Translate

segunda-feira, 13 de março de 2006

Não importa quantas vitórias eu alcance se me sinto um fracasso.
Não importa se estou fazendo um curso avançado de UNIX/AIX/Solaris/Regatta/SAN/Shark no único laboratório de capacitação desse gênero na América Latina.
Não importa ter sido técnico autorizado Apple Computer ou representante da Strata, da Specular, da Adobe.
Não importa ter acompanhado toda a história da microinformática desde o seu nascimento com os primeiros microcomputadores pessoais, ter me tornado pioneiro em computação gráfica e produção de mídia digital.
Não importa se estou entre os 10 jogadores de io-iô mais conhecidos do Brasil (embora eu não jogue praticamente nada).
Não importa ter alguns conhecimentos de eletrônica e com eles conseguir a mágica de reviver alguns velhos aparelhos dados como "mortos".
Não importa se faço parte de uma minoria na Terra, que tem um teto para me abrigar, um armário para guardar minhas roupas, ou um carro (ainda que velho).
Não importa se estou vivo, se tenho saúde, ou com o quê eu me importo.
Quem se importa?
Amigos? Colegas? Minha mãe?
OK... há uma lacuna para preencher. Mas creio que já me mostrei bastante incompetente para preencher essa lacuna.
Embora eu insista em dizer que 2006 é um ano de mudanças, não espero preencher essa lacuna em 2006. Até porque não depende de mim.
Talvez um dia dependa de alguém muito especial que se importe... se existir.
Eu me importar?
Me importo sim. Com quem se importa comigo. E até com quem não se importa.
Mas não importa. Afinal, não sou importante.
Na verdade, não sou nada.
Afinal, quem se importa?
Deus?
Ora... milagres não acontecem.
Os religiosos que me perdoem, mas aquele que crê... morre escravo de sua crença.
Minhas crenças religiosas já se esgotaram em atrasos inestimáveis de vida.
Vida essa que provavelmente eu nunca mais terei... tarde demais.
E quem é que se importa?
Aquela? Aquela lá?
Ora... É bem provável que se importe apenas com si própria agora... enquanto o vinho (importado) envelhece... e ninguém se importa.
E agora? O que importa?

quarta-feira, 1 de março de 2006

Outra noite sem sono... Isso aqui hoje é um desabafo pessoal: eu odeio carnaval.
Não há nada que se aproveite nessa festa além das imagens de mulheres nuas ou seminuas exibindo seus corpos esculturais para todo mundo ver... seja em jornais, revistas, TV, web...
Bailes de carnaval? Nem pensar! Nada como a tranquilidade e a LUCIDEZ de quem sabe das desculpas do dia seguinte... como se uma festa popular fosse a culpada pelos atos desse ou daquele indivíduo (incluindo homens e mulheres).
Pessoal, por favor... nada de pseudo-puritanismo!
Sexo é bom, é saudável, é bonito, é sagrado (embora algumas religiões européias surgidas após as imposições do Império Romano tenham perseguido e assassinado quem pensasse desse jeito, criando o tabú que existe hoje... especialmente em países em que essa perseguição foi mais dramática, como foi o caso dos países da Península Ibérica e por conseqüência, os territórios que colonizaram)... Mas cá entre nós... sexo MESMO, não foi feito para ser vulgar.
Sexo sem aquele "tempero especial" fazem os "prazeres da carne" terem um gosto de carne crua, sem sabor.
Tudo bem que sou um romântico incorrigível e sei que isso parece piegas, mas é a mais pura verdade.
Há homens e mulheres que só se soltam no carnaval e depois dão a desculpa de que beberam demais, ou se empolgaram demais com a festa, ou simplesmente viajam para bem longe só em busca de bebida e corpos ardentes, porém bêbados para voltarem para casa como se nada tivesse acontecido.
Oras... o dia de maior movimento nos motéis do Brasil todo é o "dia da secretária"... um belo exemplo da integridade e do puritanismo dos brasileiros e brasileiras...
Esses dias eu estava pensando nas "diretivas" que guiam os planos de vida dos homens e mulheres na sociedade... Acho que ficaria algo mais ou menos assim:

Homens:
Procure um emprego em que trabalhe pouco, ganhe muito e encontre bastante oportunidade para passar os outros para trás. Nas sextas-feiras vá sempre a algum bar e finja que gosta de cerveja para fazer um "social".
Aprenda a fingir ser intelectual, a enganar as mulheres e assim levar o máximo de mulheres que puder para a cama... assim você poderá contar suas experiências para os amigos e ganhar respeito.
Procure conhecer muito sobre futebol para puxar conversas absolutamente inúteis antes de buscar o que realmente interessa.
Case-se e tenha filhos para fazer a aparência de um homem de família, íntegro e bem-sucedido, mas se possível, contrate uma puta de vez em quando... se possível, nomeie uma como sua secretária, assim terá uma amante sempre que quiser. Afinal de contas, o trabalho é estressante e você precisa voltar para casa tarde de vez em quando para não ouvir sua mulher reclamando de você o tempo todo.

Mulheres:
Procurem parecer bonitas antes de qualquer coisa, mesmo que suas atitudes demonstrem pouca educação, afinal de contas não é o que os homens buscam numa mulher, né? Quanto mais bonita e atraente você parecer, maiores serão as chances de namorar e casar-se com um homem rico e trabalhador, com boa vida social e que te dê conforto...
Se não conseguem ter um corpo bonito porque você tem preguiça de caminhar até o restaurante a dois quarteirões do seu emprego e prefere ir de carro porque é mais confortável, experimente fazer uma dieta dessas que você nunca consegue seguir à risca, afinal de contas, quem resiste a um doce a cada 3 horas?
Procure se manter na moda. Use sempre aquelas calças de cintura baixa que você vê lindas naquelas revistas de moda em que as modelos magrelas que mais parecem cabides ambulantes aparecem usando, mesmo que em você fique com uns pneuzinhos transbordando para fora deixando mais evidente e moldando o seu corpo para que fique bem quadrado... assim, logo você ficará tão sexy quanto o Godzilla*, mas quem se importa? Se só com 5% desse corpo você conseguir "fizgar" um empresário rico e muito trabalhador para sustentar seus regimes de aparência ou suas caríssimas roupas "da moda" e viver uma vida de novela, pra que se preocupar?
Se ele puder sustentar suas contas com um personal trainer bonitão, você pode até dar uma "puladinha de cerca" de vez em quando, já que o seu marido chega tarde e costuma ter um horrível bafo de cerveja e pensa mais em futebol do que em você! (Por que será?)
O importante é manter as aparências... mostrar para as amigas e ex-namorados que você está sempre muito bem, mesmo que o melhor companheiro que você tem seja seu personal trainer e que você jamais poderá contar a ninguém... nem mesmo seu cabeleireiro.

Resumindo... É a aparência que move o mundo. E é isso o que me irrita: pseudo-puritanismo é um saco! Mas é tão normal que se eu fosse reclamar disso o tempo todo eu nem teria vida social. (Tenho?)
Mas o que realmente é difícil, é encontrar excessões no meio desse jogo de faz-de-conta todo...

Sabe de uma coisa? Vou visitar um certo museu dia 1o. de abril. Irei às 2 da tarde, exatamente como fiz no dia 1o. de abril de 1999, onde penso que encontrei uma excessão dessas a que me refiro. O lugar não podia ser mais apropriado... um museu de arte. E aquela era, sem dúvida, uma obra de arte magnífica... um encontro que mudaria a minha vida.
Vou visitar o mesmo museu. Não importa quais obras estejam sendo expostas. Não importa nada. Só quero estar lá. Talvez buscando algo que esqueci, ou que perdi... não sei.
Na verdade, eu queria começar toda a minha vida de novo, pois esta, já acabou pra mim.
E não é só porque detesto cerveja, não gosto de futebol, não sou rico e não tenho secretária.

* Obs: Desculpas ao Godzilla pela ofensa. Até que é um monstrinho simpático... aliás, bem mais elegante que muita mulher "sem semancol" que vejo pelo mundo afora...