Translate

domingo, 7 de novembro de 2010

E o vinho de hoje é argentino... "Familia Aranda", Cabernet Sauvignon safra de 2005... Já provei vinhos melhores. Achei um pouco ácido como a maioria dos vinhos que vêm com rolha de plástico tampando a garrafa.
Plástico... Verdadeiro símbolo da artificialidade...
Roger Waters ao dizer que no álbum "Dark Side Of The Moon" não havia nada de "plástico" na música daquele álbum, certamente se refería a isso.
Tudo hoje é plástico... barato para produzir, democraticamente barato para adquirir e descartável... puramente descartável como praticemente tudo no mundo de hoje.
Nada contra o material em sí, mas contra as atitudes do mundo moderno.
Até mesmo os assuntos quando não são os "do momento" tornam-se "coisa de maluco"...
As pessoas estão tão "fechadas" no "mundinho de plástico" imposto pela Sociedade de Consumo, pela mídia, pelo condicionamento a ser como a maioria que se mesmo as pessoas mais esclarecidas se tornaram absolutamente incapazes de sair do lugar comum, de serem elas mesmas só que realmente livres das referências impostas por colegas, vizinhos, parentes, moda, o que quer que seja.
Recentemente um colega de trabalho me disse que nunca em toda a sua vida tinha encontrado alguém tão "out of box" ("fora da caixa" - uma expressão "da moda" corporativa para se referir à capacidade de enxergar as coisas "do lado de fora" e assim poder ver soluções que a maioria tem dificuldades de ver). É claro que foi um elogio e isso pode até ter um grande valor no mundo corporativo, mas socialmente falando é uma verdadeira catástrofe.
O motivo: As pessoas "out of box" são pessoas marginalizadas, de difícil compreensão pela imensa maioria e com isso muitas vezes muitíssimo mal-interpretadas.
Pois bem... o texto de hoje tem muito a ver com "o que se vende" como o padrão social "in the box" ("dentro da caixa"), ou seja... o lugar comum em que as pessoas "normais" não percebem que estão presas.



O politicamente correto fede!

"Algo que acarreta uma fé passional por parte dos biólogos e antropólogos 'politicamente corretos' é o fato de que o tamanho do cérebro não tem correlação alguma com a inteligência; que a inteligência não tem nada a ver com os genes; e que os genes são provavelmente só umas coisinhas fascistas."
(Richard Dawkins)


Primeiro vamos falar sobre o que chamamos de "politicamente correto"... Sabe aquelas coisas aparentemente feitas para agradar a sociedade, mas que na prática não passam de pura aparência?
Exemplos:
- Quando você liga para o telefone de algum serviço e vem aquelas malditas gravações "para tal coisa tecle 1, para outra coisa tecle 2..."  Na prática todos os ítens vão parar no mesmo operador.
- Coleta seletiva... que apesar de ser uma idéia muito bacana, todo o lixo cuidadosamente separado em compartimentos separadinhos de cor diferente, com indicações bonitinhas e até com sacos de lixo de cores diferenciadas acaba todo misturado sumariamente no caminhão de lixo.
- Você compra um televisor novo, fininho, que economiza 10x mais energia que o antigo, mas dura 20x menos e vira sucata tóxica muito mais rápido.
- Você fez um imenso acervo de VHS, agora com o DVD você se livrou dele para comprar os mesmos filmes (mas tem um monte que não conseguiu mais achar) em DVD e agora terá de se livrar de todos para comprar tudo outra vez em Blu-Ray (só que um monte do que você tinha em DVD não saiu em Blu-Ray, nem vai sair e o pior... não dá para adaptar o conteúdo da mídia velha na nova)... E o HVD tá na gaveta só esperando os otários comprarem tudo outra vez em Blu-Ray para lançarem a nova mídia que naturalmente não será compatível com as antigas.
- Você ganhou na loteria e resolveu comprar um puuuuta carro esportivo de 1 milhão de Reais para não poder sair pelas ruas com ele porque estão cheias de buracos, lombadas ("plantadas" pela cidade toda sem critério algum para "mostrar serviço" em ano eleitoral) além dos radares, flanelinhas e blitz cuja única real finalidade é arrecadar impostos disfarçados como licenciamento, IPVA, segudo obrigatório... sem falar nos pedágios.
Aliás... é curioso como país pobre tem mais pedágio que país rico... Um amigo meu rodou mais de 5000 km no Canadá e mais uns 5000 km nos EUA e não viu um único pedágio. E as estradas segundo ele eram perfeitas... embora um tanto desertas.
É "politicamente correto" pagar seus impostos. Atitude louvável socialmente, mas... para onde vai o dinheiro? Se você disser cueca de deputado ou castelinho particular de político, lamento que você tenha acertado.
O mundo em que vivemos só não é mais hipócrita porque as pessoas inocentemente não se dão conta de que são mera massa de manobra e boa parte da causa disso se dá pela paixão pelas crenças que lhes são apresentadas de modo a demonizar todas as outras.
As religiões e a política (mesma porcaria) têm feito isso há milênios com as pessoas.
Em época de eleição por exemplo... as pessoas têm tendência de, por esse ou aquele motivo, se apegarem a esse ou aquele partido, ou a esse ou aquele candidato e fecham o cerco de modo a ignorar todo o resto vendo sua opção como "a única" enquanto passam a enxergar qualquer outra opção (inclusive voto nulo) como se fosse uma heresia.
Ora... na prática, todos os governos são "governos-fantoche" de grupos que não aparecem e que são os que realmente detém o Poder sobre os países e territórios...
Até mesmo as eleições são manipuladas de acordo com os interesses desses grupos para que as coisas se pareçam de um jeito ou de outro conforme a idéia geral que eles desejam que se tenha.
Os feitos que são freqüentemente atribuídos a este ou aquele governo, na verdade são em sua maioria, projetos já em andamento há muitos anos que calham de serem iniciados ou terminados nesse ou naquele mandato e assim, sendo usados como campanha eleitoral. Mas na prática a imensa maioria só consegue ver "Governo tal terminou (ou 'fez') a obra X" ou "Governo assado iniciou a obra Y".
A sociedade como um todo está condicionada a rotular qualquer coisa além do "lugar comum" como "sensacionalismo" ou "teoria da conspiração" e continuarem "dentro da caixa" que é mais "normal', mais "seguro"... afinal de contas, quem "sai da caixa" é "louco", ou sabe-se lá o que mais, né?
Não posso culpar as pessoas por optarem por ficarem "dentro da caixa". Aliás, até dou razão a elas: Ser "diferente" é muitíssimo difícil. E a introspecção que isso causa, na maioria das vezes leva à solidão, à perda do autocontrole e com isso, muitas vezes ao suicídio.
Manter o equilíbrio e a serenidade é uma arte que se desenvolve desde a infância e para uma pessoa despreparada, "sair da caixa" da noite para o dia pode ser fatal...
Ser "fora da caixa" definitivamente não é pra qualquer um, mas não é de tôdo ruim... dá por exemplo para antever certas situações e preveni-las com certa facilidade... Mas é só.
O "politicamente correto" é bonito, atraente, vende bem... mas na verdade, não passa de puro marketing. Puuuuro jogo de interesses. É... a realidade é beeeem mais suja.
Eu compararía o "politicamente correto" a um ovo podre pintado de ovo de páscoa e é essa a realidade do mundo em que vivemos hoje, em cada comercial de TV, em cada telejornal, em cada campanha política, em cada pregação religiosa, em cada rabo-de-saia qualquer... por isso torna-se cada dia mais necessário todo o cuidado possível para não se meter em armadilhas.
Se há uma coisa irritante no "politicamente correto" é a hipocresia.
Até bem recentemente, o "assunto da moda" era a pedofilia... agora é a xenofobia e pouco antes desses dois, era o racismo.
Coisas que na prática sempre existiram e são coisas abomináveis sim, é verdade, mas... por quê existe a "caça às bruxas" da moda? Por quê precisa acontecer algum fato significativo que ganhe espaço de mídia para que as pessoas se toquem de que algo precisa ser feito à respeito?
Ora... até então não era o assunto da moda, né?
Então... de onde vem a "ditadura" do que é ou não o "assunto da moda"?
Pense bem! Alguma idéia óbvia? Pois é... através de espaço de mídia. É assim que a opinião pública se forma.
A voz do povo, é a voz da mídia.
Se alguém me perguntar como adivinhei quem ganharia as últimas eleições presidenciais aqui no Brasil logo no primeiro turno, minha resposta será simples: pelo tempo de mídia que os candidatos tiveram no principal telejornal do país, bem como pelo tempo permitido de campanha em horário eleitoral gratuito.
Deu até para estimar a proporção dos votos entre o primeiro e o segundo candidato, independente dos debates, campanhas, etc.
E sabe o que é pior? Foi fácil de adivinhar. Mas quem acreditaria?
Pois é... assuntos, moda, comportamentos, valores, "verdades"... tudo mídia... idéias prontas, enlatadas e entregues na sua casa, "limpas", em cores vivas e atraentes, vozes nítidas... em TV, rádio, jornal, revista, Internet... tudo bem fácil de engolir e digerir...
Pois é... A mídia é o deus todo-poderoso do século 21.
Quer ver o mundo "do lado de fora da caixa"?
Basta desligar tudo de vez em quando, deixar todos os afazeres de lado e apenas parar um bom tempo para observar o mundo, os comportamentos e expressões das pessoas em qualquer lugar que seja... centro da cidade, shopping, interior... porém, como se não estivesse lá.
Você poderá se surpreender com o tamanho da inconsciência coletiva e perceber que as pessoas tendem a se comportar como um rebanho.
Pode até ser que você conclua que os gorilas têm sociedades bem mais conscientes do que é a vida, do que as dos humanos... e também bem menos embrutecidas, interesseiras ou hipócritas.

3 comentários:

Sophia disse...

Concordo em parte com o texto. Você faz constatações válidas, é claro, mas essas não são tão ignoradas pelas pessoas, como você sugere. Acho que precisa tomar cuidado para também não estar dentro da caixa, ainda que no lado B, digamos. Mas não estou afirmando que você está, deixo claro.
É muito fácil criticar e ver defeitos em pessoas e/ou práticas diferentes de nós/das nossas; difícil é se autoanalisar, autocriticar e conscientizar-se dos próprios defeitos e erros sistemáticos.
Não existe um lado/comportamento certo e outro errado. O que existem são intenções e ações que, embora diversas e/ou aparentemente antagônicas, visam a um bem comum. Não acreditar em que mudanças positivas são possíveis e achar que ações são inúteis significaria negar a história, a vida, a nossa própria tendência humanitária.
Acredito que devemos sempre relativizar. Toda e qualquer generalização, radicalização e maniqueísmo não são inteligentes; também integram o senso-comum.
É preciso olhar para o outro lado, sempre, e tentar compreendê-lo, por mais difícil que possa parecer.
Ao contrário de mobilizações as mais diversas, a "rebeldia sem causa", essa sim, é inútil.
Você é inteligentíssimo e tem condições de amadurecer muito suas ideias e textos, contanto que pare de considerar-se uma exceção ou raridade em termos de superioridade de ideias. Talvez, precise se autoanalisar um pouco - como eu também procuro fazer, todos os dias. Autoanalisar-se, acima de tudo, com humildade. Isso ajuda-nos a não viver uma grande ilusão - ainda dentro da caixa.
Enfim, parabenizo-o pela iniciativa de tentar fazer algo em prol da conscientização. Como disse, muitas ideias suas são válidas.
Há aqueles que criticam os que se mobilizam e não fazem absolutamente nada. Não é seu caso.
Acredito que esta seja uma crítica construtiva, que possa ajudá-lo. Caso contrário, não a teria escrito.
Abraços carinhosos da amiga que muito o admira.

Sophia C.

Anônimo disse...

Bom dia

Com relação aos pedágio talvez seu amigo tome uma surpresa no cartão de crédito. No Canada, algumas rodovias tem pedágio pelo número da placa ALPR (Automatic License Plate Reader) e nos estados unidos tem um sistema semelhante ao Sem Parar que se chama Easy Pass que provavelemte seu amigo tenha pago a taxa de pedágio direto na fatura da locação do veiculo ou será debitado do cartão dele.
Boa sorte.
Aguinaldo

Claudio H. Picolo disse...

Caro amigo Aguinaldo (quase anônimo)... Essa aventura do meu amigo já deve estar fazendo uns 2 anos.
Até agora, nenhuma cobrança.
Vai ver é pelo fato de os carros que ele usou serem alugados.