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domingo, 23 de março de 2008

Tenho me sentido muito apreensivo esses dias, embora tenha recebido elogios pelo meu trabalho, há algo no meu ser que encontra-se inquieto, triste, confuso.
Como já escreví sobre praticamente tudo nesse blog, desta vez resolví dar um tempo e tentar descrever essa sensação, embora eu tenha certeza de que será muito difícil aos leitores, entende-la.



Uma pausa para refletir sobre mim mesmo...

"Absolutamente nenhum ritual religioso, relacionado a qualquer fé religiosa, deve ser associado ao meu funeral."
(Arthur Charles Clarke, cientista e escritor visionário autor de "2001 - Uma Odisséia No Espaço" e idealizador dos satélites de telecomunicações, enterrado ontem, dia 22.)


Geralmente os meus "fantasmas" pessoais costumam me assombrar da segunda semana de abril até o final da segunda semana de maio já há alguns anos. Mas este ano, parece já estarem me perturbando desde já... Tenho os "espantado" ao som de "Demon's Eye" do Deep Purple enquanto tenho observado coincidências à minha volta, como que "conspirando" para me surpreender...
Só não sei ainda se isso ocorrerá por várias frentes simultaneamente ou por uma única frente, muito especial.
Antes eu estranhava esse tipo de coisa... coincidências assim... em seqüência...
Hoje, o que estranho é eu conseguir percebe-las acontecendo como que "se juntando aos poucos" como que para construir algo. Por outro lado, talvez eu esteja apenas sendo muito imaginativo como sempre fui.
Analisando mais friamente, devo estar apenas um tanto afetado pelas mudanças eminentes à minha frente... (Reconheço que algumas certamente não passam de mero efeito colateral da minha própria iniciativa mas, em sua grande maioria, parecem efeitos do próprio acaso.)
Alguns preferem chamar esse tipo de coisa de "destino", "sina", "carma"... ou apenas meras coincidência mesmo.
Quando desistí de lutar contra a maré e passei a me deixar levar pelos efeitos desse tipo de coincidências, sem planejamento algum, as mudanças na minha vida começaram a acontecer em ritmo exponencial e até tenho tentado pisar um pouco no freio para tentar arrumar um tempo e me situar, entender a situação, mas é muito difícil compreender o que o futuro me prepara para que eu possa planejar o que quero na minha vida.
Pelo menos no campo profissional, isso deu certo a tal ponto que até agora tenho dificuldades em acreditar que estou fazendo certas coisas, o que me força a "segurar um pouco" a onda, como eu disse, para tentar me situar...
É o que tenho feito desde que concluí há alguns anos atrás em que eu já não tinha mais nada a perder, me via em total e absoluto fracasso com relação a todos os objetivos que tive desde a infância, desiludido com tudo o que tentei construir, me sentindo enganado com relação a tudo o que me pregaram, traído por vários dos valores em que eu acreditava e tendo de me desfazer da minha própria vida para não levar outra comigo para o ralo.
Abraçar as oportunidades às cegas sem saber no que isso iria dar... deu no que deu.
Além das evidentes mudanças no setor profissional, minha intuição com relação às coincidências me diz que há algo muito grande por acontecer, especialmente no setor afetivo, o que me perturba profundamente. Tanto quanto meus "fantasmas".
E o motivo é muito simples: já faz muito tempo que aceitei o meu fracasso nesse campo: lá no fundo, não passo de um homem solitário perdido num mundo frio, já há muito tempo, conformado de que não há nesse mundo, ninguém como eu e isso não me torna especial como alguns podem imaginar. Me torna uma aberração.
Por isso continuo optando pela solidão (ainda que reprimindo minhas emoções feito um vulcano) ao invés de lutar por outra ilusão no campo afetivo. Embora isso seja o inferno, pelo menos é a verdade.
Prefiro um inferno verdadeiro do que um paraíso falso.
Piedade é para os fracos.