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quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Hora de fazer um balanço do ano que passou, jogar o monte de papel velho fora e preparar o terreno para o próximo ano.
2010 foi um ano em que sentí um impulso bastante interessante na minha evolução profissional, que me permitirá finalmente agregar experiências de caráter planejativo e pró-ativo ao invés de reativo... a meu ver um enorme diferencial num país que tradicionalmente não tem esse tipo de cultura ou know-how. Me arrisco a dizer que finalmente me sinto "nos trilhos" da minha carreira profissional (antes tarde - e bem tarde - do que nunca); Porém, não conseguí a minha certificação "Six Sigma Green Belt" este ano... mas felizmente foi por uma boa causa em nome do espírito de equipe. Meus gerentes entenderam e no final, foi bom pra todo mundo.
2010 foi um ano de muitas surpresas... particularmente muito bom para este blog. Em junho, implantei uma rotina de coleta de estatísticas nele e tomei um susto com a quantidade de visualizações de página que ele recebe por mês (uma média de 330). Nada mau para um blog pessoal, que nasceu de uma brincadeira sem pretenção alguma além de expôr um monte de besteira que vinha na minha mente como uma espécie de terapia pessoal...
2010 foi um ano de revelações... ver duas colegas de trabalho tendo crises de ciúme foi uma cena um tanto tragi-cômica que pode até ter sido divertida na hora, mas me mostrou o quanto as pessoas ainda carecem perceber que nem tudo tem de seguir com a mesma seqüência monótona... especialmente  com caras diferentes da maioria como eu, to tipo que já está de saco cheio de cair nas armadilhas do óbvio. (Conhecer o "terreno" é provavelmente a minha melhor estratégia de defesa.)
2010 foi um ano de fracassos também. Pelo terceiro ano consecutivo, eu quís trocar de carro, mas graças às dívidas do meu pai, tive de pagar as dívidas dele e... agora vou terminar o ano com meu carro velho, sem grana e puto da vida. (Se meu pai soubesse cuidar de seu dinheiro do jeito que ele sabe vender coisas, acho que teríamos um império hoje ao invés de sermos dois pobres falidos.)
Pelos meus cálculos, se ele me pagasse hoje, eu só poderia me recuperar em junho para poder trocar de carro, sem afetar meus outros planos (graças ao IPVA, seguro obrigatório, IPTU e outras contas típicas de virada de ano). Quem sabe pelo menos de equipamento de som, consigo o upgrade que pretendo... Aliás, o livro que eu pretendía escrever... foi outro fracasso: não conseguí ir além de um capítulo. Preciso de mais tempo e menos picuinhas nas comunidades de áudio das quais participo se quiser escreve-lo.
E agora com vocês... o texto tradicional de final de ano... desta vez lamentavelmente um texto polêmico e certamente bastante agressivo para muita gente, mas é um mal necessário. Para que os olhos se abram, as mentes questionem e que reações efetivas ocorram, causar algum desconforto pode ser uma ação que se faz necessária.



O último texto de 2010
"Who the fuck is Justin Bieber"
(Ozzy Osbourne, numa entrevista de TV... Essa frase não tem tradução exata para o português, mas pode ser interpretado como algo tipo "Mas que porra é esse tal de Justin Bieber?")


Nada tem mais poder de mudança do comportamento de uma sociedade do que a arte. É a primeira coisa que os governos totalitários procuram coibir, controlar e se possível, exterminar quando tomam o poder. Eles têm mais medo dos artistas que dos terroristas e o motivo é simples: eles têm muito mais poder de mudar a opinião pública do que qualquer milícia e o que é pior (para esses governos): geralmente eles têm razão (quando não são pseudo-artistas ou meras celebridades "de plástico", ou seja, compradas ou produzidas).
Se a construção da nova "cidade do rock" (que dizem que desta vez será permanente, permitindo um "Rock In Rio" a cada 2 anos - o que duvido) fôr pelo menos o suficiente para igualar a quantidade de rock na mídia em relação ao que tem hoje de axé, pagode e sertanojo nas rádios, mídia tradicional e lojas populares, já fico feliz, embora o rock de hoje tenha perdido sua essência, tornando-se mero barulho moldado para vender... e como tudo o que é mero comércio: completamente vazio de valores humanos.
Encerrar o ano sem dever nada para ninguém, é impossível. O próprio "governo" nos garante isso nos enviando as contas do IPVA e seguro obrigatório, mas não permitindo que paguemos enquanto não "vira" ano novo. - Uma puta de uma sacanagem com quem tem problemas de auto-estima... ou uma forma subliminar de forçar o cidadão a jamais se sentir livre de seus "deveres" para com o "governo".
Aliás, nunca tivemos um governo tão totalitário quanto agora, embora isso nem de longe fique tão nítido como ficava durante o período militar em que as formas de coesão e "controle da mente" eram mais arcaicas, praticamente medievais comparadas às modernas técnicas de controle de massa de hoje (como esse papo do IPVA, por exemplo) em que o cidadão é induzido a se sentir um "merda" sem poder de atuação nenhum diante de um Estado que pelo menos na teoria pertence ao cidadão antes de qualquer coisa, mas graças a órgãos nítidamente corruptos (aparentemente todos eles), como por exemplo o TSE (que agrega todos os "três poderes" em um órgão só e que não pode ser fiscalizado por ninguém), bem como a vergonhosa atuação dos nossos caríssimos parlamentares em elevarem os próprios salários em regime de urgência. (Muito urgente isso... E a reforma tributária não tem pressa, né? "Reforma tributária" no Brasil só serve de bandeira de campanha eleitoreira, venda de livros, livretos, cartilhas e enrolação sem resultado.)
Será que tenho de lembrar que nossos parlamentares já são os mais caros do mundo ha anos? Que consomem só em mordomias, dinheiro suficiente para construir fácil pelo menos uma escola cada um por mês? E que temos 513 deputados... sem contar senadores, ministros e o exército de acessores. (Igualzinho na Suécia, né?)
E como se não bastasse, agora o "lulinha" quer que voltemos a pagar CPMF e usando argumentos subjetivos como "ódio, rancor e maldade"... (P* meu! Apelo emocional é sacanagem!)
Ora! Já pagamos a porcaria da CPMF por vários anos sem ver retorno nenhum. E agora ele me vem com o papo furado de que "precisamos arrecadar mais dinheiro para a saúde?"... Saúde de quem? Cada um dos nossos parlamentares já ganha atendimento médico sem limite de custos, incluindo cônjuges e dependentes! (E o povão ganha filas intermináveis no SUS.)
Só com o valor que nossas caríssimas e riquíssimas "excelências" já decidiram ganhar de "reajuste" em seus próprios salários, certamente já daria um bom dinheiro para a "saúde"... Francamente... Melhor não ter governo nenhum do que um "governo" desses.
Alguém notou que a invasão do Complexo do Alemão aconteceu aproximadamente um mês após o lançamento do filme "Tropa de Elite 2", que deixou bem claro que através da eliminação dos intermediários (traficantes), os bandidões de verdade (lá em Brasília) aumentariamo bastante seus lucros (exatamente como no filme) e de quebra, a operação ainda serviria de elemento de campanha para a próxima sucessão presidencial?
Até a censura está aí... bem mais discreta que durante o período militar, mas firme e forte e o que é pior: muitas vezes através de pessoas à nossa volta, agindo como uma espécie de "fiscal do partido" (quem leu "1984" sabe do que estou falando).
A sensura hoje não é feita apenas através da manipulação da mídia convencional como muitos apontam. Algumas coisas passam despercebidas pelo cidadão, como alguns dos grandes mecanismos de busca da Internet poderem estar "barrando" discretamente certos resultados de busca para o Brasil (por sorte eu consigo ter acesso a buscas direcionadas para outros países, mas o cidadão comum precisa aprender a ser hacker para aprender a fazer isso).
Adicione isso a câmeras de segurança (monitoramento) por toda parte, antenas de serviços móveis (localização) e leis que têm brechas que só funcionam para quem as faz e que permite que criminosos procurados pela Interpol possam ser ilustres representantes do povo do Brasil deixam claro que não se pode confiar no "governo" em hipótese alguma.
Qual será o próximo passo agora? A criação da "polícia do pensamento"? A instituição da "novilíngua"?
Me desculpem os "camaradas" e simpatizantes do "partido" (para não dizer "dos partidos", pois são praticamente todos a mesma coisa), mas para vocês, se suas cabeças estiverem congelando num congelador e seus pés queimando numa fogueira, numa média vocês estão numa temperatura agradável. (Plageando Joelmir Betting sobre os economistas...)
Mas não se preocupem! O ano novo vem aí... e com ele outro "governo-fantoche" (como todos eles, aliás) e assim as coisas vão parecer melhores na mídia e na opinião pública, embora nosso dinheiro e nossa força de trabalho continuará servindo para alimentar mentira sobre mentira além de nossos direitos de liberdade (principalmente de pensamento) e de expressão tenderem a ir cada vez mais pro ralo.
Eu gostaria muito de viver num país exemplar em valores humanos, em qualidade de vida social, em qualidade educacional e em boa e eficiente aplicação do dinheiro dos nossos impostos.
Eu gostaria muito, de todo o coração, estar enganado. Mas enquanto os brasileiros não direcionarem as energias de sua indignação para a cobrança direta das promessas de seus representantes ao invés de as dissiparem entre sí através de divergências de pontos de vista, não importará quem estiver no poder - jamais será o cidadão.

Em suma...

O inimigo da arte é o governo.
O inimigo da liberdade é o governo.

O bandido mentiroso é o governo.
E o inimigo do cidadão é o governo...
... enquanto o governo não é o cidadão.

Que em 2011 você, leitor(a) possa tomar as rédeas do governo e mudar esse quadro como todo verdadeiro(a) cidadã(o) deseja e assim... quem sabe no final de 2011, eu possa depositar aqui, um texto de orgulho ao invés de indignação? (A esperança é a última que morre, mas ela sozinha, não serve para nada.)

Que 2011 seja um ano de muitas grandes revoluções, realizações e que possamos todos finalmente viver para nossas vidas, nossas famílias e nosso futuro, ao invés de a consumirmos para alimentar um sistema social parasitário global.
A todos, um grande 2011!

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Se não estivesse tão quente hoje, degustaria este vinho: Benjamin, vinho argentino, feito com uvas syrah, safra de 2008.
Não escolhí esse vinho para esta noite por acaso. Na verdade, o degustaria sozinho hoje, enquanto medito sobre mais um dos meus já tradicionais erros de relacionamento interpessoal, que fez com que uma pessoa por quem tenho muito apreço (que não por acaso tem o mesmo sobrenome deste vinho), não tivesse me julgado mal, inclusive afastando de mim uma outra pessoa que eu admiro muito e procurava entender melhor. Mas tudo bem - aprendí um monte de coisas legais, a experiência valeu e estou profundamente agradecido pela inspiração que me levou a escrever o último texto deste blog ("Vida Alternativa") que acabou se tornado um dos textos de maior sucesso deste ano, me fazendo sentir na necessidade de dar uma continuação, dedicada a todos aqueles que preferem julgar e condenar primeiro para conhecer depois... atitude até compreensivelmente defensiva nos dias de hoje, embora seja tudo menos justa ou racional, ou seja, tudo o que eu não preciso na minha vida.



Mais vida alternativa
"Toda unanimidade é burra"
(Nelson Rodriges)


Prosseguindo com a questão da diversidade, fala-se muito sobre etnias, sobre religiões ou sobre fatores culturais mais ou menos comuns, mas e quanto à preservação de alguns costumes como o cavalheirismo, por exemplo?
As mulheres ao serem indagadas à respeito, são as primeiras a reclamar da falta do cavalheirismo* nos tempos modernos, mas se algum desconhecido descer uma escada à sua frente ou subir atrás dela (diz a lenda, para protege-la em caso de algum passo em falso) e completar abrindo-lhe uma porta... pronto! Pra ela o cara é só mais um xavequeiro barato fazendo fita.
A bem da verdade, certos costumes de educação hoje se tornaram tão raros que as pessoas ou se assustam, ou vêm com descrença e pasmem - puro preconceito.
Vamos deixar as coisas bem claras... nem todo homem é xavequeiro barato - vulgo babaca. Alguns - muito raros, é verdade - não se atiram à qualquer oportunidade de relacionamento que lhes apareça nem que as possíveis experiências sexuais lhe pareçam promissoras, se preocupando muito em conhecer bem o tipo de mulher com quem sai primeiro antes de concluir se vale a pena investir num relacionamento mais sério, íntimo ou se vai ficar só no passeio para um lugar onde possam conversar - coisa que aliás, as pessoas precisam fazer muito mais antes de começarem qualquer tipo de relacionamento.
Pois é, mulherada... esse tipo de homem existe (ainda, embora todos sem excessão se questionam o tempo todo se vale a pena ser assim) e eles escolheram essa "vida alternativa" não apenas para terem um diferencial em relação aos outros homens, mas porque têm plena convicção de seu valor como homem íntegro, honesto e responsável. (Não é isso o que vocês vivem dizendo que querem num homem, mulherada?)
Pois bem, só que tem um detalhe: A imensa maioria das mulheres não querem o tipo do homem que verifica o terreno em que pretende pisar. Elas querem o tipo do cara que chega chegando e assume logo de cara um relacionamento sem ter a menor idéia do tamanho do problema em que pode estar se metendo. Ou seja... o tipo que vem correndo de olhos vendados e dá um belo pulo com os dois pés... na areia movediça.
Isso é muito ruim para ambos os lados, porque geralmente ambos acabam insatisfeitos. E em alguns casos, pelo resto da vida.
Por outro lado, tem aqueles encontros em que ambos têm um certo grau de maturidade para perceberem logo no primeiro encontro que o relacionamento pode não dar certo e acabam se tornando bons amigos por muitos anos contrariando a maldita lenda urbana campinóide de que entre um homem e uma mulher é impossível haver só amizade. Fato: eu (por exemplo) tenho algumas amigas com quem saio para jantar, tomar um café, comer um lanche, pegar um cinema e até degustar um vinho aqui comigo, sem absolutamente nenhum envolvimento de ordem sexual, contrariando toda uma sociedade preconceituosa que não só não consegue aceitar que isso é possível, como ainda inventa estórias, como que tentando desmoralizar essas pessoas que optaram por essa alternativa mais racional e menos, digamos... primitiva. (Aliás, esse assunto já foi abordado aqui mesmo neste blog num texto de 2007.)
Por céus! Estamos em pleno século 21! Já não estamos mais nos abrigando em cavernas e nosso mundo já está pra lá de complexo para arriscarmos atolar nossas vidas sem ponderarmos toda essa complexidade de alternativas dos tempos modernos que nos cercam!
E o que é pior - são muito raros os que têm esse grau de discernimento, fazendo com que esses raros, sejam discriminados pelo simples fato de não pertencerem ao "senso comum" - ou seria "insensatez comum"?
E por falar em sensatez, existe um outro tipo em meio à diversidade que também passa despercebido... Geralmente é um tipo bastante (supostamente) intolerante que busca status exatamente por essa intolerância, tentando dar ares de se posicionar numa escala de suposta racionalidade acima da média.
Estamos falando dos "intelectualóides" como são chamados em alguns textos de blogs pela Internet que (mais ou menos como no Malleus Maleficarum) tentam dar dicas de como identifica-los e logo em seguida como irrita-los, como uma espécie de "vingança" por sua suposta intolerância.
Digo suposta, porque entre os intelectualóides até existem intelectuais de verdade, que estudam muito (e bota muito nisso), aprendem múltiplos idiomas, mas sofrem terrivelmente por viverem num país em que a última coisa à qual se dá valor é ao estudo ou ao intelecto e por isso "travam", quando poderiam muito bem estar expondo suas idéias através de publicações, livros ou mesmo blogs e assim tentar melhorar um pouco o mundo em que vivemos, mas pelo desincentivo, acabam optando por dispersarem seus talentos em mesas de bar onde após alguns copos dificilmente se lembrarão dos pormenores no dia seguinte sobre os assuntos estavam conversando. (Sei que eles vão me odiar por esse post, mas...)
Resultado: Alguns dos valores comuns desse nicho (felizmente componentes apenas de seus gostos pessoais), entraram em "loop" em 1968 e não saíram disso desde então, o que os torna facilmente identificáveis e com isso, o motivo de serem discriminados em blogs como esse ou aquele.
Como podem ver, todos nós, sejam nerds, "intelectualóides", cavalheiros, damas, ponderados, góticos, metaleiros, gays, lésbicas, bissexuais, transsexuais, negros, asiáticos, albinos... enfim, não importa... Se pertencemos a uma minoria, sempre seremos discriminados pela ignorância da parte da maioria sobre quem somos, pelo simples fato de que a maioria é incapaz de ver as coisas sob o nosso ponto de vista (o que em psicanálise chama-se catatimia), mas temos todos o direito a exigir um mínimo de respeito, afinal de contas, nós ousamos optarmos por nossas vidas alternativas. Essa é a nossa essência e nosso orgulho, pois só a gente - a minoria - sabe o valor que isso tem.

* Pasmem! Esse termo está difícil de se achar em páginas de Língua Portuguesa na Internet e nem existe no Wikipedia! O cavalheirismo está mesmo em extinção.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Engana-se quem pensa que tenho as respostas para tudo, que tudo o que faço é perfeito, certinho, infalível.
A imensa maioria dos projetos que iniciei para a minha vida pessoal, fracassaram... para não dizer todos.
Aparentemente só meus projetos profissionais é que bem ou mal têm dado certo.
Sendo assim, talvez eu seja o último cara do mundo a ter competência para falar de relacionamentos humanos, no entanto existe um outro lado: só aprende quem erra. E eu errei muito... daí a bagagem de tudo o que escrevo nesse blog sobre isso.
Eu sempre quís ser um exemplo e com isso sempre fui muito ingênuo, muito bonzinho, muito bobo... mesmo após toda a minha bagagem e experiência de vida.

O problema com a vida, é que não existe um plano B. No máximo, um outro plano A, e outro, e outro... Estou começando a acreditar no que os budistas chamam de karma e na crença de que não se pode fugir dele.


Vida alternativa
"De todas as taras sexuais, não existe nenhuma mais estranha do que a abstinência."
(Millôr Fernandes, via Twitter)


Semana passada, a sonda Cassini - que carrega minha assinatura (adoro dizer isso porque eu fui um dos 542020 malucos que enviaram um cartão postal para o JPL da NASA antes de seu lançamento e tenho orgulho disso porque essa sonda nos trouxe as melhores e mais espetaculares imagens de Saturno em toda a História da humanidade além de uma quantidade imensa de novas descobertas sobre o planeta) - descobriu oxigênio e dióxido de carbono em Rhea, uma das luas de Saturno.
Embora os cientistas afirmem que a quantidade desses gases característicos de formas de vida ser muito pequena, já daria para especular que seria por exemplo, suficiente para existirem pelo menos duas formas de vida por lá, como um certo tipo de "camarão" que vive sob cerca de 200m gelo aqui mesmo na Terra (Rhea é frio... muuuuito frio...), bem como alguns tipos de fungos ou bactérias que poderiam servir-lhe de alimento.
A essa altura os (as) leitores deste blog já devem estar se perguntando que diabos essas pesquisas sobre possíveis formas de vida alienígenas ou em habitats extremamente hostís têm a ver com a "ignorância da humanidade", etc., etc.
Bom... o ponto aqui é... se a espécie humana já tem sérias dificuldades em tolerar e ao menos tentar entender a sí mesma, que dirá outras espécies?
Há muito tempo venho apontando que a espécie humana caminha pela Terra "zumbizando" praticamente inconsciente de si mesma e e ignorando todo o tesouro que representa como diversidade cultural, tecnológica, artística, filosófica, e bla-bla-bla...
Não sei se é por egoísmo, por ignorância ou ambos (induzidos ao longo de milhares de gerações), mas o fato é que a razão deste blog existir é exatamente tentar fazer as pessoas acordarem para isso ou no mínimo se questionarem a respeito.
Segundo o pesquisador Richard Dawkins, as incontáveis religiões listadas (todas se julgando "a única" e demonizando todas as outras) seriam o grande culpado disso, mas pelo menos aqui neste blog, eu resolví mostrar um pouco mais e ir mais longe, uma vez que religião e poder sempre caminharam juntos ao longo da História.
Aliás, se você quiser ter algum poder sobre algum grupo de pessoas, a dica é fundar sua própria religião, partido político ou time de futebol. - É sério! É surpreendente como o comportamento de um torcedor fanático pode se tornar parecido com o de um fanático religioso, inclusive "demonizando" todos os outros times que não sejam o dele.
Aliás, esse ato de "demonizar" os outros que não fazem parte de seu grupo, parece ser uma constante no comportamento do ser humano, lamentavelmente comprometendo as riquezas por trás da diversidade que a espécie representa, o que me faz admirar o comportamento dos gorilas, que chegam até a aceitar humanos no grupo como se fossem da sua própria espécie. (Já houveram casos de pesquisadores que conviveram entre eles e pelo menos dois filmes já exploraram o tema.)
Não importa como você chame... discriminação, segregação, marginalização, preconceito, racismo... a bem da verdade, a palavra que agrega tudo isso é intolerância. E sabe o que é pior? Por melhores que sejam nossas vontades, é impossível mudarmos isso assim "de repente" em função de questões de valores sociais impregnados profundamente ao longo de gerações - e surpreendentemente em nós mesmos.
Mas é verdade que já avançamos muito no sentido de combater essa intolerância nos últimos 100 anos e surpreendentemente a maior parte desses avanços ocorreram nos últimos 42 anos... mais precisamente quando ocorreu o primeiro beijo inter-racial da história da TV norte-americana, no seriado Star Trek. Série aliás que apresenta várias questões nesse sentido, como por exemplo o IDIC ("Infinite Diversity in Infinite Combinations" - "Diversidade Infinina em Combinações Infinitas"), a base da filosofia vulcana (espécie alienígena que baseia toda a sua cultura e existência na lógica pura, isenta de sentimentos e por isso mesmo, é considerada uma civilização avançadíssima na série).
Deixando a ficção científica de lado e voltando à realidade, já é nítidamente perceptível o valor que as grandes corporações (em especial a ligadas à alta tecnologia - talvez pela quantidade de nerds que precisam para tocar o negócio) dão à tolerância ao próximo e à diversidade, o que me agrada muito, pois por ser nerd assumido, odiar cerveja (isso para a sociedade brasileira é como tacar pedra na vidraça) e ter uma vida essencialmente noturna (incrível como o povo dessa cidade tem dificuldade de entender o que é isso), sou mais do que discriminado e sei bem o que isso significa.
Esse tipo de discriminação acabou por me fazer frequentar alguns lugares curiosos como por exemplo algumas convenções de ficção científica, quadrinhos, cinema, etc. onde aparece de tudo... desde góticos (uma espécie de "evolução" do movimento "dark" dos anos 80, da qual fui simpatizante, razão pela qual ainda gosto de me vestir de preto naqueles dias em que a minha auto-estima não anda lá das melhores), otaku, metaleiros, e até pessoas fantasiadas de seres extraterrestres (alguns, se bobear são mesmo) e toda essa gente tem uma bagagem cultural fantástica... são em geral, médicos, cientistas, escritores, blogueiros, biólogos, programadores, suportes de rede... enfim...
Fugir do "lugar comum" ou do que as pessoas chamam de "normal" (seja lá que diabos fôr isso), nem que seja por um momento numa sociedade como a de hoje, ainda é complicado e afeta "N" coisas que podem ir desde a reputação pública até o surgimento de intrigas, fofocas, burburinhos... escândalos.
São "babados" que chocam publicamente que rendem grandes vendas de revistas de fofoca, criam novas celebridades, viram o ganha-pão dos paparazzi e garantem as vendas das revistas mais vendidas do país.
Observaram que chegamos ao ponto sórdido de que a discriminação rende dinheiro ou status a quem discrimina?
Alguns tipos de brincadeira de mau gosto, ou o bullying, são um retrato da intolerância ainda disfarçada que a nossa sociedade ainda insiste em manter como um troféu, mas que já causou tragédias, suicídios, guerras...
Discriminação sexual também é uma constante... Quando eu nascí, só se falava em homens e mulheres e a única orientação sexual "válida" socialmente era o heterosexualismo (qualquer coisa diferente era amplamente combatida de todas as formas possíveis). Pois bem... hoje devemos ter pelo menos umas 12 opções de orientação sexual para escolher (o que complica bem as coisas... mas acho que estou desatualizado... já devem ter bem mais opções...) e confesso que apesar de ter amigos homossexuais e bissexuais eu mesmo tenho dificuldades em lidar com orientações muito diferentes do meu heterossexualismo, embora respeite todas as opções e as defendo, uma vez que a vida é curta demais para que tenhamos o direito de privar as pessoas de suas opções de vida.
Abrindo mais o jogo, além de adorar as mulheres, tenho uma certa simpatia pelas mulheres bissexuais ou mesmo as lésbicas - Impossível recrimina-las por gostar de seres tão extraordinários como só as mulheres conseguem ser. (Tem gente que certamente ficaria chocada com essa minha declaração, mas não tô nem aí. A opinião é minha, oras!)
E se os distintos leitores aceitam uma sugestão, procure tentar descobrir até onde seus valores agüentam, mesmo que depois tenha de voltar atrás ou tentar outro caminho, mas tenha sempre em mente que a experiência pode não durar. Se perceber que a experiência pode não dar certo, seja sincero(a). É melhor e menos frustrante do que carregar um trauma de arrependimento pelo resto da vida.
Descobrir os limites de suas orientações culturais, filosóficas, sexuais, etc. (desde que você não se machuque mental ou fisicamente) pode ser um exercício interessante que pode lhe agregar muito valor no que diz respeito a novos pontos de vista, novas sensações, novas experiências de vida e ensinar-lhe muito, mas muito mesmo sobre si mesmo(a) além de te dar muito mais preparo para suas escolhas futuras e para seu(s) futuro(s) relacionamento(s), se houverem.
Só quem viu até onde vai a toca do coelho pode ter histórias para contar de lá.
O único problema com experiências desse tipo, pode ser talvez uma dispersão de tempo que de repente você poderia gastar em alguma outra azaração talvez até mais produtiva e próxima dos seus valores já estabelecidos, mas como toda relação... quem é que sabe afinal o que pode ou não dar certo? E até quando? Até que ponto?
Na dúvida... a melhor solução é seguir o ritmo natural das coisas. Geralmente funciona.
Nada como o bom, velho e primitivo instinto... que bem ou mal, ainda funciona muito melhor que qualquer "modernice".

domingo, 7 de novembro de 2010

E o vinho de hoje é argentino... "Familia Aranda", Cabernet Sauvignon safra de 2005... Já provei vinhos melhores. Achei um pouco ácido como a maioria dos vinhos que vêm com rolha de plástico tampando a garrafa.
Plástico... Verdadeiro símbolo da artificialidade...
Roger Waters ao dizer que no álbum "Dark Side Of The Moon" não havia nada de "plástico" na música daquele álbum, certamente se refería a isso.
Tudo hoje é plástico... barato para produzir, democraticamente barato para adquirir e descartável... puramente descartável como praticemente tudo no mundo de hoje.
Nada contra o material em sí, mas contra as atitudes do mundo moderno.
Até mesmo os assuntos quando não são os "do momento" tornam-se "coisa de maluco"...
As pessoas estão tão "fechadas" no "mundinho de plástico" imposto pela Sociedade de Consumo, pela mídia, pelo condicionamento a ser como a maioria que se mesmo as pessoas mais esclarecidas se tornaram absolutamente incapazes de sair do lugar comum, de serem elas mesmas só que realmente livres das referências impostas por colegas, vizinhos, parentes, moda, o que quer que seja.
Recentemente um colega de trabalho me disse que nunca em toda a sua vida tinha encontrado alguém tão "out of box" ("fora da caixa" - uma expressão "da moda" corporativa para se referir à capacidade de enxergar as coisas "do lado de fora" e assim poder ver soluções que a maioria tem dificuldades de ver). É claro que foi um elogio e isso pode até ter um grande valor no mundo corporativo, mas socialmente falando é uma verdadeira catástrofe.
O motivo: As pessoas "out of box" são pessoas marginalizadas, de difícil compreensão pela imensa maioria e com isso muitas vezes muitíssimo mal-interpretadas.
Pois bem... o texto de hoje tem muito a ver com "o que se vende" como o padrão social "in the box" ("dentro da caixa"), ou seja... o lugar comum em que as pessoas "normais" não percebem que estão presas.



O politicamente correto fede!

"Algo que acarreta uma fé passional por parte dos biólogos e antropólogos 'politicamente corretos' é o fato de que o tamanho do cérebro não tem correlação alguma com a inteligência; que a inteligência não tem nada a ver com os genes; e que os genes são provavelmente só umas coisinhas fascistas."
(Richard Dawkins)


Primeiro vamos falar sobre o que chamamos de "politicamente correto"... Sabe aquelas coisas aparentemente feitas para agradar a sociedade, mas que na prática não passam de pura aparência?
Exemplos:
- Quando você liga para o telefone de algum serviço e vem aquelas malditas gravações "para tal coisa tecle 1, para outra coisa tecle 2..."  Na prática todos os ítens vão parar no mesmo operador.
- Coleta seletiva... que apesar de ser uma idéia muito bacana, todo o lixo cuidadosamente separado em compartimentos separadinhos de cor diferente, com indicações bonitinhas e até com sacos de lixo de cores diferenciadas acaba todo misturado sumariamente no caminhão de lixo.
- Você compra um televisor novo, fininho, que economiza 10x mais energia que o antigo, mas dura 20x menos e vira sucata tóxica muito mais rápido.
- Você fez um imenso acervo de VHS, agora com o DVD você se livrou dele para comprar os mesmos filmes (mas tem um monte que não conseguiu mais achar) em DVD e agora terá de se livrar de todos para comprar tudo outra vez em Blu-Ray (só que um monte do que você tinha em DVD não saiu em Blu-Ray, nem vai sair e o pior... não dá para adaptar o conteúdo da mídia velha na nova)... E o HVD tá na gaveta só esperando os otários comprarem tudo outra vez em Blu-Ray para lançarem a nova mídia que naturalmente não será compatível com as antigas.
- Você ganhou na loteria e resolveu comprar um puuuuta carro esportivo de 1 milhão de Reais para não poder sair pelas ruas com ele porque estão cheias de buracos, lombadas ("plantadas" pela cidade toda sem critério algum para "mostrar serviço" em ano eleitoral) além dos radares, flanelinhas e blitz cuja única real finalidade é arrecadar impostos disfarçados como licenciamento, IPVA, segudo obrigatório... sem falar nos pedágios.
Aliás... é curioso como país pobre tem mais pedágio que país rico... Um amigo meu rodou mais de 5000 km no Canadá e mais uns 5000 km nos EUA e não viu um único pedágio. E as estradas segundo ele eram perfeitas... embora um tanto desertas.
É "politicamente correto" pagar seus impostos. Atitude louvável socialmente, mas... para onde vai o dinheiro? Se você disser cueca de deputado ou castelinho particular de político, lamento que você tenha acertado.
O mundo em que vivemos só não é mais hipócrita porque as pessoas inocentemente não se dão conta de que são mera massa de manobra e boa parte da causa disso se dá pela paixão pelas crenças que lhes são apresentadas de modo a demonizar todas as outras.
As religiões e a política (mesma porcaria) têm feito isso há milênios com as pessoas.
Em época de eleição por exemplo... as pessoas têm tendência de, por esse ou aquele motivo, se apegarem a esse ou aquele partido, ou a esse ou aquele candidato e fecham o cerco de modo a ignorar todo o resto vendo sua opção como "a única" enquanto passam a enxergar qualquer outra opção (inclusive voto nulo) como se fosse uma heresia.
Ora... na prática, todos os governos são "governos-fantoche" de grupos que não aparecem e que são os que realmente detém o Poder sobre os países e territórios...
Até mesmo as eleições são manipuladas de acordo com os interesses desses grupos para que as coisas se pareçam de um jeito ou de outro conforme a idéia geral que eles desejam que se tenha.
Os feitos que são freqüentemente atribuídos a este ou aquele governo, na verdade são em sua maioria, projetos já em andamento há muitos anos que calham de serem iniciados ou terminados nesse ou naquele mandato e assim, sendo usados como campanha eleitoral. Mas na prática a imensa maioria só consegue ver "Governo tal terminou (ou 'fez') a obra X" ou "Governo assado iniciou a obra Y".
A sociedade como um todo está condicionada a rotular qualquer coisa além do "lugar comum" como "sensacionalismo" ou "teoria da conspiração" e continuarem "dentro da caixa" que é mais "normal', mais "seguro"... afinal de contas, quem "sai da caixa" é "louco", ou sabe-se lá o que mais, né?
Não posso culpar as pessoas por optarem por ficarem "dentro da caixa". Aliás, até dou razão a elas: Ser "diferente" é muitíssimo difícil. E a introspecção que isso causa, na maioria das vezes leva à solidão, à perda do autocontrole e com isso, muitas vezes ao suicídio.
Manter o equilíbrio e a serenidade é uma arte que se desenvolve desde a infância e para uma pessoa despreparada, "sair da caixa" da noite para o dia pode ser fatal...
Ser "fora da caixa" definitivamente não é pra qualquer um, mas não é de tôdo ruim... dá por exemplo para antever certas situações e preveni-las com certa facilidade... Mas é só.
O "politicamente correto" é bonito, atraente, vende bem... mas na verdade, não passa de puro marketing. Puuuuro jogo de interesses. É... a realidade é beeeem mais suja.
Eu compararía o "politicamente correto" a um ovo podre pintado de ovo de páscoa e é essa a realidade do mundo em que vivemos hoje, em cada comercial de TV, em cada telejornal, em cada campanha política, em cada pregação religiosa, em cada rabo-de-saia qualquer... por isso torna-se cada dia mais necessário todo o cuidado possível para não se meter em armadilhas.
Se há uma coisa irritante no "politicamente correto" é a hipocresia.
Até bem recentemente, o "assunto da moda" era a pedofilia... agora é a xenofobia e pouco antes desses dois, era o racismo.
Coisas que na prática sempre existiram e são coisas abomináveis sim, é verdade, mas... por quê existe a "caça às bruxas" da moda? Por quê precisa acontecer algum fato significativo que ganhe espaço de mídia para que as pessoas se toquem de que algo precisa ser feito à respeito?
Ora... até então não era o assunto da moda, né?
Então... de onde vem a "ditadura" do que é ou não o "assunto da moda"?
Pense bem! Alguma idéia óbvia? Pois é... através de espaço de mídia. É assim que a opinião pública se forma.
A voz do povo, é a voz da mídia.
Se alguém me perguntar como adivinhei quem ganharia as últimas eleições presidenciais aqui no Brasil logo no primeiro turno, minha resposta será simples: pelo tempo de mídia que os candidatos tiveram no principal telejornal do país, bem como pelo tempo permitido de campanha em horário eleitoral gratuito.
Deu até para estimar a proporção dos votos entre o primeiro e o segundo candidato, independente dos debates, campanhas, etc.
E sabe o que é pior? Foi fácil de adivinhar. Mas quem acreditaria?
Pois é... assuntos, moda, comportamentos, valores, "verdades"... tudo mídia... idéias prontas, enlatadas e entregues na sua casa, "limpas", em cores vivas e atraentes, vozes nítidas... em TV, rádio, jornal, revista, Internet... tudo bem fácil de engolir e digerir...
Pois é... A mídia é o deus todo-poderoso do século 21.
Quer ver o mundo "do lado de fora da caixa"?
Basta desligar tudo de vez em quando, deixar todos os afazeres de lado e apenas parar um bom tempo para observar o mundo, os comportamentos e expressões das pessoas em qualquer lugar que seja... centro da cidade, shopping, interior... porém, como se não estivesse lá.
Você poderá se surpreender com o tamanho da inconsciência coletiva e perceber que as pessoas tendem a se comportar como um rebanho.
Pode até ser que você conclua que os gorilas têm sociedades bem mais conscientes do que é a vida, do que as dos humanos... e também bem menos embrutecidas, interesseiras ou hipócritas.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Estou me sentindo meio bêbado após um pouco de licor de chocolate... muito ruim, por sinal.
Aliás, acho que devo mesmo escrever melhor quando estou mais ou menos bêbado mesmo... parece que o mundo entende melhor o que escrevo quando raciocino assim... acho que o mundo talvez deva se identificar melhor com um bêbado do que com um escritor são.
Também... para eleger coisas como Restart e Justin Bieber como exemplos musicais, o que mais se pode esperar do mundo?
Eleições no Brasil então... Xiiiiiiii!!!! O Brasil já perdeu as eleições no primeiro turno, deixando toda a merda pros debates do segundo turno... aliás... a mais pavorosa, ridícula e infeliz disputa presidencial que já testemunhei desde o fim do regime militar.
Mas enfim... por quê resolví ficar um pouco bêbado hoje? Logo eu... um degustador de vinho que de tempos em tempos, para não dizer raramente separa um cálice para me acompanhar durante minhas redações de madrugada para este blog?
Hora... por quê todo bêbado resolve encher a cara? Dia ruim, certo?
Bom... pelo menos essa é a tese clássica... o alcoólatra usa qualquer desculpa. Essa é que é a grande verdade.
Como não sou alcoólatra, espero estar de volta à minha sã consciência antes do término desse texto e talvez com um baita sono...
Mas... para escrever sobre isso, só estando bêbado mesmo e ao término de um dia ruim.
E para mim, os piores dias são aqueles em que termino insatisfeito comigo mesmo. Um daqueles dias em que meu lado ateu é desafiado pela porcaria do karma.
Pelo menos o álcool me estimulou a escrever sobre algo que há vários anos me pedem para escrever.

Talvez por eu nunca ter escondido o quanto sou apaixonado pelo universo feminino que cerca certas mulheres.
Bom... tá aí! Talvez agora fique bem mais fácil às pessoas entenderem as coisas que me atraem numa mulher.




Mulheres que me atraem (abrindo o jogo de vez)
"A mulher sábia constrói o seu lar. A insensata o destrói com as próprias mãos."
(Provérbios 14, 1)


Eu devo estar maluco ou muito seguro de mim mesmo para abrir o jogo desse jeito... mas optei por isso, uma vez que é muito comum as minhas amigas me perguntarem sobre o que fica ou não bem nelas ou o que ela poderiam fazer para parecerem mais atraentes... aliás é também comum as pessoas me perguntarem sobre o tipo de mulher que me atrai, graças à fama de extremamente exigente que adquirí após apanhar tanto com meus relacionamentos anteriores que preferiria ter sido queimado vivo numa fogueira por perseguição religiosa na Idade Média.
Essas experiências me fizeram certa vez incluir no meu blog, uma polêmica citação de aspecto um tanto preconceituoso para não dizer ofensivo às mulheres de um criminoso ao invés de algum grande pensador, filósofo, escritor ou personalidade famosa  logo após o título de um dos textos do meu blog. (Motivos que me levaram a não cita-lo desta vez, até por quê o cara já ganhou propaganda gratuita demais pro meu gosto.)
O pior, é que em partes, a citação do tal criminoso, até faz sentido. Vou dar um exemplo.
Se perguntadas sobre o tipo de homem que as mulheres gostam, todas vão dizer um cara trabalhador, carinhoso, honesto, fiel, inteligente... tuuuuuudo mentira, tá? O que elas querem mesmo é o tipo mais primitivo que puderem encontrar... quanto mais troglodita melhor para elas porque é fácil convencer um um gorila desses com umas reboladinhas, uns beijinhos... e com um detalhe: o macaco tem de ser rico. Afinal de contas pesquisas já comprovaram que mulher sente muito mais prazer fazendo compras do que sexo.
OK... elas são mentirosas? Hummm... digamos que a natureza delas é Não que elas queiram ser. E a melhor desculpa que encontraram para explicar isso desde que ainda eram homo-neandertalensis hoje chama-se TPM, a maldita Tensão Pré-Menstrual, vulgo "Tente Perturbar Menos" ou ainda "Tendência Para Matar".
Oras... Me desculpem, mas isso comigo não cola.
Em primeiro lugar, a mulher que me atrai é do tipo honesta. Do tipo que assume sua TPM e não vem com desculpinhas depois.
Joguinhos do tipo me fazer sentir ciúme se ensinuando com outro homem é pedir para ser descartada da minha lista no ato: Ou me quer e assume, ou que fique com o primeiro troglodita que encontrar.
Mulher interesseira também descarto na hora. O tipo de mulher que procuro certamente tem massa cinzenta suficiente para não precisar descer a esse nível. Aliás adoro mulher inteligente... é tudo de bom e vivem me surpreendendo.
Corpos bonitos chamam fácil a minha atenção, embora eu seja um observador extremamente discreto. Gosto muito, mas penso que um rosto bonito e um olhar especial me encantem mais, até porque certamente é para o rosto que vou olhar mais tempo... e bota tempo nisso. Um cara relativamente inteligente e com a minha idade, certamente já passou da fase das experiências, das aventuras, das besteiras e já aprendeu bastante sobre o tipo de mulher que realmente lhe interessa.
No meu caso, já aceito há vários anos que dei uma tremenda bobeira e mandei embora a mais provável companheira definitiva que já conhecí até que alguma desafiante realmente a fim de desafios, resolva tentar provar o contrário.
Outra coisa que me atrai é o modo de se portar... se a mulher se comporta e se veste com elegância, ganha um ponto importante da minha admiração na hora.
Por outro lado, mulher grosseira é extremamente irritante.
Mulher brega então... melhor nem pensar.
Desculpa a sinceridade, tá mulherada, mas... o "mercado" tá pavoroso nesse sentido ultimamente... Pô! Mulher tem de se assumir como tal, tem de ter um comportamento feminino antes de qualquer coisa. É o que a identifica como mulher.
O modo de se vestir, certamente acaba acompanhando sua personalidade e seu comportamento.
De nada adianta uma mulher usar um belo scarpin com salto agulha, o tal do stiletto, se ao usa-los anda feito uma pata choca porque não está nem de longe acostumada com a elegância de uma mulher autenticamente feminina. Hoje é "uma arte quase perdida" segundo Frank Miller e eu assino embaixo!
Outra característica que as mulheres lamentavelmente perderam é o costume de usar saia. (Excluindo as evangélicas, nesse tópico, por favor... que aliás, raramente as usam direito.)
Além de muito mais saudável para a intimidade feminina, o bom uso das saias lhes conferem um destaque mesmo de longe e é facilmente perceptível a diferença da mulher que sabe usa-las e está à vontade com elas das "mulher-macho" que mais parecem militares escoceses num quartel.
Naturalidade, mulherada... por favor!!! Naturalidade!!! De mulher falsa o mundo tá cheio!
Não adianta vocês tentarem parecer o que não são! Se vocês não sabem, não gostam, não conseguem andar de salto ou usar saias, não adianta forçar também... Uma mulher pode encontrar alternativas elegantes que além de lhe conferirem elegância, ainda mostram sua personalidade. Pensem nisso!
Vamos falar um pouco de cabelo e unhas... afinal de contas o tempo e dinheiro que elas gastam com cabeleireiro e manicure merece algumas palavras.
O cabelo... longo, curto, loiro, preto, castanho, cacheado, liso... é a característica pessoal da mulher.
É o que a distingue fácil das outras e emoldura o rosto.
Cabelos longos e lisos hoje são raros, porque gasta muito shampoo... é por isso que as mulheres mais pobres (as que tristemente são as que cuidam mais mal de seus cabelos) costumam prende-los de modo que pareçam um pavoroso pom-pom atrás da cabeça ao invés de algo mais bonito como um rabo-de-cavalo, por exemplo.
Cabelo bem cuidado, mesmo o mais rebelde, merece prêmio.
Quanto às unhas... definitivamente são o que mais apontam a qualidade do cuidado que a mulher tem com sigo mesma.
Uma mulher não precisa ter unhas muito longas ou um monte de pinturinhas ou adesivos nelas, contanto que sejam limpas e bem cuidadas... tipo "corte quadrado", cada vez mais raro.
A tal da "francesinha" é desnecessário, embora até seja charmoso, como o "corte quadrado". Aqui um segredo: Um homem adora imaginar como é ser "arranhado" de leve por unhas bem cuidadas assim.
Agora a parte mais difícil: mulher não pode, em hipótese alguma ter medo de homem.
Sou capaz de apostar que existem mulheres que adorariam "chegar junto", mas morrem de medo por me julgarem sério demais, frio demais, exigente demais... sabe-se lá o que mais demais...
Ora... sou um cara normal, adoro ajudar as pessoas, ensinar o que posso, aprender com elas e muitos me acham bastante divertido, mesmo com minhas nerdisses e meus costumes um tanto reclusos.
Nenhuma mulher precisa ter medo de um homem como eu. Elas têm de ter medo mesmo é dos trogloditas, dos macacos, dos gorilas... esses sim é que tendem a ser os mais safados e canalhas que certamente vão trai-las na primeira oportunidade que tiverem, porque são absolutamente incapazes analisar e saber o quê admirar numa mulher ou por quê. (Aliás, tá aí o motivo de as mulheres reclamarem da honestidade masculina.)
Os cérebros desses caras não são feitos para raciocinar sobre isso, por mais inteligentes que possam parecer.
Aliás, quando devidamente provocados (excitados), homem nenhum, (inclusive eu) consegue ter sangue suficiente no cérebro para raciocinar direito e as mulheres sabem muito bem disso.
É por isso que me condicionei a ser exigente e observador antes de fazer mais besteira do que já fiz no passado.
É melhor do que agir feito desesperado como a maioria dos babacas pelo mundo afora. (Sinceramente não sei como vocês mulheres toleram esses caras.)
Voltando ao assunto... Mulher também solta cantada sim! E são muitíssimo mais criativas e inteligentes que os homens nisso! Só que é mais raro o que me faz citar um outro raciocínio: mulher quando quer mesmo, não ta nem aí... parte pra luta sem medo de ser feliz.
Bom... acho que é isso.
Falei bastante... abrí bem o jogo e como meus amigos e amigas podem perceber agora, apesar de exigente, não sou um cara impossível, como muitas mulheres podem imaginar. Só evito os problemas que já enfrentei no passado. Só isso!
Aliás, esse passado me ensinou sobre o valor que eu represento como homem. e esse valor não é para qualquer mulher não.
É claro que existem outros detalhinhos e tals... mas dependem mais do convívio no dia-a-dia do que de coisas mais difíceis de mudar como a própria essência da personalidade de uma pessoa.
Agora, para as mulheres que conseguiram ler até aqui sem se sentirem desapontadas com sigo mesmas... além dos meus parabéns, as dicas que sobraram e que como podem ver, são muito mais simples do que parecem:
1 - Quem não arrisca, não petisca.
2 - Pensem nisso: "Homem que fica com qualquer mulher, acaba com uma mulher qualquer". Que tipo de mulher você é?
3 - Que graça existe em conquistar um homem comum se você pode ser especial conquistando um homem especial?
4 - Se você quer um cara realmente legal, diferente da maioria e que vai saber te valorizar, não perca tempo. Outra pode perceber isso e agir antes de você.
Bom... acho é só isso. Quer saber mais? Hummm... Quem sabe? (Hehehe)

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Me recuso a falar de política no texto de hoje.
Já cantei a bola dizendo que é um jogo de cartas marcadas e que já sei quem vai assumir a presidência. E mais: a mídia ainda vai dizer que "foi por pouco"... Oras... Não passamos de massa de manobra.
Somos todos marionetes de quem realmente tem o poder nas mãos. E não me refiro aos políticos ou o empresariado, embora esses últimos também tenham um poder incalculável e... quem sabe um dia eu escreva sobre isso. (Se não me apagarem antes por eu saber demais.)
Uma coisa eu posso afirmar por enquanto, especialmente aos que apaixonadamente dizem ter "consciência política": essa consciência é a ponta do iceberg. Há muito mais do que dinheiro e interesses comuns em jogo.
Para alguns, os verdadeiros donos do poder, dinheiro não é nada. Para eles, políticos são movidos a isso e o empresariado também.
Tente imaginar (se conseguir) quais seriam os tipos de diversão desses caras e talvez um dia, você encontre as respostas para um monte de mistérios das "teorias da conspiração".
(Nota: Só por que eu falei isso tudo é capaz de mudarem os planos... mas o resultado final será o mesmo independente de quem assumir a presidência.)


Cara, estou velho
"Nós não contamos os anos de um homem enquanto ele não tiver mais nada para contar."


Cheguei à conclusão de que tudo o que eu mais gosto na vida, nasceu ou se tornou mania entre os anos 60 e 80 e acho que fui parte de umas das primeiras gerações que teve na TV a sua "babá" mais influente, felizmente numa época em que a programação era mais ingênua, inocente e fantasiosa, para não dizer criativa. uma época em que ela estava mais para babá do que para vendedor trambiqueiro.
Eu ví "Vila Sésamo", adorava aqueles tokusatsu toscos (mas que hoje são franquias inacreditavelmente milionárias) do "Robô Gigante", "Ultraman" e mais ainda do "Ultraseven", que me fez ter desde criança o desejo de me tornar cientista... o que (pelo menos na teoria, nunca aconteceu, mas... e daí? Acho que meu lado asiático deve ter nascido mais ou penos por aí... nessa época.) E falando em série tosca, acho que o primeiro "símbolo sexual" de que me lembro era a "Poderosa Ísis" (hoje certamente uma simpática velhinha), talvez daí meu interesse por diversidade de culturas e crenças desde a infância...
Bom, estou aqui ainda comendo biscoito de polvilho como fazia quando era criança, em que meu avô me dava um pacote desses biscoitos todo dia após me buscar na escola.
Esse "ar" saudosista da afirmação acima não é à toa. É um sinal evidente de que estou ficando velho.
Claro! Só velho sente saudades dessas coisas boas e... bom... com uma grande sensação de decepção, em plena época em que se supunha, teríamos uma sociedade mais justa, mais civilizada, mais inteligente... uma época em que as diferenças já tivessem passado a serem vistas como preciosidades ao invés de aberrações a serem abominadas, já teríamos colonizado a Lua, carros que voam seriam comuns e...
Ora... O que é que deu errado afinal?
Se eu pudesse resumir a resposta a essa pergunta em uma única palavra, ela seria "egoísmo".
É bem verdade que hoje podemos conversar com outra pessoa do outro lado do mundo vendo e ouvindo, embora não ainda em tempo real, mas é um bom exemplo de uma ficção do meu tempo de criança que se tornou realidade, assim como outros aparatos tecnológicos dos meus heróis da TV, que hoje são objetos corriqueiros, como o computador-comunicador de bolso (embora poucos são os que realmente sabem usa-los efetivamente)... mas convenhamos. Comparado àquela época, a humanidade emburreceu, embruteceu e na maioria das vezes, as menores diferenças se tornam pontos de discriminação séria ao invés de meras brincadeiras entre amigos.
Os relacionamentos eram mais verdadeiros, as músicas eram mais românticas e menos artificiais, a arte de um modo geral era infinitamente mais rica, embora tivesse menos recursos para ser expressa e até certo ponto, se apresentava com um certo grau de inocência, de ingenuidade que hoje figura como divertida, mas inviável em tempos modernos.
Resumindo... eram tempos mais inocentes, românticos, ingênuos, mas também eram tempos mais inteligentes, verdadeiros e... humanos.
E as mulheres? Ah... como eram charmosas...
Hoje, a mulheres parecem lutar para parecer mais macho que homem! Charme zero e relaxo ao máximo... Nem saia a gente vê elas usando mais, como se só pudessem usa-las em festas...
Fico encantado quando vejo uma mulher que sabe se vestir com elegância e não me refiro à mulher "produzida pra balada". Me refiro à mulher que não precisa se produzir, porque ela é naturalmente elegante, seja pelo hábito, seja pela educação.
O modo de se portar é mais importante que qualquer vestimenta e define seu charme e personalidade.
Não adianta uma mulher "se produzir" se ela não cultiva o hábito de ser naturalmente feminina. Os hábitos, os gestos a educação e a personalidade são determinantes de seu gosto pessoal e denunciam quem a mulher realmente é, não importando sua "produção".
Quer saber? Não basta um belo corpo feminino. Mulher "macho" não dá tesão e ponto final.
Mas sabe o que é pior?
Observações como as que estou fazendo agora, certamente eram feitas também pelas gerações passadas.
O mundo muda, e as referências mudam com ele, assim como os valores de cada referência. É o que forma a personalidade das pessoas..
As minhas referências musicais por exemplo, vieram do pop/rock anos 70, passando por Beatles, Pink Floyd, Queen... Caramba! Passei pela era disco ouvindo os temas românticos do Bee Gees, ví o primeiro moonwalk... referências atrás de referências...
Mas cá entre nós... que referências essas gerações novas estão tendo agora se tratam tudo isso como "lixo velho"? Que referências eles têm de música, de comportamento, de amizades, de relacionamentos, de vida?
A tendência é as meninas se espelharem na Amy Winehouse ou na Paris Hilton e certamente poderão se tornar patricinhas baladeiras alcoólatras agressivas.
E os garotos? Poderão se espelhar no Justin Bieber e... É... pensando bem, é melhor nem imaginar como serão os relacionamentos dos casais do futuro. Se é que terão algum relacionamento pelo andar da carruagem...
Isso me faz lembrar que continuo solteiro. Porém, com minhas experiências e aventuras, hoje não sei dizer até que ponto isso é bom ou ruim.
O que sei é que um homem não pode viver sozinho para sempre: um dia ele morre.
E com ele, tudo o que aprendeu, todas as suas experiências, todos os seus sonhos, todos os seus segredos, todos os momentos que poderia ter compartilhado com alguém... se tivesse encontrado quem realmente merecesse e valorizasse isso como seu orgulho pessoal, como parte de sua vida.
Mas o que é a vida afinal, senão um breve momento na História?

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Desculpem-me, caros leitores pela péssima qualidade do texto de hoje. (Pelo menos para mim, esse texto está péssimo.)
Já faz um bom tempo que quero escrever sobre honestidade e reputação, mas sempre que penso em escrever sobre isso, me dá uma profunda tristeza, porque tenho a mais absoluta certeza de que não fará diferença alguma além do que, acabo inevitavelmente retornando a pontos que já foram amplamente dissertados neste blog.
É desanimador ser repetitivo à toa, especialmente tendo plena consciência disso.
A bem da verdade, o que não é desanimador no mundo de hoje em que não se pode confiar em absolutamente nada nem ninguém?



Honestidade e reputação

"Eu entenderei se você perder dinheiro da minha empresa porque tomou uma decisão ruim, mas se prejudicar a reputação da minha empresa, você será demitido."
(Warren Buffett)


Lá por volta de 1992, eu tinha uma colega no colégio que me contou certa vez que sua irmã, que morava no Japão, lhe contou que sempre que ela entrava num shopping-center por lá, os sistemas de auto-falantes já avisavam que haviam brasileiros no shopping-center. Mas não era uma saudação. Era um alerta.
O motivo: a fama que o povo brasileiro tinha naquela região: "ladrão em potencial", "malandro", "trambiqueiro". Mas a desonestidade não é exclusiva do brasileiro.
Em 1998, eu tive uma namorada que me contou que uma vez a polícia veio visita-la em seu quarto de hotel (não me lembro em qual país da Europa), para revistar sua mala, pois apesar de brasileira, sua etnia asiática "levantou suspeita". No entanto, durante suas viagens pela Europa, ela teve sua bolsa roubada dentro de um museu em Paris.
Pois é... a desonestidade, infelizmente é uma constante no mundo moderno e isso não é exclusividade do Brasil.
Porém, é o povo brasileiro que tem a fama de desonesto, ladrão, trambiqueiro... Por quê?
Ora... porque no Brasil há uma estranha, porém tradicional inversão de valores em que o ato de ser desonesto não só é considerado "normal" como é incentivado, valorizado... praticamente "endeusado" pela sociedade e sob vários aspectos até mesmo pela legislação, que é feita nítidamente por gente cujos interesses não são os de fazer justiça, mas o de garantir a própria impunidade, fazendo com que a "Lei de Gerson" seja única lei realmente funcional no Brasil (admitindo-se que até a Lei de Murphy é passível de falha).
Com uma postura dessas, o brasileiro merece a má fama e os representantes que têm.
Sim, estou falando dos políticos. Eles são "a cara" do povo brasileiro e representam nítidamente e muito bem a realidade da maioria da população que os elege e portanto se identificam perfeitamente com eles. (Aí, uma minoria tipo eu, reclama através de blog ou vai para outro país.)
Se o horário eleitoral gratuíto lhe parece uma piada de mau gosto, lamento. Essa é a realidade: Temos 22570 candidatos aos cargos que podem facilmente representar os cabides de emprego mais rentáveis e intocáveis do país. Um concurso público em que o candidato não precisa fazer nenhuma prova, nem se preocupar se vai conseguir o cargo se tiver um bom rabo-preso com os líderes de seu partido/coligação e algum cara muito famoso conseguir bastante voto.
 Desses, eu "chutaria" que (com muita sorte), meia-dúzia desses candidaros realmente têm boas intenções sociais para com a sociedade ao invés de lucro pessoal (naturalmente, todos de partidos pequenos e sem dinheiro para campanha).
E quer que eu diga mais? Os piores serão os mais votados, graças ao fato conhecido de que o grau de instrução da maioria do eleitorado é extremamente baixa, mas todos são "democraticamente" obrigados a votar.
Serão os mais votados, não apenas pelo fato (que negarão até o dia do apocalipse) de que trata-se de um jogo de cartas marcadas, mas porque são os que aparecem mais na mídia, pois além de estarem em "partidos grandes", o que por sí só já têm mais tempo de mídia (particularmente, penso que seria muito mais justo se o tempo deveria ser o mesmo para todos os candidatos, independente do partido), ainda tem a questão de que estes, têm muito mais verba de campanha (boa parte paga com o nosso dinheiro) do que os "partidos pequenos", do que os que não têm o mesmo poder de atuação em mídia (que logicamente inclui especialistas em diversas áreas para maximizar o poder de persuasão).
No entanto, é fácil identificar os desonestos: basta observa-los.
Muito apelo emocional, mas nada de concreto... Muito aperto de mão, muita beijoca em criancinha carente... as candidatas mulheres, por exemplo, insistem em apelar para o mero fato de serem mulheres, como se isso fizesse alguma diferença para o cargo, e outros apelam para as comunidades religiosas, como se Deus estivesse do seu lado.
Tudo tão autêntico quanto nota de R$3,00.
Já notaram que não tem sequer um único candidato que num discurso de campanha fala em estimular o ensino crítico? Mas ao invés disso, todos eles usam chavões como "segurança", "transporte", "educação" (só técnica, para formar bastante mão-de-obra) e "empregos"?
Ora... todos esses problemas são relacionados a um único ponto chave: qualidade de educação crítica, mas nenhum candidato tem interesse nessa questão, pelo simples fato de que isso "abre muitos olhos" e um bom investimento sério nessa área, pode representar uma verdadeira catástrofe para o "governo" (leia-se "mamata").
Temas como "reforma tributária" então... são como cotucar direto na ferida!
Desvio de impostos é a principal fonte de lucro desses caras. Quanto mais impostos, taxas, contribuições e tarifas e quanto mais complicado tudo isso funciona, melhor... para eles.
Apesar de a política ser um dos maiores exemplos de desonestidade conhecidos (empatando tecnicamente com a religião), o ponto onde quero chegar, não é esse.
Quero enfatizar a conseqüência da desonestidade. Quero enfatizar a reputação.
Digamos que você compra um produto e descobre que ele é uma porcaria. Você comprará novamente um produto da mesma marca?
Talvez até compre, mas não confiará tanto quanto confiaria se tivesse a certeza de que o produto tem de fato todas as qualidades desejadas.
Uma loja... quando faz uma promoção e aí você chega no caixa, e descobre que o valor é outro... como fica a reputação da loja?
Nas relações interpessoais, é a mesma coisa!
Se alguém mente para você, como fica a reputação da pessoa que mentiu? Você confiará nela novamente?
Se alguém me perguntar quanto vale a reputação, eu diria que tem o mesmo valor da honestidade... pelo simples fato de que uma coisa é diretamente ligada a outra.
Mas por algum motivo, parece que o mundo tornou-se incapaz de fazer essa pequena ligação.
Preferem votar em candidatos claramente desonestos, compram produtos ruins, participam de tudo quanto é promoção sem pensar duas vezes, aceitam truques fiscais como o da "nota fiscal paulista", viciam-se em novelas, futebol (que também não passa de um teatro)...
...e assim constroem o "mundo melhor" para seus netos.
Tenho pena das gerações futuras.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Quero pedir desculpas aos leitores pela demora nos updates deste blog, tendo de se contentar apenas com o Twitter.
Momentos tensos têm me deixado sem inspiração para escrever, a falta de tempo não tem me dado paz para meditar e a frustração de ver apenas 3 dos piores candidatos à Presidência que já tivemos em evidência na mídia, sendo que temos pelo menos 12 candidatos à Presidência registrados, está tirando meu sono.
Só mesmo no Brasil a gente vê gente que deveria estar atrás das grades como candidato a Presidente.
Prova mais do que cabal de que no Brasil, o crime compensa.
Bem-feito para um povo que dá muito mais atenção a jogadores de futebol do que a professores e que investe em igrejas ao invés de escolas e que acha que arte é coisa restrita a museu ou a uns loucos que não não tem o que fazer.
O problema no meu caso é ter de me conformar com isso, já que devo fazer parte de 0,00001% da população (sendo extremamente otimista) que ainda possui alguns neurônios funcionando efetivamente ao invés de gasta-los em concentração para soprar vuvuzela.



A indústria do sexo, as mulheres, os homens e os babacas

"Se você der a um homem um martelo, ele pensará ser capaz de resolver tudo à marteladas. Bom... Deus deu pênis a eles."

(Jacob M. Appel)


Recentemente uma amiga postou no Twitter uma foto de um famoso jogador de futebol segurando uma plaquinha escrito "real men don't buy girls" ("homens de verdade não compram garotas").
Eu achei a idéia tão sensacional que eu mesmo fiz uma versão da foto (com sono mesmo, de madrugada assim que ví a idéia... a foto acabou ficando desfocada, mas a idéia valeu... acho até que vou refazer a foto), "aderindo" à campanha (que ela tenta promover entre seus amigos).
Inicialmente pode até parecer moralismo, mas a bem da verdade, essa campanha originalmente visa exatamente refrear uma indústria que só nos EUA movimenta 12,6 bilhões de dólares por ano (mais do que a NBA e a NFL juntas). A cada segundo, cerca de 3 mil dólares são gastos com compras de filmes pornô ou eróticos só nos EUA... e a demanda exigida dessa indústria, força a exploração de mulheres, o trabalho escravo, o tráfico de mulheres e com isso, quem lucra é o crime organizado, o tráfico de drogas, sequestros e vários outros crimes.
Por quê estamos falando tanto de EUA? Porque eles têm a maior indústria do sexo do planeta: 45 minutos de cada hora produzida de filmes pornô ou eróticos são produzidos nos EUA.
Mas não vai pensando que esse problema é só dos EUA não.
Quem viu o raro filme "Tokyo em Decadência" tem uma leve idéia de como funciona um problema social japonês conhecido como "Síndrome de Tokyo" (segundo um velho artigo perdido de um jornal aqui da região, infelizmente não encontrei referência na Internet), em que garotas jovens se prostituem para conseguirem dinheiro para comprar objetos de consumo como bolsas, vestidos ou jóias. Mas para conseguirem clientes, associam-se a "contatos" (cafetões) cujas atividades são obviamente ilegais (e daí em diante já dá para imaginar onde essa "brincadeira" vai parar).
Para quem conhece a cultura japonesa, entende que a visão que os japoneses têm do uso do próprio corpo é consciente, individual e ao contrário daqui do ocidente, é livre de tabús ligados a tradições medievais ou religião, gerando com isso uma educação sexual muitíssimo mais madura e racional desde a infância. Logo, o máximo que os policiais podem fazer ao pegar uma menor se prostituindo é dar-lhe um sermão e libera-la.
Mas a "Síndrome de Tokyo" já se espalhou pelo mundo.
É possível observar menores se prostituindo em cidades como Rio de Janeiro, São Paulo ou Campinas.
Basta passear de carro pelo centro de grandes cidades e observar as esquinas de ruas paralelas às mais movimentadas ou imediações ou ainda por bairros de periferia para conferir a quantas anda o "mercado".
Embora costuma-se dizer que a prostituição é a profissão mais antiga conhecida (o que tem lá suas controvérsias), o que movimenta esse mercado é a fantasia, a expectativa de prazer gerada pela propaganda, pela TV, pelos outdoors e num segundo nível, pelo consumo da pornografia.
Em países de qualidade educacional baixa (como o Brasil) há ainda o agravante do próprio estímulo social (em especial entre os homens) que força o indivíduo a sentir necessidade de se auto-afirmar diante dos outros homens para ganhar "status social". (Que homem já não foi pressionado através de brincadeiras do tipo seqüências de perguntas íntimas sobre como ele já fez sexo ou faria com certas garotas?)
Resultado: um monte de babacas desesperados atrás de mulher em bares, baladas, festas de peão, onde quer que seja... e as mulheres "se achando", com isso deixando o charme e a femininidade de lado porque o tem bastante "oferta para escolher no mercado" (embora as mais racionais já estejam de saco cheio desses caras enquanto outras estão de saco cheio de TODOS os homens, tornando-se umas oportunistas e aproveitadoras).
Por esses motivos, faço questão de aderir à campanha. Afinal de contas, não preciso gastar meu dinheiro com sexo, pornografia, ou mulheres oportunistas/aproveitadoras de plantão. (Essas aliás, me detestam... ainda bem.)
As mulheres que gostam de mim, sabem muito bem que não preciso provar minha masculinidade para ninguém, além do que as vejo como o que elas são: mulheres, seres humanos que têm necessidades de atenção, carinho, às vezes apenas companhia, ou até mesmo uns "amassos", mas não as vejo como meros objetos de prazer sexual. (É por isso que essas mulheres me admiram tanto... e eu, claro, retribuo conforme merecem, do jeito que merecem e percebo que elas gostam.)
Costumo ser sempre muito carinhoso com minhas amigas (às vezes até "extremamente" carinhoso, eu diria), mas sempre as respeitando e sendo muito sincero sob todos os aspectos.
Sexo? É bom, claro! Quando há envolvimento suficiente para isso, com certeza; do contrário, a masturbação pode ser uma solução bem mais saudável do que se pensa.
O problema do sexo com envolvimento emocional (e tá aí outro elemento que indúz a demanda pela prostituição), é que sempre existe aquele perigo de um envolvimento emocional mais sério como casamento, "juntar os trapos", compromisso, etc. ou num grau mais nocivo, a paixão obsessiva de uma das partes envolvidas.
A sugestão aí é deixar as coisas bem claras antes do clima "esquentar"... sugestão essa que não é infalível (assim como camisinha), mas se não existisse o sexo sem compromisso, não existiria a indústria do sexo.
Penso que a melhor forma de combater a indústria do sexo bem como todos os males que ela representa socialmente, é simplesmente admirar as mulheres bem como todo o seu "universo", valorizando quando elas desenvolvem-no, seja através do charme, da beleza, da delicadeza, da educação, enfim, de suas virtudes como mulher. Ora... homem que realmente gosta de mulher age desta forma.
Já o homem que vê a mulher como mero objeto de consumo, elas costumam chamar por outro nome: babaca.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Obrigado leitores por fazer deste blog o que ele é hoje. Se você colocar "Claudio Picolo" no Google e clicar em "Estou com sorte", adivinha a página que você vai encontrar... o seu blog predileto! (E para a minha surpresa, se fizer o mesmo com o nome da minha última "ex", cairá em seu perfil no LinkedIn... eu mereço!)
Este é o meu primeiro texto que estou publicando através do meu netbook novo (um Acer AspireOne D250).
Apesar de já ter perdido a conta de quantos computadores eu já tive, este é o primeiro portátil que compro na loja.
Eu poderia ter comprado uma máquina muitíssimo mais poderosa, mas o fato é que eu já tenho uma workstation poderosa suficiente para editar meus vídeos, minhas imagens, meus áudios e efetuar processamento parrudo... Mas para escrever, era como "matar mosca à tiros de astronave de combate" de modo que eu sentia falta de mobilidade e tranquilidade para escrever. Espero, com este investimento, poder com isso ganhar um pouco de tempo e fazer minhas notas, pesquisas e apresentações de forma mais direta.
Mas este não é o objetivo do texto de hoje...
A inspiração deste texto, me veio após me deliciar com o extraordinário trabalho de fotografia e direção do filme "Herói", fiquei um bom tempo meditando sobre alguns valores de modo que resolví dissertar um pouco sobre isso.



Caráter: 5 palavras e 5 valores

"Entre os que não dizem nada, poucos são os que preferem ficar calados."
("Sorte do dia" - Orkut)


Numa sociedade alienada ao consumo, como a que vivemos, torna-se muito difícil as pessoas compreenderem os reais valores por trás de palavras como honra, respeito, humildade, serenidade e lealdade.
Essas cinco palavras correspondem aos cinco elementos que formam a dignidade do caráter de um indivíduo, o alicerce de seus princípios e consequentemente a orígem de sua personalidade.
Mas hoje, as pessoas simplesmente não têm mais tempo hábil para refletir sobre o significado das mesmas, especialmente quando suas mentes se ocupam com coisas inúteis cujos valores provém de lavagem cerebral coletiva imposta pelos meios de comunicação.
Aliás, quanto menos refletirem, mais poderosos os lobbies se tornam e consequentemente, mais lucrativas as mentiras dos mesmos se tornam.
Vamos fazer um pequeno exercício: Você vai eleger o rei de um país imaginário. E eu vou lhes apresentar quatro personalidades da História como candidatos a este reinado:

Candidato 1: Filho ilegítimo de um tabelião com uma camponesa, não tinha fama de se relacionar com mulheres, foi perseguido, processado e alvo de vários tipos de maledicência.

Candidato 2: Cresceu com educação não-religiosa porque o pai considerava os rituais religiosos. Aos 3 anos de idade tinha dificuldades com a fala e na juventude, foi solitário. Aluno lento para solucionar problemas, certa vez arremessou uma cadeira sobre sua professora.

Candidato 3: A mãe morreu quando ele tinha 9 anos. o Pai, um ano depois. Sofria de sérios problemas visuais. O irmão toda hora tinha problemas financeiros. Como gostava de música, chegou a compor, mas era considerado antiquado e sem criatividade.

Candidato 4: Rapaz inteligente, condecorado duas vezes por bravura em combate, muito devotado à mãe, estudou pintura e arquitetura, estudando artes em Viena e ganhou um bom dinheiro vendendo suas pinturas quando jovem.

E aí? Já escolheu? Não?
Leia de novo se tiver dúvidas... pode ser que você se arrependa! Lembre-se: um reinado é para a vida toda...
E então? Qual candidato você escolheria partindo apenas dessas informações sobre eles?
Pois bem... lembre-se que esse exercício é para partir do pressuposto de que APENAS essas informações chegaram até você através de amigos, jornais, televisão, cartazes, rádio... enfim, o que sua imaginação preferir.
OK... as eleições acabaram e... se você votou no candidato número quatro, parabéns! Você acabou de eleger Adolf Hitler! Os outros 3 candidatos são: Leonardo Da Vinci, Albert Einstein e Johann Sebastian Bach.
Esse exercício serve para demonstrar (de forma um tanto exagerada) como é fácil atribuir valores positivos às coisas ou indivíduos, falando apenas a verdade, mas omitindo seu lado negativo.
Influenciar uma decisão importante divulgando apenas o que é do interesse que se divulgue é uma técnica bastante conhecida.
Note que a forma como a mídia divulga os dados que serão mais tarde usados para influenciar a sua decisão e consequentemente a de seus amigos é feita de forma muito sutil, como por exemplo ocorre com a propaganda de produtos ou "costumes culturais" em rede nacional, através de uma técnica muito conhecida de lavagem cerebral chamada "repetição".
O canal de televisão mais influente do país, usa muito essa técnica por exemplo, apresentando uma reportagem completa sobre futebol no começo e no final de cada bloco de cada uma de seus telejornais, que são digamos... uns 7 por dia, cada um com uns 5 ou mais blocos, totalizando pelo menos umas 35 reportagens sobre futebol por dia, fora os comerciais de produtos relacionados ou patrocinadores que relacionam seus produtos ao mesmo (geralmente cerveja) e que devem aparecer umas 2 vezes pelo menos entre cada bloco, sem contar ainda os outdoors, anúncios de jornal e rádio e consequentemente, dos alienados já com suas mentes saturadas disso ( algumas vezes lamentavelmente sem espaço para outros assuntos).
Aí quando digo que detesto futebol eu acabo mais mal-falado que o Leonardo Da Vinci, mais cego que Johann Sebastian Bach ou mais solitário que o Albert Einstein.
Bom... se levarmos em consideração que esses três ilustres exemplos fizeram mais pela evolução da humanidade do que todos os jogadores de futebol de todos os tempos juntos, eu me atrevo a afirmar que a minha escolha pessoal de deixar assuntos inúteis como futebol de lado, não é assim tão má idéia, embora eu duvide que um dia eu venha a ser lembrado como esses gigantes da cultura humana.
Prefiro refletir sobre as cinco palavras do começo deste texto: honra, respeito, humildade, serenidade e lealdade; talvez pela minha formação fortemente influenciada por valores provenientes da Ásia, onde o Império Romano nunca conseguiu ter lá grande influência, mas observemos que esses valores são muito explorados em filmes de orígem ou temas asiáticos como "Herói", "Os Sete Samurais" ou mesmo os velhos filmes do Bruce Lee.
Seria demais explicar o real significado de cada uma dessas palavras num mero texto de um blog.
São valores que como eu já disse, formam o caráter e são os valores mais importantes da educação de qualquer indivíduo.
Valores para serem experimentados ao longo de toda a vida, não para serem meras palavras perdidas ao vento.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Eu tinha umas idéias para desenvolver para postar aqui no Picolo's Blog... mas tem uma muito especial que tem prioridade para essa postagem.
É a única forma de passar um recado sem quebrar uma promessa e ao mesmo tempo, deixar público uma parte da resposta sobre a minha "reclusão social" que as pessoas estranham tanto.

E gostaria de esperar uma resposta para uma pergunta feita a muito... muito tempo. Mas depois de tanto tempo, não espero mais nada.


Pequena Divindade

"Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas."
(Antoine de Saint-Exupéry em sua famosa obra "O Pequeno Príncipe".)


Hoje é um dia especial para uma pessoa que para mim, ainda é muito especial, apesar das circunstâncias.
Alguém que tem tantas qualidades que eu não conseguiria enumerar.
Na verdade, nem sei por onde começar a defini-la e ainda estou com essa dúvida desde que a conhecí no dia 1o. de abril de 1999.
Alguém a quem eu ainda não conseguí definir melhor do que "pequena divindade" e era assim que eu a chamava nos momentos especiais em que seus olhos tinham um brilho único, só dela.
Já escreví muitas vezes sobre ela aqui no meu blog, mas já faz um bom tempo que não falo dela por aqui, apesar de eu inevitavelmente me lembrar dela todos os dias.
Geralmente quando eu escrevía sobre ela, os textos tinham um tom de saudade, de tristeza... mas as lembranças são as únicas coisas que restaram dela em minha mente... e talvez um tanto de fantasia e um penoso arrependimento por te-la deixado ir, embora eu não conseguisse encontrar outra alternativa para um relacionamento que já mostrava nítidos sinais de desgaste gerado pelas circunstâncias que vivíamos na época, de modo que eu vía no término de nosso relacionamento, uma possível solução para que ela pudesse alçar vôos mais altos sem o lastro que eu me sentia em sua vida.
Desde então, algumas coisas mudaram drasticamente.
Não me tornei rico, mas me tornei respeitável... Eu diria até que eu amadurecí (para não dizer que envelhecí); Passei a morar sozinho, tornei-me ateu, enterrei 21 anos de experiência em computação gráfica para mudar radicalmente de profissão graças a uma oportunidade e tanto... e naturalmente, tentei durante esse tempo, superar aquele momento da separação... dia após dia, ano após ano até hoje.
Ainda há quem me pergunte por que eu não tento uma reconciliação, mas embora isso pudesse me fazer muito feliz (para não dizer que é o que eu mais gostaria que acontecesse em minha vida), uma reconciliação só seria possível se ambos a quiséssemos e houvesse um acordo partindo dela... o que nunca aconteceu.
Do meu lado, estou preso à uma promessa que fiz a ela no último e-mail que a enviei numa conta que eu fiz para ela exclusivamente para nossa comunicação, num provedor que hoje nem assino mais. (Hoje ela teria de me enviar um e-mail por outra conta, o que não seria difícil para ela, já que estou quase "onipresente" na Internet, no Twitter, Orkut, Facebook, LinkedIn, etc... e em todos esses lugares há um link para o meu e-mail ou outra forma de contato.)
Do lado dela... não sei. Não faço a menor idéia.
A essa altura talvez já tenha casado, já esteja em outra vida... como eu disse, não sei. Não tenho notícias dela já faz muito tempo.
De lá para cá, conhecí muita gente, fiz muitos novos amigos e amigas... e muitos já ouviram falar dela. Acho até que já deve ter ganhado o status de "lenda"... irônicamente, como toda divindade, aliás.
Já tentei esquece-la de muitas formas, praticando hobbies talvez um tanto excêntricos (mas o que posso fazer... eu sou assim mesmo) e inclusive já me envolví em algumas aventuras das quais me arrependo, pois não me ajudaram a superar o que eu ainda considero o pior erro da minha vida e até agravaram a situação fazendo com que eu me sentisse um lixo para não dizer outra coisa...
Anos se passaram desde então e nesse tempo todo, optei pela reclusão, cansado de procurar inutilmente uma companhia capaz de me ajudar a esquecer que se um dia eu amei alguém, esse alguém foi ela... A pequena divindade, que eu nunca deixei de adorar e para quem ainda desejo como sempre desejei, toda a felicidade do mundo.
Onde e o que quer que esteja fazendo ou pensando...
Feliz aniversário, Célia.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Cá estou eu em casa, em outra madrugada sozinho, sem sono, comendo um lanchinho que acabei de preparar, acompanhado de um cálice de vinho enquanto copio um vídeo para um amigo meu e rastreio meu computador em busca de vírus, malware, etc. para fazer minha declaração de Imposto de Renda que como todo brasileiro que se preze, sairá em última hora (com 253 páginas de perguntas e respostas sobre como fazer, como o "governo" espera que seja diferente?)... Aliás, não tem coisa mais imbecil do que ter de declarar o que o "governo" já sabe, pois se não soubesse, não existiria a tal da "malha fina". Além disso, se vão "restituir", por quê nos tiram com antecedência então?
Falando francamente, essa atividade de ter de preencher formulários, coletar documentos, correr atrás de departamentos que não nos atendem direito, etc. lembram aquelas atividades que são colocadas aos membros de certas seitas para que seus seguidores não tenham tempo para questionar o por quê de as efetuarem.
Mas enfim... O texto de hoje é um convite à reflexão (como qualquer outro texto deste blog), sobre quem ou o quê nos tornamos ao longo de nossas vidas, uns conscientemente e outros nem tanto.
Faz muito tempo que quero publica-lo. Mas só hoje, tive vontade de faze-lo.



Entrevista com um vampiro... de verdade.
"A noite do remorso anda espreitando a vida pela porta da alma"
(Abílio Manuel de Guerra Junqueiro)


Picolo's Blog: Estamos aqui hoje com uma entrevista muito especial com um vampiro que se diz bastante irritado com as bobagens que o Cinema, a Literatura e a TV têm mostrado à respeito dos vampiros.
Conforme foi acordado para que esta entrevista se tornasse possível, ele pediu para que seu nome não fosse revelado, então optamos por nos referirmos a ele aqui como Orlok, em homenagem ao trabalho do cineasta Friedrich Wilhelm Murnau em seu filme de 1922, "Nosferatu".
Sr. Orlok, é um prazer te-lo aqui conosco pronto a nos revelar um pouco do que é ser um vampiro em tempos em que os temas ligados ao vampirismo estarem tão na moda.
Orlok: O prazer é meu. E o motivo de eu estar aqui é exatamente essa questão da "moda" sobre os vampiros. Assunto que me dá uma certa irritação já que nem de longe correspondem à realidade.
PB: Você quer dizer então que o que a Literatura, o Cinema e a Televisão nos têm mostrado sobre vampiros nos dá idéias distorcidas sobre isso!
Orlok: Com certeza! Eu até entendo que os roteiristas e escritores tenham de soltar sua imaginação e inventar um sem-número de possibilidades relacionadas aos vampiros, muitas vezes nos atribuindo "superpoderes" como podermos nos transformar em outros seres, ou sentir cheiro de sangue a vários metros de distância, mas a bem da verdade, somos muito mais semelhantes a pessoas comuns do que as pessoas imaginam.
Pois bem... Não nos alimentamos de sangue, não nos vestimos só de preto, não deixamos de viver durante o dia (embora o sol da manhã nos seja bastante irritante, principalmente para os olhos) e nem dormimos em caixões de defunto.
PB: Quer dizer então que vocês nem de longe são os "mortos-vivos" quase indestrutíveis do cinema?
Orlok: Claro que não! Somos tão frágeis quanto vocês humanos comuns. Nem imortais nós somos!
No máximo, envelhecemos um pouco mais devagar por evitarmos o sol a todo custo e procurar uma vida menos estressante.
Você não faz idéia do quanto economizo de combustível por mês andando de carro apenas de madrugada nem da tranquilidade de fazer compras enquanto cerca de 90% da população está dormindo.
PB: Se vocês vampiros são quase tão humanos quanto nós, então por que vocês têm fama de tanta coisa de ordem sobrenatural?
Orlok: Ora... porque idéias de coisas sobrenaturais vendem muito! E vivemos numa era em que tudo, absolutamente tudo é feito em função do lucro!
Olha só o que temos na TV hoje: Angel, Buffy, Blade, Moonlight... tudo série sobre vampiros, mas o tipo de vampiros que eles mostram nessas séries de TV sequer existe! São pura fantasia! De certa forma até eu me divirto vendo essas séries, pois acho ridículas as caras que os vampiros delas fazem mostrando os dentes feito animais. Ora... somos muito mais civilizados que isso!
PB: E quanto a "Dracula" de Bram Stoker?
Orlok: "Dracula" é um romance magnífico, mas de real sobre vampiros, só existe o lado romântico, ou seja, nossa vontade de estar com quem sentimos afeição. Somos muito emotivos de modo que temos de conviver com isso, tentando o tempo todo controlar nossos sentimentos.
É uma dor que pode, por analogia, se comparar à maldição do Code Dracula.
Acredite, não é fácil conviver com isso.
PB: E quanto à sua percepção? É mesmo tão aguçada como em séries tipo "Moonlight"?
Orlok: Olha... nem tanto. Eu diria que no máximo, aprendemos a observar melhor certas coisas como luzes, cores ou sons, especialmente a música, mas num lugar barulhento, fica difícil distinguir o que as pessoas estão falando.
A quantidade de múltiplos sons em desarmonia nos perturba profundamente, como perturbaria a um morcego.
PB: Quer dizer então que vocês têm de fato alguma semelhança então com os morcegos?
Orlok: Creio que só nesse ponto e no hábito de ficar acordado durante a noite.
PB: E o alho? Ele te afasta?
Orlok: Olha... pão de alho bem quentinho é gostoso, mas não gosto de muito alho não. Alho, assim como cebola, têm gosto muito forte e por isso mesmo têm de ser usados apenas como temperos. Aliás, acho que gosto bem menos de cebola do que de alho.
Esse papo de que dentes de alho afastam vampiros é pura bobagem.
Dou muita risada cada vez que vejo isso nos velhos filmes do Vincent Price.
PB: E quanto à transmutação? Como você se tornou um vampiro?
Orlok: Tá aí uma boa pergunta.
Primeiro que esse papo de transmutação não existe, embora alguma mulher possa até se apaixonar se um vampiro morder o pescoço dela com jeitinho, mas... é bom não confundir uma coisa com outra.
Ninguém se torna vampiro da noite para o dia.
Trata-se de uma formação de muitos anos, como conseqüência dos hábitos solitários de meditação ao longo de uma vida, somados à saudade de momentos que você não tem mais esperança de um dia voltar a revive-los e à tristeza de viver num mundo hostil, que marginaliza e zomba de todos os diferentes da maioria, sob qualquer ângulo de visão que seja.
PB: É uma vida solitária?
Orlok: A solidão no nosso caso, é uma escolha lógica, dadas certas circunstâncias.
PB: Você tem esperanças de um dia voltar a ser humano?
Orlok: Eu gostaria muito. Mas não posso fazer essa escolha.
Como todo vampiro, só posso fazer parte de outra vida, se fôr convidado.
PB: Isso não era com relação a espaços físicos?
Orlok: Não. Trata-se de outro espaço. Um espaço de vida.
Nós não temos vida própria. Ou ao menos, não sentimos nossa vida, enquanto não fazemos parte de outra vida.
Como eu já devo ter dito, a essência de um vampiro é o romantismo. E isso hoje em dia é facilmente confundido com "frescura", "viadagem" ou qualquer outra coisa do tipo.
Os humanos, me desculpe a franqueza, tornaram-se estúpidos demais para compreenderem esse tipo de coisa.
Os valores modernos que formam suas personalidades hoje, são meramente físicos.
E se me permite dizer, de humanos, vocês só têm o título.
PB: Isso é uma revelação bombástica! Quer dizer que sob o seu ponto de vista os vampiros hoje são criaturas mais humanas que os humanos?
Orlok: Eu não diria isso. Prefiro dizer que ainda sentimos valores que vocês deixaram de lado. Mas não os culpo.
A vida de dia os força a deixar esses valores de lado.
Vocês transformaram a competitividade, o lucro e a vantagem em relação ao próximo nos únicos valores que de fato lhes interessa e sem perceber, vocês agem como zumbís, controlados pela "moda", pela TV ou revistas... puro consumismo e nada mais.
Deveriam parar algumas horas por dia para meditar sobre isso.
Não fazem idéia do quanto de ganho de consciência de seus atos vocês ganhariam com esse gesto.
PB: Orlok, Muito obrigado por revelar-nos um pouco desse fascinante mundo dos vampiros.
Orlok: Não tem de quê, mas você não gostaria de ser um vampiro. Acredite. Não é fácil viver com isso, especialmente no mundo de hoje.