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domingo, 10 de setembro de 2006

Ontem peguei a minha carteira profissional e saí com dois amigos para uma pizzada, assim posso dizer que os meus 21 anos de experiência em computação gráfica terminaram em pizza.
O meu ingresso na IBM parece estar envolto um uma série de mistérios para deixar qualquer fã de "Arquivo X" simplesmente pirado.
Entre os mistérios, "pipocam" muitos boatos, algumas histórias desencontradas sobre datas e horários de início de um treinamento, possibilidades de interrupção do curso de redes que estou fazendo para "pular" para um treinamento em SP e até a possibilidade de eu fazer um exame para certificação CCNA daqui a uns meses... Isso só para começo de conversa.
Seria mais estranho ainda eu começar a ter o tal treinamento à partir do dia 11, sendo que só assino o contrato dia 14 (muito provavelmente), principalmente se esse treinamento interrompe um curso que estou fazendo exatamente sobre o mesmo assunto. A meu ver não existe lógica nisso. Realmente é muito estranho.
Mas estranho mesmo é como eu me sinto trocando uma carreira por outra. É uma mudança extremamente radical, mas todos os meus amigos são unânimes em afirmar que eu precisava disso e estão todos comemorando.
As incertezas, boatos (alguns que não posso citar por ética profissional) e as estranhas condições em que tudo está rolando só servem para aumentar o "frio na barriga". Mas creio que isso faz parte, e logo logo tudo se resolve e as densas núvens de mistério de repente podem revelar um sólido caminho pela frente.
Difícil acreditar que a cerca de um mês e meio atrás, eu estava para começar um curso de redes de computadores com o modesto intuito de aprender mais sobre "segurança de informações", visando em especial o módulo do curso entitulado "segurança de redes" (que está mais para "configuração de firewalls Cisco" do que segurança de redes propriamente dito, diga-se de passagem) e agora estou mudando de emprego, de mercado, de profissão e até periga eu obter uma certificação que normalmente se obtém só após uns 2 anos de curso de pós-graduação... e olha que não tenho curso de nível superior!
Aliás, se tivesse, provavelmente estaria preso ao mundo acadêmico, infinitamente distante do mercado.
Infelizmente, a maioria das faculdades no Brasil hoje, são máquinas de fazer dinheiro, vendendo cursos aos montes e formando muito poucos profissionais (os que realmente estão lá para aprender ao invés de apenas conseguir o lendário "canudo").
Não estou tentando desmerecer o mundo acadêmico apesar do que possa estar parecendo.
O que estou tentando dizer, é que:
Primeiro - O sistema de ensino no Brasil hoje está tão ruim que tem gente que mal sabe ler chegando às faculdades e universidades;
Segundo - Permanece a lenda de que o "canudo" é a chave para os bons empregos, por culpa dos departamentos de RH das grandes empresas, que insistem em exigir o tal "nível superior" com o ÚNICO INTUITO DE DIMINUIR A QUANTIDADE DE GENTE PARA SER ENTREVISTADA, ou seja, não é necessário ter "nível superior" para operar uma fotocopiadora, ou apertar parafusos, mas a exigência está lá no anúncio de jornal... Aos profissionais de RH uma dica: é preciso repensar essa "filtragem", pois existem muitos bons profissionais desempregados e muitos "graduados" incompetentes sendo entrevistados.
Existe também o outro lado extremo: o daquele estudante tão crente nessa "lenda do canudo" que batalha a vida toda pelos caminhos tradicionais de formação, pós-graduação, mestrado, doutorado, etc. E que, ou terminam lecionando (o que acho extremamente louvável), ou terminam em empregos que desmerecem sua formação, porque o mercado simplesmente não absorve esses caras. Em suma: lutam, batalham, ralam, estudam, investem, e terminam lutando por vagas tipo "atendimento bancário", "recepcionista" ou "secretariado".
A meu ver, o mundo acadêmico PRECISA formar mais que acadêmicos que conhecem todas as receitas dos bolos, mas que não conseguem enfiar a mão na massa.
Uma prova do que estou falando é o fato de que a maioria dos profissionais (conhecidos carinhosamente no mercado como "dinossauros") que trabalham hoje com mainframes estão prestes a se aposentar e as universidades não estão formando profissionais qualificados para substituir essa força de trabalho. (Confira uma das matérias que fala disso neste link.)

E por falar em mainframe... talvez (dependendo do contrato que estou para assinar), eu tenha de mudar os temas e assuntos aqui neste blog, não podendo por exemplo, falar mais dos bastidores do mundo da tecnologia... talvez eu tenha até de desativa-lo. (Quem sabe?)

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