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sábado, 19 de abril de 2008

À partir de hoje no Picolo's Blog, a palavra "governo" quando se referir ao "governo" do Brasil passará a ser escrita assim, entre aspas e apenas com letras minúsculas.
Essa decisão levou anos, pois a dúvida era grande, mas lamentavelmente não dá para tratar o "governo" do Brasil como algo que merece respeito.
Aliás, já passou da hora do brasileiro tratar esses nossos "empregados" com o mesmo tipo de respeito com o qual nós, os "empregadores" somos tratados por eles.
Também infelizmente, esse mesmo "governo" herda o péssimo hábito desde a época do "descobrimento" do Brasil, em que o objetivo do Império era apenas explorar a então colônia.
Já escreví nesse blog algumas vezes e repito que a única e exclusiva função do "governo" do Brasil infelizmente continua a mesma do antigo Império: explorar a colônia.



Números - O Fiasco do Fisco

"Nós temos um sistema (político) que aumenta impostos sobre o trabalho e subsidia o não-trabalho."
(Milton Friedman, 1912-2006 - Economista, ganhador do prêmio Nobel de Economia em 1976.)



Estima-se que 9,5 milhões de micro-empresas atuem na informalidade no Brasil, por simplesmente não terem como se organizarem de modo a conseguir cumprir as exigências de cálculo para o pagamento de impostos, taxas, tarifas e tributos que o "governo" do Brasil obriga.
Em 1947, a carga tributária representava 13,8% do PIB. Em 1994, 29,8% do PIB. Em 2007, 40,28% do PIB... oficialmente.
Ou seja, hoje, hoje o brasileiro trabalha quase metade do ano única e exclusivamente para pagar os impostos do "governo".

O Imposto de Renda (Que renda?) que no Brasil já é saqueado na fonte assim como outros impostos, é bastante simples e fácil de entender por parte do contribuinte que pode consultar uma pequena apostila de 247 páginas com 668 perguntas e respostas que lá no final das contas só servem para lhe dizer o que ele já sabe: que o ilustre "contribuinte" não tem direito algum já que não é o "contribuinte" que faz as regras do jogo e sim o "governo". Belo trabalho, não?

Pois é... o "contribuinte" não tem direitos, mas tem deveres.
Entre esses deveres, o de perder semanas recolhendo documentos para tentar fazer uma total e absolutamente desnecessária declaração de sua "renda". Digo desnecessária porque o "governo" tem mais controle sobre as nossas contas de nós, os ilustres e lesados "contribuintes". Do contrário não existiria a tal da "malha fina".
Aliás, com o que o "contribuinte" paga de imposto no Brasil, o mínimo que ele deveria ter por parte de seu "governo" é qualidade de serviço, como forma de respeito, mas infelizmente o que se tem é exatamente o contrário.

Para se ter uma idéia de valores, numa relação de 133 países, o Brasil está no topo da lista dos que têm a maior carga tributária do mundo, em outras palavras... desses 133 países (certamente incluindo Etiópia, Índia, Angola e Iraque), o Brasil tem o maior custo de vida.
(Vários textos na Internet falam sobre esse tal relatório do Banco Mundial sobre os 133 países, mas não conseguí ter acesso a esse relatório.)

Se você comprar no Brasil um moderno televisor de R$1200,00, pelos números de 2007, R$474,00 vão direto para o "governo" (fora o frete) através dos chamados "tributos indiretos". (Indiretos? Mas não acabei de dizer que essa grana do imposto vai direto para o "governo"?)
Bom... o que o "governo" chama de "tributos indiretos" são siglas como ICMS, IPI, PIS, COFINS, ISS e o tardiamente finado CPMF que originalmente foi "inventado" para ser o imposto único que deveria substituir todos os outros, mas... virou mais um e tende a voltar mais feroz do que nunca.

Coincidentemente aproveitando-se dos contribuintes com a corda no pescoço, os bancos agiotam com as maiores taxas de juros do mundo e também "coincidentemente" batem récordes de lucro ano após ano e também "coincidentemente" certas campanhas eleitorais têm sido produzidas com cada vez maiores investimentos com dinheiro provindo sabe-se lá de onde e que elegem gente que de repente resolve aumentar os próprios salários quando bem entender e fazer leis que além de protegerem a sí próprios de tudo e de todos, faz com que o Brasil permaneça eternamente em regime feudal.

Empresas como IBM, Apple Computer, Google ou Microsoft jamais teriam nascido no Brasil: os economistas costumam dizer que empresas como essas teriam se afogado em tributos em seu primeiro ano de vida. Aliás, é um verdadeiro milagre que existam empresas no Brasil, dados vários outros fatores.

Não bastasse a carga tributária, ainda há um agravante muito pouco observado: as empresas literalmente perdem duas semanas por mês apenas em função dos cálculos administrativos. Ou seja, ao invés de produzirem, perdem tempo e dinheiro fazendo cálculos.
Esse custo adicional não aparece em estatística alguma, porque não há como contabilizar, uma vez que cada empresa usa um método diferente para tentar se organizar nesse sentido, mas que tem um custo significativo para as empresas, tem.

Para demonstrar o efeito prático do funcionamento dos impostos no Brasil, tomo a liberdade de reproduzir aqui uma parte de um e-mail que anda circulando na Internet que mostra o que acontece para cada R$494,00 de gasolina que você compra:
O dono do carro (o otário número 1, no caso, você) gasta R$ 494,00
O dono do posto (o otário número 2) ganha R$ 50,00
A distribuidora (o otário número 3) ganha R$ 4,00
A Petrobrás (que ralou para produzir o combustível) ganha R$ 16,00
E o "governo" (nem um pouco otário) ganha R$ 216,00

Se o sistema tributário fosse mais simples (e consequentemente mais transparente), não haveria tanta informalidade, o "governo" poderia ter um controle melhor do que arrecada, o "contribuinte" pagaria menos imposto, gastaria menos tempo e dinheiro tentando se organizar para tal, podendo produzir mais e melhor e todo mundo sairia ganhando com isso, exceto é claro, quem se beneficia da bagunça do atual do sistema tributário e que não têm o menor interesse de que se faça a tão falada (desde que me conheço por gente) "reforma tributária".

Enquanto isso... o impostômetro continua rodando... não importando o nome que se dê: imposto, tarifa, taxa, tributo, fisco, "contribuição" (essa é a mais sínica)... é tudo uma coisa só: roubo.

quinta-feira, 10 de abril de 2008

De todas as paixões que tive ao longo da minha vida, a música foi a única que nunca me decepcionou.
Para homenagear essa paixão, resolví escrever sobre um termo que infelizmente está caindo em desuso e refere-se à uma arte quase perdida, assim como a prática do cavalheirismo por parte dos homens e da elegância ao caminhar com sapatos de salto alto por parte das mulheres (segundo Frank Miller).
Trata-se de um hobby para "iniciados", pessoas detalhistas, metódicas e de ouvidos aguçados, cada vez mais raras.


Audiofilia

"A imoral profissão de crítico musical deveria ser abolida."
(Wilhelm Richard Wagner, 1813-1883, compositor, maestro, inventor de um instrumento musical e autor da ópera "O Anel do Nibelungo", baseado na mitologia nórdica, certemente uma das obras que inspirou "O Senhor dos Anéis")


Audiofilia é uma arte para uns poucos iniciados cada dia mais raros.
Embora pareça nome de doença (e em alguns casos infelizmente eu tenho de concordar com isso), trata-se de uma prática constante de buscar a perfeição da reprodução musical através de muita pesquisa e experiência com equipamentos de som.
Nos tempos atuais, em que a música cada dia mais deixa de ser expressão artística de emoções para virar mero produto de consumo, penso que apenas um audiófilo consegue ententer outro audiófilo. Até porque a paixão sem limites pelo detalhismo na busca de cada som ao longo da reprodução musical, vem da paixão pela própria música e... não dá para se apaixonar por algo inexpressivo artisticamente.
Falar em "busca pela precisão sonora" e coisas assim pode parecer um tanto sem sentido com a praticidade da reprodução digital que temos hoje e que permite uma gama infinita de recursos e possibilidades, mas infelizmente, o som digital está ainda muito distante da profundeza de detalhes do som analógico, que corresponde à própria natureza do som em sí.
Para explicar isso teríamos de partir de conceitos como "mascaramento sonoro" ou linearidade de sinal até chegar nos truques e segredos que todo audiófilo tem na manga, como limpar discos de vinil com álcool de cereais ou aplicar um tipo especial de cera extremamente diluída para "limpar" as paredes dos sulcos dos discos com um material anti-estático para evitar os tão indesejáveis estalidos, bem como reduzir o desgaste dos sulcos, que pode virar fonte de chiado de fundo.
Enquanto um tocador de arquivos "MP3" ("Motion Picture Experts Group - Layer 3", ou MPEG-3) pode custar uma micharia de cerca de US$15,00 e ser comprado em qualquer camelô, um bom toca-discos de vinil analógico pode custar de uns US$ 500,00 até mais de US$300000,00. (Nesse último exemplo, até eu tenho de concordar que audiofilia pode virar doença... duvido que algum ser humano no mundo consiga perceber tanto detalhe de reprodução de som assim, que justifique gastar uma grana dessas com um mero toca-discos mesmo que naturalmente a qualidade de som que o formato MPEG-3 permite na imensa maioria dos casos é lamentavelmente limitada pelo efeitos da digitalização, compressão e mascaramento).
Enquanto a imensa maioria das pessoas se contenta em ouvir um "sonzinho", um audiófilo sempre busca mais detalhes e com isso, a audiofilia toma aspectos de "ciência obscura" cheia de "segredos" que cada audiófilo muitas vezes guarda apenas para sí feito segredo de mágico para que não pensem que se trata de loucura.
Os "clubes" de audiofilia são tão raros quanto os audiófilos e as "castas" de audiófilos muitas vezes está diretamente relacionada com o poder aquisitivo destes seres de ouvidos treinados e sensibilidade artística altamente desenvolvida.
São tão raros que um grupo de uns 4 ou 5 audiófilos já pode ser considerado um "clube". (Veja esse vídeo sobre o "Clube de Audiofilia de Atenas", para saber do que estou falando.)
Em países que estimulam "comportamento pobre" como o Brasil, infelizmente a prática de audiofilia tornou-se quase que proibitiva, não apenas pelo valor dos equipamentos (só a cápsula do toca-discos de um desses caras do vídeo que citei agora, deve valer mais que o meu carro!), mas por uma questão cultural... ou melhor, desestímulo cultural.
O brasileiro (de um modo geral), infelizmente já não consegue mais distinguir uma música comercial de uma obra de arte, assim como não consegue distinguir pornografia de erotismo, ou xaveco de amizade sincera entre um homem e uma mulher.
Esse tipo de distinção requer sensibilidade e para ter esse tipo de sensibilidade, é preciso treino, observação, compreenção e força de vontade. E no caso de um audiófilo, essa força de vontade é a paixão pela música, pelas expressões que ele consegue "degustar" no meio das vibrações de cada som, independente de idioma, idade, cor, sexo...
Para ser um audiófilo, é preciso desenvolver essa sensibilidade ao longo da vida e desde o berço já ir acumulando bagagem musical, referências sonoras, artísticas... e emotivas. Assim, torna-se cada vez mais gritante a diferenciação de uma obra meramente comercial de uma obra artística, por mais pop que pareça.
Um audiófilo, não se importa se uma música é velha ou nova, porque sabe que arte não tem prazo de validade, ou não conheceríamos as obras de DaVinci, ou já que estamos falando de música, de Bach, Beethoven ou Mozart.
Um audiófilo, não se importa se uma música é "rotulada" ou não como "gay", "negra", etc. porque sabe que esse tipo de "classificação" é feita por gente ociosa ou sem bagagem artística (geralmente ambos).
O site australiano SameSame por exemplo resolveu eleger (através de seus leitores, para não levar a culpa) uma lista desse tipo. Uma verdadeira ofensa à sensibilidade artística dos audiófilos que sabem por exemplo, que o primeiro CD produzido para a venda no mundo (em 1981) foi o álbum "The Visitors" da banda norueguesa Abba, que acabou tendo "Dancing Queen", uma de suas músicas (porém não desse álbum) no topo da lista do que o site chamou de "as canções mais gays de todos os tempos". Música essa que aliás, tocou muito no auge do tempo das discotecas e que embalou a diversão de muito cara que hoje é pai de família.
Definitivamente, vivemos em uma época em que os valores sociais são distorcidos em função do comércio, do capitalismo, do consumismo e da mera deterioração cultural como pura diversão.
Se outras gravações musicais citadas pelo site como como Donna Summer “I Feel Love” e Frankie Goes To Hollywood “Relax” são músicas que os gays gostam, parabéns aos gays pela sensibilidade artística.
Já aos divulgadores desse tipo de besteira como a tal "eleição" publicada pelo SameSame, que vão à merda! Tem coisa muito mais importante para ser discutida nesse mundo!
Alheio a tudo isso, um audiófilo simplesmente escolhe à dedo o seu par de fones predileto, liga seu equipamento de som e com um simples toque de uma agulha de diamante deslizando sobre as ondas do sulco de um velho disco de vinil, se isola de todo o resto do mundo para sentir-se mais junto da arte.