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sábado, 10 de novembro de 2007

Desta vez resolví escrever sobre mim mesmo. Me descrever é complicado, mas resolví ser um pouco mais ousado que isso e acabei redigindo uma...


Entrevista comigo mesmo

"Os grandes navegadores devem sua reputação aos temporais e tempestades."
(Epicuro de Samos, filósofo grego, famoso por defender a liberdade humana e a tranquilidade de espírito.)


Picolo's Blog: O especialista em tecnologias de mídia digital Claudio Henrique Picolo começou sua carreira oficialmente em 1985 após concluir seus primeiros cursos de programação e comprar seu primeiro microcomputador, onde começou a desenvolver suas técnicas de imagens digitais caminhando em busca do mercado de Computação Gráfica e animação, numa época em que nem se falava sobre isso no Brasil.
Há quem imagine que o termo "Computação Gráfica teria sido criado por ele mesmo bem no início dos anos 80, ao traduzir o termo original do inglês "Computer Graphics".
Em 1992 começou a migrar das animações em vídeo para novamente ser pioneiro, fazendo parte da primeira equipe especializada em desenvolvimento de projetos de multimídia do Brasil, conhecida na época como "Magivision Associados", onde desenvolveu alguns padrões de apresentação de imagens que acabaram sendo adotadas por exemplo, nos caixas eletrônicos da rede de bancos Itaú.
Ainda em 1993, entrou no mercado de pré-impressão gráfica, produzindo através das agências e bureaus por onde trabalhou, incontáveis trabalhos de imagem para empresas como 3M, Coca-Cola, Fiat, Siemens/VDO, Monroe, Indisa, Veiling Holambra, Polimec, TVB (SBT).
Em 1995, foi destaque no seminário "New Media Forum" promovido as USP pela Apple Computer, Strata, Adobe Systems, Macromedia e Digital Design/Specular (Metacreations) sendo um dos cerca de 300 técnicos participantes a conseguir concluir o projeto especificado no início do seminário. (Só dois conseguiram.)
Em 2006, após 21 anos de dedicação à produção de mídia digital, fortemente decepcionado com os rumos que este mercado estavam seguindo, mudou radicalmente de mercado indo trabalhar com monitoração e suporte de redes de computadores na IBM através da BRQ Informática e hoje, através da Global Value Solutions.
Entre seus hobbies, estão a coleção de cartuchos para o videogame Atari 2600 e a prática de io-iô freestyle (uma modalidade de io-iô reconhecida mundialmente como esporte, mais ou menos como a "formula 1" do mundo dos io-iôs) e escrever este blog.
Claudio, como se sente sendo entrevistado em seu próprio blog?
Claudio H. Picolo: Bom, antes de qualquer coisa, me sinto na obrigação de dizer que é uma honra para mim ter tanta gente inteligente lendo o meu blog e é um orgulho ver nas estatísticas de presença do mesmo que tanta gente acaba voltando a visita-lo.
No entanto, pode parecer um pouco frustrante para o leitor e até uma demonstração de egocentrismo ou narcisismo da minha parte, ser entrevistado por mim mesmo, mas se levarmos em conta que 90% das entrevistas na mídia são pré-combinadas, especialmente em mídia impressa (e olha que falo como testemunha ocular desse fato), esta seria apenas mais uma entre outras bem no estilo em que o(a) leitor(a) certamente já está acostumado(a).
PB: Com tantos anos e tanto know-how adquirido com seu pioneirismo no mercado de produção de mídia, por que essa mudança tão radical para a área de redes de computadores?
CHP: O reconhecimento profissional no mercado sempre foi muito pequeno e os valores nunca corresponderam à minha dedicação. Além disso, apesar de eu ter aprendido e testado várias técnicas amplamente conhecidas, provindas de instituições seríssimas como a CIE, muitas vezes eu me encontrava na necessidade de provar isso em detrimento do mero orgulho de alguns clientes que sempre achavam que tinham razão em determinadas coisas só porque tinham grande poder aquisitivo e eram conhecidos no mercado exatamente por causa disso. Aliás um problema muito sério desse mercado é exatamente a picaretagem.
Tem muito profissional bom sendo tratado com muita injustiça, o que me irrita profundamente e perdí a conta de quantos eu já ví deixando o mercado por causa desse tipo de coisa. E o pior é que a picaretagem maior vem de gente grande, gente que tem muita fama e dinheiro. É muito difícil argumentar contra isso.
É a palavra deles conta a sua e o dinheiro sempre acaba falando mais alto que a ciência.
PB: E como você se sente agora, num mercado tão radicalmente diferente?
CHP: O reconhecimento é maior, apesar de eu não me sentir ainda tão à vontade nesse mercado como me sentia no outro, obviamente pela minha ainda pouca experiência nesse setor, mas é um mercado muito mais maduro e trabalho com uma equipe formidável. Tenho certeza de estar adquirindo esse know-how no caminho certo e do jeito certo.
Tenho muitos planos na cabeça, e ainda estou estudando um jeito de começar a executa-los, mas até lá, preciso pôr minha vida de novo nos eixos.
Preciso aprender a programar melhor o meu tempo, mas ainda não aprendí como faze-lo de modo adequado.
Ainda perco muito tempo com imprevistos. E aí acabo deixando muita coisa pendente, ou deixando para depois muita coisa que eu queria já ter feito como cursos ou certificações.
De certa forma, estou tentando aproveitar para viver um pouco ao invés de apenas trabalhar.
PB: É verdade que apesar de todos esses anos dedicando-se a tecnologias, você é mais conhecido pela prática de io-iô?
CHP: (Risos) É verdade sim.
Desde que me cadastrei na Associação Brasileira de Io-iô, passei a me dedicar à divulgação do io-iô como esporte, especialmente entre a molecada, como uma espécie de incentivo para que eles busquem sair um pouco do videogame para experimentarem um pouco mais do mundo real, estimulando também sua curiosidade e assim, eles desenvolvem coordenação motora, senso de observação e até acabam estudando física e química por tabela para tentar fazer com que seus io-iôs durmam mais tempo, fiquem mais estáveis, etc. Além é claro de começarem a conversar mais, trocar mais idéias, entenderem mais os pontos de vista alheios, se desenvolvendo socialmente de forma muito mais saudável e inteligente do que disputando entre si como acontece com torcidas de futebol, ou tentando chamar atenção numa balada.
De tanto participar dos "fóruns da ABI", de repente me surpreendí ao ver o meu nome entre os 6 ioiozeiros que mais participaram. Atualmente estou em 8o. lugar nesse quesito, mesmo me considerando um jogador medíocre.
PB: Você já foi reconhecido no meio do público por isso?
CHP: Algumas vezes, geralmente pela garotada. Mas algumas vezes fica engraçado.
Tenho uns vídeos de io-iô que produzí, postados na minha página do YouTube e logo que comecei a postar esses vídeos aconteceu de eu pegar o fretado da empresa de volta para casa e o rapaz que estava sentado ao meu lado olhou para mim e disse "você não é aquele cara do io-iô?"
PB: Agora a pouco você disse que estava tentando "viver um pouco ao invés de apenas trabalhar"... O que você quis dizer com isso?
CHP: Você já se perguntou alguma vez se você trabalha para viver ou vive para trabalhar?
Se nunca se fez essa pergunta, recomendo faze-lo todos os dias ao acordar.
Como diria um amigo meu, economista, "dinheiro não é tudo".
Conheço gente que pela busca cega pelo dinheiro, praticamente "vendeu a alma ao diabo".
Francamente, não tenho pressa em alvejar algum cargo superior só pela busca por mais dinheiro sem me preparar muito antes.
Tudo tem seu tempo. Além disso estou conseguindo pagar as minhas contas... sem luxo, mas estou.
No outro mercado, eu me sentia praticamente um escravo sem direito à minha vida pessoal.
As contas eram muito difíceis de pagar, por mais que eu trabalhasse. Eu vivia pensativo sobre como resolver isso, vivia nervoso, me sentindo um fracassado e isso infelizmente teve reflexos irreparáveis na minha vida pessoal.
PB: Que tipo de reflexos?
CHP: Preciso mesmo falar sobre isso? Um grande amigo meu já me alertou para o ar melancólico que esse blog pega quando toco nesse assunto, mas tudo bem, aqui vai...
Eu errei... Cometí muitos erros, magoei muito uma pessoa que eu não queria magoar e acabei me afastando dela para não arrasta-la comigo para uma ruína eminente.
Com isso eu ganhei algum tempo, para mudar algumas coisas na minha vida... fazer alguns cursos e conseguir mudar de rumo com grande sacrifício... Infelizmente esse sacrifício acabou incluindo o meu relacionamento com essa pessoa.
PB: Não há como recuperar isso?
CHP: Isso não depende mais de mim. Depende dela.
Eu só estou cumprindo o que prometí em meu último e-mail: não incomoda-la. Foi jeito de provar àquela teimosa, de que tenho palavra. Se algum dia ela quiser quebrar o silêncio, claro que será bem-vinda, mas ela vai precisar de muita força de vontade para vencer o próprio orgulho.
PB: Você fala muito dela em seu blog. Acha que ela lê?
CHP: Tento pensar que não, mas acho muito difícil ela não querer ler de vez em quando.
Vivo tentando disfarçar, mas simplesmente não consigo deixar de imaginar que ela pode estar lendo minhas observações, se divertindo com as bobagens que escrevo de vez em quando, ou "se achando" com as minhas declarações em algumas entrelinhas, ou mesmo escancaradas.
Éramos muito unidos apesar das diferenças e tivemos uma relação muito marcante para não sentirmos saudade um do outro.
Se ela tivesse um blog, eu leria. Estou numa desvantagem muito injusta sob esse ponto de vista. Ela pode saber quase tudo a meu respeito, enquanto eu não posso saber nada a respeito de como ela está hoje.
PB: É verdade que você está sozinho desde que terminaram ou já teve algum outro relacionamento desde então?
CHP: Tive relacionamentos de amizade. Sou um homem de princípios, entre eles o de evitar mulheres comprometidas. E todas as mulheres interessantes que já passaram pela minha frente desde então já estavam comprometidas. Fora isso, não vejo motivos que impeçam "novas possibilidades", por assim dizer.
Às vezes penso que talvez algumas mulheres tenham um certo medo de não serem correspondidas se tentarem se envolver comigo, especialmente pelo fato de eu ser exigente e não esconder isso.
PB: Essa exigência já te causou problemas?
CHP: Sim. Já cheguei a brigar com o meu pai por causa disso. Ele simplesmente não consegue entender que eu não sou de me envolver superficialmente. Ou me envolvo pra valer, ou nada feito.
A minha mãe por outro lado, entende, mas não deixa de ficar tentando me "empurrar" uma ou outra menina que ela conheceu no dia-a-dia, ou nos bailes que ela freqüenta, o que sinceramente me enche o saco...
Mas se há algo que realmente me deixa irritado são certas atitudes da mulherada aqui da região, que já nem perdem tempo de tentar distinguir homem de babaca. Para elas é tudo a mesma coisa! Apenas fazem cara de nojo ao olhar para qualquer homem numa magnífica demonstração da mais pura estupidez. Mulher assim no meu conceito, é simplesmente "descartada" no ato!
PB: Não acha essa sua atitude muito radical? Não acha que isso o prejudica pelo fato de te manter sozinho?
CHP: De forma alguma! Eu não sou obrigado a correr o risco de ter de aturar uma mulher intragável só para agradar as pessoas ao invés de agradar a mim mesmo. Eu tolero muitos defeitos, afinal, todos nós os temos, mas estupidez é garantia de educação ruim.
Gente assim grita à toa com as pessoas. E quando alguém grita com alguém, não tem nem razão, nem respeito algum.
PB: Você já escreveu sobre praticamente todo tipo de assunto em seu blog. De onde você arranja tanta informação?
CHP: Da Internet, claro! Difícil é qualificar a informação e isso demanda tempo e paciência.
Dados existem aos montes na Internet, informações desencontradas e boatos, mais ainda.
Certamente já escreví muita bobagem baseado em pontos de vista sem embasamento, mas essa fase acabou e o Picolo's blog já saiu da "fase experimental" faz tempo.
PB: E o que causou essa "mudança de fase"?
CHP: Acreditaria que foi uma bronca do Luís Fernando Veríssimo? Pois é... nem eu... na verdade, ainda não sei se foi dele mesmo. Não tive coragem de perguntar, mas se você toma um puxão de orelha de um mestre desse naipe, o mínimo que deve fazer é prestar muita atenção para ver se aprende alguma coisa. Ele citou no e-mail, o projeto Wikipedia, que na época ainda estava começando a "tomar forma" para mim, por assim dizer.
Virei fâ do Wikipedia graças a esse misterioso e-mail. O site é realmente fantástico! Fala sobre quase tudo! Qualquer dia desse, se bobear devo achar algum wiki falando de mim por lá...
PB: E o Picolo's Online? Faz muito tempo que não é atualizado. O que aconteceu?
CHP: De fato, tem muita coisa desatualizada lá, especialmente o meu perfil... tenho alguns certificados que lá não constam... Enfim, eu estava com a versão nova do site no meu HD, pronto para pedir a senha de acesso ao servidor onde ele está hospedado para atualiza-lo, quando uma falha grave de uma fonte de força queimou a placa lógica do HD.
Ainda não sei se tento mandar consertar o HD, ou se faço uma outra versão dessa atualização.
Sinceramente, penso em fechar o site. Não tenho muito tempo para gastar com ele e nem vejo mais necessidade de te-lo funcionando. Tudo tem um fim um dia.
O próprio Picolo's Blog eu penso em abandonar no término desse ano!
Embora eu tenha recebido alguns e-mails elogiando esse trabalho de tentar mostrar como nós, seres humanos temos tendência de agirmos como marionetes, através da observação de pontos de vista ignorados pela grande maioria das pessoas...
O fato é que gasto muito tempo com isso (o que convenhamos, não vai mudar nada no mundo em que vivemos) ao invés de me dedicar mais a buscar por exemplo, certos certificados que o mercado gostaria que eu tivesse.
Por outro lado, o Picolo's Blog me estimula a meditar e pesquisar sobre assuntos diversos e assim, organizar meus pontos de vista sobre conhecimentos gerais, o que me ajuda a enxergar muitos assuntos por um ângulo diferenciado e de forma bem mais clara, me dando inclusive um diferencial profissional.
É provável que eu passe a escrever somente de tempos em tempos ao invés de praticamente uma vez por semana, mas ainda não me decidí.
Talvez eu pare de jogar io-iô também. Não tenho mais tido tempo para isso.
PB: Você quer dizer então que você tem percebido que esse exercício de meditação exigido para redigir os textos do Picolo's Blog podem estar te ajudando profissionalmente?
CHP: Exatamente! No mundo corporativo, uma visão diferenciada é importantíssima quando se busca a resolução de problemas.
Muitas vezes esse dom é interpretado como "criatividade", por exemplo, mas é resultado de anos de meditação e observação e não há curso no mundo que ensine isso. Só a prática mesmo.
PB: Quer dizer mais alguma coisa aos seus leitores?
CHP: Sim... Muito obrigado pela atenção, pelo carinho, pelas sugestões e pela paciência.