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sexta-feira, 25 de novembro de 2005

Sem dúvida, os valores da sociedade são altamente mutáveis. Mas com o tempo, muitas coisas boas vão se perdendo enquanto muitas coisas ruins têm se criado. Isso é uma tendência natural do ser humano, cuja capacidade de avaliar conseqüencias é limitada, embora o orgulho não seja.
Aparentemente, as mulheres costumam ter atitudes mais inteligentes nesse sentido, embora seus conhecidos costumes consumistas denunciem seu outro lado...
Mulheres são seres maravilhosos... podem ser tão hipnoticamente encantadores quanto destruidores maliciosos.
Seus hábitos e reações, sempre são uma imensa incógnita para o sexo oposto, o que pode ser tanto apaixonante quanto intimidante.
Mas certas coisas observáveis denunciam ainda que subjetivamente que tipo de mulher ela é.
O simples modo de sorrir, de olhar, de caminhar muitas vezes define o jeito de uma mulher, tornando-a atraente, ou não.
Ontem observei uma mulher que considero muito linda... Eu já a tinha visto uma vez e mesmo trocado umas poucas palavras eu já pude facilmente observar sua excelente educação e simpatia e passei a admira-la, embora talvez ela não saiba (mesmo tendo piscado para mim... acho, ou se admirado digamos... com a minha forma metódica de tentar resolver problemas).
Se não estivéssemos numa situação tão eticamente rígida, certamente a convidaria para jantar... (se ela não for comprometida, claro). Eu adoraria saber mais sobre ela, conhece-la melhor. Mas pelo pouco que tenho observado, muito poucas mulheres que conheço e/ou tenho observado têm tanta classe, estilo, jeito... Puxa! Espero poder ve-la mais vezes! É difícil defini-la.
Adoro mulheres... esse é o meu mal. A maioria das mulheres que observo, parecem-me tão "desequilibradas", ou "sem jeito"... é como se sempre estivessem tentando esconder alguma coisa, mas ela... não parece ter problemas com isso.
Mas como sou azarado... ela não pôde ficar por lá muito tempo. Nem conversamos. Certamente ela tinha seus compromissos e eu não passo de uma "sombra" na multidão... Ao menos na aparência. Pela ética, é preciso manter isso nesse momento.
O futuro é incerto, mas tenho uma estranha sensação de que a verei de novo. Quem sabe?
Essa semana fiquei pensando nas palavras de Frank Miller sobre raras mulheres hoje saberem de fato, caminhar usando sapatos de salto alto, classificando isso como "uma arte quase perdida".
De fato, a maioria das mulheres que os usa, apenas os usa. Conseguem andar com eles até que muito naturalmente, mas muito poucas conseguem usa-los para caminhar com elegância.
Meu texto de hoje é uma homenagem a essas raras mulheres elegantes, educadas... mulheres que encantam sem precisar esforço, ou produções especiais. Às mulheres inteligentes, observadoras, charmosas.
Mulheres existem aos montes. Mas essas, são especiais. E estão cada dia mais raras.
Um grande beijo a todas.

Ah... à essa mulher que piscou para mim (se ler este texto), uma piscadinha também... ao menos por enquanto. ;-)

domingo, 13 de novembro de 2005

Cara... eu adoro falar sozinho!
Podem me chamar de maluco... às vezes também penso que deve ser mesmo meio doido... também trabalhando com o tipo de coisa que eu trabalho... que diga-se de passagem, às vezes exige uma concentração que deixaria qualquer mestre de yoga simplesmente pirado.
Mas eu costumo falar sozinho mesmo, é quando pratico um dos meus hobbies... remasterização da áudio.
Adoro pegar velhas gravações da minha coleção e "limpa-las", re-equaliza-las, filtra-las "n" vezes até que fiquem do jeito que eu gosto.
É desafiador, mas muito prazeroso quando o resultado satisfaz.
Geralmente faço isso quando estou me sentindo só. Talvez por isso mesmo falo muito sozinho nessas horas.... e olha que são muitas horas... às vezes perco toda a tarde de um domingo, ou de um sábado nisso.
Geralmente só percebo o tempo que fiquei nisso por causa do estômago me obrigando a parar para me alimentar.
E de fato, um exercício de concentração... para não pensar nada. Uma fuga... talvez da mesmisse, talvez da solidão... Sei lá.
Várias vezes pensei em fazer disso uma profissão para substituir a prostituidíssima computação gráfica em que me especializei em 20 anos de experiência, mas não quero estragar esse que é um dos poucos prazeres que ainda posso curtir na vida.
Além disso, não quero ficar escravo de prazos impossíveis para esse tipo de trabalho, uma vez que apenas algumas horas de áudio digital na orelha é o suficiente para não conseguir perceber mais detalhes do som... assim sendo, uma música pode levar meses para ficar realmente legal... É comum por exemplo, não se perceber que se está usando excesso de compressão, ou perde-se a referência para equalizar a música de modo a manter a harmonia.
Os trabalhos mais difíceis são as gravações mais antigas... algumas oficialmente "inexistentes" como BB King e Jimi Hendrix tocando "Like a Rolling Stone", são achados que para mim se equiparam a achar uma obra de um Van Gogh da vida forrando um galinheiro. Essa gravação por exemplo, certamente foi gravada em fita cassette na década de 60 durante algum ensaio... acho que essa realmente vai me dar trabalho por meses... mas não me importo. Afinal, poderei dizer que sou um dos poucos no mundo a ter essa gravação remasterizada... e certamente bem mais nítida que a gravação do cassette original.
Os trabalhos de remasterização mais tranqüilos são de músicas da década de 80... parecia haver um cuidado especial na gravação original das mesmas, somado à inacreditável onda criativa provinda da década de 60 e às tecnologias de áudio e música eletrônica dos anos 80.
Nos anos 90, esse impulso criativo começou a se perder em função das vontades gananciosas das gravadoras num lamentável prejuízo artístico... enfim... nunca se vendeu tanto flashback quanto agora, né?
Imagino quantos grandes talentos sequer arriscaram se enveredar pela música... Quantas canções, sons novos, batidas emocionantes, solos virtuosos deixaram de ser revelados aos nossos ouvidos nos últimos 15-20 anos?
Remasterizando esses flashbacks, tenho me deparado com sons que na época, eu não percebia... detalhes embora perdidos no tempo, que talvez significassem a razão de sua "magia"...
A forma como os sons eram explorados era outra... havia espaço para transportar a imaginação e "viajar" entre as ondas... Hoje, ao ouvir esses sons, é como estar lá de novo, vendo outros detalhes das mesmas paisagens.
Incrível como a música consegue fazer nossa imaginação viajar no tempo!
E é uma pena que é só a imaginação.

quarta-feira, 2 de novembro de 2005

É tradição o comércio se aproveitar das emoções humanas para vender de tudo, seja no "Dia dos Namorados", no "Dia dos Pais", Dia das Mães", "Dia de Finados"...
Essa semana, entre as apresentações do curso que estou fazendo, foram citadas algumas frases de incentivo, mas tem uma que me perturba profundamente: "A saudade a gente mata".
Aí eu pergunto: e em dias como hoje... Finados...???
Como matar saudade de alguém que já não se encontra mais presente?
Por essas e outras que considero os livros de auto-ajuda um imenso monte de bobagem.
Todos nós sentimos saudades de alguma coisa: dos tempos de criança, de alguém que se foi, de um grande amor perdido no tempo, de bons momentos vividos e que jamais voltarão a se realizar... enfim.
Mas explorar esse tipo de sentimento visando lucro é um ato cruel, frio, criminoso... enfim, a essência do mundo em que vivemos hoje, infelizmente.
É bem claro que o materialismo fugiu do controle e as pessoas estão cada dia mais competitivas, concorrentes ao invés de unidas com o propósito de desenvolver a humanidade para garantir a sobrevivência futura da espécie.
Esse mesmo materialismo que desumaniza o ser humano, é também o responsável pela degradação do planeta, pelos desequilíbrios da natureza que reage com toda a sua fúria através de mudanças climáticas cada vez mais imprevisíveis e destrutivas.
Esse mesmo materialismo é o responsável por milhares de pessoas no mundo passando fome enquanto o peixe está contaminado, os vegetais envenenados, a vaca louca e o frango gripado.
Notem que não estou usando o termo capitalismo, porque considero tanto o capitalismo quanto o socialismo/comunismo como "farinha do mesmo saco" nesse sentido. E ainda não sei qual dos dois se apresenta de forma mais sínica.
Estou me sentindo muito triste hoje.
Triste, com muita saudade de uma pessoa que sei que não posso abraçar de novo;
Triste, com um mundo cada dia mais caótico, falso, irresponsável e inconseqüente... e o que é pior: nos contamina, fazendo-nos pensar que isso tudo é "normal";
Triste comigo mesmo, que me sinto completamente impotente diante dessa situação toda.
É muito frustrante ser tão utopista e querer "consertar o mundo" e o máximo que posso fazer é uma mísera parte, incluindo esse blog, onde tento apontar o quanto ignoramos a nós mesmos e o quanto somos todos responsáveis por tudo isso.
Quem dera eu pudesse voltar atrás com os meus erros, pudesse reescrever a história da minha vida sem ter coisas com as quais eu me arrependesse, nem lágrimas entre as páginas!
Quero recomeçar a minha vida. É só o que posso fazer.
Luto por isso todos os dias, mas sinto que mesmo que eu consiga alcançar o tão sonhado sucesso, ainda me faltará uma coisa muito importante... É a maldição de quem comete erros que não se pode consertar: carregar o peso desses erros consigo pelo resto da vida.