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sábado, 18 de outubro de 2008

O texto de hoje, não coincidentemente após a semana do "dia dos professores", é dedicado aos verdadeiros mestres. Não os que ensinam por ensinar, mas os que vão além do currículo proposto para ser ensinado.
Gente que eu admiro, e que me fizeram ter a visão para perceber o quanto sou insignificante diante do Universo.
Algumas pessoas acham que eu sei de tudo... já brincaram comigo me chamando de "Picolopedia" e outras coisas... mas esse cara que as pessoas acham que sabe de tudo não passa de um infeliz ignorante solitário num mundo mais ignorante ainda.

Por isso esse blog é uma guerra declarada à ignorância. A minha, inclusive.
O meu pai diz que o que eu tenho de aprender agora que alcancei um bom grau de reconhecimento profissional, é viver. Talvez ele tenha razão.
Na verdade, os meus pais me prepararam para um monte de coisa, menos viver em família. - Herança de ter me criado numa casa em que meus pais não se entendiam.
O resultado: Eu não sei por exemplo, como conviver com a felicidade sem fazer um monte de bobagens das quais eu me arrependo amargamente e não consigo me perdoar.
Eu queria que tivesse sido diferente, mas infelizmente já perdí esse "bonde", por medo, por ignorância e até por respeito a valores individuais.
Todo ignorante é um alienado. E eu, como bom ignorante, sou alienado pelo sentimento de solidão, pelas lembranças das minhas experiências de vida e pela recusa a ser e agir como a maioria das pessoas deste mundo.
Já me chamaram de "vencedor", de "o cara", de "mestre" (sem ter mestrado em nada), de "doutor" (também sem ter doutorado em nada)...
Na verdade, eu não sou nada disso.
Não passo de um indivíduo qualquer, cheio de defeitos e manias, envelhecendo sozinho, isolado na medida da minha decepção para com o mundo, com a sociedade, com a vida...
Não estou aqui neste mundo pelo dinheiro, ou pelo poder. Esses são valores ilusórios e egoístas demais para o meu ponto de vista, embora ditem a existência do resto do mundo.
Eu estou aqui só pela glória da minha morte nesta guerra e só o futuro dirá se valeu a pena a minha existência na Terra... ainda que eu sempre me sinta "sozinho" nela.



Elementos Alienantes - Parte 4:
A Indústria do Pseudo-Certificado


"Se dois homens vêm andando por uma estrada, cada um carregando um pão, e, ao se encontrarem, eles trocam os pães, cada homem vai embora com um;
Porém, se dois homens vêm andando por uma estrada cada um carregando uma idéia, e, ao se encontrarem, eles trocam as idéias, cada homem vai embora com duas."
(Provérbio Chinês)


Eu planejava escrever sobre outro assunto nessa seqüência da séria "Elementos Alienantes".
mas esse foi um dos assuntos que apareceram no meio do caminho e que eu não tinha imaginado que poderia ser classificado como "elemento alienante"... E nesse caso, trata-se de um daqueles elementos tidos como "necessidade básica" sem de fato o ser.
O pior é que é só um dos zilhares dessa classe, cujo valor estimado está muito além do valor real.
Para entender como esse tipo de elemento nasce, vamos repassar um pouco de programação neurolinguística...
O ser humano tem 3 níveis de consciência. O primeiro nível é a consciência, que faz com que tomemos nossas decisões baseadas em valores pessoais que arrancamos do "segundo nível , ou seja, o nosso sub-consciente e que são construídos ao longo de nossas experiências de vida sem percebermos, através do "terceiro nível", ou seja, o inconsciente.
Pessoas inteligentes têm domínio do segundo nível porque conseguem "filtrar" sua inconsciência e não deixar que qualquer coisa vire valores que poderão ser usados como peso para decisões futuras sem uma cuidadosa validação desses valores.
No entanto, isso não acontece com a maioria da população (e um dos elementos alienantes do qual pretendo falar mais tarde, num texto à parte, aparentemente é o principal responsável por esse tipo de comportamento, atuando como um "catalizador da preguiça mental" na maioria das pessoas que usam esse elemento em suas vidas).
A maior parte da população, age quase que por instinto, sem validar os valores que lhes são apresentados.
Exercício: escolha uma frase de efeito afirmativa que tenha ares de provérbio sábio e cite para um popular qualquer de instrução média-baixa (esse tipo está cada vez mais abundante nos tempos de hoje).
Se ele responder imediatamente dizendo "verdade", esse já atribuiu o valor da frase em seu subconsciente sem questionar.
Se ele repetir a frase e dizer imediatamente "verdade", também. No entanto, esse talvez ainda se lembre da frase no futuro (ao contrário do primeiro que nem se lembrará dela, mas assumiu os valores da frase como valores que seguirá no futuro.
Se ele questionar a frase... esse tomou uma atitude inteligente.
Pois bem... agora podemos começar a explicar o elemento alienante de hoje.
Na verdade, trata-se de péssimo hábito que começa muito freqüentemente nos departamentos de RH das empresas que com o único intuito de reduzir o número de pessoas para serem entrevistadas, acabam laborando anúncios com uma frase em especial: exige-se curso "assim" ou certificação "assado".
O que parece uma medida inocente que poderá facilitar a vida dos entrevistadores é na verdade um incentivo a um dogma que se tornou uma das indústrias mais lucrativas da nossa época: a indústria do diploma, ou do certificado.
As pessoas em busca do emprego, mesmo que absolutamente bem qualificadas para o cargo em questão, simplesmente deixam de aparecer. (Aí a galera do RH vem com a desculpa esfarrapada de que não acha pessoal qualificado... ridículo, não? Se pusessem apenas as exigências realmente necessárias nos anúncios...)
Pois bem... esses "frustrados" que não têm a maldita certificação se sentem então forçados a fazer os cursos exigidos meramente por que são exigidos, ou seja... apenas para se sentirem confiantes para se apresentarem para uma entrevista futura. Nada mais que isso.
Nenhum crescimento pessoal ou profissional... nada. Apenas para poderem apresentar o maldito papel exigido.
De olho nesse povo, gente esperta e cheia da grana, viu um mercado extraordinário e agora vemos pseudo-faculdades "pipocando" aos montes em tudo quanto é lugar, se confundindo com faculdades e universidades de verdade, que muitas vezes se vêm forçadas a assumir um comportamento semelhante ao dessas "empresas de ensino", ou seja: pagou, passou. (Oh... o que conheço de professor puto da vida com esse tipo de coisa... e com razão.)
Okay... terminado o curso, o nosso herói que gastou um dinheiro que não tinha e um tempo precioso da sua vida vai para a entrevista de emprego e de repente se estrepa... Oras... o que aconteceu?
Simples: o(a) entrevistador(a) percebeu que pessoas diferentes com o mesmo certificado da mesma instituição muitas vezes têm qualificações práticas diferentes e que o certificado cuja invencão de exigência do RH no final das contas não serviu como elemento de medida, porque da mesma instituição apareceu um cara que domina os assuntos em questão e outro que não.
Logo... o tal do "papel" acabou não valendo absolutamente nada mais do que nada e o nosso herói perdeu tempo e dinheiro.
Entenda por "nosso herói" por exemplo, os milhares de estudantes que terminam o segundo grau e partem desesperados em busca de um certificado de nível superior, qualquer que seja, não com o intuito de se desenvolverem como indivíduos, mas acreditando na propaganda social de que o tal certificado é "garantia de emprego", ou "garantia de futuro".
Agora, tem empresas faturando com isso também... empresas cujo foco principal deveria ser o produto que vendem, como software, hardware ou qualquer outra coisa ao invés dos cursos que "promove" (na verdade, vendem e faturam aos montes com cursos, apostilas, livros, licensas de uso de seu material "educativo"... e pior: "empurram" para o mercado como uma necessidade a ser exigida e... lá vamos para o anúncio do RH de novo...
Conselho aos leitores: Não caiam nesse papo furado em hipótese alguma! Se vocês quiserem fazer cursos, ótimo! Mas não o façam porque o mercado de trabalho "exige". ou porque vocês "ouviram falar" que vocês precisam... Faça-os por vocês. Por satisfação pessoal de vocês, por seu próprio desenvolvimento pessoal.
O mercado... oras... o mercado tem seus meios de achar os profissionais que querem independente do papel. E não há nada mais improdutivo que um profissional formado que detesta o assunto em que se formou. Certificado é bom, mas honra-lo é muito melhor.
Conheço um monte de gente extremamente competente em seus cargos, formados em coisas completamente diferentes do que praticam como profissão.
E outra... vamos analisar agora o cara hiper-certificado... o cara que tem tantos títulos que mal consegue carregar numa pasta... esse dificilmente consegue emprego.
E o motivo: muitos entrevistadores acabam com medo de acabar contratando um cara melhor qualificado do que ele(a) próprio(a) e acabar sendo passado para trás, ou pior ainda: de perder o emprego.
Essas pessoas "hiper-qualificadas" muitas vezes acabam dando aulas em "empresas de ensino", numa tentativa de subrevivência, ganhando bem menos do que mereceriam pelas qualificações que alcançaram.
E aprender a ter visão das coisas e usar essa visão com sabedoria, é uma arte que faz o verdadeiro diferencial inovador que as empresas realmente buscam.
Papel... é só papel no final das contas. O que vale mesmo é a pessoa e o que ela aprendeu de verdade com suas experiências.
Eu me recuso a fazer um curso de nível superior se ele não fôr reconhecido. E outra: se eu fizer um, será por mim. O mercado... ora... ele não quer papel. Ele quer é resultados.
O papel que se exploda!

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