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sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Estou cansado de escrever aqui no meu blog. Falta-me vontade, motivação, inspiração...
Eu estava pensando em escrever sobre idiomas, embora eu não tenha feito faculdade de Letras, o que não me dá competência para escrever sobre isso. Aliás, nem faculdade eu fiz (e sinceramente, com a atual banalização dos sistemas de "ensino superior", duvido que muito em breve, isso faça alguma diferença).
Nada identifica tanto um povo quanto seu idioma. Tanto que um país conquistado numa guerra na imensa maioria das vezes acaba se vendo forçado a aprender o idioma do conquistador.
E é aí que está o problema: muitos idiomas estão se perdendo, e com eles toda a cultura que eles carregaram um dia, bem como toda a riqueza que o costume da articulação de cada um deles confere aos singulares pontos de vista e valores de cada um desses idiomas.
Na ilha de Okinawa por exemplo, o dialeto uchinaguchi ainda é falado, embora por uma minoria, já que o governo japonês não reconhece o uchinaguchi como um idioma oficial e mesmo o nihongô (o japonês oficial) está perdendo sua identidade, substituindo palavras japonesas por versões deformadas de orígem inglesa.
Já na Europa, idiomas antigos como o gaulês estão prestes a se extinguirem.
A cada semana, um idioma é extinto. Nesse ritmo, até o final do século 21, cerca de 90% dos idiomas falados hoje, terão se extinguido.
Preserva-las de alguma forma, a meu ver, hoje é o maior desafio dos linguistas do mundo todo.
E ontem foi o "Dia Nacional do Livro" e coincidentemente ou não, encontrei um vídeo maravilhoso com a voz de Sean Connery declamando o poema "Ítaca", de Konstantínos Petrou Kavafis ("Κωνσταντίνος Πέτρου Καβάφης"), ao som de uma magnífica música de Vangelis.
Mas uma coisa me incomodou profundamente: a tradução posta nas legendas.
Revirei a Internet em busca de uma tradução melhor, mas... era uma pior que a outra: todas cheias de floreios e vocabulário raro, que mais deforma do que agrega a versão em inglês. Então fiquei com vontade de fazer minha própria tradução.
Imagino o quanto o original em grego deva ser expressivo... mas como não falo grego, o(a) leitor(a) terá de se contentar com uma tradução do inglês mesmo:




Ítaca

de Konstantínos Petrou Kavafis ("Κωνσταντίνος Πέτρου Καβάφης")



Quando você partir para Ítaca
deseje que sua jornada seja longa,
cheia de aventuras, cheia de descobertas.

Lestrigões e Cíclopes,
o zangado Poseidon - não temas:
você jamais encontrará coisas como essas em seu caminho
enquanto mantiver altivos seus pensamentos
enquanto uma rara sensação
toca seu espírito e seu corpo.
Lestrigões e Cíclopes,
o feroz Poseidon - você não os encontrará
a menos que os traga em sua alma,
a menos que sua alma os ponha à sua frente.

Deseje que sua jornada seja longa.
Que hajam numerosas manhãs de verão em que,
com prazer, com alegria,
você chegue a portos que avista pela primeira vez;
Que você pare em postos de comércio fenícios
para comprar coisas finas
madrepérola e coral, âmbar e ébano,
perfumes sensuais de toda espécie -
todos os perfumes sensuais que puder;
e que visite muitas cidades egípcias
para aprender e aprender novamente com aqueles que sabem.

Mantenha Ítaca em sua mente.
Chegar lá é a você, destinado.
Mas não se preocupe com a jornada.
Melhor que demore muitos anos,
de modo que chegue à ilha envelhecido(a) pelo tempo,
mas saudável com tudo o que obteve no caminho,
não esperando que ítaca o(a) torne rico(a).
Ítaca já lhe deu uma bela viagem.
Sem ela, você nem teria partido.
Ela não tem mais nada a lhe dar agora.

E se a achar pobre, Ítaca não a teria enganado.
Sábio(a) como você terá se tornado, tão cheio(a) de experiência,
Você terá compreendido o que Ítaca significa.

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