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quinta-feira, 21 de julho de 2005

Acho que vou falar de mim hoje. Afinal, o objetivo desse blog é mostrar a ignorância da humanidade, inclusive a minha, não é?
Não pretendo repetir aqui as coisas que já estão escritas lá no meu outro site, o sempre abandonado "Picolo's Online", que carece de um update a muito tempo, mas não ligo mais para isso.
Aliás, não ligo mais para um monte de coisas que antes eram importantes para mim.
Uns dizem que eu peguei todos os meus grandes talentos e enterrei numa cova bem funda, outros, ao lerem os textos desse blog, podem me achar muito "'aspero" em minhas críticas aos caminhos atuais que a humanidade está tomando na atualidade e que certamente terão suas conseqüências no futuro.
Quem me conhece, sabe que eu não sou nenhum "revolucionário", ou coisa parecida e muito menos agressivo como pessoa, embora às vezes temos de ser fortes em nossas convicções se quisermos fazer alguma diferença. E esse é aí que mora o meu grande mal.
Já houve época em que eu acreditava que podia fazer alguma diferença; que se eu trabalhasse bastante poderia ter uma vida melhor; que se eu amasse muito alguém seria o bastante para podermos ficar juntos pelo resto de nossas vidas; que se eu fizesse coisas que ninguém mais fazia, essas coisas teriam mais valor que as coisas comuns e que se eu estudasse coisas que ninguém procurasse entender, eu teria o conhecimento ao meu favor.
Já houve época em que eu acreditava no futuro, na vida, nas pessoas, nas religiões que pratiquei... já houve época em que eu acreditava em Deus!
Hoje, tenho muita dificuldade em acreditar em qualquer coisa.
Todos os grandes projetos dos quais participei (e olha que já me meti em projetos realmente grandes), foram por água abaixo.
Tudo o que ajudei a construir, acabei perdendo, de um jeito ou de outro, feito a "casa popular" que os meus pais compraram e eu ajudei quando criança a transforma-la numa casa espaçosa, bonita e confortável, carregando blocos de concreto um a um, envernizando caibros, parafusando caixas de força... Hoje olho para a calosidade no meu polegar esquerdo, resultado daqueles trabalhos e me lembro de que tivemos de vender a casa para pagar uma dívida do irmão do meu pai e é por isso que eu jamais compro nada a prestação e não ligo quando me dizem que nunca vou ter nada na vida se não fizer dívidas.
Posso não ter muitas posses, mas tenho o orgulho de não dever nada a ninguém.
É um dos poucos orgulhos que tenho na vida.
Pode não ser lá grande coisa, mas para mim, tem muito valor.
Tenho muito orgulho das coisas que sei fazer bem feito, mas já não me importo com o quanto significam para o mundo.
Sei que já treinei algumas pessoas que estão fazendo sucesso e me orgulho disso e que nem de longe sou pago de acordo com o que vale o meu trabalho, mas não tenho mais ânimo para tentar coisas novas. Na verdade, freqüentemente me vejo como um imenso fracasso, mas se me serve de consolo, sei que não sou o único no mundo a se sentir assim.
Às vezes penso que minha missão na Terra é apenas observar, já que não consigo mesmo mudar o meu destino, o meu karma, a minha sina...
Há pessoas que afirmam que eu mudei muita coisa, mas na verdade não fui eu. O que fiz, foi só mostrar o caminho a quem tinha forças para caminhar.
Aliás, muito mais força do que tenho.
Uma vez, uma garota me puxou da cadeira para que eu dançasse com ela, porque eu me sentia como estou me sentindo hoje: insignificante diante da imensa massa de ignorância que esse mundo se tornou.
Aquele gesto, me trouxe esperanças... e mesmo essas esperanças, já se foram.
Vivo os meus dias como um observador solitário.
Deixo minhas impressões aqui nesse blog para quem quiser ler e não ligo se as pessoas têm algum interesse nisso ou não.
Não sei como se lembrarão de mim depois que o meu dia chegar... mas até lá, vou observando... fazendo a minha parte como conselheiro, confessor, amigo... é só o que eu sei fazer que parece ter algum valor real nesse mundo.
Minha formação sempre foi muito rígida no sentido de disciplina, de caráter, de ter sempre certeza das coisas... Não posso mudar o que sou, nem fazer com que o mundo à minha volta seja assim.
Por isso sou revoltado, frustrado... Puxa! Que velho chato estou me tornando!

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