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sábado, 14 de outubro de 2006

É da natureza do ser humano ser limitado em sua capacidade de visão crítica das coisas.
Talvez alguns de nós tenham esse senso de discernimento mais desenvolvido do que outros, não sei...
O que eu sei é que sou muito bom em encontrar defeitos nas coisas e admito: isso costuma de deixar bastante aborrecido. Tenho certeza quase que absoluta de que quando eu fôr bem mais velho, vou ser um daqueles velhos chatos e ranzinzas que reclamam de tudo.
Gente como eu geralmente não é do tipo que fica calado, aceitando conformadamente que nada nunca vai mudar: nunca, é tempo demais e as coisas no mundo sempre mudam sim! E existe uma regra para isso: as coisas sempre tendem a mudar muito rapidamente para pior, ou muito lentamente para melhor.
Digo isso porque para melhor, o esforço é muito grande e de muito poucos indivíduos. Demanda tempo, energia, muita massa encefálica e o que é pior: esses indivíduos têm de lutar contra costumes enraizados feito ervas daninhas, bem contra opiniões de gente que teme as mudanças como se fosse fogo e que tentam desesperadamente apagar qualquer sinal de brasa.
Para dizer que o universo todo gira em torno da Terra, bastou um dogma. Séculos se passaram para que as opiniões mudassem e só então os "loucos" fossem reconhecidos por seu senso de discernimento.
Tempo... essa é a chave.
E tempo, infelizmente é o que menos se tem nos dias de hoje. E o que é pior: pode custar muito caro, dependendo das circunstâncias.
Nos anos 60, quando surgiam os primeiros computadores eletrônicos programáveis e já se falava em linguagens de programação, temia-se a vulgarização das profissões ligadas ao processamento de dados.
Chegou-se a se instituir a idéia do "jamais faça com que as coisas pareçam fáceis", na esperança de que os clientes valorizassem a classe.
Começou aí uma escalada de siglas quase que interminável, tornando algumas literaturas quase que intradutíveis... felizmente esse movimento ruiu no início dos anos 80, com o advento dos microcomputadores e sua conseqüente popularização, pois nessa época, a simplificação prática era a chave para a eficiência e "bandeira" de sofisticação, claramente visível por exemplo, nos comerciais da época, em especial às campanhas dos primeiros Apple Macintosh.
Palmas para Guy Kawasaki, autor de "O Jeito Macintosh", certamente o melhor livro sobre gerência e marketing que já li (OK, admito que li pouco sobre isso, embora eu tenha vivido mais da metade da minha vida convivendo com "marketeiros" de toda espécie no mercado). Bom, esse livro pode ser resumido em poucas palavras: Não basta fazer a coisa certa. Isso todo mundo faz, de um jeito ou de outro e é aí é que está a diferença - fazer a coisa certa, do jeito certo.
Não vou citar exemplos disso. No livro há dezenas deles. E em quase todos, o "fazer a coisa certa do jeito certo", era uma coisa incrivelmente óbvia, mas que ninguém ou quase ninguém se esforçava para que "a coisa certa" fosse feita "do jeito certo"... simplesmente aceitavam, sem acrescentar nada que pudesse melhorar as coisas, ou torna-las mais eficientes.
Vivemos num mundo extremamente competitivo hoje em dia e que quero enfatizar, entre outras coisas, é que temos tendência a sermos passivos e esperar as mudanças com o tempo, sem nos manifestarmos, nem mover esforço algum para que aconteça. E é bem verdade que isso pode demorar muito, especialmente quando ninguém se esforça para que algo mude.
Agora vamos citar um antigo provérbio: "é de pequenino que se torce o pepino".
Bom, não conheço ninguém que se preocupasse em torcer um pepino, mas quando você pretende fazer algo que tende a crescer, como uma construção, ou um grande projeto, é bom que se resolva bem todos pontos-chave ou os pilares principais, ou depois de construído, periga tudo ruir de repente.
Lembra das regras para as mudanças? Pois é: As coisas sempre tendem a mudar para pior muito rapidamente, mas para melhor, pode levar muito tempo.
Isso vale para tudo na vida: na profissão, na vida pessoal (experiência própria)... e o que é mais doloroso: nem sempre você tem como começar tudo de novo.
Tenho fama de reclamão. Talvez eu tenha puxado isso da minha mãe, ou talvez de uma ex-namorada, ou talvez do meu avô, ou tudo isso... não importa.
Até mesmo esse blog já foi criticado pelo meu jeito de criticar as falhas do mundo, mas é exatamente esse o objetivo deste blog: mostrar a ignorância do mundo e até a minha mesmo.
Sim... sou ignorante, mas pelo menos assumo e fico na minha, até que alguém perceba as mesmas coisas que eu. Aí, quem sabe juntos, possamos mudar alguma coisa no mundo... e espero, para melhor.

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