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sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Em plena época de olimpíada, em que as pessoas só falam nisso, percebo claramente que é porque não se fala em outra coisa na primeira página de tudo quanto é jornal e portal na Internet.
Muito mais do que um conjunto de competições esportivas, uma olimpíada é acima de tudo uma competição de demonstração de marketing político, razão pela qual os EUA preferem (pela primeira vez na História) mostrar internamente que ganharam mais medalhas que todo mundo ao invés de engolir que estão em segundo lugar, com a China tendo conseguido mais medalhas de ouro.
Assim, tentam a todo custo, divulgar (pelo menos em seu território) a idéia de que "são superiores", não se distanciando muito do tipo de política que os nazistas usaram no começo do século 20. (Me recuso a usar numeração romana aqui no meu blog! Não vou com a cara do Império Romano que já ruiu faz muito tempo e aqui nesse blog, quem manda sou eu! Vai ser imperialista assim na cdc!!! Aqui não!)
Prosseguindo com a série "Elementos Alienantes", o assunto de hoje aborda exatamente isso: Como as idéias são formadas na mente das pessoas através dos meios de divulgação e se transformam em valores que irão influenciar suas decisões futuras.




Elementos Alienantes - Parte 2:
Propaganda e Marketing


"Propaganda é a mentira legalizada."
(H. G. Wells, escritor)


Antes de qualquer coisa convém conceituarmos o que diabos significam essas duas palavras que andam sempre juntas, já que uma delas se refere a uma coisa que não tem a menor eficiência sem a outra.
"Propaganda" significa "propagar", "espalhar", "distribuir". Já a palavra "marketing" vem do inglês, um termo que não tem uma palavra equivalente em Português, mas que tem um significado exato: "pôr à venda e vender". Refere-se a todo um conjunto de técnicas que vão desde o planejamento e a coleta de informações e estudo de um potencial segmento da população, na elaboração de uma linguagem eficiente para a comunicação com esse segmento e no projeto mais eficiente possível para a "venda" a esse segmento, um determinado produto, serviço ou idéia através da forma mais eficiente de divulgação (olha a "propaganda" aí) a esse segmento, com um determinado propósito que pode ser lucro comercial, condicionamento social ou poder.
A imensa maioria das pessoas (em especial os comerciantes), pensam que sabem tudo sobre seu produto e acham uma agência especializada em Propaganda e Marketing não passa de uma gráfica rápida e "inventam" a forma que acham ser a melhor para a divulgação de seu produto ou serviço.
Ou seja... 4 anos de estudo de um especialista em Propaganda e Marketing numa faculdade não servem para nada, né?
Uma equipe de redatores, técnicos em imagens em foto e vídeo, músicos, fotógrafos, desenhistas, artistas, pesquisadores... Tudo um bando de inúteis que podem ser tratados como tal, porque o cara é o "dono da bola" que sabe tudo e quer brincar de artista, né? Tá bom... (Cansei de ver esse tipo de coisa quando eu trabalhava com produção de mídia...)
Bom... É comum dizer que "vender é uma arte". Ninguém nega isso, mas toda arte tem técnica e aqui, essa técnica chama-se "linguagem". No entanto, numa escala muito mais ampla do que apenas palavras e para demonstrar isso, convido o(a) leitor(a) a interpretar as seguinte frase:
Usar saia é coisa de mulher e se não tiver nada por baixo é coisa de puta!
(Desculpem o vocabulário um tanto áspero, mas faz parte da demonstração.)
Pois bem... concorda com a frase?
Faça uma pequena pausa, pense bem na frase e leia de novo, até ter certeza de que concorda com a afirmação ou conhece alguém que concorda conscientemente disso.
OK? Pois bem... agora imagine você falando isso convictamente para um militar escocês, que desde sua infância tem o uso do kilt como uma honra.
Entendeu como funciona a coisa?
A frase que serve para um segmento da população não serve para outro e o motivo para isso é um conjunto de valores que cada segmento tem para sí como parte de sua existência. Esse conjunto de valores, chamamos de "subconsciência".
Mas a "linguagem" que comentei aqui vai ainda mais além. Vai até uma camada mais profunda do pensamento humano, chamada "inconsciência", que é onde esses valores se formam e é onde a "mágica" das técnicas de marketing procuram atingir para levar sua mensagem à maior quantidade de pessoas possível.
Naturalmente é um esforço a longo prazo e que não terá eficiência da noite para o dia. Essa "linguagem" é conhecida como "neurolingüística"
Na prática, vamos comparar como isso funciona, expondo uma situação bastante comum e simples: O lanche do "Zé-do-Burguer" é pelo menos 3 vezes maior, mais saboroso e mais saudável que o do "Mc&Ronald's" e custa o mesmo preço. Mas o tal do "Zé" reclama que apesar de ter fundado sua lanchonete na mesma época (e do lado), continua não vendendo nem um milionésimo do que o concorrente, por mais que se esforce em divulgar "pra todo mundo".
Bom... o "Zé" mandou imprimir mais de 10000 cópias do seu cardápio completo em tinta azul numa folha 10x15cm e distribuiu pela cidade toda, bonitinho, com telefone, endereço, preços, um monte de splashes falando dos lanches em promoção e até um mapinha para ter onde chegar.
O Mc&Ronald's pôs apenas um comercial na TV promovendo apenas um de seus lanches, em que os atores (crianças) comiam o lanche e diziam ser delicioso ao som de um jingle fácil de memorizar e repetir.
Resumindo a história: o "Zé-do-Burger" e o "Mc&Ronald's" usaram linguagens diferentes, além disso, o "Mc&Ronald's" direcionou a sua propaganda para um segmento específico usando a linguagem certa para esse segmento. Já o "Zé"... jogou dinheiro fora com os 10000 impressos e passou a dizer que propaganda não funciona.
Outra técnica muito usada é a da fidelização precoce.
Consiste em fazer com que os valores sobre um produto, uma marca ou um conjunto de idéias se formem nas cabeças das pessoas enquanto ainda crianças, de modo que quando crescerem, tomarão decisões baseadas em valores que surgiram de sentimentos de quando eram ainda crianças.
Por isso é comum empresas como Coca-Cola promoverem visitas das escolas às fábricas, ou McDonald's reservarem um espaço em suas lanchonetes para festas de crianças.
Quando adultas, talvez nem se lembrem dos detalhes dessas visitas ou festinhas, mas os valores ficaram e escolherão a Coca-Cola ao invés da Dolly e preferirão incondicionalmente a batata do McDonald's ao invés da do Fry Chicken, mesmo que seja a mesma batata, do mesmo fornecedor e preparada exatamente do mesmo jeito.
Algumas vezes o marketing pode transformar um produto numa cultura, ou mesmo numa palavra, como "gramofone" (palavra que nasceu da marca "Berliner Gramophone", que era uma empresa que fazia discos com uma técnica especial de gravação em que a agulha vibrava lateralmente em relação ao sulco do disco ao invés dos cilindros de Edison, cuja agulha vibrava perpendicularmente ao sulco do mesmo), ou "vitrola" (palavra que nasceu da marca "Victrola", o primeiro modelo de toca-discos elétrico de fabricação "Victor Talking Machine, Co.", em 1925).
Tá... agora que explicamos o que é Propaganda e Marketing, talvez alguns ou algumas leitores(as) devam estar se perguntando o "por quê" disso estar na minha lista de "elementos alienantes".
Pois é... no começo desse texto já dei a pista: o propósito nem sempre é "alavancar" um negócio.
Essas técnicas podem ser (e são) muitíssimo utilizadas para o condicionamento social e poder.
Por que você acha que ao longo da História os grandes imperadores mandavam representar sua esfinge nas moedas de seus reinos, elevar estátuas representando-os sempre em poses heróicas, simbolizando força e poder?
Como acha que mesmo após a morte de Hitler ainda existam tantos seguidores das idéias pregadas através de seus acessores de Marketing (em especial Joseph Goebbels) e atribuídas a ele?
Como acha que chegamos a ter um molusco na presidência e um monte de sanguessugas no poder aqui no Brasil? (E como a maioria do povão aceita isso sem fazer absolutamente nada além de reclamar nas reuniões com os amigos?)
Para encerrar esse post, convido o(a) leitor(a) a sempre se fazer duas perguntas: Você tem mesmo certeza de que suas decisões são conscientes ou será que seus valores já não estão sendo trabalhados desde a sua infância através de sua inconsciência? Até que ponto você está usando a lógica ao invés da emoção em suas decisões?

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Nos últimos dias ando me sentindo realmente muito sozinho, o que me faz sentir saudades e refletir sobre mim mesmo, sobre as besteiras que fiz na vida, sobre os momentos de felicidade que viví, sobre tudo o que já enfrentei, tudo o que já experimentei, tudo o que evitei... enfim... é como uma viagem no tempo.
Tenho ouvido músicas de diversas épocas da minha vida ultimamente e meditado muito, como se eu estivesse nos meus últimos dias de vida.
E como tenho me sentido sozinho, não tenho tido com quem compartilhar isso, além do meu cálice de vinho (um Salton Classic, Cabernet Sauvignon, safra de 2005), algumas pipocas para não ficar completamente bêbado e um computador.
Lamentavelmente, as emoções deixaram de ter valor nesse mundo, e portanto, minhas emoções não significam nada nele, assim como a arte, que foi substituída pelo comércio, seja na música, na TV... em toda parte.
Uma prova do que estou falando, é um teste feito recentemente pelo Washington Post: puseram um artista considerado o maior violinista dos EUA, tocando com um autêntico violino Stradivarius numa estação do metrô e ninguém, absolutamente ninguém parou para ouvir sequer uma nota durante os 45 minutos de apresentação.
A conclusão é que a espécie humana tornou-se literalmente zumbí, contaminada com uma peste epidêmica chamada alienação.
E no caso, alienação é a dependência de valores que não complementarão a vida dos viciados em absolutamente nada, consumirá tempo precioso de suas vidas e as afastarão da sensibilidade de perceber as coisas realmente interessantes a seu redor, como a beleza das emoções, da arte, ou mesmo a beleza das mulheres que está além do peito, bunda, pernas e cintura (para os homens) ou roupas e acessórios (para as mulheres), ou ainda perceber a diferença da música artística da "música" meramente comercial imposta pelas gravadorase meios de comunicação de massa.
Então decidí que preciso publicar no meu blog, uma série especial sobre os elementos que causam essa alienação.
Tenho certeza que ao longo dessa série, muita gente vai discordar, achar que estou falando bobagem e talvez até atacar os pontos de vista que apresentarei nesse blog ao longo dessa série.
Porém, devo ressaltar antes de qualquer coisa, que o objetivo aqui deste blog é fazer as pessoas questionarem seus valores, pesquisarem, pensarem, raciocinarem ao invés de simplesmente partirem para a defesa de seus dogmas, mesmo que não consigam alcançar conclusão alguma.
Enfim, deixar claro que enquanto as pessoas forem sempre seguidoras da maioria, não estarão efetivamente pensando e ao invés disso, estarão assumindo sua preguiça mental e virando zumbís.




Elementos Alienantes - Parte 1:
A Televisão


"A esperança do ator hoje é o cinema, porque a televisão não tem mais jeito. Nela, infelizmente o comércio venceu a arte."
(Walmor Chagas, ator, durante entrevista recente no programa "Zoom" na TV Cultura)



Não apenas a televisão, mas o rádio, jornais e revistas fazem parte do mesmo sistema de mídia e se comportam exatamente do mesmo jeito e (pelo menos aqui no Brasil, de onde vamos fazer as referências para esse post), para você ter o direito de ter uma emissora de rádio, TV, ou mesmo um jornal... enfim, qualquer meio de comunicação de massa, você precisa de uma Concessão Federal, ou seja, uma permissão especial do "governo", que mediante seus próprios interesses pode ou não conceder a tal "concessão".
(Não estou fazendo apologia à emissoras piratas aqui, até porque elas podem interferir nas transmissões de rádio da aviação e da polícia, por exemplo, podendo em vários casos significar um perigo potencial para os passageiros das aeronaves ou para as vidas dos policiais em ação.)
Pois bem... Então se poucos podem ter a tal "Concessão Federal" e o "governo" é o único órgão que pode escolher à vontade quem pode e quem não pode ter a mesma, então nada mais cômodo que a ceder apenas a "amigos", ou "membros de confiança" mediante certas condições, não? (Quem viu na íntegra o "documentário proibido" de Simon Hartog, da BBC Channel 4, entitulado "Beyond The Citizen Kane" sabe muito bem do que estou falando.)
Claro que estamos falando de jornalismo aqui... Os jornais podem publicar o que bem entenderem, desde que as notícias sejam aprovadas por um "jornalista responsável" e pelo diretor do jornal, TV, ou rádio. E esse "diretor" (já conhecí alguns desses tipos e vai por mim... não confiaria nem um centavo nas mãos deles).
Tá... esse lance do jornalismo é uma parte já bastante conhecida e até bastante batida aqui nesse blog, mas... e o resto da programação?
Bom... 95% do resto da programação da TV aberta é feita de 3 coisas:
comércio (propagandas, comerciais e merchandising embutido na programação, em especial, programas de auditório que aliás, só servem pra isso), religião (não importa a denominação) e "esporte" (futebol, futebol, futebol... de vez em quando se fala de uma natação ou vôlei em época de olimpíada). Os outros 5% são "completados" por séries de TV, filmes ou novelas (esse último ítem equivale a uns 2%... em horário nobre).
Pois bem... aqui está o motivo de eu ter escolhido a televisão como o primeiro dos textos sobre os elementos alienantes: 3 desses elementos são divulgados como se fossem "necessidades" ou são geradores de "necessidades" e pior ainda: apresentados quase que em regime de "lavagem cerebral" ou seja, como se "o mundo fosse só isso".
A verdade é que ninguém vai morrer de uma hora para outra se deixar de falar sobre esportes (ao invés de falar deles, praticá-los pode ser mais saudável) ou praticar alguma religião e quanto à propaganda... lembro-me claramente dos tempos de colégio, que um certo professor de Geografia contou de uma pesquisa que concluiu que
a imensa maioria dos produtos comercializados são absolutamente inúteis, não sendo nem de longe, essenciais para a sobrevivência do ser humano.
(Ora... a humanidade viveu muito bem até o século passado sem celulares e muito bem até o século retrasado sem a televisão, não?)
É bem verdade que muitos dos produtos oferecidos podem tornar nossa vida mais confortável, mas convenhamos... até que ponto não estamos comprando um monte de lixo que vai nos dar mais dores de cabeça e perdas de tempo do que conforto?
Até que ponto as coisas que estamos comprando são duráveis ou descartáveis?
(Pra que todo mundo tenta me "empurrar" um carro "zero Km" via financiamento no melhor estilo "papo de vendedor" se pelo menos 30% do valor de um veículo 0KM fica na concessionária ao retirar o veículo e tenho de levar o carro para revisões periódicas exatamente como um carro usado? E mais: pra que que eu vou gastar meu suado dinheirinho com um carro popular 0Km sem porcaria nenhuma, se posso comprar um carro de luxo mais antigo pelo mesmo preço?)
A bem da verdade, os meios de comunicação de massa como jornal, rádio e principalmente a televisão, não passam de meios para nos "empurrar" valores falsos ao longo da vida e nos fazer esquecer de parar e olhar para o mundo, ou reunir os amigos para conversar assuntos realmente inteligentes ao invés dos gols do campeonato paulista, da bunda da mulher-melão (ou qualquer outra "vedete boazuda" do momento) ou do modelo novo de câmera fotográfica digital que fotografa automaticamente ao detectar sorrisos.
A essa altura do campeonato o leitor, já de saco cheio vai falar que tem TV paga... Bom... se você pode pagar por isso, ótimo! Você é um(a) privilegiado(a).
Mais de 90% da população não pode sequer pensar nisso ou ficará sem dinheiro para sustentar a família.
Agora a grande pergunta: quanto tempo você tem para ver televisão? (Exercício: Você paga para ter acesso 24h por dia a todos aqueles canais, todos os dias do mês. Peque esse valor e divida pelo tempo que você realmente usa o serviço. Não seria mais justo você pagar apenas pelo serviço que usa?)
Felizmente ainda temos as TVs educativas abertas (que ninguém ou quase ninguém vê, porque mal consegue entender do que se trata): 2 canais, que mal funcionam 24h, mas que têm documentários excelentes e alguns programas bastante interessantes.
Infelizmente em um deles, os assuntos têm horários um tanto obscuros e nunca se pode "adivinhar" que tipo de assunto será apresentado.
Quanto às séries e filmes... bom... só são exibidos nos horários em que a imensa maioria da população está trabalhando ou dormindo, tornando a televisão, o aparelho mais inútil desse começo de século.
Pelo menos tenho um aparelho de DVD para dar alguma utilidade à essa joça... por enquanto, porque em breve, o DVD vira obsoleto, como aconteceu com o VHS, com o Betamax, com o recente HD-DHD e vai acontecer com o BluRay muito em breve.
É a indústria criando necessidades de consumo... e nós, simplesmente consumindo sem questionar, feito gado no pasto.