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segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Nos últimos dias ando me sentindo realmente muito sozinho, o que me faz sentir saudades e refletir sobre mim mesmo, sobre as besteiras que fiz na vida, sobre os momentos de felicidade que viví, sobre tudo o que já enfrentei, tudo o que já experimentei, tudo o que evitei... enfim... é como uma viagem no tempo.
Tenho ouvido músicas de diversas épocas da minha vida ultimamente e meditado muito, como se eu estivesse nos meus últimos dias de vida.
E como tenho me sentido sozinho, não tenho tido com quem compartilhar isso, além do meu cálice de vinho (um Salton Classic, Cabernet Sauvignon, safra de 2005), algumas pipocas para não ficar completamente bêbado e um computador.
Lamentavelmente, as emoções deixaram de ter valor nesse mundo, e portanto, minhas emoções não significam nada nele, assim como a arte, que foi substituída pelo comércio, seja na música, na TV... em toda parte.
Uma prova do que estou falando, é um teste feito recentemente pelo Washington Post: puseram um artista considerado o maior violinista dos EUA, tocando com um autêntico violino Stradivarius numa estação do metrô e ninguém, absolutamente ninguém parou para ouvir sequer uma nota durante os 45 minutos de apresentação.
A conclusão é que a espécie humana tornou-se literalmente zumbí, contaminada com uma peste epidêmica chamada alienação.
E no caso, alienação é a dependência de valores que não complementarão a vida dos viciados em absolutamente nada, consumirá tempo precioso de suas vidas e as afastarão da sensibilidade de perceber as coisas realmente interessantes a seu redor, como a beleza das emoções, da arte, ou mesmo a beleza das mulheres que está além do peito, bunda, pernas e cintura (para os homens) ou roupas e acessórios (para as mulheres), ou ainda perceber a diferença da música artística da "música" meramente comercial imposta pelas gravadorase meios de comunicação de massa.
Então decidí que preciso publicar no meu blog, uma série especial sobre os elementos que causam essa alienação.
Tenho certeza que ao longo dessa série, muita gente vai discordar, achar que estou falando bobagem e talvez até atacar os pontos de vista que apresentarei nesse blog ao longo dessa série.
Porém, devo ressaltar antes de qualquer coisa, que o objetivo aqui deste blog é fazer as pessoas questionarem seus valores, pesquisarem, pensarem, raciocinarem ao invés de simplesmente partirem para a defesa de seus dogmas, mesmo que não consigam alcançar conclusão alguma.
Enfim, deixar claro que enquanto as pessoas forem sempre seguidoras da maioria, não estarão efetivamente pensando e ao invés disso, estarão assumindo sua preguiça mental e virando zumbís.




Elementos Alienantes - Parte 1:
A Televisão


"A esperança do ator hoje é o cinema, porque a televisão não tem mais jeito. Nela, infelizmente o comércio venceu a arte."
(Walmor Chagas, ator, durante entrevista recente no programa "Zoom" na TV Cultura)



Não apenas a televisão, mas o rádio, jornais e revistas fazem parte do mesmo sistema de mídia e se comportam exatamente do mesmo jeito e (pelo menos aqui no Brasil, de onde vamos fazer as referências para esse post), para você ter o direito de ter uma emissora de rádio, TV, ou mesmo um jornal... enfim, qualquer meio de comunicação de massa, você precisa de uma Concessão Federal, ou seja, uma permissão especial do "governo", que mediante seus próprios interesses pode ou não conceder a tal "concessão".
(Não estou fazendo apologia à emissoras piratas aqui, até porque elas podem interferir nas transmissões de rádio da aviação e da polícia, por exemplo, podendo em vários casos significar um perigo potencial para os passageiros das aeronaves ou para as vidas dos policiais em ação.)
Pois bem... Então se poucos podem ter a tal "Concessão Federal" e o "governo" é o único órgão que pode escolher à vontade quem pode e quem não pode ter a mesma, então nada mais cômodo que a ceder apenas a "amigos", ou "membros de confiança" mediante certas condições, não? (Quem viu na íntegra o "documentário proibido" de Simon Hartog, da BBC Channel 4, entitulado "Beyond The Citizen Kane" sabe muito bem do que estou falando.)
Claro que estamos falando de jornalismo aqui... Os jornais podem publicar o que bem entenderem, desde que as notícias sejam aprovadas por um "jornalista responsável" e pelo diretor do jornal, TV, ou rádio. E esse "diretor" (já conhecí alguns desses tipos e vai por mim... não confiaria nem um centavo nas mãos deles).
Tá... esse lance do jornalismo é uma parte já bastante conhecida e até bastante batida aqui nesse blog, mas... e o resto da programação?
Bom... 95% do resto da programação da TV aberta é feita de 3 coisas:
comércio (propagandas, comerciais e merchandising embutido na programação, em especial, programas de auditório que aliás, só servem pra isso), religião (não importa a denominação) e "esporte" (futebol, futebol, futebol... de vez em quando se fala de uma natação ou vôlei em época de olimpíada). Os outros 5% são "completados" por séries de TV, filmes ou novelas (esse último ítem equivale a uns 2%... em horário nobre).
Pois bem... aqui está o motivo de eu ter escolhido a televisão como o primeiro dos textos sobre os elementos alienantes: 3 desses elementos são divulgados como se fossem "necessidades" ou são geradores de "necessidades" e pior ainda: apresentados quase que em regime de "lavagem cerebral" ou seja, como se "o mundo fosse só isso".
A verdade é que ninguém vai morrer de uma hora para outra se deixar de falar sobre esportes (ao invés de falar deles, praticá-los pode ser mais saudável) ou praticar alguma religião e quanto à propaganda... lembro-me claramente dos tempos de colégio, que um certo professor de Geografia contou de uma pesquisa que concluiu que
a imensa maioria dos produtos comercializados são absolutamente inúteis, não sendo nem de longe, essenciais para a sobrevivência do ser humano.
(Ora... a humanidade viveu muito bem até o século passado sem celulares e muito bem até o século retrasado sem a televisão, não?)
É bem verdade que muitos dos produtos oferecidos podem tornar nossa vida mais confortável, mas convenhamos... até que ponto não estamos comprando um monte de lixo que vai nos dar mais dores de cabeça e perdas de tempo do que conforto?
Até que ponto as coisas que estamos comprando são duráveis ou descartáveis?
(Pra que todo mundo tenta me "empurrar" um carro "zero Km" via financiamento no melhor estilo "papo de vendedor" se pelo menos 30% do valor de um veículo 0KM fica na concessionária ao retirar o veículo e tenho de levar o carro para revisões periódicas exatamente como um carro usado? E mais: pra que que eu vou gastar meu suado dinheirinho com um carro popular 0Km sem porcaria nenhuma, se posso comprar um carro de luxo mais antigo pelo mesmo preço?)
A bem da verdade, os meios de comunicação de massa como jornal, rádio e principalmente a televisão, não passam de meios para nos "empurrar" valores falsos ao longo da vida e nos fazer esquecer de parar e olhar para o mundo, ou reunir os amigos para conversar assuntos realmente inteligentes ao invés dos gols do campeonato paulista, da bunda da mulher-melão (ou qualquer outra "vedete boazuda" do momento) ou do modelo novo de câmera fotográfica digital que fotografa automaticamente ao detectar sorrisos.
A essa altura do campeonato o leitor, já de saco cheio vai falar que tem TV paga... Bom... se você pode pagar por isso, ótimo! Você é um(a) privilegiado(a).
Mais de 90% da população não pode sequer pensar nisso ou ficará sem dinheiro para sustentar a família.
Agora a grande pergunta: quanto tempo você tem para ver televisão? (Exercício: Você paga para ter acesso 24h por dia a todos aqueles canais, todos os dias do mês. Peque esse valor e divida pelo tempo que você realmente usa o serviço. Não seria mais justo você pagar apenas pelo serviço que usa?)
Felizmente ainda temos as TVs educativas abertas (que ninguém ou quase ninguém vê, porque mal consegue entender do que se trata): 2 canais, que mal funcionam 24h, mas que têm documentários excelentes e alguns programas bastante interessantes.
Infelizmente em um deles, os assuntos têm horários um tanto obscuros e nunca se pode "adivinhar" que tipo de assunto será apresentado.
Quanto às séries e filmes... bom... só são exibidos nos horários em que a imensa maioria da população está trabalhando ou dormindo, tornando a televisão, o aparelho mais inútil desse começo de século.
Pelo menos tenho um aparelho de DVD para dar alguma utilidade à essa joça... por enquanto, porque em breve, o DVD vira obsoleto, como aconteceu com o VHS, com o Betamax, com o recente HD-DHD e vai acontecer com o BluRay muito em breve.
É a indústria criando necessidades de consumo... e nós, simplesmente consumindo sem questionar, feito gado no pasto.

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