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sexta-feira, 8 de julho de 2005

Estou ficando irritado com a imensa enxurrada de quinquilharias digitais que a indústria não para de lançar ou de relançar como se fosse coisa nova.
O pior é que muitos desses "gadgets" não passam de brinquedinhos que só servirão para alimentar o stress nosso de cada dia com a eternizada busca de drivers pela internet que nem sempre existem para as plataformas que o usuário usa, nem compatível com a versão do sistema operacional, bem como o desespero por cabos e adaptadores para plugar a "árvore de natal" de forma que ela funcione sem que nenhum chipset conflite com outro.
Fazer toda essa tralha funcionar está se tornando um desafio cada dia maior enquanto a indústria cria necessidades muito mais psicológicas do que reais e as pessoas tendem a buscarem as novidades mais por medo subconsciente de exclusão social do que por real necessidade.
Você consegue enumerar quantos modelos novos de tocadores de MP3, de PDAs e câmeras digitais surgiram nos últimos 2 anos? E desses, quantos foram apenas "redesenhados" para se parecerem com versões "aprimoradas" do mesmo produto? (OK! Algumas dessas quinquilharias tiveram real aprimoramento, como mais memória, ou mais velocidade, mas... não tenho percebido melhoras tão significativas de um modo geral.)
Pra piorar as coisas, os telefones celulares estão cada dia mais parecidos com canivetes suíços digitais, substituindo PDAs, câmeras digitais (embora com resolução e qualidade ótica sofrível) e tocadores de MP3, fazendo com que um gadget substitua 3... e estão evoluindo rápido! A Próxima geração de celulares vem aí... com câmeras de 7 megapixels e 10GB de memória... diga-se de passagem, mais memória que muito PDA "poderoso" por aí...
Aparentemente só os computadores não estão seguindo o mesmo ritmo de evolução: continuamos rodando o lastimável Windows porque a grande maioria dos fabricantes dessa tranqueirada toda não faz drivers nem software para outras plataformas mais sólidas como o MacOS X, ou mesmo para sistemas operacionais gratuitos como as centenas de "distribuições linuxóides" por aí... aliás, tá aí o principal motivo desse tipo de sistema ficar "preso" apenas a servidores, roteadores e quando muito a sistemas para escritório... uma pena.
O usuário comum quer simplicidade (mesmo porque a grande maioria vê na operação de um mouse um dos maiores desafios ao intelecto humano, mas quer ter e usar tudo o que a mais moderna tecnologia tem a oferecer... sem ler manual algum. Aliás, sem ler coisa alguma).
Não bastassem as pragas digitais modernas (vírus, spyware, adware, "usuare"), ainda temos de lidar com os bugs de aparelhos que já nascem mortos, ou com uma vida útil muitíssimo curta, graças à imensa corrida para ter-se sempre o "mais novo"... o quê mesmo?
A meu ver, quem realmente sai ganhando com tudo isso são os fabricantes (cada dia mais omissos de responsabilidade sobre o que "despejam" no mercado), a mídia que fatura promovendo tudo isso e só. O consumidor mesmo, obtém pouco benefício, ficando mais "enrolado" em baixar drivers e softwares mais recentes ou procurar adaptar seus "gadgets" ao seu atual sistema.
Se de uma hora para outra nosso consumidor hipotético conseguisse trocar tudo o que já tem por tudo o que há de mais moderno, certamente não conseguiria integrar tudo ou no mínimo, perderia muito tempo de sua vida para conseguir... tempo suficiente para descobrir que tudo o que adquiriu tornou-se obsoleto.
E foi-se tempo, e foi-se dinheiro, e foram-se momentos preciosos de sua vida... para quê? Será que compensa?

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