Translate

sexta-feira, 26 de agosto de 2005

Começo o meu post de hoje, peço desculpas aos frequentadores assíduos deste blog, por eu não ter escrito com a freqüencia costumeira.
O motivo é que estou "apanhando" num curso para me instruir quanto à operação de mainframes, bem como sistemas de processamento centralizado de alta disponibilidade, entre outras coisas.
Sei que para algumas pessoas isso pode parecer estranho, principalmente pelo fato de os mainframes serem uma modalidade de computadores inventada pela IBM a mais de 40 anos e até a pouco tempo atrás eram considerados obsoletos.
Pois bem... os "dinossauros" da informática estão ressuscitando e com força total (e com nomes bem sugestivos como T-Rex) , apesar das dificuldades de aprendizagem de operação dos mesmos, e o motivo desse retorno é muito simples: a revolução da microinformática, evoluiu para uma mistura de torre de babel com bola de neve por uma série de motivos que acabam por fazer dos microcomputadores, soluções muitas vezes pouco confiáveis mais parecidas com videocassettes (que enroscam as fitas de vez em quando) do que com ferramentas de trabalho.
A verdade é que com a "popularização descontrolada" da microinformática, os computadores pessoais que antes eram ferramentas de estudo e diversão para nerds passou a ser um PRODUTO DE CONSUMO ASSUMIDO para a grande massa. Então, quando buscamos alguma solução séria, profissional e confiável, na imensa maioria das vezes, terminamos esbarrando na necessidade quase que absoluta de uso de um certo "sistema operacional", porque "o mundo todo só fala essa linguagem", apesar dos pesares.
Outro dia mesmo, eu estava visitando o consultório endo-odontológico de um amigo meu, cujas tecnologias são pioneiras na América Latina e lá estava ele dizendo que infelizmente o sistema operacional que ele estava usando era "uma mer..." mas que ele "não tem escolha", pois TODOS os softwares de controle dos sistemas e aparelhos dele SÓ RODAM nesse sistema.
Grandes corporações, instituições militares e governamentais, entre outras que necessitam de sistemas altamente confiáveis e que não podem se dar ao luxo de "trombarem" com dificuldades geradas por vírus, spywares, adwares e principalmente por usos indevidos dos usuários, têm optado por voltarem seus olhos para velhas soluções, aparentemente mais simples, porém eficientes.
Além disso, existem "zilhares" de softwares escritos "no tempo do onça" com seus respectivos bancos de dados ainda em uso e cujos donos desse investimento todo não irão redesenvolver tudo do zero feito um usuário que formata o HD para reinstalar tudo atualizado... ou seja, o efeito "torre de babel" continua existindo, infelizmente. Mas ao menos a bola de neve está sob controle... ao menos por enquanto.
Pessoalmente penso que pelo que tenho observado ao longo de todos esses anos de experiência com computadores, creio que os caminhos e arquiteturas da informática deveriam ser repensados cuidadosamente, pois nem os microcomputadores estão confiáveis e eficientes como deveriam, num total disperdício de recursos em nome do consumo de massa, nem os computadores de grande porte e alta confiabilidade estão tão simples de usar como o HAL9000 do filme "2001 - Uma Odisséia no Espaço", ou amigáveis como o LCARS da série "Jornada Nas Estrelas - Nova Geração".
Aparentemente a modalidade de computadores que mais está se acertando é representada pelos portáteis, em especial os embutidos em telefones celulares, mas como estão são produtos de consumo... eu não apostaria minhas fichas tão cedo.
Os mainframes de hoje são máquinas modernas, rápidas e confiáveis, mas opera-las definitivamente não é fácil, nem mesmo para pessoal experiente com computadores. E os termos técnicos usados são um oceano de siglas de significado obscuro, o que dificulta imensamente qualquer treinamento.
De qualquer forma, a sensação que fica é a humanidade aos poucos finalmente está percebendo que soluções baseadas no marketing estão cada vez mais se mostrando menos eficientes na prática, ou seja, não basta ser bonito, moderno, etc. e tals... tem de funcionar na prática. E bem.
Penso que talvez não tenhamos percebido essas coisas a tempo e que talvez em uns 10 anos, sofreremos um verdadeiro colapso nos sistemas de informação se nada for feito e quem tiver consciência disso hoje, pode se dar bem amanhã.
Quem sabe?

Nenhum comentário: