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quinta-feira, 10 de maio de 2007

É verdade que nem sempre estou em casa.
E é mais fácil me achar de madrugada já que troquei o dia pela noite e metade dos meus finais de semana eu trabalho.
Apesar disso, tem gente que mesmo me encontrando em casa através de um telefonema, se recusa a dizer qualquer coisa, dizendo com isso muito mais do que imaginava.


O Significado secreto do silêncio

"A solidão só é agradável quando se está em paz consigo mesmo."
(Biscoito da sorte chinês)

Recebí um telefonema especial na tarde de domingo. Não preciso de um identificador telefônico para imaginar quem seria capaz de ligar, esperar um alô e covardemente, desligar sem dizer uma única palavra.
Embora eu prefira não imaginar nada, não posso descartar o fator mais importante da chamada: o breve silêncio que se fez entre o alô e o "click-tuuuuuuuu" do fim da chamada. Como se "degustasse" cada minúscia de um simples "alô".
Não existe som mais solitário que o silêncio, nem mais triste.
Como eu preferiria ter ouvido pelo menos um "alô", um "oi" - o que quer que fosse - tudo menos a sensação imaginativa de sentir uma lágrima escorrendo do outro lado da linha.
Por essas e outras que aprendí a odiar telefones.
Se fosse pessoalmente, certamente o silêncio ganharia outra conotação e o áspero "click-tuuuuuuuu" certamente seria trocado por alguma atitude bem menos covarde.
De qualquer forma, foi apenas um telefonema... nada mais. (Nada mais?)
Um engano? Oras... se fosse engano a pessoa do outro lado teria dito algo como "desculpe, liguei por engano".
OK, caiu a linha... Caiu? Por que não ligou de novo? Por quê tanto mistério?
Por quê perturbar a minha paz assim? Por nada?
Que tipo de mal um simples "alô"ou um "oi" que fosse poderia causar?
Quer conversar? Sem problemas! Não precisa ter medo. Não sou mais criança.
Tem medo de enfrentar seu orgulho de frente por simplesmente aceitar dar o braço a torcer? Ou medo de mostrar o seu lado fraco? Ou melhor dizendo, o seu lado humano, raro, admirável, carente, porém terno?
Eu ainda estou aqui, aguardando o retorno do "alô", do "oi", ou sabe-se lá que outro...
Talvez eu esteja esperando exatamente isso: que a humildade finalmente vença o orgulho, pois penso que é exatamente isso que tenha faltado esse tempo todo.
Enquanto sua humildade não vencer seu orgulho, continuarei tentanto imaginar que foi apenas um engano... se você realmente quer que eu pense assim.

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