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quarta-feira, 14 de maio de 2008

Depois de ter escrito um monte de texto aqui nesse blog, um parece ter realmente chamado uma atenção especial dos leitores.
As pessoas comentaram, me mandaram e-mails pedindo mais... e pra mim foi uma surpresa.
Certamente "Entrevista comigo mesmo" foi o texto de maior sucesso deste blog ano passado.
Isso me frustra um pouco, porque eu para mim, a série "Relacionamentos" é muito mais importante, em qualidade de conteúdo.
Mas já que os leitores querem saber mais sobre mim... aqui vai...



Entrevista comigo mesmo 2: atendendo a pedidos.

"A curiosidade não é um pecado. Mas devemos ser cautelosos com a nossa curiosidade..."
(Harry Potter, personagem fictício criado por Joanne Kathleen Rowling)



Picolo's Blog: No dia 10 de Novembro de 2007, Picolo's Blog entrevistou seu próprio criador, o especialista em mídias digitais Claudio Henrique Picolo e hoje atendendo a pedidos, ele está aqui para outra entrevista e mais: topou falar de assuntos que na última entrevista ele evitava!
Como se não bastasse todo o currículo apresentado na apresentação da entrevista anterior, agora ele trabalha para a AT&T, como prestador de serviços para a IBM.
Claudio, como se sente com essa mudança toda em tão pouco tempo?
CHP: Bom, estou só há 21 meses trabalhando com redes de computadores e já trabalho numa das maiores empresas de telecomunicações do mundo e prestando serviços para a maior empresa de tecnologia de informação do planeta! Nada mal para um novato!
Porém, é bom ter os pés no chão e deixar sempre bem claro que apesar de toda a minha experiência no mundo da tecnologia, ainda sou novo no setor de redes e telecomunicações.
Me sinto muito crú na área ainda, não estou nem perto das certificações que eu gostaria de ter e além disso, é impossível atender a empresas desse porte sem carregar um fardo burocrático e estratégico de tamanho proporcional, o que atrapalha bastante o foco nos meus estudos.
Mas isso faz parte do desafio além do que as conseqüências dessa experiência certamente serão bastante proveitosas no futuro... e não tenho pressa de tirar essas certificações. Quero te-las válidas de verdade e com conteúdo fixado em minha mente.
De nada adianta ter uma certificação se eu esquecer o conteúdo todo.
PB: Não estar conseguindo ter as certificações que você queria te deixa frustrado?
CHP: De forma alguma! Há outras coisas que eu posso fazer que dependem muito mais do meu senso de organização do que desses certificados, o que me faz entender só agora os motivos que levaram à minha contratação.
Ao contrário do que diz a lenda urbana, empresas como IBM ou AT&T, não contratam por causa de diploma, certificado... o lugar comum é comum demais para quem necessita de soluções criativas que requerem visão lógica de processos, dos fatos do dia-a-dia, de bom senso e até um pouco de diplomacia... coisas que as faculdades não dão como "brinde" junto com os certificados, mas também não vamos desmerece-los. Eles são necessários, mas não são tudo, e embora o RH dessas empresas peçam o certificado para terem menos gente para entrevistar na fila, as empresas propriamente ditas sabem que a distância entre a teoria e a prática é incalculavelmente grande. Teoria demais muitas vezes nos cega de detalhes que envolvem o foco das coisas e nos fazem ter medo de olhar "de fora" para ver onde as coisas podem estar falhando. E é aí que eu estou concentrando meus esforços de aprimoramento desde que entrei nessa área... e estou começando a sentir resultados bastante significativos desse esforço que estão refletindo diretamente no desempenho da equipe com a qual trabalho e naturalmente na qualidade do serviço oferecido ao cliente.
É claro que essas coisas não acontecem da noite para o dia e dependem do trabalho de equipe para que funcionem. E para a minha sorte, a minha equipe é muito show...
PB: E com relação ao sucesso do Picolo's Blog e a curiosidade das pessoas a seu respeito?
CHP: É muito bom ter esse feedback... saber que as pessoas lêem os textos publicados no Picolo's Blog e o mais importante: que gostam.
Tenho me esforçado bastante para registrar minhas reflexões do momento, da forma mais clara possível para que possam ser aproveitadas pelas pessoas como um livro, embora eu não seja escritor.
Quanto às pessoas terem curiosidade sobre mim... bom, eu não sei o que dizer.
Talvez seja o fato de eu ser muito caseiro, ser meio recluso, ter uma vida totalmente diferente do resto da sociedade... sei lá.
PB: Como assim, "diferente"?
CHP: Bom... costumo dizer que sou um vampiro... Eu durmo de manhã e vivo à noite, é verdade... mas não sou como os vampiros do cinema, que se alimentam de sangue, ou viram morcegos... nada disso.
Acho que de vampiro mesmo, só tenho o lado romântico.
Seja como fôr, eu me sinto diferente do resto do mundo... como se eu fosse algum tipo de alienígena... sei lá...
PB: Por que você se isola tanto da sociedade?
CHP: Na verdade, o que faz com que eu acabe me isolando são os conflitos de pontos de vista.
Tenho pontos de vista bastante claros sobre o mundo e sou vacinado contra a maior parte dos tipos de alienação como televisão, futebol, religião ou bebida.
O que faço é procurar usar o meu cérebro de modo mais produtivo, porém isso tem um preço alto: quanto mais eu aprendo sobre o mundo, mais eu acabo me sentindo solitário, porque as pessoas têm medo de abrir os olhos, de ver que o mundo em que vivem nem de longe é a ilusão que os processos de alienação "vendem" e eu não posso fazer nada quanto a isso além de mostrar o meu ponto de vista e ser "rotulado" como "louco", "maluco", etc.
Na verdade até brinco quando me chamam dessas coisas.
Lamentavelmente, os valores da sociedade de consumo são "pré-fabricados", "plantados" por meios de comunicação de massa e estimulados por vizinhos alienados.
É assim desde a Idade do Bronze e não sou eu que vou conseguir mudar isso, infelizmente.
Não estou dizendo que os meus pontos de vista são "os corretos". Na verdade, questiono os meus valores tempo todo, e penso que o mundo poderia ser muito melhor se as pessoas assim o fizessem, pois são esses valores é que nos fazem tomar decisões que poderão refletir duramente em nossas vidas futuras.
PB: Você se sente solitário?
CHP: Sim. Muito. Mas aprendí a esconder bem isso.
A cada dia que passa, mais eu me sinto como se fosse o único, senão o último da minha espécie.
Quanto mais eu expando a minha visão de mundo, mais solitário acabo me sentindo e isso de certa forma acaba por me tornar mais e mais diferente e distante da imensa maioria.
Se isso me torna especial de alguma forma aos olhos de alguns, por outro faz com que eu me sinta cada dia mais solitário com meus meus inconformismos que sei que nunca vão passar disso mesmo.
Infelizmente, a consciência leva ao utopismo.
PB: No seu texto de "Picolo's Blog" do dia 23 de Março deste ano, você terminou o seu texto dizendo que reprime suas emoções. Por quê?
CHP: Porque se eu não reprimisse minhas emoções, hoje provavelmente eu não estaria aqui para dar essa entrevista.
É uma opção difícil que visa evitar paixões desenfreadas.
Já sofrí muito com esse tipo de coisa no passado e é por isso também que evito tomar iniciativas no campo afetivo.
Quero ter certeza de que vale a pena antes de tentar de novo, mas as probabilidades não são nem um pouco favoráveis.
Encontrar alguém capaz de compreender o meu modo de pensar sobre as coisas é praticamente impossível.
Na verdade, já encontrei uma pessoa assim no passado e me recusei falar mais sobre isso na última entrevista.
PB: Você busca encontrar alguma mulher como ela um dia?
CHP: Não tenho esse tipo de esperança. Ela é única e ponto.
Toda mulher tem suas particularidades que a torna especial.
Resta saber se essas particularidades serão tão compatíveis comigo como foram as "daquela lá".
Infelizmente para "aquela lá", eu certamente não passo de "um desastre em sua vida", uma "ilusão", uma "carta fora do baralho" e se é assim que ela pretende me tratar pelo resto de sua vida, então por mais que a ame, ela não merece minha atenção enquanto não mudar de atitude.
E a pior parte dessa história é que ela só não muda de atitude por orgulho pessoal. Só isso.
PB: Você tem fama de se dar bem com as mulheres no ambiente de trabalho.
CHP: Bom... eu tenho por política pessoal evitar relacionamentos com mulheres do trabalho.
O que faço é ser sincero o tempo todo, ser carinhoso quando merecem, (naturalmente procurando manter a minha postura profissional até onde eu puder) e trata-las com o respeito que merecem.
Mas tenho de admitir que tem umas e outras que são realmente incríveis. Com essas, num encontro a sós... sei não hein!? (Risos)
PB: Se uma mulher que lhe fosse atraente "baixasse a guarda", abrisse o jogo com você ou se declarasse claramente, enfim... tomasse alguma iniciativa, o que você faria?
CHP: Acho que a resposta a essa pergunta é bastante óbvia, né? Eu não teria motivos para não arriscar. Afinal de contas, não devo nada a ninguém e... já faz muito tempo que estou "avulso".
Mas penso que as mulheres hoje têm muito medo de se arriscar assim.
Acredito que se elas resolvem fazer isso é porque estão mesmo muito a fim... Nesse caso, se a menina fôr legal, atraente, inteligente, carinhosa... ninguém é de ferro (risos) e não vejo motivos para não dar uma chance para ver no que dá.
PB: Há alguma mulher em vista?
CHP: (Risos) Sempre há uma ou outra que de repente me chama uma atenção especial seja por um motivo ou outro, mas elas não percebem. Ou se percebem, fingem que não percebem.
Elas são realmente muito boas nisso.
PB: São boas em fingir ou chamar a sua antenção?
CHP: Ambas... Mulher é um bicho perigoso.
PB: Algum recado especial para alguma leitora que de repente pode estar a fim de você?
CHP: Bom... A mulher fatal é uma predadora por natureza. Não há no mundo um homem que não goste de ser a presa de uma mulher dessas.
Só posso sugerir que se arrisque mais e tenha menos medo. Não sou um cara fácil, mas também não mordo... bom... posso até morder, mas não machuco não.
PB: Na última entrevista você parecia relutante em falar da sua "ex". Hoje é o aniversário dela. Há algo que você queira dizer a ela?
CHP: Há tanta coisa que eu queria dizer a ela e que estou condenado a guardar para mim mesmo... como o vinho que ela me deu num de meus aniversários e que ainda está guardado, porque sua intenção (e minha também) era abri-lo juntos um dia.
E está lá... condenado dentro daquela garrafa, todo o aroma, o sabor, a vida de um dos excelente cabernet sauvignon cuja safra é do ano em que nos conhecemos.
Eu me considero um cara realmente muito difícil, porque sei que não sou homem para qualquer mulher. Tenho plena consciência do meu valor.
Mas ela era merecedora da minha atenção e do meu carinho até que seu o orgulho e a minha insegurança que eu vivia naquela época devido a vários fatores, fez com que terminássemos.
Nunca conseguí aceitar isso, mas foi a única saída.
Não seria justo impedi-la de alcançar vôos mais altos em sua carreira, sua vida... enfim...
PB: E você não tenta entrar em contato com ela de forma alguma por causa de uma promessa boba que fez a ela num e-mail?
CHP: É. Mas não é uma promessa boba: É uma prova de que eu cumpro minha palavra e isso para mim, é uma questão de honra.
Eu disse no meu último e-mail para ela (que só ela poderia ter lido e apagado como confirmação de te-lo lido), que só ela poderia tentar uma reaproximação através de um contato, não eu.
PB: E se ela nunca tentar essa reaproximação?
CHP: De qualquer forma, vou terminar meus dias com minha palavra cumprida. Devo isso a ela... e de certa forma, a mim mesmo.
Pode doer, mas é o preço da dívida que continuo pagando pela minha ignorância.