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segunda-feira, 23 de março de 2009

Meu carro tá feio, sujo e com aspecto de ter voltado de alguma perseguição de carros de filme estadunidense, com explosões, batidas, tiros e tudo.
Contratempos como um irresponsável anônimo que bateu nele no estacionamento do shopping center conferem-lhe um toque especial bem quando pretendo vende-lo.

Já ví que vou ter de reforma-lo ao invés disso porque não encontro um carro que me contente com um preço justo já que todos de 1995 para cá parecem descartáveis como quase tudo na vida ultimamente, o que tem me deixado profundamente aborrecido. (E lá se vai parte do dinheiro que eu gastaria num carro mais novo.)
Digamos que a minha auto-estima não anda lá muito bem ultimamente por causa disso entre outras coisas.
Estou cansado de um mundo de coisas "descartáveis"! Quero coisas duráveis para variar!
Se eu tivesse só um dia de azar, me sentiria muito melhor: ser azarado todo dia é um porre!


Coisas ilógicas e desnecessariamente irritantes

"Lógica é uma coisa. Senso comum é outra."
(Elbert Green Hubbard - "Livro de Notas")


Esta semana eu ví uma reportagem sobre uma pesquisa da Universidade de Osaka que concluiu o óbvio: que pessoas que têm uma vida social têm em geral maior probabilidade de ter uma vida mais longa e que pessoas que vivem extremos de stress, bebida ou solidão, vivem menos tempo. (Puxa! E esses pesquisadores receberam verba de pesquisa para concluírem isso?)
O que me deixou realmente irritado foi desvirtuarem completamente a notícia como sendo "mais um argumento de justificativa para ir ao bar beber cerveja com os amigos" e o resto do tempo da reportagem (cerca de 3/4 do tempo) foi inteiramente gasto só nesse sentido!
(Re-leiam o texto "Elementos Alienantes - Parte 6: Cerveja - nem de longe tão inofensiva quanto se diz" neste mesmo blog.)
Aliás, se "vida social" se traduz na palavra "cerveja", previro continuar tendo a minha vida de recluso convicto.
E hoje me sentí realmente incentivado a isso: fui a um aniversário em que eu era o único cidadão com idade entre 10 e 70 anos, não havia nenhuma bebida alternativa à porcaria da cerveja (que todo mundo sabe que detesto) e a comida era uma droga!
Ao invés de ter ido lá, eu deveria ter ido tomar uma soda italiana num excelente café que descobrí aqui na cidade, tanto de atendimento quanto de ambiente e produtos.
Um verdadeiro oásis no meio desse deserto (e cuja música ambiente tinha desde Jean-Michel Jarre até Vivaldi em um contraste absurdo com um bar em frente tocando pagode como o resto da cidade).
Mas voltando ao assunto, agora à pouco, enquanto eu me deliciava com a requintadíssima interpretação de "Temptation", por Diana Krall, passei a meditar sobre esses assuntos e resolví escrever esse texto aqui, meio sem nexo nem objetivo algum (até porque como sempre, duvido que esses meus textos possam de alguma forma influenciar toda uma sociedade alienada).

Vivemos num "país" rico de comportamento pobre, porque a riqueza do povo é gasta com impostos.
Mas há uma diferença substancial entre ser pobre e ter comportamento pobre.
Já abordamos o assunto várias vezes aqui nesse blog, mas não custa deixar claro que o pobre autêntico merece respeito, enquanto o pseudo-pobre merece ser ignorado para deixar de ser ignorante.
Eu pelo menos ainda não desistí de buscar uma vida com um certo grau de requinte, apesar das minhas orígens, digamos, difíceis.
Mas convenhamos... Por que as pessoas se contentam tão facil com tudo sem buscar um mínimo de qualidade, de tentar se aperfeiçoar...
É difícil? Sim, é! Especialmente quando se está tentando nadar sozinho contra todo o resto do cardume que prefere nadar em favor da maré porque é mais fácil.
E há umas coisas bestas que me aborrecem profundamente e que são freqüentemente atribuídas a comportamento de pobre, mas que pessoas de classe média também praticam com muita freqüência.
Exemplos:

Controles remotos com filme de PVC
OK... muita gente usa desse recurso para evitar a entrada de poeira dentro do aparelho de controle remoto, mas convenhamos: o mínimo que se poderia fazer é trocar o filme de PVC de vez em quando, né?
Tem coisa mais nojenta que pegar um controle remoto todo engordurado, pegajoso e rasgando à toa?
Até acho de muitíssimo bom senso a pessoa querer conservar o que adquiriu com sacrifício (embora os produtos eletrônicos de hoje sejam quase que completamente descartáveis), mas convenhamos... Controles remotos (pelo menos hoje) são feitos para serem bem mais resistentes do que se pensa, a menos que você é daqueles que perdem a paciência quando a pilha está fraca e tenta apertar os botões com mais força.
Pouca gente sabe, mas muitos desses aparelhos (pelo menos a maioria dos que podem ser abertos), têm um teclado de silicone praticamente indestrutível, que pode ser retirado, lavado e os contatos podem ser refeitos com um simples cotonete e um pouco de pó de grafite.
Quanto aos contatos da placa, podem ser limpos com isopropanol (álcool isopropílico).
Logo, não existe a necessidade do filme de PVC.
Eu prefiro limpa-los externamente com algodão úmido. Em último caso, um pouco de detergente diluído ajuda a limpar sem danificar o silk-screen.

Bolo salgado (o chamado "pão de camada")
Ô coisa nojenta! As salmonelas agradecem a existência dessa iguaria (para elas), não importando a variação da receita.
Não, muito obrigado. Prefiro coxinha de padaria daquelas bem gordurosas.
Aliás, já comí muito bem em lugares de aspecto horrível e muito mal em certas festas de aniversário de gente que quer parecer mais pobre do que é.
Diga-se de passagem, certos lugares de aspecto horrível costumam servir comida muito melhor (e mais barato) do que muitos restaurantes "chiques" em que já estive.

Palha de aço em antena interna de TV
Sempre que vejo isso me pergunto sobre os limites da lenda urbana.
Palha de aço é uma maravilha para soltar fiapos de metal que vão direto para dentro dos aparelhos de TV e adoram provocar incêndios ou queima de componentes.
Se o cidadão é pobre e não tem dinheiro para comprar uma antena, é preferível usar um pedaço de arame e fazer uma antena dipolo caseira. A menos que queira ficar ainda mais pobre pagando conserto ou troca de televisor ou o prejuízo do incêndio.

O mundo à nossa volta é cheio de coisinhas bestas que não temos o costume de reparar e que podem (e precisam) ser melhorados, mas - repito - não temos o costume de reparar, porque se tornaram corriqueiras, naturais.
Pior: temos preguiça de mudar, na maior parte das vezes falta a motivação necessária para isso e não faltam desincentivos.
Por exemplo: responda rápido: qual é a panela que tem maior probabilidade de fazer sujeira na cozinha? (Já escreví sobre isso no texto "Crise".)
A frigideira, certo?
Então por que é que elas não são vendidas com tampa?
Até agora ninguém me deu uma explicação logicamente aceitável.
Vai ver não temos uma sociedade lá muito lógica.
Melhor eu continuar minha vida de recluso antes que alguém chame a NASA e queiram me mandar para a Área 51 para ser autopsiado.

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