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quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Todas as previsões para 2009 se cumpriram: o Governo roubou tudo o que pode, um monte de investigação não deu em nada, a carga tributária aumentou, a qualidade do ensino caiu, o povo continua "zumbizóide televisivo" movido à religião, futebol e cerveja, os imbecís que detêm o poder continuam tratando a sobrevivência da espécie humana como meras questões de interesses políticos ou estratégicos, nenhuma revolução cultural aconteceu e este blog não conseguiu uma forma de as pessoas entenderem o mundo... aliás não mudou nada... A imensa maioria das pessoas que leram alguma coisa aqui, aposto que não entenderam porcaria nenhuma.


O último texto de 2009

"O sorriso que você põe para fora volta para você."
(Provérbio indiano)


Só para dar continuidade à tradição, este é o último texto do meu blog deste ano, em que mudei a cara dele, acrescentei updates do Twitter para suprir uma necessidade antiga dos leitores de sempre ter algum update, mesmo que mínimo. (Tá certo que 140 caracteres não é lá essas coisas, mas... se fosse em mandarin...)
Confesso que estou com medo de 2010. Mas quem não tem medo do futuro?
Mas o meu medo não é à toa: 2009 foi frustrante para mim no quesito "realizações": não troquei de carro, não fiz as mudanças que queria ter feito aqui em casa, não atualizei meu sistema de som como eu queria, nem conseguí as certificações que eu queria ter obtido esse ano. Se para bem ou mal, ainda não sei. E é isso que me preocupa.
Por outro lado, estou com milhares de idéias novas (e outras nem tanto) pipocando na minha cabeça e isso está me deixando maluco, já que não tenho a menor idéia de qual eu posso ou não investir para ver no que dá e não estou tendo sorte em decidir sobre isso, já que estou cansado de começar projetos e não concluir fora os outros em andamento.
No serviço, tenho tido boas novas, apesar das incontáveis variáveis geradas em função das mudanças de empresa, prédio, processos, ferramentas, pessoal, culturas... enfim, penso que o melhor a fazer agora seria aproveitar o lado bom do know-how obtido desde 2006 e começar tudo de novo do zero e é mais ou menos isso que tenho em mente como proposta pessoal... enfim. Por hora é tudo "vaporware" nesse sentido.
De certa forma já estou pondo isso em prática à partir de mim mesmo antes de sair "espalhando" por aí... e os reflexos disso estão nas minhas páginas na Internet... tudo de "cara nova".
2009 foi um ano de correrias, incontáveis más notícias, muito stress, novos amigos, ano em que surgem novas possibilidades para o futuro e sinto que algumas águas estão se dividindo, por assim dizer.
2010 será um ano em que tentarei me dedicar mais a mim mesmo ao invés dos outros, afinal de contas, eu mereço. Exceto no serviço, em que minha equipe conta comigo e continuarei me dedicando da melhor forma que puder para ajuda-los. Mas tenho certeza de que também vou precisar da compreensão e colaboração deles para que eu possa me dedicar a um projeto muito especial para o qual fui designado e é aí que a coisa pode ser complicada: estou apostando no bom-senso dos colegas. Sem isso, todos temos a perder, pois dependemos todos uns dos talentos dos outros e aqui fica a grande dica para 2010: é preciso aprender a reconhecer isso, valorizar isso e usar isso eficientemente com um detalhe: sem abusos individualistas. Uma verdadeira arte, comum no Japão, mas totalmente ignorada por nós, ocidentais.
Passei minha vida toda investindo em áreas técnicas e de certa forma, sinto que nunca saí "disso"... quero mudar um pouco. Cansei dessa brincadeira, mas agora que sei para onde quero ir nesse sentido, preciso me adaptar, aprender... enfim, me preparar... sabe-se lá pra que tipo de oportunidade que possa aparecer.
Para não dizer que não tenho nenhum projeto em mente para 2010, tenho sim... mas é segredo e não sei até que ponto é viável. Se eu decidir toca-lo em frente... e se der certo, não vai mudar o mundo nem a minha vida, mas certamente me trará uma satisfação pessoal considerável, mas como eu já disse, se eu não conseguir completa-lo vai me trazer mais aborrecimento que satisfação e de projetos pendentes que não deram certo, 2009 já me encheu.
Pelo menos em 2009 conseguí férias que eu não tinha desde 1999 (e que dei um azar do cão...) e eu juro que não fazia a menor idéia do que fazer nelas. Quem sabe 2010 eu saiba aproveitar melhor isso também?
O fato é que me tornei uma espécie de anti-social... Vivo dizendo que sou o último da minha espécie, que opto por viver como vampiro, trocando o dia pela noite para fugir da sociedade como ela é.
Eu sei que tenho um bom emprego certamente muito cobiçado por muita gente e que alcancei esse cargo após muito esforço e muita cabeçada até ser "descoberto"; que tenho amigos sensacionais que me dão orgulho por sua visão privilegiadíssima das coisas; que sou extremamente privilegiado no sentido de ter um teto para morar, ter água potável, comida com uma certa fartura e acesso a meios de comunicação de massa além de informações de acesso restrito (algumas delas públicas, mas ninguém se dá conta disso).
No entanto de tempos em tempos sinto-me inútil, deprimido, só, triste e tudo o que eu queria nessas horas é algo simples como um mero abraço, ou um pouco de atenção e carinho sinceros... de certa forma, uma utopia numa sociedade como a nossa, especialmente para alguém como eu, que me sinto o último da minha espécie.
2009 foi um ano de saudades, de peguenos bons momentos, ano que volta-se a produzir mídias de áudio analógicas no Brasil (como eu já havia previsto), ano em que comemorei algumas vitórias dos amigos. E torço para poder comemorar muito mais vitórias desse tipo, ano em que perdí muito dinheiro, mas por boas causas, ano em que apesar dos meus fracassos, sentí que pús inveja em algumas pessoas que felizmente, levam isso na esportiva.
Encerro 2009 desejando aos leitores, que as festas deste final de ano sejam repletas de sinceridade e alegria e que 2010 seja um ano inspirador, realizador, revolucionário... enfim, um grande ano para todos!

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

2009 já acabou (ou quase) e já posso concluir que foi um ano péssimo pra mim.
Não troquei de carro, não fiz os updates que queria no meu sistema de som, não tirei duas das certificações que eu queria ter tirado... aliás, nem estudar direito eu conseguí com tanta coisa na cabeça;

Iniciei um monte de projetos que para variar não conseguí dar continuidade (e eu detesto ficar com pendências);
Re-encontrei uma velha amiga de colégio que desde então quase todo dia me liga (à cobrar, porque perdeu o emprego, está sem dinheiro e a família não a apóia em absolutamente nada), dopada, dizendo que quer se suicidar (se já não o fez enquanto escrevo isso);
Meu pai passou quase o ano todo precisando de dinheiro (e eu na melhor das intenções tentei ajudar como pude, já que para piorar ele está fazendo um tratamento médico complicado...);
As coisas no trabalho estão à beira da loucura devido às confusões geradas pelas múltiplas mudanças radicais de última hora devido à migração de políticas de uma empresa para a outra (só que o cliente ainda espera que seja tudo como era antes, o que nunca mais será) e tudo tende a se tornar uma verdadeira guerra onde certamente cabeças vão rolar até que as coisas voltem a se estabilizar.
O mundo está cada dia mais buRRocrático, confuso, complexo e consequentemente ineficiente enquanto eu me sinto lutando sozinho para tentar simplificar as coisas.



Outro momento de reflexão... e outro desabafo
"Só um guerreiro pode suportar o caminho do conhecimento".
(Carlos Castañeda, escritor e antropólogo)


Em 22 dias da enquete "Este blog faz alguma diferença no mundo?", apenas 10 votos foram computados.
Destes, 6 disseram "sim e muito", 1 "quase nada" e 3 simplesmente não entenderam a pergunta, ou levaram na brincadeira e responderam "hein?"
10 pessoas em um mês "útil"... Na melhor das hipóteses, isso daria 120 leitores por ano, ou seja, 960 leitores efetivos em 8 anos de blog, apesar do número espantoso de visitas até antes do contador oficial desse blog (terceirizado) decretar o fim de suas atividades.
Na prática, isso dá uma boa estimativa matemática de que esse blog é realmente inútil.
Boa hora para uma reflexão sobre o que foi escrito aqui nos últimos 8 anos e os caminhos que esse blog percorreu até o formato atual.
Mas não quero fazer isso agora.
Na verdade, nem sei sobre o que vou escrever agora, já que nada mais choca ninguém, nada do que eu escreva causará alguma mudança no mundo (pelo contrário: é mais provável que eu acabe perseguido no futuro por causa disso).
Não sei se escrevo sobre a tal garota que foi à faculdade com um vestido curto (nada de mais, diga-se de passagem - na Europa é comum as pessoas tomarem banho de sol nuas na praia... mas lá a cultura é outra: ela existe, na verdade) e cuja reação dos estudantes mostrou exatamente o nível do que o Brasil está formando como o "futuro do país" (azar o deles, sorte dela, que agora vai faturar na mídia enquanto os babacas vão ter de ralar muito para faturar...), se falo dos deputados filmados recebendo dinheiro sujo (que não é novidade nenhuma), ou se falo do filme ao estilo "propaganda nazista" para estrear providencialmente em pleno ano eleitoral, praticamente "endeusando" o atual Presidente do Brasil a um povo que mal sabe escrever mas tem a muito "democrática" OBRIGAÇÃO de ser eleitor efetivo, ou se falo ainda da lei sobre cobrança de estacionamento que entrou em vigor para ser REVOGADA 2 dias depois num magnífico exemplo de imbecilidade do sistema legislativo a que somos submetidos (Foi como se nos dissessem na maior cara-de-pau: "Vocês são todos uns palhaços mesmo! Mando e desmando e boa!"), como se já não houvessem exemplos suficientes... A "Cidade Judiciária" aqui em Campinas, por exemplo é um imenso monumento faraônico ao despropósito, à arrogância, à mentira, à morosidade de processos intermináveis e consequentemente à injustiça pura e absoluta. Uma verdadeira sucursal do inferno na Terra: intermináveis toneladas de papel de processos parados, perdidos e cerca de 80% destes são contra o Estado, alguns em andamento há gerações. (Só para começo de conversa, você acha mesmo que o Estado teria interesse em desburocratizar o sistema judiciário com um dado desses?)
É o mínimo que se pode esperar de um país que tem legisladores que só legislam em causa própria e que têm uma Constituição Federal de fachada que na prática vale menos que as leis estaduais e ainda por cima com leis que nem foram votadas.
O Judiciário leva a má-fama pela morosidade (entre outras coisas), mas vamos dar um desconto: eles estão "presos" a um sistema Legislativo, esse sim, exemplo máximo, total e absoluto de corrupção, incompetência, arrogância e irresponsabilidade moral, política e social. - Exatamente o extremo oposto do que deveia ser.
Para resumi-lo com uma única frase: Todo o poder e nenhuma responsabilidade.
Bah!
De que adianta eu continuar escrevendo, falando, mostrando ao mundo o que todo mundo sabe se o que interessa mesmo para a imensa maioria é futebol, cerveja e bunda?
De que adianta eu escrever de arte para um povo que não reconheceria uma obra de arte nem que a Mona Lisa caísse em sua cabeça?
De que adianta eu escrever sobre música e audiofilia para um povo que escuta pagode em MP3 no carro usando-o como uma imensa caixa de som ambulante e acha que tá abafando?
De que adianta mostrar a ignorância aos ignorantes se eles vão ignorar mesmo?
De qualquer forma, este blog não foi feito para eles. Foi feito para você, leitor(a) que se conseguiu ler até aqui certamente é uma pessoa especial, é diferente, é previlegiado(a) por ter senso crítico e certamente tem uma personalidade bastante independente dos ditames da sociedade, mas assim como eu, no mínimo se sente impotente diante desse tipo de coisa.
Gente como você, é uma minoria porque ao longo dos séculos, gente como você têm sido perseguida, sacrificada, queimada, esquartejada, envenenada, enganada, roubada ou morta desde que alguém um dia descobriu (lá pela Idade do Bronze) que poderia assumir o poder enganando a grande maioria que têm preguiça de pensar ou meramente questionar e se aproveitando dessa "hipnose" coletiva baseada na paixão ilógica, partiu para a perseguição aos que não se enquadravam nesse esquema.
Gente como você é temida pelos poderosos, porque têm uma coisa que a maioria não tem: argumentos.
Gente assim consegue mudar coisas... aos poucos, é verdade, mas ainda assim são mudanças.
O problema é que estamos ficando cada dia mais extintos e cada dia perdendo mais força diante do caos em que o mundo está mergulhado.
Vivemos um clima constante de guerra, ao invés de vivermos um tempo de paz.
Sinceramente, durante o auge da Guerra-Fria, nos anos 80, em que o mundo poderia acabar a qualquer momento com algum idiota apertando um mero "botão vermelho" iniciando uma guerra global termonuclear, eu me sentía num tempo de muito mais paz, tranquilidade e humanidade do que hoje em que me sinto tendo de disputar em tudo com todos.
Estou cansado disso. Estou cansado de ter de disputar tudo. Eu só quero viver! Só isso!
Cansei de brigar e pronto.
Foda-se! Vou tomar um banho, encher um cálice de um bom Cabernet Sauvignon, pôr meus fones e ouvir "The Wall" do Pink Floyd... depois eu decido se vou me suicidar ou não.