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quarta-feira, 2 de novembro de 2005

É tradição o comércio se aproveitar das emoções humanas para vender de tudo, seja no "Dia dos Namorados", no "Dia dos Pais", Dia das Mães", "Dia de Finados"...
Essa semana, entre as apresentações do curso que estou fazendo, foram citadas algumas frases de incentivo, mas tem uma que me perturba profundamente: "A saudade a gente mata".
Aí eu pergunto: e em dias como hoje... Finados...???
Como matar saudade de alguém que já não se encontra mais presente?
Por essas e outras que considero os livros de auto-ajuda um imenso monte de bobagem.
Todos nós sentimos saudades de alguma coisa: dos tempos de criança, de alguém que se foi, de um grande amor perdido no tempo, de bons momentos vividos e que jamais voltarão a se realizar... enfim.
Mas explorar esse tipo de sentimento visando lucro é um ato cruel, frio, criminoso... enfim, a essência do mundo em que vivemos hoje, infelizmente.
É bem claro que o materialismo fugiu do controle e as pessoas estão cada dia mais competitivas, concorrentes ao invés de unidas com o propósito de desenvolver a humanidade para garantir a sobrevivência futura da espécie.
Esse mesmo materialismo que desumaniza o ser humano, é também o responsável pela degradação do planeta, pelos desequilíbrios da natureza que reage com toda a sua fúria através de mudanças climáticas cada vez mais imprevisíveis e destrutivas.
Esse mesmo materialismo é o responsável por milhares de pessoas no mundo passando fome enquanto o peixe está contaminado, os vegetais envenenados, a vaca louca e o frango gripado.
Notem que não estou usando o termo capitalismo, porque considero tanto o capitalismo quanto o socialismo/comunismo como "farinha do mesmo saco" nesse sentido. E ainda não sei qual dos dois se apresenta de forma mais sínica.
Estou me sentindo muito triste hoje.
Triste, com muita saudade de uma pessoa que sei que não posso abraçar de novo;
Triste, com um mundo cada dia mais caótico, falso, irresponsável e inconseqüente... e o que é pior: nos contamina, fazendo-nos pensar que isso tudo é "normal";
Triste comigo mesmo, que me sinto completamente impotente diante dessa situação toda.
É muito frustrante ser tão utopista e querer "consertar o mundo" e o máximo que posso fazer é uma mísera parte, incluindo esse blog, onde tento apontar o quanto ignoramos a nós mesmos e o quanto somos todos responsáveis por tudo isso.
Quem dera eu pudesse voltar atrás com os meus erros, pudesse reescrever a história da minha vida sem ter coisas com as quais eu me arrependesse, nem lágrimas entre as páginas!
Quero recomeçar a minha vida. É só o que posso fazer.
Luto por isso todos os dias, mas sinto que mesmo que eu consiga alcançar o tão sonhado sucesso, ainda me faltará uma coisa muito importante... É a maldição de quem comete erros que não se pode consertar: carregar o peso desses erros consigo pelo resto da vida.

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