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terça-feira, 27 de julho de 2010

Quero pedir desculpas aos leitores pela demora nos updates deste blog, tendo de se contentar apenas com o Twitter.
Momentos tensos têm me deixado sem inspiração para escrever, a falta de tempo não tem me dado paz para meditar e a frustração de ver apenas 3 dos piores candidatos à Presidência que já tivemos em evidência na mídia, sendo que temos pelo menos 12 candidatos à Presidência registrados, está tirando meu sono.
Só mesmo no Brasil a gente vê gente que deveria estar atrás das grades como candidato a Presidente.
Prova mais do que cabal de que no Brasil, o crime compensa.
Bem-feito para um povo que dá muito mais atenção a jogadores de futebol do que a professores e que investe em igrejas ao invés de escolas e que acha que arte é coisa restrita a museu ou a uns loucos que não não tem o que fazer.
O problema no meu caso é ter de me conformar com isso, já que devo fazer parte de 0,00001% da população (sendo extremamente otimista) que ainda possui alguns neurônios funcionando efetivamente ao invés de gasta-los em concentração para soprar vuvuzela.



A indústria do sexo, as mulheres, os homens e os babacas

"Se você der a um homem um martelo, ele pensará ser capaz de resolver tudo à marteladas. Bom... Deus deu pênis a eles."

(Jacob M. Appel)


Recentemente uma amiga postou no Twitter uma foto de um famoso jogador de futebol segurando uma plaquinha escrito "real men don't buy girls" ("homens de verdade não compram garotas").
Eu achei a idéia tão sensacional que eu mesmo fiz uma versão da foto (com sono mesmo, de madrugada assim que ví a idéia... a foto acabou ficando desfocada, mas a idéia valeu... acho até que vou refazer a foto), "aderindo" à campanha (que ela tenta promover entre seus amigos).
Inicialmente pode até parecer moralismo, mas a bem da verdade, essa campanha originalmente visa exatamente refrear uma indústria que só nos EUA movimenta 12,6 bilhões de dólares por ano (mais do que a NBA e a NFL juntas). A cada segundo, cerca de 3 mil dólares são gastos com compras de filmes pornô ou eróticos só nos EUA... e a demanda exigida dessa indústria, força a exploração de mulheres, o trabalho escravo, o tráfico de mulheres e com isso, quem lucra é o crime organizado, o tráfico de drogas, sequestros e vários outros crimes.
Por quê estamos falando tanto de EUA? Porque eles têm a maior indústria do sexo do planeta: 45 minutos de cada hora produzida de filmes pornô ou eróticos são produzidos nos EUA.
Mas não vai pensando que esse problema é só dos EUA não.
Quem viu o raro filme "Tokyo em Decadência" tem uma leve idéia de como funciona um problema social japonês conhecido como "Síndrome de Tokyo" (segundo um velho artigo perdido de um jornal aqui da região, infelizmente não encontrei referência na Internet), em que garotas jovens se prostituem para conseguirem dinheiro para comprar objetos de consumo como bolsas, vestidos ou jóias. Mas para conseguirem clientes, associam-se a "contatos" (cafetões) cujas atividades são obviamente ilegais (e daí em diante já dá para imaginar onde essa "brincadeira" vai parar).
Para quem conhece a cultura japonesa, entende que a visão que os japoneses têm do uso do próprio corpo é consciente, individual e ao contrário daqui do ocidente, é livre de tabús ligados a tradições medievais ou religião, gerando com isso uma educação sexual muitíssimo mais madura e racional desde a infância. Logo, o máximo que os policiais podem fazer ao pegar uma menor se prostituindo é dar-lhe um sermão e libera-la.
Mas a "Síndrome de Tokyo" já se espalhou pelo mundo.
É possível observar menores se prostituindo em cidades como Rio de Janeiro, São Paulo ou Campinas.
Basta passear de carro pelo centro de grandes cidades e observar as esquinas de ruas paralelas às mais movimentadas ou imediações ou ainda por bairros de periferia para conferir a quantas anda o "mercado".
Embora costuma-se dizer que a prostituição é a profissão mais antiga conhecida (o que tem lá suas controvérsias), o que movimenta esse mercado é a fantasia, a expectativa de prazer gerada pela propaganda, pela TV, pelos outdoors e num segundo nível, pelo consumo da pornografia.
Em países de qualidade educacional baixa (como o Brasil) há ainda o agravante do próprio estímulo social (em especial entre os homens) que força o indivíduo a sentir necessidade de se auto-afirmar diante dos outros homens para ganhar "status social". (Que homem já não foi pressionado através de brincadeiras do tipo seqüências de perguntas íntimas sobre como ele já fez sexo ou faria com certas garotas?)
Resultado: um monte de babacas desesperados atrás de mulher em bares, baladas, festas de peão, onde quer que seja... e as mulheres "se achando", com isso deixando o charme e a femininidade de lado porque o tem bastante "oferta para escolher no mercado" (embora as mais racionais já estejam de saco cheio desses caras enquanto outras estão de saco cheio de TODOS os homens, tornando-se umas oportunistas e aproveitadoras).
Por esses motivos, faço questão de aderir à campanha. Afinal de contas, não preciso gastar meu dinheiro com sexo, pornografia, ou mulheres oportunistas/aproveitadoras de plantão. (Essas aliás, me detestam... ainda bem.)
As mulheres que gostam de mim, sabem muito bem que não preciso provar minha masculinidade para ninguém, além do que as vejo como o que elas são: mulheres, seres humanos que têm necessidades de atenção, carinho, às vezes apenas companhia, ou até mesmo uns "amassos", mas não as vejo como meros objetos de prazer sexual. (É por isso que essas mulheres me admiram tanto... e eu, claro, retribuo conforme merecem, do jeito que merecem e percebo que elas gostam.)
Costumo ser sempre muito carinhoso com minhas amigas (às vezes até "extremamente" carinhoso, eu diria), mas sempre as respeitando e sendo muito sincero sob todos os aspectos.
Sexo? É bom, claro! Quando há envolvimento suficiente para isso, com certeza; do contrário, a masturbação pode ser uma solução bem mais saudável do que se pensa.
O problema do sexo com envolvimento emocional (e tá aí outro elemento que indúz a demanda pela prostituição), é que sempre existe aquele perigo de um envolvimento emocional mais sério como casamento, "juntar os trapos", compromisso, etc. ou num grau mais nocivo, a paixão obsessiva de uma das partes envolvidas.
A sugestão aí é deixar as coisas bem claras antes do clima "esquentar"... sugestão essa que não é infalível (assim como camisinha), mas se não existisse o sexo sem compromisso, não existiria a indústria do sexo.
Penso que a melhor forma de combater a indústria do sexo bem como todos os males que ela representa socialmente, é simplesmente admirar as mulheres bem como todo o seu "universo", valorizando quando elas desenvolvem-no, seja através do charme, da beleza, da delicadeza, da educação, enfim, de suas virtudes como mulher. Ora... homem que realmente gosta de mulher age desta forma.
Já o homem que vê a mulher como mero objeto de consumo, elas costumam chamar por outro nome: babaca.