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quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Mais um ano está terminando e com ele, mais um segmento da História humana foi escrito.
2008 foi um ano bom para mim, mas poderia ter sido ainda melhor se a minha impaciência não me atormentasse.
Meu "feeling" me diz que há tendências boas se formando para os audiófilos do Brasil em 2009, com uma gravadora montando uma fábrica de discos de vinil no Brasil, seguindo uma tendência mundial de uma espécie de "revival" do áudio analógico (o que me dá idéias imediatas sobre o que escrever neste blog para o ano que vem, mas não sei ainda se... enfim...)
A falta de tempo tem feito com que a quantidade de textos que tenho postado por ano fosse reduzida e muito provavelmente 2009 não será diferente.
Um provérbio indú (ou indiano, como preferir), diz que "o sorriso que você põe para fora volta para você.", é bastante sábio no que diz respeito às leis de ação e reação do Universo, em que você pode fazer seu destino, ajudando as pessoas e com isso, sendo ajudado de modo que todos saem ganhando.
A minha dica é... Surpreenda alguém em 2009, ou mesmo à partir de agora e... você poderá se surpreender também.


O último texto de 2008

"Um homem cujos erros levam 10 anos para corrigir, é um homem completo."
(Julius Robert Oppenheimer)

Como parece que já está se tornando meio que uma tradição nesse blog, tenho feito textos mais introspectivos de final de ano e esse ano, escreví bem pouco aqui (só 15 textos, inclusive esse), reflexo de escassez de tempo, mas não de reflexões sobre o mundo, sobre a vida, sobre o futuro ou passado, sobre esperanças ou saudades.
Em 2008, deixei de praticar io-iô como praticava, não por não gostar do esporte, mas por enjôo de ver sempre os mesmos assuntos, ou de me sentir "deslocado" demais da imagem que quero deixar para o mundo sobre mim mesmo.
Infelizmente a idéia que a sociedade tem dos praticantes de io-iô é a de que não passam de garotos imaturos ou rebeldes que não fazem outra coisa da vida, o que nem de longe corresponde à realidade, embora hajam de fato jogadores de io-iô que constroem essa imagem, mas conhecí jogadores extraordinários de reconhecimento internacional que são geralmente artistas: publicitários, fotógrafos, desenhistas, músicos, ou técnicos e pesquisadores. Mas a imagem estigmatizada que a sociedade tem dessa "tribo", infelizmente é muito difícil de mudar e gastar o raríssimo tempo que tenho lutando contra esse tipo de estigma, correndo ainda o risco de deixar uma imagem estigmatizada desse tipo de mim mesmo, não é exatamente o que tenho em mente, especialmente porque preciso cuidar da minha imagem num ambiente corporativo internacional... Mas de vez em quando ainda pego algum io-iô e jogo sozinho, meio que como uma terapia, longe dos olhares desconcertantes de um mundo preconceituoso que só consegue ver no io-iô uma imagem de algo sem futuro (enquanto a NASA desenvolve construções espaciais baseadas nos estudos dos movimentos dos io-iôs), mas enfim... não dá pra mudar o mundo.

Em 2008, passei a dever a um simples toca-discos que ganhei de presente de um amigo, a "erupção" de uma paixão que sempre tive desde a minha infância e que estava meio que "adormecida" há muitos anos: a audiofilia.
Bom... Na verdade, passei anos "brigando" com o áudio digital e concluí que não dá mais para perder meu tempo tentando arrancar detalhes de onde não existem. Logo... voltei para o som analógico e mandei o som digital para o lugar dele: A medíocre praticidade de ter 2GB de MP3 num celular para ouvir no ônibus e me abstrair do sambinha do motorista.
Áudio é única paixão da minha vida que nunca me decepcionou, me agraciando com sons, acordes e expressões despercebidas dos ouvidos menos treinados (do mesmo mundo que pensa que todo ioiozeiro não passa de moleque vagal) que acabei investindo bastante nesse setor e até penso em uns upgrades no meu velho setup... projeto pendente para 2009, se tudo der certo.

2008 foi um ano muito bom para mim profissionalmente, mas talvez não tenha sido para algumas pessoas que conhecí e por quem eu tenho torcido muito, por isso termino o ano um tanto triste por elas, mas são pessoas fortes, inteligentes e tenho certeza de que darão a volta por cima, de modo que não preciso me preocupar... São pessoas que merecem muito mais do que o azar de terem feito escolhas ruins. Continuo na torcida pelo sucesso dessa gente com quem tive o prazer de conviver como colega de trabalho, alguns como amigos e até como admirador.

Termino 2008 solitário, por opção.
Já sei bem o tipo de mulher que me interessa e já passei da fase de me arriscar em aventuras sem perspectivas construtivas.
A quantidade e o tamanho dos erros que cometí nesse campo, me dão total competência, para poder afirmar categoricamente que a minha vida sentimental até hoje só teve final desastroso para mim e para minhas ex-companheiras... especialmente uma: aquela que odiaria o meu projeto de investir num upgrade do meu sistema de som, que adoraria me ver jogando io-iô, detestaria saber que algum dia admirei alguém além dela e que apesar disso, apostei com uma amiga que se ela desse sinal de vida antes da virada para o ano em que completaríamos 10 anos de termos nos conhecido, eu lhe faria uma pergunta que poderia mudar até mesmo a resposta a uma pergunta que ela me fez no dia em que me separei dela... e que não respondí.
Tá aí uma aposta que eu gostaria de perder. Se eu ganhar... bom... não combinamos nada. Acho que vamos apenas continuar tomando café e jogando conversa fora...

Eu já passei por muita coisa na vida... Em 2009 completo 38 anos.
Sobreviví aos tempos da ditadura; marchei em 7 de setembro; ví o lançamento do primeiro filme da série "Guerra Nas Estrelas"; testemunhei a Guerra Fria; a queda do Muro de Berlim; a ascenção e queda da Atari; já morei em edícula cheia de goteiras; já ajudei a construir uma casa com as próprias mãos e ví meus pais terem de vende-la; já reaproveitei coisas do lixo; já estudei em colégio pobre e colégio chique; já fui católico, protestante, fundacionista e ateu; já me apaixonei e me iludí bastante; já conhecí bastante gente famosa; já trabalhei para empresas pobres e hoje trabalho para algumas das empresas mais ricas e poderosas do mundo; já morei sozinho durante anos; consertei muita coisa, estraguei outras; ensinei muito e aprendí bastante; rí bastante e chorei muito; tenho minha assinatura numa sonda espacial que hoje orbita Saturno; ví gente nascendo, crescendo, casando, tendo filhos, morrendo... e comemorando reveillons ano após ano, enquanto os dias da minha existência continuam indo... um dia por dia.
2009 vem aí. Que tipo de surpresa poderia marcar a minha vida agora?
E a sua?

domingo, 7 de dezembro de 2008

Acredito ser esse o último texto da série "Elementos Alienantes".
Foi cansativo escrever uma série tão longa, mas essa é definitivamente a série de textos mais importante que já publiquei em Picolo's Blog.
Se você está chegando agora, recomendo ler cuidadosamente toda a série "Elementos Alienantes" aqui nesse blog antes de ler esse último texto.
Esse último texto, como eu disse, vai causar muita polêmica e não estou nem aí pra isso.
Se você aceita ou não, o problema é seu.
Além disso, eu não sou exatamente o cara mais indicado para falar desse elemento alienante especificamente, porque tenho muitos motivos pessoais para odia-lo profundamente com todas as minhas forças de modo que a minha opinião no texto de hoje acaba lamentavelmente se apresentando como altamente suspeita. (Já deixei de aproveitar muitas boas oportunidades por causa desse elemento e odia-lo de certa forma ajudou a me tornar o recluso que sou hoje.)
No entanto, prometo aos leitores que tentarei ser o mais imparcial possível ao apresentar aqui, os fatos que venho pesquisando, observando e coletando ao longo dos anos.
Procurarei também expôr as fontes de onde obtive as informações para que o(a) próprio(a) leitor(a) possa tirar suas próprias conclusões além dos já tradicionais hyperlinks com os quais o(a) leitor(a) já está acostumado(a).




Elementos Alienantes - Parte 6:
Cerveja - nem de longe tão inofensiva quanto se diz


"Mede-se a grandeza de uma idéia pela resistência que ela provoca."

(Anaxágoras de Clazômenas)

Como tenho repetido ao longo desta série, muitos dos valores em que a nossa sociedade se baseia para a definição de seu comportamento, infelizmente provém de idéias implantadas artificialmente como se fossem verdades absolutas e muitas destas estão bastante longe da realidade.
A quantidade desse tipo de valores é absolutamente incontável assim como a idade da imensa maioria das mesmas.
Tenho procurado apontar os elementos alienantes mais óbvios e nítidos ao longo desta série, mas o(a) leitor(a) já deve ter observado que boa parte da sociedade em que vivemos reconhece vários deles e simplesmente os aceita pacificamente como os "porcos selvagens" citados em "Elementos Alienantes - Parte 3" e se parar para fazer um pequeno exercício de refexão, poderá chegar à pergunta: Por quê as pessoas que percebem desses elementos não se defendem dos mesmos?
A resposta está em observar o comportamento de uma pessoa dopada, drogada, ou bêbada, que age conscientemente sem dar a mínima para a qualidade de seus atos, agindo emocionalmente, porém sem a mínima lógica, mais ou menos como ocorre com as vítimas do golpe conhecido como "boa noite cinderela".
Agora, imagine se você puder aplicar um "boa noite cinderela" em escala global.
Pois bem... eu disse que esse texto causaria resistência e não é à toa.
As pessoas tendem fugir desse tipo de reflexão em escalas globais, pois tendem a ver as coisas em escala muito pequena por julgarem ser demais para elas, num belo exemplo de preguiça mental, mas isso não é culpa delas, uma vez que são induzidas a isso desde crianças há gerações desde a Idade do Bronze, (ou talvez antes).
A bem da verdade, a cerveja atua principalmente como um tipo de potencializador dos outros elementos alienantes já citados nessa série e o pior é que seu consumo foi impregnado na sociedade ao longo da história de modo que a própria sociedade em sí funcione em torno dela.
Numa cuidadosa observação nos caixas dos supermercados, o(a) leitor(a) poderá observar que apesar dos efeitos que causa, o produto está entre os mais vendidos (se não fôr o mais vendido) nos supermercados. Vende mais que arroz, leite ou feijão. (E pasmem! Tem gente que deixa de comprar leite pras crianças pra comprar a dita cuja!
Que a Cerveja quimicamente é uma droga, nenhum bioquímico do mundo nega. E não é porque o seu consumo é permitido por lei que deixa de ser perigosa. Aliás, o seu consumo é extremamente estimulado pelos meios de comunicação (que como já foi dito nessa série têm ligações diretas com a política), bem como pelo lobby formado pelos fabricantes.
O que as pessoas têm tendência de negar é que ela é nociva ao organismo e principalmente ao cérebro, mesmo tendo a maior parte de sua composição feita de água, que como "solvente universal", serve apenas como meio de transporte para a droga propriamente dita.
Todo "apreciador" de cerveja "sabe" muito bem do que toda cerveja é feita, ou seja, malte, cevada, levedo, lúpulo e água. Pode perguntar a qualquer um num bar qualquer.
Agora... experimente perguntar mais fundo como... o que é lúpulo exatamente, e a cevada? Poucos, senão nenhum vai dizer que o "tal" do lúpulo é uma planta da espécie Humulus lupulus, da família Cannabaceae que é a família botânica da Cannabis sativa, da qual se produz haxixe e maconha, ou que a cevada (Hordeum vulgare) é uma gramínea, muito usada como alimento para animais e humanos mas que, se fermentada como ocorre na cerveja (junto com os outros ingredientes da mesma), o resultado é uma boa quantidade de álcool que como muitos sabem, em quantidade acima da moderada, causa sérios distúrbios cerebrais (vários deles permanentes) e diversos tipos de câncer. Ou ainda que o levedo da cerveja, é um organismo eucariota que pertence ao grupo dos Fungos. Se chama Saccharomyces cerevisiae e é a mesma levedura do pão, podendo ser usada para a produção de etanol, um álcool etílico usado como um combustível tóxico muito conhecido pelos danos cerebrais irreparáveis que pode causar se ingerido, de entre eles, o mais conhecido é a cegueira.
Além de se desenvolver naturalmente no pão, se desenvolve também naturalmente em esterco, em especial, fezes de gado e cavalos.
Os efeitos da cerveja no cérebro humano certamente já são conhecidos desde os primeiros indícios de sua produção ou seja, pelo menos 4000 a.C. e desde então, sabendo do fato de os bebedores da mesma além da euforia e sujeição ao vício, tendem também a ser sugestionáveis através de um fenômeno bioquímico conhecidos hoje como "desconexão sináptica", os grandes impérios (como o Egípcio, o Babilônico e o Sumério e mais tarde, durante a "Idade das Trevas", pela Igreja Católica e hoje, pelos meios de comunicação de massa) passaram a indicar cerveja para quase tudo, decretando o seu consumo como praticamente uma obrigatoriedade.
Ora... os antigos impérios sabiam muito bem o que estavam fazendo ao estimular o seu uso.
Para se ter uma idéia do quanto os antigos impérios conheciam os efeitos desse tipo no cérebro das pessoas, o chá de jasmim por exemplo, foi proibido na China Imperial, exceto para o Imperador e para a Família Real (que consumiam o chá diariamente), pois este causava exatamente o efeito de estimular as ligações sinápticas.
Mas as empresas de propaganda faturam milhões com campanhas massivas... E é claro, vão defender a todo custo esse nicho. (Naturalmente tentando a todo custo atribuir imagens de prazer ao produto, uma técnica amplamente utilizada no meio publicitário como mensagem sub-liminar.)
Nenhum comercial de cerveja mostra o que acontece com quem "bebe todas", como por exemplo os vômitos, as ressacas, os acidentes de trânsito, ou as brigas de família. (Veja esses vídeos. Isso aqui é a realidade: vídeo1, vídeo2, vídeo3,)
O "governo" tentando disfarçar de tempos em tempos até faz umas campanhas tímidas para dar uma de "eu não tenho nada a ver com isso"... Mas o fato é que graças ao "lobby", a lei da "vista grossa" termina por virar medidas paliativas como certas alterações recentes no código de trânsito (nítidamente arrecadatórias, pra variar, já que ninguém vai mudar de hábitos mesmo).
A impregnação na sociedade chega a tal ponto que numa pesquisa* realizada na Inglaterra por psicólogos, jornalistas e especialistas em marketing, com o intuito de demonstrar o poder dos meios de comunicação de massa, concluiu-se que apenas uma parcela ínfima da população realmente gostava de cerveja e que a imensa maioria dos que se diziam "apreciadores de cerveja" na verdade o faziam apenas por um fenômeno amplamente conhecido na psicologia como "indução social".
(Se você já viu alguma pegadinha na TV do tipo... um "pesquisador" pedindo a opinião de um transeunte e um casal próximo dando opiniões absurdas e o cara aceitar as opiniões como se fossem suas, sabe do que estou falando.)
Se você prestar bem atenção, sempre que um bebedor é filmado ou fotografado, faz questão de levantar o copo para mostrar que está lá bebendo todas, como se o cobrassem por isso e quisesse se afirmar socialmente.
Apesar de muitas vezes atribuir a idéia de que os árabes inventaram a cerveja, eles normalmente não têm o costume de freqüentar bares. Preferem freqüentar cafés.
Árabe pode ser tudo menos bobo. Vai ver é por isso que estão construindo tudo aquilo lá em Dubai enquanto aqui no Brasil a gente constrói favela.

Fontes:
Wikipedia, Super-Interessante, Canal Futura, TV Escola, BBC e posts dos tópicos da comunidade do Orkut "Eu Odeio Cerveja!".
* Ainda estou caçando os dados para saber quando e de que forma essa tal pesquisa foi feita. Lamentavelmente não conseguí encontrar onde ela foi publicada.