parece ser uma constante no comportamento do ser humano, lamentavelmente comprometendo as riquezas por trás da diversidade que a espécie representa, o que me faz admirar o comportamento dos gorilas, que chegam até a aceitar humanos no grupo como se fossem da sua própria espécie. (Já houveram casos de pesquisadores que conviveram entre eles e pelo menos dois filmes já exploraram o tema.)
Não importa como você chame... discriminação, segregação, marginalização, preconceito, racismo... a bem da verdade, a palavra que agrega tudo isso é intolerância. E sabe o que é pior? Por melhores que sejam nossas vontades, é impossível mudarmos isso assim "de repente" em função de questões de valores sociais impregnados profundamente ao longo de gerações - e surpreendentemente em nós mesmos.
Mas é verdade que já avançamos muito no sentido de combater essa intolerância nos últimos 100 anos e surpreendentemente a maior parte desses avanços ocorreram nos últimos 42 anos... mais precisamente quando ocorreu o primeiro beijo inter-racial da história da TV norte-americana, no seriado Star Trek. Série aliás que apresenta várias questões nesse sentido, como por exemplo o IDIC ("Infinite Diversity in Infinite Combinations" - "Diversidade Infinina em Combinações Infinitas"), a base da filosofia vulcana (espécie alienígena que baseia toda a sua cultura e existência na lógica pura, isenta de sentimentos e por isso mesmo, é considerada uma civilização avançadíssima na série).
Deixando a ficção científica de lado e voltando à realidade, já é nítidamente perceptível o valor que as grandes corporações (em especial a ligadas à alta tecnologia - talvez pela quantidade de nerds que precisam para tocar o negócio) dão à tolerância ao próximo e à diversidade, o que me agrada muito, pois por ser nerd assumido, odiar cerveja (isso para a sociedade brasileira é como tacar pedra na vidraça) e ter uma vida essencialmente noturna (incrível como o povo dessa cidade tem dificuldade de entender o que é isso), sou mais do que discriminado e sei bem o que isso significa.
Esse tipo de discriminação acabou por me fazer frequentar alguns lugares curiosos como por exemplo algumas convenções de ficção científica, quadrinhos, cinema, etc. onde aparece de tudo... desde góticos (uma espécie de "evolução" do movimento "dark" dos anos 80, da qual fui simpatizante, razão pela qual ainda gosto de me vestir de preto naqueles dias em que a minha auto-estima não anda lá das melhores), otaku, metaleiros, e até pessoas fantasiadas de seres extraterrestres (alguns, se bobear são mesmo) e toda essa gente tem uma bagagem cultural fantástica... são em geral, médicos, cientistas, escritores, blogueiros, biólogos, programadores, suportes de rede... enfim...
Fugir do "lugar comum" ou do que as pessoas chamam de "normal" (seja lá que diabos fôr isso), nem que seja por um momento numa sociedade como a de hoje, ainda é complicado e afeta "N" coisas que podem ir desde a reputação pública até o surgimento de intrigas, fofocas, burburinhos... escândalos.
São "babados" que chocam publicamente que rendem grandes vendas de revistas de fofoca, criam novas celebridades, viram o ganha-pão dos paparazzi e garantem as vendas das revistas mais vendidas do país.
Observaram que chegamos ao ponto sórdido de que a discriminação rende dinheiro ou status a quem discrimina?
Alguns tipos de brincadeira de mau gosto, ou o bullying, são um retrato da intolerância ainda disfarçada que a nossa sociedade ainda insiste em manter como um troféu, mas que já causou tragédias, suicídios, guerras...
Discriminação sexual também é uma constante... Quando eu nascí, só se falava em homens e mulheres e a única orientação sexual "válida" socialmente era o heterosexualismo (qualquer coisa diferente era amplamente combatida de todas as formas possíveis). Pois bem... hoje devemos ter pelo menos umas 12 opções de orientação sexual para escolher (o que complica bem as coisas... mas acho que estou desatualizado... já devem ter bem mais opções...) e confesso que apesar de ter amigos homossexuais e bissexuais eu mesmo tenho dificuldades em lidar com orientações muito diferentes do meu heterossexualismo, embora respeite todas as opções e as defendo, uma vez que a vida é curta demais para que tenhamos o direito de privar as pessoas de suas opções de vida.
Abrindo mais o jogo, além de adorar as mulheres, tenho uma certa simpatia pelas mulheres bissexuais ou mesmo as lésbicas - Impossível recrimina-las por gostar de seres tão extraordinários como só as mulheres conseguem ser. (Tem gente que certamente ficaria chocada com essa minha declaração, mas não tô nem aí. A opinião é minha, oras!)
E se os distintos leitores aceitam uma sugestão, procure tentar descobrir até onde seus valores agüentam, mesmo que depois tenha de voltar atrás ou tentar outro caminho, mas tenha sempre em mente que a experiência pode não durar. Se perceber que a experiência pode não dar certo, seja sincero(a). É melhor e menos frustrante do que carregar um trauma de arrependimento pelo resto da vida.
Descobrir os limites de suas orientações culturais, filosóficas, sexuais, etc. (desde que você não se machuque mental ou fisicamente) pode ser um exercício interessante que pode lhe agregar muito valor no que diz respeito a novos pontos de vista, novas sensações, novas experiências de vida e ensinar-lhe muito, mas muito mesmo sobre si mesmo(a) além de te dar muito mais preparo para suas escolhas futuras e para seu(s) futuro(s) relacionamento(s), se houverem.
Só quem viu até onde vai a toca do coelho pode ter histórias para contar de lá.
O único problema com experiências desse tipo, pode ser talvez uma dispersão de tempo que de repente você poderia gastar em alguma outra azaração talvez até mais produtiva e próxima dos seus valores já estabelecidos, mas como toda relação... quem é que sabe afinal o que pode ou não dar certo? E até quando? Até que ponto?
Na dúvida... a melhor solução é seguir o ritmo natural das coisas. Geralmente funciona.
Nada como o bom, velho e primitivo instinto... que bem ou mal, ainda funciona muito melhor que qualquer "modernice".

Um comentário:

Marcio Rosa disse...

Fantástico, não perco um de seus artigos continue escrevendo, seu blog é minha leitura favorita!