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sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Bem que eu falei que esse meu começo de ano iria ser complicado para postar aqui...
Alguns projetos deram errado, mas tudo bem... ainda há a possibilidade de reave-los mais tarde.
E aproveitando o atual momento em que me preparo para migrar da IBM para a AT&T, é uma boa hora para publicar este texto que venho preparando nas minhas horas vagas
cada vez mais escassas.
Esse texto estou preparando desde o início do ano com o intuito de passar mais um pouco da minha experiência pessoal como aliás muitos dos meus textos publicados aqui nesse blog (a maioria deles, penso eu).
Mas esse texto é especial, primeiro porque tem o objetivo de desbancar os livros de auto-ajuda tentando apresentando a "fórmula mágica" que poderá ajudar os distintos leitores a alcançarem mais sucesso, pessoal e profissional; segundo porque estimula mudanças radicais que podem levar mesmo a isso, embora à longo prazo; e terceiro, porque mostra que muitas vezes sem perceber, seguimos caminhos que nos fazem perder tempo precioso de nossas vidas com coisas que não nos ajudam em nada.



Fuja do "comportamento pobre"!

"Status é comprar uma coisa que você não quer com o dinheiro que você não tem para mostrar para gente que você não gosta uma pessoa que você não é."
(Autor anônimo)



Em 98% dos livros de auto-ajuda, o autor costuma dizer ou pelo menos tentar passar a idéia de que para "mudar de vida, a ação tem de partir do leitor" para todos os aspectos de seu próprio comportamento.
Bom... sob os aspectos de etiqueta, educação e comportamento social, essas mudanças de comportamento realmente podem fazer uma diferença considerável seja socialmente, seja profissionalmente.
Você quer ser rico(a) não quer? Quem não quer, não é mesmo?
Mas não me refiro aqui à riquesa no quesito capital ou em questões materiais. Digo isso, porque as questões materiais só se resolvem com muita prudência, responsabilidade e conseqüência e tempo... muito tempo. Portanto, o ideal é se concentrar em sí, o que pode ser muito difícil, especialmente num mundo em que tudo rola em função do dinheiro (inclusive relações sociais na maioria dos casos, infelizmente).
Acrescento aqui a máxima de um amigo meu, economista que costuma dizer que "dinheiro não é tudo" e ele tem razão.
Se você busca viver bem, o dinheiro ajuda, mas você não precisa de milhões de dólares numa conta na Suíça para isso.
Na verdade, o dinheiro rende até que bem, se você souber usa-lo com prudência e vários milhões de dólares numa conta na Suíça não farão você rico(a) de verdade se você não se comportar como tal. (Quase tudo quanto é político se sem sombr de dúvida se encaixa perfeitamente nesse quadro.)
E é aqui que começamos o ponto-chave de nosso texto de hoje: se você quer ser rico ou rica, deve se comportar como tal (e não adianta fingir ou se tornará absolutamente ridículo(a)).
Esse comportamento vem de dentro, de anos e anos de cultivo de sensibilidade crítica e observação minusciosa do que difere as pessoas que admiramos das que achamos nem um pouco interessantes ou mesmo repugnantes.
Essa sim é a verdadeira riqueza e não tem absolutamente nada a ver com dinheiro.
Costumo dizer para mim mesmo que se você quer riqueza, tem de fugir do que chamo de "comportamento pobre", mas é complicado explicar o que vem a ser esse "comportamento pobre". Então separei alguns exemplos e tentarei explicar cada um aqui.
Agora, antes de continuar a leitura desse texto, faça uma pergunta a si próprio(a) e pense bem na resposta: Você quer ser admirado(a), servir como exemplo ou prefere ser visto(a) como só mais um(a) ou mesmo com repúdia? (Se você escolheu a segunda opção - o que eu duvido, já que você está lendo esse blog - pare de ler agora e vá fazer alguma coisa inútil.)

Exemplos sobre "comportamento pobre":

1 - Encher o carrinho de supermermercado com latas e latas de cerveja para mostrar pra tudo mundo o quanto você gosta de "encher a caveira" achando que está "abafando" é "o" comportamento pobre... Se você parar para pensar, o preço de degustar um bom vinho elegantemente sob boa companhia é praticamente o mesmo, mas o "retorno", ou melhor, a sua imagem e reputação ganham outra conotação, especialmente se estiver em boa companhia. Aproveite para curtir o momento. Isso ajuda pacas na auto-estima.

2 - Ficar "antenado" em tudo do programa "Big Brother" sem sequer ter ouvido falar em George Orwell ou seu livro "1984", que além de inspirar o nome do programa é uma crítica exatamente à alienação pelos meios de comunicação de massa.
Além de o programa de televisão não ser construtivo em absolutamente nada, uma boa leitura por outro lado pode ajudalo(a) a ter consciência de um monte de coisas e assim ter argumentação de qualidade para boas conversas no dia-a-dia e até ajudar numa entrevista de emprego.

3 - Lembrar do placar de todos os jogos do "Campeonato Brasileiro" e não lembrar de quem votou na última eleição é outro bom exemplo de comportamento pobre: Se o um certo Timão foi para a segunda divisão (por exemplo), o que é que isso vai influenciar nas contas que você tem para pagar?
A menos que você seja "cartola" ou jogador de futebol profissional, esse tipo de conhecimento não ajuda em nada.

4 - Gritar do lado de fora do prédio para chamar alguém ao invés de usar a sofisticadíssima tecnologia de tocar a campainha. (Tem gente que parece desconhecer a existência disso.)
Aqui temos uma questão de etiqueta social. Ninguém precisa saber que você está do lado de fora do prédio chamando alguém.
Tenho um grande amigo que admiro muito e que reclama quando alguém do lado de fora do prédio chama alguém desse jeito, mas ele mesmo já ví fazendo isso. É um exemplo de quanto podemos ser mal influenciados pelo efeito "todo mundo faz isso, vou fazer também".

5 - "Todo mundo faz isso, vou fazer também." - A máxima da desculpa pelo relaxo... Ou você quer ser mesmo como "todo mundo", fazer parte da grande massa, sem nenhum diferencial, nenhum ou quase nenhum senso crítico, alienado(a)?
Todas as grandes empresas (em especial, multinacionais) vivem "gritando" aos quatro ventos seus magníficos processos de "aprimoramento constante em busca da perfeição", certo? E que tipo de gente você acha que essas empresas buscam? Pessoas "comuns"?
Vale a pena refletir sobre isso por um tempo.

6 - Ir em tudo quanto é bar para torrar o salário com bebidas e cigarros achando que as pessoas acham isso sinal de "status" ou porque "todo mundo faz isso".
Mais uma vez eu repito: Você quer ser como todo mundo ou quer ter um diferencial?
Imitar a maioria fará com que você seja como a maioria.
Você quer ser lembrado(a) como "mais um" ou "aquele lá", "aquela lá"?
Marketing pessoal de verdade, meus amigos, não é fazer o que todo mundo faz só porque todo mundo quer que você seja assim.
É ser especial de verdade. E para isso, ter personalidade própria, independente da coletividade.
Esse ítem é particularmente complicado de explicar, porque você nunca pode tirar de sua mente que você precisa das pessoas, mas não pode ser, nem agir, nem pensar como elas só porque elas querem.
O "tchan" é você construir sua própria personalidade, comportamento, pontos de vista, idéias à partir dos valores que observa e obtém e principalmente, seleciona cuidadosamente ao longo de toda a sua vida.
Agora, se você acha isso sinal de "satatus", os caras mais ricos do mundo não frequentam bares. Os árabes frequentam cafés.

7 - As mulheres geralmente sabem como se cuidar, portanto esse ítem é especialmente dedicado aos homens: Faça a barba, trate de reduzir essa barriga, vista-se com elegância (ainda que seja com jeans e camiseta) e procure alguma literatura sobre etiqueta.
Aparência no mundo moderno influencia dramaticamente as suas cances de ser ouvido(a), de lhe darem atenção quando você tiver alguma opinião a dar além de ajudar muito a impôr respeito.
As pessoas influentes passam a se aproximar primeiro de você. (Hoje mesmo, observei que um certo executivo veio me cumprimentar antes do resto da turma. Só posso atribuir isso ao fato de eu estar relativamente bem apresentável.)

8 - Leitura religiosa pode ser interessante, pois há muitos valores bons, mas seguir uma religião pode ser extremamente perigoso porque temos uma péssima tendência (perfeitamente humana) de construirmos nossos valores pelas emoções ao invés da lógica.
É claro que a minha opinião sobre religião pode e será vista aqui como algo suspeito porque me declaro ateu.
Mas já fui religioso e acredite, a religião só ajudou a atrasar a minha vida. A verdadeira liberdade só pode ser atingida quando você alcança a consciência de que nenhuma divindade vai ajuda-lo(a) em absolutamente nada na vida, que esse tipo de ajuda cabe apenas a si próprio(a) e que ninguém é obrigado a ajuda-lo(a) em nada. (Os livros de auto-ajuda estão certos nesse ponto.)
Lamento, amigos, mas milagre não existe e ponto final. E fanatismo então estão entre as coisas mais desagradáveis e socialmente repugnantes que conheço.
Não estou dizendo que você não deve seguir religião alguma. Isso é um direito seu, uma escolha sua, que pode até te dar alguma boa experiência de vida, mas muito cuidado para não se deixar influenciar pelos valores que são pregados.
É fundamental questionar-los sempre, antes de tudo e especialmente, não se deixar levar pelas emoções.
Um exemplo extremo de como valores construídos através da religião podem ser perigosos, é um certo vídeo que circula pela Internet, de um terrorista que degola seu prisioneiro com uma faca e exibe a cabeça do "infiel" como um troféu em nome de sua crença religiosa.

9 - Tratar mulher como mero objeto é o supra-sumo do que chamo de comportamento pobre.
Todo homem gosta do sexo das mulheres. Isso é inevitável, faz parte da natureza masculina, mas homem de verdade, gosta das mulheres.
Só que para isso, ele tem de aprender a reconhecer o que cada uma delas tem de especial. Todas as mulheres têm seus encantos próprios, pessoais e únicos. Saber reconhecer e admirar esses encantos é saber desfrutar da verdadeira beleza de cada uma.
Infelizmente, elas têm deixado de se sentir motivadas a cultivar essa beleza exatamente porque faltam homens com esse tipo de sensibilidade. E o motivo é simples: se um homem elogia algo que acha bonito numa mulher, ou percebe que ela mudou alguma coisa no cabelo, penteado, etc. todo mundo já acha que você está dando em cima dela e começam a jogar comentários (por pura inveja) que acabam por ser bastante desagradáveis. Assim, os homens deixam de se sentir motivados a reparar nesses detalhes e as mulheres deixam de ser devidamente elogiadas.
Lamentável.

10 - "Tunar" o carro com um monte de poderosos amplificadores e alto-falantes para chamar a atenção pode até mostrar que o cara tem bastante dinheiro, mas vai gastar com com puta (desculpem o termo, mas infelizmente é isso mesmo!) ou na melhor das hipóteses com mulher interesseira, a chamada "maria gasolina".
Esses caras geralmente têm muito dinheiro no bolso, mas nada na cabeça. (E as "marias gasolina" não têm nem o dinheiro e ainda usam o cara como motorista particular.)
Comportamento pobre de idéia, de valor, de personalidade... denota um forte desepero de alguém que não consegue ser notado.
Não é triste isso?

Enfim, vivemos numa sociedade de comportamento cada vez mais pobre e infelizmente temos tendência a nos comportarmos como ela.
Se quisermos mudar isso, é preciso que aprendamos a nos policiar como indivíduos se quisermos nos destacar com algum diferencial e, na medida do possível, mostrar às pessoas que elas podem ser especiais, fazendo a diferença, sendo diferentes, construtivas, criativas.
É verdade que a vida é curta e precisamos curtir o que gostamos, mas é fundamental que aprendamos a valorizar a individualidade, a boa lógica, a educação e o respeito ao próximo.
E se a verdadeira riqueza vem de um comportamento rico, então seja rico(a).